domingo, 4 de fevereiro de 2018

O Senhor da História

O livro de Daniel começa com a surpreendente declaração de que foi Deus quem decidiu a questão no conflito entre duas nações: Judá e Babilônia. Consideremos os seus dois primeiros versos:

“No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei de Babilônia a Jerusalém, e a sitiou.  O Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoaquim, rei de Judá, e alguns dos utensílios da casa de Deus; a estes os levou para a terra de Sinear, para a casa do seu deus, e os pôs na casa do tesouro do seu deus”.
           
Os historiadores não costumam reconhecer declarações como esta. Eles explicam todos os detalhes sobre os fatos ocorridos na História, mas não alcançam explicar aquilo que está oculto aos seus olhos.

A humanidade secularizada de nosso tempo segue pelo mesmo caminho, acreditando que Deus criou o mundo, não necessariamente da forma narrada em Gênesis 1 e 2, e que as coisas estão acontecendo da forma como foram predeterminadas, ou mesmo por acaso. Esta forma de pensar, transmitida pelos falsos profetas, anula o entendimento da Palavra de Deus, tirando, inclusive, a força do evangelho, pois, segundo o sábio Salomão, “não havendo profecia o povo se corrompe” - Provérbios 29: 18.
A compreensão destorcida e mesmo a ignorância dos fatos bíblicos interessa aos inimigos da verdade, pois que eles aparecem negativamente no foco da profecia e, em geral, buscam confundir, na mente das pessoas, a presciência de Deus com destino, usando até mesmo a Bíblia para se justificar. O Altíssimo, no entanto, não remove a possibilidade da dúvida, a fim de nos estimular ao estudo mais aprofundado da Sua Palavra.

Quanto aos dois primeiros versos de Daniel, a lição mais importante que extraímos é o fato de que foi Deus quem entregou Jeoaquim, rei de Judá, nas mãos de Nabucodonosor. Eis um problema teológico muito sério que precisa ser equacionado para ser resolvido: Será que Deus interfere, realmente, no curso da História?

Sim, Deus interfere da mesma forma como interferiu no dilúvio e na destruição das cidades de Sodoma e Gomorra. O exército do Egito, nos dias de Moisés, foi outro exemplo de Sua intervenção. Não obstante ser o mais rico e melhor treinado contingente militar da época acabou sendo sepultado nas águas do Mar Vermelho, quando perseguia o frágil povo de Deus, fato este comprovado pelas recentes pesquisas arqueológicas. Os hebreus, desarmados e sem nenhuma estratégia de defesa, atravessaram o mar, caminhando, e seguiram viagem.

Ainda nos dias de Moisés, como repreensão ao Seu próprio povo, Deus mandou uma peste que matou 24.000 hebreus que se prostituíram com as moabitas e midianitas, em Baal-Peor, conforme o relato de Números 25.

Tempos depois, já nos dias do rei Ezequias, Judá estava sitiada pelo exército da Assíria. Na ocasião, o rei Senaqueribe zombava de Israel, dizendo para Ezequias: Você é como um pássaro engaiolado e não há quem te possa livrar. Entrega-te e salva o teu povo. Neste dia, Ezequias foi ao Santuário e rogou a Deus por libertação. A passagem de II Reis 19: 35 registra a resposta de Deus:

 “Então, naquela mesma noite, saiu o Anjo do Senhor e feriu, no arraial dos assírios, cento e oitenta e cinco mil; e, quando se levantaram os restantes pela manhã, eis que todos estes eram cadáveres”.

A partir da destruição do poderoso exército assírio, o curso da História foi mudado. Babilônia, a partir de então, pôde projetar-se no cenário mundial, vindo a se transformar, cerca de cem anos mais tarde, em uma vara de disciplina contra Judá. Qual era a razão? Judá se esquecera da miraculosa intervenção divina, aprofundando-se na apostasia. Foi por isso que Jeremias 37: 9-10 profetizou a respeito desta futura e inapelável invasão, dizendo, enfaticamente:

 “Não vos enganeis a vós mesmos, dizendo: Sem dúvida, se irão os caldeus de nós; pois, de fato, não se retirarão. Porque, ainda que derrotásseis a todo o exército dos caldeus, que pelejam contra vós outros, e ficassem deles apenas homens mortalmente feridos, cada um se levantaria na sua tenda e queimaria esta cidade”. 

Esta tremenda revelação veio na sequência de outra, anteriormente proclamada:

 “Toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto. Estas nações (Israel, Moabe e Edom e Amom) servirão ao rei da Babilônia por setenta anos”. Jeremias 25: 11-12. Parêntese meu.

Jeremias, certamente, ao pronunciar estas palavras inspiradas, entrava em contradição com os falsos profetas que eram assalariados pelo sistema monárquico de Israel, os quais, sem a luz divina, diziam o que os líderes queriam ouvir, profetizando coisas agradáveis e garantindo que o povo de Deus seria novamente preservado.

Mas a verdade muitas vezes nos surpreende. Quem poderia compreender o caso de uma nação pagã, imperialista e sanguinária, anexar a Terra Santa, destruir o templo do Senhor e levar os objetos sagrados para oferecer aos seus ídolos? Mas Habacuque, um dos profetas contemporâneos de Daniel, assim como Ezequiel e Jeremias, recebeu uma revelação sobre os motivos desta tão enérgica correção. Diz ele no primeiro verso do seu livro:

 “Sentença revelada ao profeta Habacuque”.

Nesta introdução o profeta dá o prenúncio de um juízo impendente sobre Israel, que deve servir de exemplo ao povo de Deus de todas as épocas porque, quando uma situação fica alarmante, escandalosa e insustentável, como acontecia com Judá daquela época, Deus sempre interfere com determinação, mas sempre como numa intervenção cirúrgica, para salvar. E, para isto, usa os Seus próprios meios. No verso seis, o profeta fere o ponto crucial desta questão:

“Pois eis que suscito os caldeus (povo de Babilônia), nação amarga e impetuosa, que marcha pela largura da terra para apoderar-se de moradas que não são suas”. Parêntese acrescentado.

E, na segunda parte do verso doze o profeta escreve a respeito do que ele entendeu sobre as razões de Deus:
“Ó Senhor, para executar juízo puseste aquele povo; Tu, ó Rocha, o fundaste para servir de disciplina”.

Desde quando Ezequias era o rei de Israel, o Senhor vinha prevenindo o seu povo com relação aos Seus desígnios contra a desobediência, conforme a exortação de Isaías 46: 9-10, a seguir:

 “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que Eu sou Deus, e não há outro, Eu sou Deus, e não há outro semelhante a Mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o Meu conselho permanecerá de pé, farei toda a Minha vontade”.

Mas, não obstante os seguidos apelos dos profetas, o povo recalcitrava nos pecados e acabou no exílio profetizado.

Em nosso passado recente pudemos ver a intervenção divina por trás do desenrolar da História. Em 1991, diversas forças militares internacionais, coligadas com as dos Estados Unidos da América, venceram Sadan Hussein. Será que foi porque eram vinte e sete nações contra uma? Ou porque tinham exércitos muito mais poderosos do que o do Iraque? Sim, mas foi também porque Deus o permitiu!
Aquelas ações certamente faziam parte do plano de Deus para que as nações do mundo se unissem, porque a profecia sempre esteve presente no início do rastro da História.
Em 1995, o número de nações já aumentou para quarenta e duas para lutar, juntas, contra o mesmo Iraque. Em 2015, cerca de sessenta nações se prontificaram para enfrentar, unidas, o pequeno grupo terrorista Estado Islâmico.
As nações estão entendendo que este é o melhor caminho para fortalecer a Organização das Nações Unidas no sentido de abafar nações e grupos não alinhados com a maioria, no sentido de promover a paz mundial! Deus já sabia deste encaminhamento mesmo antes dele acontecer!

O que os estadistas não entendem é que tudo faz parte dos aspectos geopolíticos da profecia que aponta para a formação do último império mundial pagão profetizado que, unido com a religião predominante, servirá de disciplina para os filhos de Deus da atualidade.
Será a perseguição causada pela sétima cabeça do dragão vermelho de Apocalipse 12: 3 que selecionará os remanescentes fieis, os quais serão fortalecidos de forma sobrenatural para a emergente situação.
As religiões também não estão entendendo os planos de Deus e, por isso, estão se unindo freneticamente tanto com Roma como com a Nova Ordem Mundial.
As pequenas companhias estão sendo absorvidas pelas maiores; as nações estão se unindo em grupos como a CE, os BRICS, a OTAN, o G20..., seguindo todos no mesmo sentido. As instituições estão sendo globalizadas a exemplo da FIFA, do Banco Mundial, da Bolsa de Valores, da Organização Mundial do Comércio, da Organização Mundial da Saúde, etc.

Todos estão se unindo no mundo e com sucesso, porque isto convém aos planos de Deus. Os antigos profetas disseram inclusive que Deus pretende se revelar usando Israel como um cetro de ferro sobre este poderoso mundo paganizado, antes que apareça gloriosamente nos ares para receber o Seu povo.

E nós, de Laodiceia, o que devemos fazer? Devemos estudar as profecias e nos unir pela fé, deixando de lado as nossas pequenas diferenças, para que possamos receber as últimas bênçãos e a vida eterna, como nos ensina o Salmo 133:

“Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! ... Ali, ordena o Senhor a sua bênção e a vida para sempre”.

Assim, unidos pela graça e no poder de Deus, sem comprometer o evangelho, os justos enfrentarão as forças do mal reunidas. Este processo já vem se movendo há anos, mas os cientistas políticos não entendem! Este é um plano que muitos remanescentes da Igreja de Deus também não estão conseguindo ver. E se você está testemunhando coisas estranhas, mesmo dentro de sua igreja, não se perturbe, descanse, porque Deus está no controle de tudo. A faxina necessária será feita por Ele, não por nós, e muito em breve.

Assim, a primeira grande lição que devemos aprender é a de que Deus interfere, molda e controla a História dos moradores desta Terra da mesma forma como governa e conduz as demais partes do Seu esplêndido Universo.


A segunda grande lição é a de que Deus não atua apenas socialmente, ao nível das nações e de Sua Igreja, como um todo, mas interfere ao nível de cada vida, em particular, como veremos no próximo capítulo.

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