sábado, 3 de fevereiro de 2018

Uma profecia muito especial

            Muitos cristãos sinceros não acreditam na Trindade divina e nós, particularmente, ainda suspeitamos que a mornidão de Laodiceia esteja diretamente relacionada com a aceitação deste dogma católico.            
            A partir desta hipótese julgamos que seria bom analisarmos os riscos que corremos pelo simples fato de pertencermos à última igreja cristã, de quem Jesus diz:     
            “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente. Assim, porque és morno, e nem és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca; pois dizes: estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu” - Apocalipse 3: 15 -17.
             Esta é uma profecia contundente que se cumpre no alarmante desleixo espiritual vivido pelos laodicenses. Trata-se de uma instituição cumpridora de seus deveres, mas de quem Jesus diz estar sem as vestes de salvação por não enxergar sua verdadeira condição. E o pior de tudo é que não podemos questionar Seu testemunho.
Com relação a essa cegueira o Senhor aconselha a compra de um colírio especial para que possa voltar a ver, conforme Apocalipse 3: 18:
Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os teus olhos, a fim de que vejas”.
Ora, dentre as recomendações preconizadas neste texto fica claro que a cegueira em pauta  está diretamente relacionada com a ausência de colírio, um símbolo evidente do Espírito Santo, e que a Igreja só voltaria a ver sua real condição, mediante o emprego deste produto de origem celestial.
A partir desta informação dada por Aquele que não pode errar decidimos iniciar a nossa pesquisa sobre esta questão pela tradução literal do Espírito Santo, que se encontra em Atos 1: 8


     Mas recebereis poder, o Espírito Santo vindo sobre vós”. 
Essa tradução de Atos 1: 8 não é usual. Foi realizada por Louis Segond, Docteur em Théologie, do texto original grego vertido para o Francês pela Sociedade Bíblica de Genebra. E a autenticidade desta tradução pode ser confirmada junto por qualquer professor de grego.
Uma maneira mais fácil de comprovar esta afirmação, no entanto, é verificá-la nas notas de rodapé do Dr. Scofield, renomado intérprete das Escrituras. O seu depoimento se encontra na Bíblia Revista e Atualizada prefaciada por ele, página 1127, edição de 27 de maio de 1966.

No seu comentário de Atos 19: 2 ele critica o tradutor João Ferreira de Almeida por ter considerado o dom do Espírito Santo como sendo recebido “quando crestes”, quando, na verdade, a tradução correta seria, segundo Scofield, “tendo crido”.
Traduzido da maneira correta, o dom do Espírito Santo só seria outorgado sob a condição de crer em Jesus, deixando claro que se tratava realmente de um poder adicional concedido pelo céu para fazer prosperar o plano da redenção humana.
Por outro lado, em ambas as passagens: Atos 1: 8 e 19: 2, que tratam do mesmo assunto, os particípios gregos foram traduzidos pelo padre João de maneira a ocultar que o dom do Espírito Santo fosse concedido apenas aos que cressem. Sua interferência no texto foi sutil, mas passou a indicar que o dom poderia ser outorgado algum tempo depois do exercício da fé, o que, segundo Scofield, não está de acordo com o texto original grego. O interessante é que a sua observação confirma, perfeitamente, a posição do tradutor francês.
Se desejarmos uma comprovação bíblica para a tradução de Louis Segond, confirmada por Scofield de que o Espírito Santo é simplesmente o poder de Deus, disponível somente aos crentes em Jesus, vejamos uma passagem do apóstolo Paulo, em Efésios 3: 14-21. Disse ele:
“Por esta causa me ponho de joelhos diante do Pai... para que segundo a riqueza de Sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o Seu Espírito no homem interior; e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor... Ora, Àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o Seu poder que opera em nós, a Ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!”. Negritos acrescentados. 
Apesar destas comprovações irrefutáveis, a grande maioria das versões atuais se baseiam no viés endossado pelo padre medieval, pois que adotam a tradução criticada por Scofield, que estamos acostumados a encontrar em Atos 1: 8, transcrita como segue:
“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo...”. 
Esta versão, removendo a ação do Espírito Santo do momento da conversão dos convertidos a Cristo, induz o leitor à uma falsa compreensão deste dom que, de acordo com a tradução do padre João, poderia ser considerado proveniente da Divindade em qualquer tempo e para qualquer um, deixando de ser apenas aquele recurso poderoso que foi concedido à Igreja Primitiva para facilitar o seu processo inicial de evangelização do mundo e que também foi prometido, ainda com maior abundância, para o encerramento da obra de Deus na Terra.

            Como esta adulteração dos textos de Atos 1: 8 e 19: 2 tem prevalecido até aos dias de hoje, precisamos examiná-la em profundidade ainda maior por crermos na sua relação íntima com o pecado que não tem perdão.

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