terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O Santuário de Deus





“TODOS OS QUE RECEBERAM LUZ SOBRE ESTES ASSUNTOS DEVEM DAR TESTEMUNHO DAS GRANDES VERDADES QUE DEUS LHES CONFIOU. O SANTUÁRIO NO CÉU É O PRÓPRIO CENTRO DA OBRA DE CRISTO EM FAVOR DOS HOMENS. DIZ RESPEITO A TODA ALMA QUE VIVE SOBRE A TERRA. PATENTEIA-NOS O PLANO DA REDENÇÃO, TRANSPORTANDO-NOS MESMO ATÉ O FINAL DO TEMPO, E REVELANDO O DESFECHO TRIUNFANTE DA CONTROVÉRSIA ENTRE A JUSTIÇA E O PECADO. É DA MÁXIMA IMPORTÂNCIA QUE TODOS INVESTIGUEM ACURADAMENTE ESSES ASSUNTOS, E POSSAM DAR RESPOSTAS A QUALQUER QUE LHES PEÇA A RAZÃO DA ESPERANÇA QUE NELES HÁ”.

                                      O GRANDE CONFLITO, p. 492.




Introdução
            Desde que o homem pecou deveria demonstrar fé no Redentor porvir, através de oferecimento de cordeirinhos. Cada cordeiro sacrificado tipificava a morte do Cordeiro de Deus.
Essa cerimônia, a princípio era feita sobre altares de pedras. Mais tarde o Senhor ordenou a Moisés que construísse um Santuário de 18 metros de comprimento, conforme o modelo que lhe foi mostrado no monte (Êxodo 25: 40).
E qual é a importância deste Santuário? Ele apresenta de maneira vividamente ilustrada o grande plano da redenção humana.
 O próprio rei Davi tendo dificuldades de entender este plano, teve inveja dos soberbos na sua prosperidade até que entrou no Santuário de Deus e atinou com o fim deles (Salmo 73: 17).
No final dos tempos, ficou ainda mais claro o plano de Deus para conosco por meio do Santuário porque ‘vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei’ (Gálatas 4: 4), conforme tipificado pelo cordeiro.
O estudo deste tema maravilhoso tem enriquecido o nosso discernimento espiritual; e sua riqueza de detalhes tem se revelado bastante didática tanto para o irmão mais novo, como para o mais experiente.
Dividido em sete capítulos, o tema será iniciado pelas cortinas que contornavam o pátio do templo. Mesmo elas têm muito a nos dizer sobre Cristo e Seu caráter. Passaremos pelos objetos sagrados que havia no pátio, pela tenda propriamente dita, pelos objetos sagrados do Santo e do Santíssimo e também por alguns detalhes da construção. Concluiremos com uma breve aplicação por meio de Romanos oito.
            Para o desenvolvimento deste tema tomamos por base um pequeno livro escrito em francês, o qual há muito, o extraviamos e, por isso, deixamos de citá-lo na bibliografia.
            Nosso objetivo é, simplesmente, o de compartilhar a luz recebida, conforme nos aconselha a revelação.
 Capítulo 1 - O plano da salvação
1.1 - Introdução
Vamos iniciar a investigação do santuário hebreu pelas cortinas que limitavam o espaço sagrado. Elas foram confeccionadas de forma a nos revelar muitas coisas essenciais no plano de nossa salvação. Nelas aparecem detalhes importantes que muitas vezes passam despercebidos por nós. Elas foram feitas de linho fino retorcido e presas umas às outras por meio de pilares de bronze dotados de vergas e ganchos de prata.
            O branco do linho das cortinas nos fala da santidade de Jesus. Assim como as cortinas encontram-se apoiadas nos pilares de bronze, no plano de nossa salvação, a santidade de Jesus apoia-se na Sua justiça. Isto porque o bronze, na Bíblia representa um símbolo da justiça de Deus. Antes de ser justo (por nós), Ele precisava ser santo. Se Ele não fosse santo, Sua morte na cruz pagaria apenas o preço dos Seus próprios pecados – porque o salário do pecado é a morte (Romanos 6: 23). Não pecando, todavia, Ele foi moído pelas nossas transgressões (Isaías 53: 5), outorgando-nos o dom da vida eterna, a qual apenas Ele, sem pecado, tinha direito.
Este glorioso resgate do pecado e da morte, graças ao sangue remidor do Cordeiro não passou, portanto, despercebido nas cortinas e pilares que cercavam o átrio. Os ganchos e vergas de prata também são estratégicos. Eles simbolizam nossa redenção. Justamente entre a santidade e a justiça, isto é, entre as cortinas de linho e as colunas de bronze, havia a misericórdia, representada pela prata que simboliza a nossa redenção. Esta união da justiça e da santidade com a misericórdia enche de admiração todo o céu. Este mistério da misericórdia redentora, à qual os anjos desejam atentar, receberá a ênfase deste capítulo.

1.2 - A santidade de Deus
Em Isaías 6: 1-3 lemos:
            “No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dEle, cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a Terra está cheia da Sua glória”.
            O verso um nos apresenta uma visão de Deus no Santuário Celestial, o qual serviu de referência para a construção do terrestre. No verso dois, os serafins representam uma categoria superior de anjos dotados de seis asas, que assistem na presença de Deus. Sua forma de cobrir o rosto e os pés nos fala de uma profunda reverência na presença do Altíssimo. E o verso três nos dá a razão de tamanha reverência: a santidade de Deus.
            Assim como a luz é para o sol, a santidade é para Deus. Ela é o resplendor da Sua glória. E o que significa um Deus santo? Significa um Ser moralmente perfeito, dotado de uma santidade perfeita, absoluta. O soberano do Universo, em virtude de Sua perfeição, do Seu poder e glória é, acima de tudo, santo.
            Deus não somente é santo, como também, deseja compartilhar Sua santidade conosco. Lemos em I Pedro 1: 16:
            “sede santos porque Eu sou santo”.
Essa ordem de Deus é para sermos santos. Ele deseja, contudo, comunicar-nos Sua santidade de forma paulatina, até que sejamos varões perfeitos em Cristo Jesus, até ao ponto em que a santidade seja, também para nós, o que a luz é para o sol, a nossa glória.
            Os santos, no entanto, não se destacam por suas características naturais (muitas vezes até pelo contrário), mas chamam a atenção pela resoluta espontaneidade para confiar em Deus, ainda que isso pareça levar a um tremendo fracasso.
Este é o significado original da palavra santo. Não significa uma pessoa que não peque, mas que seja separada do mal. Aplica-se a um seguidor do Senhor Jesus, nascido de novo, reintegrado à família de Deus, conforme lemos em Salmos 1: 1-2:
“Bem aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes o seu prazer está na lei do Senhor, e, na Sua lei, medita de dia e de noite.”
Este plano de Deus para nós é ressaltado pelas cortinas do átrio: separação. Vejamos este detalhe a partir de Êxodo 27: 9:
“Farás também o átrio (o pátio) do tabernáculo; ao lado meridional (que dá para o sul), o átrio terá cortinas de linho fino retorcido”.
Essas cortinas, que na verdade contornavam todo o ambiente sagrado, fazia uma nítida separação entre Deus e Seus adoradores. Quando perto delas, não se podia, sequer, enxergar o tabernáculo, uma vez que elas tinham 2,5m (cinco côvados) de altura, conforme Êxodo 27: 18:
“O átrio terá cem côvados de comprido, e cinquenta de largo por toda a banda, e cinco de alto. As suas cortinas serão de linho fino retorcido e as suas bases de bronze”.
Dessa forma, a santidade de Deus retratada nas cortinas, se constituía em uma explícita separação entre Ele e os Seus ‘filhos’ pecadores. E não é isso que encontramos em Isaías 59: 2?
“Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados encobrem o Seu rosto de vós, para que não vos ouça”.
Contudo, não obstante essa separação, motivada pelos nossos pecados, em Êxodo 29: 42-43 lemos:
“Este será o holocausto contínuo por vossas gerações, à porta da congregação, perante o Senhor, onde vos encontrarei, para falar com vocês, ali. Ali virei aos filhos de Israel para que, por Minha glória, sejam santificados”.
Os filhos de Israel se reuniam em torno da tenda. O sacrifício contínuo ou diário apontava para a constância de Jesus, nosso Mediador. Seu sacrifício efetuado uma vez por todas, é válido para sempre. “Sob o sangue” os cristãos estão em segurança. Foi tomada uma providência. Os pecadores arrependidos são cobertos por uma apólice de ‘seguro de vida’ que funciona da seguinte forma:
“Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. I João 1: 9
Em Êxodo 25: 8 temos que o santuário foi erigido como um símbolo da presença de Deus com Seu povo, devendo se constituir na morada terrestre do Altíssimo:
“E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles”.
Assim, o tabernáculo não era apenas um lugar santo como também de santificação para os filhos de Israel. Todo o lugar em que Deus habita torna-se santo, inclusive o coração humano. Se assumirmos que somos pecadores e orarmos pedindo perdão, abandonando nossos pecados, Ele nos purificará de toda injustiça e, enquanto estivermos no processo de reforma total, Deus nos aceita como justos, pelos méritos de Jesus; habita em nós, mesmo enquanto lutamos pela nossa santificação.
Este elo conciliatório entre a santidade de Deus, absoluta, e a nossa, relativa, somente é possível mediante a misericórdia de nosso Pai celestial. Esse passo das Escrituras nós o encontramos em Isaías 30: 18:
“Por isso o Senhor espera, para ter misericórdia de vós, e se detém para se compadecer de vós, porque o Senhor é Deus de justiça, bem-aventurados os que nEle esperam”. 
            Para compreendermos melhor o significado do linho fino das cortinas, leiamos Apocalipse 19: 8:
            “Pois lhes foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos”.
            Sendo a nossa justiça como trapo de injustiça (Isaías 64: 6), Jesus Cristo, a testemunha fiel e verdadeira nos recomenda ‘comprar’ dEle as vestiduras brancas para nos vestirmos, conforme Apocalipse 3: 18:
            “Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que Não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os teus olhos, a fim de que vejas”.
            O resultado desta bendita transação nós a encontramos em Isaías 61: 10:
            “Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegra no meu Deus; porque me cobriu de vestes de salvação, e me envolveu com o manto de justiça”.
            Os vestidos de linho, simbolizando os nossos atos de justiça, representam nossa santidade, perante Deus. De igual forma a cor branca do linho das cortinas representa, primariamente, a santidade de Jesus Cristo, a nós disponibilizada pela fé.

1.3 - A justiça de Cristo
            Comprovamos que a santidade de Jesus é representada pelo linho fino das cortinas, e que estas se encontram fundamentadas (apoiadas) nas colunas de bronze, símbolo de Sua justiça. Como sabemos que o bronze, na Bíblia, é sempre apresentado como um símbolo da justiça de Deus? Vamos ler alguns versículos apenas para exemplificar. Em Gênesis 3: 15 temos:
            “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.
            Vemos, neste verso, que Jesus, o descendente da mulher, usa, figurativamente, o pé para esmagar a cabeça da serpente, obra essa de justiça, efetuada na cruz, por nós. Em Apocalipse 1: 15 os pés de Jesus são referidos como semelhantes ao bronze polido.
A serpente, que foi levantada no deserto como símbolo de Jesus (Números 21: 9), também era de bronze:
            “Fez Moisés uma serpente de bronze, e a pôs sobre uma haste; sendo alguém mordido por alguma serpente, se olhava para a de bronze, sarava”.
            A lição é a de que quando mordidos pela serpente do pecado, se olhamos para Jesus seremos curados. Veremos mais tarde que o altar de holocausto, símbolo profético da cruz, era todo revestido de bronze.
1.4 – A misericórdia de Deus
Nas cortinas do átrio, a justiça e a santidade de Jesus se acham tão relacionadas que é impossível separá-las. Este importante detalhe nos é apresentado em Êxodo 27: 10:
            “Também as suas vinte bases serão de bronze; os ganchos das colunas e as suas vergas serão de prata”.
            Vemos aqui que entre a justiça (colunas de bronze) e a santidade de Deus (cortinas de linho branco), encontrava-se o Seu amor, Sua compaixão por nós, representados pelas vergas e ganchos de prata. Sua morte na cruz conciliando a santidade com a justiça desarma as barreiras constituídas pelos nossos pecados, dando início ao reino da graça, da misericórdia. O Senhor habita em nosso coração purificando-o cada vez mais. Segundo White, Patriarcas e Profetas, 70, temos:
            “O próprio fato de que Cristo arrostou a pena da transgressão do homem é um poderoso argumento a todos os seres criados, de que a Lei é imutável, que Deus é justo, misericordioso, abnegado. E que a justiça e a misericórdia, infinitas, unem-se na administração de Seu Governo”.
E isto, cremos, está representado pelo bronze e pela prata, nos pilares que davam sustentação às cortinas brancas do santuário. Não é de admirar que em Êxodo 30: 11-16, meio siclo de prata (unidade básica correspondente a 11,424 g de prata avaliada em torno de um real) era a oferta ao Senhor para fazer expiação pelas almas:
“O rico não dará mais de meio siclo de prata, nem o pobre menos, quando derem a oferta ao Senhor, para fazerdes expiação pelas vossas almas”. Êxodo 30: 15.
Foi justamente com essa prata, que foram construídos os ganchos das cortinas e os ganchos e as vergas das colunas. É claro que essa prata não resgatava ninguém, de fato, sendo, portanto, apenas um símbolo da redenção que existe em Cristo Jesus.

1.5 – A porta do átrio
A porta de entrada do átrio nos permite fazer uma rápida aplicação. Foram a justiça e a santidade divinas que expulsaram Adão do Paraíso. Mas Deus os revestiu de peles de animais. Em Gênesis 3: 15 temos que da linhagem da mulher, viria a redenção. Redenção esta que é Jesus Cristo, a única porta de esperança para a humanidade retornar às glórias do Paraíso perdido. O pecado de Adão fechou esta porta, conforme Gênesis 3: 24:
E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden, e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida”.
Cristo, porém, reabriu-a por meio da graça e pela fé. Com efeito, em João 10: 9, o Senhor Jesus se autodenomina a porta das ovelhas. E a passagem de Êxodo 27: 16 acrescenta detalhes dessa porta gloriosa:
“À porta do átrio haverá um reposteiro de vinte côvados, de estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino retorcido”.
Essa imensa largura da porta (dez metros) nos fala da imensa largura da salvação de Deus, franqueada a todos os homens, quaisquer que sejam a sua raça ou língua. Nós não temos em Cristo, uma salvação estreita, reservada apenas para alguns. Compreendemos melhor agora as palavras de Paulo em Efésios 1: 3-5, que dizem:
“Bendito o Deus e pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda a sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais, em Cristo, assim como nos escolheu, nEle, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele; e em amor nos predestinou para Ele,  para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de Sua vontade”.
Se alguém se perder, não será, certamente, por falta da misericórdia de Deus, mas por causa da vontade própria. Se a santidade e a justiça de Deus erguem-se como uma barreira no plano de nossa redenção, a sua graça harmoniza esses atributos de Seu caráter, em nosso benefício, como ilustrado pelos ganchos e vergas de prata nas colunas e cortinas do átrio. Isso excede o nosso limitado entendimento!
Quanto às cores, enquanto o linho fino, branco, nos fala da pureza e da santidade de Jesus Cristo, homem, o estofo azul refere-se ao Seu caráter celestial. A púrpura e o carmesim são duas variantes do vermelho. A primeira, cor rara e preciosa, reservada na maior parte dos países orientais, aos reis e aos membros de suas famílias, nos fala de Jesus Cristo como o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. E o carmesim, obviamente, se refere ao sangue remidor do Cordeiro!
Finalmente, essa porta de acesso ao santuário ficava do lado oriental, exatamente do mesmo lado daquela porta que fora fechada no Éden. Muito importante isso! Entrava-se no santuário pelo oriente – lado do nascimento do sol. Isso contrastava com o templo dos pagãos, cuja porta de acesso ficava, sempre, ao ocidente. Quando os pagãos iam adorar os seus deuses, queriam ter o rosto voltado para o lado do nascimento do sol. Isso era importante para eles, porque adoravam o sol. Porém Deus não queria que os Seus filhos O adorasse à moda das nações pagãs. Queria que os Seus adoradores tivessem, ao contrário, as costas voltadas para o sol, tendo o sol por detrás e não pela frente. Mas, com certeza, havia razões mais importantes para colocar a porta no oriente. Quando Deus, por um milagre do Espírito Santo, implantou no ventre de Maria, incompreensivelmente, a Cristo Jesus, Ele encarnou! Em João 1: 14 lemos:
“E o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de beleza”.
            Quando Jesus entrou no átrio, que simboliza a Sua obra na Terra, de que direção veio o Espírito Santo? Lucas 1: 78-79 nos diz:
“Graças à entranhável (no ventre de Maria) misericórdia de nosso Deus, pelo qual nos visitará o sol nascente (lado do nascimento do sol, oriente) das alturas, para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos pés pelos caminhos da paz”. Parênteses acrescentados.
E, finalmente, quando Cristo vier pela segunda vez, Ele o fará pelo lado do nascimento do sol, conforme Apocalipse 16: 12:
“Derramou o sexto anjo a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas secaram para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do sol”.  

Capítulo 2 – Os objetos sagrados do átrio
                                                   2.1 - Introdução
A porta do átrio era a única entrada que havia para o santuário. Ficava do lado oriental, conforme Êxodo 27: 13-15:
            “A largura do átrio do lado oriental para o levante será de cinquenta côvados. As cortinas para um lado da entrada serão de quinze côvados; as suas colunas serão três e as suas bases três. Para o outro lado da entrada haverá cortinas de quinze côvados; as suas colunas serão três, e as suas bases três”.
            Entrando-se por esta porta via-se logo o altar de sacrifícios, símbolo profético da cruz.

2.2 – O altar de bronze
No altar de holocaustos se sacrificavam os cordeiros, os touros e os cabritos. Todos os tipos de animais, machos, eram sacrificados nesse altar. Em Êxodo 27: 1-2 temos as dimensões, os materiais e outros detalhes:
            “Farás também o altar de madeira de acácia: de cinco côvados será o seu comprimento, e de cinco a largura, será quadrado o altar, e de três côvados a altura. Dos quatro cantos, farás levantar-se quatro chifres, os quais formarão uma só peça com o altar; e o cobrirás de bronze”.
            Duas coisas demonstrava a importância desse altar: ele era o primeiro móvel que aparecia à vista, sendo, absolutamente, impossível de se lhe ignorar. Não se podia passar ao seu lado sem vê-lo. Suas dimensões (2,5m x 2,5m x 1,5m) excediam, de maneira notória, as dos outros objetos sagrados. Tudo isso era da vontade de Deus, para nos fazer sentir o lugar e as dimensões que a cruz de Cristo deve ter em nossos corações e em nossas vidas. Quando lemos na Palavra de Deus sobre a cruz, vemos que ela assume um lugar especial, e que sua importância é continuamente confirmada e sublinhada, conforme I Coríntios 2: 2:
            Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.
            Em Apocalipse 5: 6, o apóstolo João vê no céu um cordeiro como imolado e, no verso treze, eleva-se um louvor universal em Sua honra:
“Então, ouvi que toda a criatura que há no céu e sobre a terra e sobre o mar, e tudo o que neles há estava dizendo: Àquele que está assentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos”.
Outro detalhe importante do altar de holocausto: ele era usado continuamente. O paralelo com a cruz é flagrante! O Senhor Jesus não está mais na cruz, mas continua Sua obra. Em todos os momentos, do dia e da noite, Ele se acha disponível para receber a alma arrependida. Os judeus, no exílio, oravam na hora do sacrifício da manhã e da tarde, com os seus rostos voltados para Jerusalém. Esse hábito representa para nós os cultos matutinos e vespertinos, que fazemos em casa. Se não tivermos oportunidade de reunirmos a família em um desses momentos, deveríamos, ao menos, fazer uma oração, como o profeta Daniel.
Os chifres do altar de holocaustos são símbolos de força! Você já percebeu a força que emana da cruz? Ela quebra os corações mais endurecidos, afugenta os demônios, triunfa sobre Satanás. Os chifres eram dirigidos aos quatro pontos cardeais. A força de Cristo alcança até as extremidades da Terra! Lembremos, também, que se Deus estabeleceu este altar, Ele não estava interessado em nenhum outro. Todo o sacrifício oferecido em outro lugar não poderia ser aceito. Dinheiro, méritos e boas obras são altares que Deus não reconhece. A salvação é, unicamente, por meio de Jesus Cristo. Que nossos olhares se fixem na cruz, somente! Não tenhamos dúvida disso! É o que Paulo advoga em Atos 4: 12:
“E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”.
Quanto aos materiais, o móvel devia ser feito de madeira de acácia, revestida de bronze. A acácia era uma grande árvore, com fortes e numerosos ramos, que apresentava importantes propriedades. Sua madeira era ao mesmo tempo muito leve e muita dura. E, ainda, podia ficar muito tempo exposta à umidade ou, mesmo dentro d’água, sem apodrecer. Era resistente à umidade.
            Compreendemos facilmente porque razão Deus a designou, não somente para a construção do altar de holocaustos, como, também, para tudo o que, dentro do tabernáculo, necessitasse de madeira. Ela reunia todas as condições desejáveis: sua leveza tornava o transporte menos penoso, enquanto que a sua dureza a impedia de quebrar no curso de um de seus deslocamentos. Enfim, as chuvas ocasionais e os estacionamentos, em lugares úmidos, não a faziam apodrecer. Ela era capaz, mais do que qualquer outra, de resistir a todas as influências externas.
            Assim, a escolha de Deus se explica, corretamente, do ponto de vista prático. Mas, certamente, Deus via, ainda, mais além. O altar de holocausto era a imagem profética da cruz. Era, portanto, necessário uma madeira que pudesse simbolizar, perfeitamente, a humanidade de Jesus. Aqui, ainda, a acácia respondia a esse objetivo de forma surpreendente! Ela era leve, isto é, pesava muito pouco. Jesus não veio para pesar sobre os homens, como um jugo insuportável. Em Mateus 11: 29-30 lemos:
            “Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, porque Sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve”.
            Ela era também dura. O Senhor Jesus resistiu a todos os assaltos do diabo, sem envergar-se nenhuma vez. Em nenhum instante Ele fraquejou. Ele nunca se apiedou de Si mesmo. Ele suportou, no Getsêmani, todo o peso da cólera e do julgamento de Deus.
            Não degradável – Ele viveu no meio do mundo, mas o mundo jamais pode lhe penetrar. Nenhuma influência corruptora logrou achar acesso em Seu coração e em Seus pensamentos. Sua santidade permaneceu intacta!
            Assim a acácia não era somente própria para a construção do tabernáculo; era, também, aquela que melhor representava, simbolicamente, a humanidade de Jesus. Ao lado da acácia, o altar de holocausto continha o bronze. Esse metal é sempre tomado na Bíblia, como símbolo da justiça divina.  Ora, em Mateus 3: 15 nós lemos:
            “Mas Jesus lhe respondeu: deixa por enquanto, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o admitiu”.
            E onde Jesus satisfez toda a justiça de Deus? Sobre o altar de holocausto, configurado pelo bronze, que o envolvia. As palavras de João 19: 30 são ricas de sentido: “Está consumado!” Elas significavam, em primeiro lugar, que a justiça divina acabara de receber uma plena satisfação. Ele morria: o santo, o justo, pelo pecador! Essa morte desarmava a justiça divina, e o reino da graça podia começar. Mais tarde, Paulo nos conclama em Hebreus 4: 16:
            “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”.
                                              
                                               2.3 – A Bacia de bronze 
Um pouco mais ao fundo havia uma bacia cheia d’água. Em Êxodo 38: 8 lemos uma breve descrição da mesma:
“Fez também a bacia de bronze com seu suporte de bronze, dos espelhos das mulheres que se reuniam para ministrar à porta da tenda da congregação”.
Vemos que a bacia era envolvida por um suporte de bronze polido, que funcionava como espelho, para que o sacerdote pudesse enxergar, e constatar sua limpeza, antes de entrar no santuário. O bronze, como vimos, é um símbolo da justiça de Deus! Quanto à água, esta representa um símbolo do Espírito Santo, como vemos em João 7: 38-39:
“Quem crer em Mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isso Ele disse com respeito ao Espírito que havia de receber os que nEle cressem; pois, o Espírito, até esse momento, não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado”.
Assim, nós podemos ver na pia, uma imagem do ministério que o Espírito Santo realiza no coração já purificado pelo sangue de Cristo! Ao se aproximar o sacerdote da pia, ele podia ver a sua imagem refletida na água e lavar-se para remover toda impureza. Quando lemos na Bíblia, sobre a obra do Espírito Santo, descobrimos a nossa face humana, com tudo aquilo que ainda deve desaparecer de nossos corações e de nossos pensamentos! Em Efésios 4: 17-24, o Espírito Santo nos apresenta o objetivo a alcançar e nos ensina o que é uma verdadeira santificação:
“Isso, portanto, digo, e no Senhor testifico, que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade de seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem pela dureza de seus corações, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez cometerem toda a sorte de impureza. Mas, não foi assim que aprendestes a Cristo, se é que de fato O tendes ouvido, e nEle fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus, no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade”.
Os sacerdotes não se contentavam em ver as suas impurezas, mas se lavavam, se purificavam com a ajuda da água. Isso quer dizer que o Espírito Santo não apenas nos instrui e nos esclarece, mas é Ele, também, quem nos conduz. Ele exerce Sua força sobre nós para arrancar o que não está direito nem puro, e nos faz avançar no caminho da santificação. O bronze da pia representava como já vimos a justiça divina. A razão dessa escolha é evidente. Faz-se necessário ligar estritamente a ideia do julgamento, da justiça efetuada na cruz, àquela do ministério do Espírito Santo.
Se alguém recusa deixar-se instruir pelo Espírito Santo e se, após ter sido esclarecido, não quiser obedecer, cairá, inevitavelmente, sob um julgamento próprio. A passagem de Hebreus 10: 26-27 vai neste sentido:
“Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifícios pelos pecados; pelo contrário, certa expectativa horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários”.
Se esvaziarmos a pia, não restará mais do que o bronze, que é a justiça. Se alguém, após ter sido purificado pelo sangue de Jesus, recusar deixar o Espírito Santo exercer, em si, Sua obra de santificação, dia virá em que, não havendo arrependimento, esse alguém cairá sob o juízo de Deus, apesar de ter conhecido Sua graça.
Não temos as dimensões da pia, talvez para compreender melhor a natureza da obra do Espírito Santo, que é sem medidas, sem limites! O fato da pia estar localizada no átrio, não longe do altar de holocaustos, nos ensina que, na vida do cristão, aqui na Terra, dois poderes estão em obra: O Sangue e o Espírito. Não podemos separá-los! Eles estão indissoluvelmente unidos! Um não caminha sem o outro!
Se eu experimento a experiência do perdão de meus pecados pelo sangue vertido no calvário, é a fim de marchar em novidade de vida, pelas virtudes do Espírito Santo!
 Não podemos negligenciar a necessidade de apresentar o fruto do Espírito. Na vida do cristão, o Sangue e o Espírito devem permanecer estritamente ligados!

Capítulo 3 – A tenda da congregação
3.1 Introdução   
Já falamos que o átrio representou a parte que Jesus executou na Terra. O Santuário Celestial, que aparece no Apocalipse não tem átrio porque essa parte já se tinha cumprido, quando João escreveu este livro.
            Vimos que o altar de sacrifícios e a pia representaram a justiça de Jesus, realizada por nós, na cruz, e a água, na pia foi um símbolo do Espírito Santo. Agora vamos falar do edifício propriamente dito, do tabernáculo.

3.2 – Considerações preliminares
            O nome tabernáculo significa tenda. O povo de Israel vivia em tendas e Deus queria ser como o seu povo, habitando, Ele mesmo, sob uma tenda. Deus demonstrava, assim, que não era como as divindades pagãs, que eram fixas. Ao contrário, o Eterno se manifestava como o Deus que podia acompanhar seus adoradores, viajar com eles por todos os lugares.
            Quando um pagão deixava a sua cidade, nela também deixava o seu deus. Mas quando Israel se deslocava na estrada, partia com o seu Deus. Esse é um sentimento que nós também devemos ter. Só que a presença de Deus não tem mais um símbolo visível: a Shequinah! Hoje, nós devemos viver pela fé, como o afirma Paulo em Hebreus 10: 38:
            “Todavia, o meu justo viverá pela fé...”.
A situação, no entanto, permanece muito semelhante. Vou contar-lhes uma experiência pessoal, apenas para ilustrar o que estou afirmando, de como Deus viaja, ainda hoje, com os seus filhos. Eu vinha de minha propriedade rural situada no interior de Goiás, para casa, no Lago Norte/DF. Vinha só e estava a 50 quilômetros de Planaltina de Goiás, quando rebentou a mangueira do radiador. O motor esquentou e tive de encostar o carro e seguir a pé. A noite já vinha perto e eu não conhecia ninguém. Uma carona, naquela hora, só por um milagre, porque além da estrada ser muito pouco transitada, ninguém se arrisca viajar ao escurecer. Isto porque andar a pé, a noite, no interior de Goiás é muito perigoso.
Eu pensava em fazer uma oração, quando avistei, ao longe, outra caminhonete que levantava poeira, na direção de Planaltina. Eu pensei: puxa! O Senhor bem poderia ter segurado aquela condução por alguns minutos, para me levar! Mas, enquanto a caminhonete levantava poeira, eu, há um quilômetro atrás, fazia uma oração semelhante ao do cego Bartimeu: Senhor tenha misericórdia de mim!
Quando abri meus olhos, numa fração de segundos vi maravilhado, aquela caminhonete fazer o retorno. Será que ela não vai para Planaltina, com pensei? A caminhonete voltou cerca de quinhentos metros, em minha direção e parou à beira da estrada, ao lado de três peões. O motorista parecia estar dando algumas instruções àqueles homens. Eu, vendo aquela cena, apertei meus passos. Havia, ainda, alguns raios de sol e percebi que o proprietário da caminhonete me avistou ao longe e fez sinal para que me aproximasse. Então eu corri e, chegando ao local, ele me perguntou para onde eu ia. Falei rapidamente do meu problema e disse que precisava chegar a algum lugar e conseguir uma condução para voltar para casa, no Lago Norte de Brasília. Ele, então, me convidou para entrar, dizendo que ia para o mesmo lado. Eu, ainda perplexo, subi na carroceria, pois a cabine já estava com três pessoas. Ele fez a volta, novamente, e seguiu na direção de Planaltina. Logo adiante ele parou e insistiu para que eu entrasse na cabine. Eu, então, me apertei, ali, com eles. O motorista deu-me água e explicou-me que foi por um milagre que ele estava ali, pois costumava sempre sair da sua fazenda ao meio dia, em direção de Taguatinga, onde morava. Naquele dia, havia fogo nas pastagens e ele precisou apagá-lo antes de partir. E só voltou porque, naquele incêndio, um bezerro quebrou a pata, foi sacrificado, e ele sentiu, de repente, a necessidade de dar mais algumas instruções aos peões, a respeito daquele animal, acrescentando que ainda conversava com eles quando me avistou.
Não preciso dizer-lhes que aquele desconhecido deixou-me na porta de minha casa, quando já passava das nove horas da noite. Deus, com certeza sabia que eu ia precisar de uma carona e permitiu que um incêndio atrasasse a saída daquele cidadão. E me parece lógico que a morte do bezerro fosse providencial para que ele pudesse atender minha oração. Louvado seja Deus!
Sim, meus amigos, Deus ainda anda conosco! Só que Sua presença não é visível, porque hoje devemos viver pela fé! A shequinah está dentro do nosso coração!

3.3 – Os materiais da tenda da congregação
Antes de irmos à parte mais significativa para nós, ao interior do santuário, vamos considerar os materiais componentes da Tenda da Congregação.
Os materiais da tenda eram de dois tipos. Abramos nossas Bíblias em Êxodo 26: 15 e 29:
“Farás, também, de madeira de acácia as tábuas para o tabernáculo, as quais serão colocadas verticalmente... Cobrirás de ouro as tábuas, e de ouro farás as suas argolas, pelas quais hão de passar as travessas; e cobrirás também de ouro as travessas”.
As tábuas para a armação do tabernáculo, portanto, seriam de acácia, recobertas de ouro.
Elas têm muito a nos dizer. Inicialmente elas não eram tábuas. Elas faziam parte de árvores, com troncos, raízes, ramos e folhas. Tudo aquilo que um vegetal necessita para viver! Elas nasceram em um solo do qual não pensavam jamais deixar e de onde elas retiravam o sumo nutritivo, indispensável para o seu crescimento. Quando chegasse o momento de morrer, o próprio solo terminaria por lhes absorver. Elas tinham, assim, um destino claramente traçado, até que um dia isto seria bruscamente mudado! Homens, vindos de longe, chegaram ali e, sem nenhuma piedade colocaram os machados às suas raízes. Eles as abateram, separando-as para sempre do seu solo natal. Depois, eles as desproveram das folhas e dos galhos, deixando-as reduzidas ao estado horrível de um tronco! Mas não foi só isso! Elas foram transportadas para um lugar que jamais viram e do qual sequer sondavam a existência! Outros homens começaram, então, a chegar com toda a sorte de instrumentos de tortura, retirando-lhes as cascas, que rapidamente desapareceram! Em poucos dias, elas ficaram irreconhecíveis, transformadas em tábuas, muito bem talhadas e no esquadro. Não restava sobre suas superfícies nenhuma aspereza, nenhuma ruga, mas um polimento perfeito!
Para finalizar, outros operários vieram recobrir essas tábuas com uma espessa e magnífica camada de ouro! Quem poderia imaginar agora, o que elas haviam sido? Uma nova existência havia começado para elas. De simples árvores da floresta, vieram constituir a casa de Deus! A comparação dessas árvores com os crentes se impõe naturalmente! É muito clara! Antes de sermos cristãos, vivíamos no mundo. Nascemos lá e nele aprofundamos raízes, isto é, nele tínhamos toda a nossa razão de viver. Nele encontrávamos todos os nossos prazeres, nossas afeições. Não acreditávamos, mesmo, que pudesse haver outro lugar, outro tipo de existência. Nós éramos da terra e para a terra! Mas, de repente, tudo foi mudado pelo aparecimento do Divino Lenhador que, sem perda de tempo, se atracou com seu machado (sua cruz) à nossa raiz (natureza orgulhosa). Ele a abateu, nos convencendo do pecado, da justiça e do juízo. Cortou as raízes que nos ligavam às coisas do mundo, revelando toda a nossa corrupção! E, quando percebemos o que havia acontecido, não quisemos mais saber do mundo, exatamente como a acácia, uma árvore que depois de cortada não rebrota mais.
Jesus fez também desaparecer nossa folhagem: nossos méritos, nossas boas obras. Fez-se necessário separar-nos de tudo isso. Ficamos, então, como mortos. Mas essa morte não era, senão um novo começo! A preparação necessária para a nossa nova destinação! Fomos, então, transportados para bem longe de onde estávamos para um contexto que ignorávamos completamente! Para a nova vida, em Cristo Jesus, na Igreja de Deus!
Depois, o Divino Lenhador se transformou no Divino Carpinteiro – a própria função que Ele exerceu quando estivera na Terra. Restava, com efeito, ainda muito a fazer para transformar nossos caracteres, seguidamente muito semelhantes às mais rugosas das madeiras! Reconheçamos que foi necessário se multiplicarem os golpes com a plaina, para eliminar todas as nossas asperezas! Ás vezes, nas quartas feiras de oração, ainda ouvimos a madeira gemer, gritar, sob a plaina! Contudo, o marceneiro não pode interromper o seu trabalho! Assim, pelas dificuldades, pelas provas da vida, o Senhor continua, em nós, a sua obra, que pode nos fazer gritar, gemer. Mas, Ele tem que continuar, sendo indispensável que essas tábuas sejam bem preparadas; que se façam perfeitamente lisas! Toda a rugosidade precisa desaparecer. Mas, para chegar a esse resultado, é necessário muito esforço, cansaço e contrariedades.
Realmente, o coração humano é muito mais difícil de ser preparado do que a madeira mais dura! Contudo, em Romanos 8: 18 lemos:
“Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória por vir a ser revelada em nós”.
Sim, não nos esqueçamos do revestimento de ouro das tábuas! Isto significa que, pela graça de Deus, chegamos a ser participantes da natureza divina. Essa é a vontade de Deus: que nosso velho homem desapareça para deixar aparecer o novo homem feito à imagem de Cristo! Assim como a madeira ficou invisível, sob a espessa camada de ouro, fez-se necessário, também, que a nossa natureza carnal, humana, diminua a tal ponto que não se veja em nós nada mais além do que a perfeição e a glória de Jesus Cristo! Não é isso que vimos há pouco, o que o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos em Roma, em Romanos 13: 14?
Todavia, se precisar constatar que não estamos ainda no final, não devemos nos desencorajar! A distância que temos por percorrer deve nos estimular! Aquele que nos chamou é fiel, e não vai abandonar a obra que Ele começou! E não irá, com certeza, além do estritamente necessário! Lembremo-nos que, como a acácia, uma vez cortados do mundo, não devemos rebrotar. Poupemos a disciplina desnecessária!
 Em seguida, seriam confeccionadas quatro diferentes coberturas que, jogadas sobre a armação de madeira, serviriam de forração e protegeriam hermeticamente, o conjunto da construção. A primeira cobertura, a mais interna, que faria a forração, seria de linho fino, decorado, conforme as recomendações que encontramos em Êxodo 26: 1:
Farás o tabernáculo, que terá dez cortinas de linho retorcido, estofo azul, púrpura e carmesim: com querubins as farás de obra de artista”.
Essas cortinas, vistas apenas de dentro da tenda, simbolizavam a glória da pessoa divino-humana de Jesus. Elas permaneciam invisíveis aos de fora! Só podem apreciar a beleza de Jesus aqueles que têm o privilégio de entrar no interior da tenda, como nós. Hebreus 4: 16:
“Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”.
Não seria de admirar que os sacerdotes daquele tempo se acostumassem com aquela cena maravilhosa. Nós, também, devemos tomar muito cuidado para evitar a rotina diante de Deus! Os querubins desenhados evocavam a presença de seres de elevada ordem que assistem, continuamente, junto ao trono de Deus.
A segunda cobertura, de peles de cabras, nós a encontramos em Êxodo 26: 7:
“Farás, também, de pelos de cabras, cortinas para servirem de tenda sobre o tabernáculo, onze cortinas farás”.
As peles de cabras servem para nos lembrar do dia da expiação. Os bodes, o emissário e o expiatório, eram dedicados a tirar os pecados, em realidade, do santuário. Finalmente, em Êxodo 26: 14 encontramos as duas coberturas restantes:
“Também farás, de peles de carneiros e tintas de vermelho, uma cobertura para a tenda, e a outra cobertura de peles de animais marinhos”.
As peles de carneiro, tingidas na cor de sangue, evocavam o sangue remidor do Senhor e, finalmente, a última, construída de peles de golfinhos, era a mais externa e, além de ser extremamente resistente, apresentava uma cor pouco atrativa aos olhos dos curiosos. Lembrava, com certeza, a humilhação de Jesus, conforme Isaías 53: 2-3:
“Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca, não tinha aparência nem formosura; olhamo-Lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse. Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dEle não fizemos caso”.
Com efeito, os viajantes, ao passarem pelo acampamento e verem aquele santuário, haveriam de dizer: como é miserável esse Deus dos hebreus! As belezas de Cristo e do evangelho são internas e para aqueles que desfrutam de Sua intimidade.
Assim, dois elementos constituíam, essencialmente, o tabernáculo: as tábuas de madeira e as coberturas. Elas eram indispensáveis umas às outras. Separadas, elas não significavam nada.  Tentemos imaginar a armação da tenda sem as coberturas. O que iria assegurar a proteção do que estava no interior? Da mesma forma, não podemos supor a cobertura, sem a armação! Sobre o que ela repousaria? E para que serviria? Não, não podemos conceber uma parte sem a outra. Elas, unidas, no entanto, formavam um conjunto perfeito!
3.4 – O símbolo profético da Igreja
Na Igreja, hoje, nós encontramos essa mesma dualidade. Ela é constituída por Cristo mais os cristãos. Cristo, somente, não constitui a Igreja. Nem os cristãos, tampouco! A Igreja é formada por Cristo mais os cristãos, indissoluvelmente unidos. Os cristãos, sem Cristo, ficariam sem nenhuma proteção. Cristo também não pode sozinho, constituir a Igreja, pois tem necessidade dos cristãos para manifestar Sua presença e trazer Seu testemunho. Essa é uma verdade essencial. Assim ela é novamente expressa no Novo Testamento, e sob diferentes formas: Em João 15: 5 temos:
“Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto; porque, sem Mim, nada podeis fazer”.
Videira e ramos são coisas diferentes. O que representaria a videira privada de todos os seus ramos? E o que significariam os ramos, separados da videira? Assim, no plano da salvação eles não podem nada uns sem os outros; mas juntos, constituem uma só e mesma planta que vive, é útil e produz frutos. A seguir temos outro exemplo:
“Ele é a cabeça do corpo da Igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia”. Colossenses 1: 18.
Paulo compara a Igreja a um corpo cuja cabeça é Cristo. A cabeça necessita do corpo para realizar Sua vontade; o corpo necessita da cabeça para ser dirigido por ela. E o que significa uma cabeça sem corpo ou um corpo sem cabeça? Aqui nós somos levados à mesma conclusão: A realidade da Igreja é Cristo e seus resgatados, unidos indissoluvelmente! Esta mensagem é tão maravilhosa que, por si só, deveria nos colocar de joelhos, em adoração! Quem somos nós para tal destinação: a de formarmos uma unidade com Cristo? Podemos agora nos dirigir ao interior do tabernáculo, que era a habitação visível de Deus, no meio do Seu povo, Israel. Vejamos, antes, o que diz o apóstolo Paulo em I Coríntios 6: 16:
“Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos o santuário de Deus vivente, como Ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o Seu Deus, e eles serão o Meu povo”.
Se, na antiga aliança, Deus declarou habitar o tabernáculo e, em confirmação a nuvem de Sua glória descia sobre eles, na nova aliança as coisas não mudaram. Deus, agora, proclama fazer Sua morada em nossos corações, como acabamos de ler: o Espírito de Deus habitará em nós. Às vezes nos perguntamos: Como é que Deus vinha habitar numa tenda tão pouco digna? Mas, nós achamos muito mais surpreendentes Ele morar em corações humanos! Não é esse o mais admirável dos milagres? No próximo capítulo veremos como isso é possível!
Agora, entretanto, tomemos cuidado! A nuvem de glória só descia no tabernáculo após tudo haver sido consagrado ao longo de uma cerimônia solene. Fora dessas condições, o tabernáculo não passava de um edifício sujo, apesar de tudo o que possuía, sendo, portanto, incapaz de receber a glória de Deus! Em seguida, no entanto, tudo ficava diferente! As unções de sangue e de óleo faziam do tabernáculo, e de todo o seu conteúdo, uma habitação colocada à parte, purificada! Consagrada a Deus! Com toda a sujeira removida! E Deus podia, então, ali manifestar Sua presença! Da mesma maneira, Deus pode vir habitar em nossa Igreja e em nossos corações; mas, jamais, antes que nós mesmos, naturalmente maus, tenhamos sido purificados pelo sangue de Cristo e regenerados pelo Espírito Santo. A exortação de Paulo (vós sois o templo de Deus) não se dirige a qualquer pessoa, mas somente àqueles que passaram pela experiência do novo nascimento! Saibamos que a Igreja só existe, em realidade, pela ação do sangue de Cristo e pelo Espírito Santo nos corações. Onde essas ações não sejam exercidas, é inócuo falar de Igreja que, em tal caso, não passa de um edifício qualquer, sem nenhuma significação espiritual, apesar de todas as manifestações de fé que nela se possam ver.

Capítulo 4 – A Obra de Cristo no céu até 1844
4.1 - Antecedentes
            O Deus do céu procura constantemente revelar-se a seus filhos terrestres. Ele é impelido pelo amor. Com amor Ele instituiu o Sistema de Sacrifícios que possibilitou aos pecadores se aproximarem de Sua pessoa, sem serem destruídos. O que se seguiu, tornou-se uma gloriosa revelação do caráter de Deus, uma representação de Sua maneira de lidar com o problema do pecado e uma dramática revelação da hedionda natureza da transgressão. Devemos orar por mais luz sobre estes gloriosos ensinamentos.
            O santuário terrestre destinava-se, também, a lançar luz sobre o que acontece no céu; não devendo, portanto, ser um fim em si mesmo. Em Hebreus 8: 1-2, lemos:
            “Ora, o essencial das coisas que temos dito, é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor Deus erigiu, não o homem”.
            O estudo deste Santuário proporcionou à Igreja Remanescente a última mensagem de Deus aos homens, antes da volta de Cristo; e destacou as sublimes alturas morais e espirituais para as quais Cristo convida seus seguidores, acentuando a suprema importância dessa mensagem da hora do juízo. Em o Grande Conflito, 420, lemos:
            “O ministério do sacerdote, durante o ano todo, no primeiro compartimento do santuário, ‘para dentro do véu’ que formava a porta e separava o lugar santo do pátio externo, representa o ministério em que entrou Jesus, ao ascender ao céu. Era a obra do sacerdote no ministério diário, a fim de apresentar, perante Deus, o sangue da oferta pelo pecado, bem como o incenso que ascendia com as orações de Israel. Assim pleiteava Cristo com Seu sangue, perante o Pai, em favor dos pecadores, apresentando, também, com o precioso aroma de Sua justiça, as orações dos crentes arrependidos. Essa era a obra ministerial no primeiro compartimento do santuário celeste. Para ali a fé dos discípulos acompanhou a Cristo, quando, diante dos seus olhos, Ele ascendeu. Ali se centralizara sua esperança, e essa esperança, diz São Paulo, ‘temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até o interior do véu, onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente ‘Sumo Sacerdote’. Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por Seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção”. Hebreus 6: 19-20; 9: 12.
            Durante dezoito séculos, esse ministério continuou no primeiro compartimento do santuário (até 1844). O sangue de Cristo, oferecido em favor dos crentes arrependidos, assegurava-lhes perdão e aceitação perante o Pai; contudo, ainda permaneciam seus pecados nos livros de registro do santuário celestial, até que no juízo fossem eliminados. Este será o assunto do próximo capítulo.

4.2 – Os objetos sagrados do lugar santo      
Vamos concentrar nossa atenção no primeiro compartimento do santuário terrestre, chamado ‘Santo’, destinado a atrair nossa atenção para a obra realizada por Jesus por nós no céu, até 1844, quando a interseção era individual.
Ao sul desse primeiro compartimento, duas vezes maior do que o segundo encontrava-se o candelabro de sete ramos. Ao norte, ficava a mesa com os doze pães da proposição e, ao centro, ficava o altar de incenso, que contava, também, com um implemento chamado incensário. Em Apocalipse 4: 5 foi concedido, ao profeta João uma visão do templo de Deus nos céus e lá ele viu dois desses móveis sagrados:
            “Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões, e diante do trono ardem sete tochas de fogo, que são os sete espíritos de Deus”.
            Em êxodo 25: 31 e 37, temos uma pálida réplica deste fantástico candelabro celestial:
            “Farás também um candelabro de ouro puro; de ouro batido se fará esse candelabro; o seu pedestal, a sua haste, os seus cálices, as suas maçanetas e as suas flores formarão com ele uma só peça... Também lhe farás sete lâmpadas, as quais se acenderão para alumiar defronte dele”.
            Este candelabro, situado à esquerda de quem entra na tenda, representava um tipo de Cristo, nossa luz, conforme João 8: 12: “De novo lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida”.
            A luz de Jesus brilha na plenitude do poder do Espírito Santo, sob sete aspectos diferentes, segundo lemos em Isaías 11: 2 :
            “Repousará sobre Ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”.
            O candelabro era a única luz do santuário, pois este não possuía janelas. E, no lugar Santíssimo, a oeste, a Shequinah ou a glória divina iluminava-o, quando nele manifestava-se a presença de Deus.         As hastes laterais deste candelabro que pesava 25 quilos, de ouro maciço, bem poderiam representar o povo de Deus unido à haste central, numa só peça, como os ramos à videira. Com efeito, no sermão da montanha, Jesus disse:
            “Vós sois a luz do mundo”. Mateus 5: 24.
            Somos, portanto, chamados para, ligados em Cristo, brilhar nas trevas desse mundo, da forma como o apresenta Isaías 60: 1-3:
            “Levanta-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Senhor nasce sobre ti. Porque eis que as trevas cobrem a Terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti aparece resplendente o Senhor, e a Sua glória se vê sobre ti. As nações se encaminham para a tua luz, e os reis para o resplendor que te nasceu”.
            Ao norte do santuário encontrava-se a mesa com os doze pães da proposição ou da presença. Lemos em Êxodo 25: 23 e 30:
            “Também farás a mesa de madeira de acácia; terá o comprimento de dois côvados (um metro), a largura de um côvado (meio metro), e a altura de um côvado e meio (75 centímetros)... Porás sobre a mesa os pães da proposição diante de Mim perpetuamente”.
            Esses pães eram assim chamados porque ficavam na presença de Jeová. Essa mesa, portanto, deveria representar o trono do Senhor Jesus Cristo, que João viu em Apocalipse 4: 5, justamente diante das sete tochas do candelabro. E, no santuário terrestre, a mesa da proposição era o único móvel que havia diante do candelabro. O Salmo 48: 2 confirma esta localização do trono de Jesus, no céu:
            “Seu santo monte, belo e sobranceiro, é a alegria de toda a Terra; o Monte de Sião, para os lados no norte, a cidade do grande Rei”.
Isaías 14: 12-14, refere-se ao desejo de Satanás de usurpar o trono de Jesus e diz:
“Como caíste do céu, o estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte. Subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo”.
Se a mesa representa o trono, o que significam para nós, hoje em dia, as declarações de Jesus em João 6: 33 e 35? “Porque o pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo. Eu Sou o pão da vida; o que vem a Mim, jamais terá fome; e o que crê em Mim, jamais terá sede”. Em Êxodo 3: 1, 2, 3, 6 e 7, lemos uma descrição do altar de incenso, de suas dimensões e materiais, entre outros detalhes:
“Farás também um altar para queimares nele o incenso; de madeira de acácia o farás. Terá um côvado de comprimento (meio metro) e um de largura, será quadrado, e dois de alto (um metro); os chifres formarão uma só peça com ele. De ouro puro o cobrirás, a parte superior, as paredes ao redor, e os chifres; e lhes farás uma bordadura de ouro ao redor... Porás o altar defronte do véu que está diante da Arca do Testemunho, diante do propiciatório, que está sobre o Testemunho, onde me avistarei contigo. Arão queimará sobre ele o incenso aromático; cada manhã, quando preparar as lâmpadas, o queimará”.
Essa informação situa o altar de incenso no lugar Santo; ele, de fato, pertencia ao lugar Santíssimo, como afirma o apóstolo Paulo em Hebreus 8: 3-4:
“Por trás do segundo véu se encontrava o tabernáculo que se chama Santo dos Santos, ao qual pertencia um altar de ouro para o incenso, e a arca da aliança totalmente coberta de ouro”. Ele só ficava no lugar Santo, no cerimonial Levítico, por questões práticas, uma vez que o sacerdote precisava queimar o incenso, diariamente, e não tinha acesso ao Santíssimo, conforme Hebreus 9: 6 e 7: “Ora, depois de tudo isto assim preparado, continuamente entram no primeiro tabernáculo os sacerdotes, para realizar os serviços sagrados; mas no segundo o sumo sacerdote, ele sozinho, uma vez por ano, não sem sangue, que oferece, por si e pelos pecados do povo”.
Jesus, contudo, abriu-nos o caminho para o Santuário Celestial por meio de Seu sacrifício, por meio de Seu sangue derramado na cruz. Agora temos livre acesso à presença de Deus, conforme Hebreus 4: 16: “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”.
Esse é o sentido atual das palavras do apóstolo João, em Apocalipse 8: 3: “Veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar, com um incensário de ouro, e foi-lhe dado muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que se encontra diante do trono de Deus”.
No cerimonial Levítico, do altar de incenso, uma flagrante nuvem com as orações dos santos, ascendia diariamente à presença de Deus. Esse incenso representava um símbolo da intercessão de Jesus, junto ao Pai, em nosso benefício. Isso era demonstrado pelo fato de o sacerdote misturar incenso com sangue no incensário e oferecê-lo sobre o altar de ouro. O incenso queimava no altar de incenso, por meio de brasas tiradas do altar de sacrifícios. Essa ligação entre os dois altares é pertinente. A intercessão de Jesus é feita em nome do sangue que Ele derramou na cruz. Deus aceita essa intercessão de Jesus, com base no Seu sangue, removendo o nosso pecado, enquanto prosseguimos em nosso processo de santificação aqui na Terra. Isso é o que deduzimos lendo Isaías 6: 5-7:
“Então disse Isaías: Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos! Então um dos serafins voou para mim trazendo na mão uma brasa viva, que tirou do altar com uma tenaz; com a brasa tocou a minha boca, e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada, e perdoado o teu pecado”.
Esse altar, estando no céu, só podia ser o de incenso. Portanto Deus, o Pai, em Sua longanimidade para conosco, aceita a intercessão de Jesus enquanto reconhecemos o nosso erro e lutamos para remover as imperfeições de nosso caráter. Não é isso que lemos em Isaías 30: 18?
“Por isso o Senhor espera, para ter misericórdia de vós, e se detém para se compadecer de vós, porque o Senhor é Deus de justiça, bem aventurado todos os que nEle esperam”.

Capítulo 5 – A obra de Cristo no céu após 1844
5.1 - Antecedentes
            Cuidemos para que não percamos uma só palavra do conteúdo deste capítulo. A nossa redenção depende da compreensão que teremos dele.         No livro ‘Primeiros Escritos’, página 42, a senhora White afirma:
            “Vi que Jesus havia fechado a porta do lugar Santo, e que nenhum homem poderia abri-la; e que Ele havia aberto a porta para o Santíssimo, e que homem algum podia fechá-la (Apocalipse 3: 7-8); e que uma vez que Jesus abrira a porta para o Santíssimo, onde está a arca, os mandamentos têm estado a brilhar para o povo de Deus, e eles estão sendo testados sobre a questão do sábado”.
Assim, em 1844, nosso Sumo Sacerdote entrou no lugar Santíssimo para efetuar a última parte do Sua solene obra, a da purificação do santuário. Trata-se do juízo de Deus e implica na restauração da verdade, na Terra e na eliminação do pecado, dos livros, no céu. O texto bíblico que trata desta transferência de Jesus do lugar Santo para o Santo dos Santos está em Daniel 7: 13:
“Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias (Deus, o Pai), e O fizeram chegar até Ele”.
Este fato foi de extraordinária magnitude e ao profeta Daniel coube a oportunidade de ‘ver’ o momento da instauração deste tribunal, no mesmo capítulo, versos 9 e 10:
            “Continuei olhando, até que foram postos uns tronos e o Ancião de Dias se assentou; Sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a pura lã; o Seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente.           Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares O serviam, e miríades de miríades estavam diante dEle; assentou-se o tribunal e abriram-se os livros
Este foi o serviço iniciado quando terminaram os 2300 anos da profecia de Daniel 8: 14: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado".
A partir do ritual do Santuário Terrestre, chegamos à compreensão de que a nossa redenção não foi concluída na cruz do calvário. Diz a senhora White: “O sangue de Cristo, oferecido em favor dos crentes arrependidos, assegurava-lhes perdão e aceitação perante o Pai, contudo ainda permaneciam seus pecados nos livros de registro. Como no serviço típico havia uma expiação no fim do ano, semelhantemente, antes que se complete a obra de Cristo para a redenção do homem, há também uma obra para tirar o pecado do santuário”. GC, 421.  
            Isto porque, quando oramos, pedindo perdão, nossos pecados vão recair em Jesus Cristo, no Santíssimo, onde intercede por nós, conforme lemos em Hebreus 9: 24 e 7: 25:
            “Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, por nós, diante de Deus. Por isso, também pode salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”.
            Vemos, assim, que o Santuário Celestial funciona do mesmo modo que o terrestre, como bem diz o apóstolo São Paulo em Hebreus 8: 5, referindo-se aos sacerdotes terrestres:
            “Os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes, assim como foi Moisés divinamente instruído, quando estava para construir o tabernáculo, pois, dizia ele: vê que faças todas as coisas de acordo com o modelo que te foi mostrado no monte”.
Ao apóstolo São João foi dado o privilégio de ver este compartimento, o Santíssimo, no santuário do céu. A senhora White, comentando esta passagem, em O GC, 414, diz:
“Abriu-se no céu o templo de Deus – Apocalipse 11: 19, e ele olhou para dentro do véu, ao lugar Santíssimo. Ali ele viu a Arca do Concerto, representada pelo receptáculo sagrado, construído por Moisés, para guardar a lei de Deus”. 
            Como antigamente eram os pecados do povo colocados, pela fé, sobre a oferta pelo pecado e, mediante o sangue destas, transferidos simbolicamente para o santuário terrestre, assim, em o novo concerto, os pecados dos que se arrependem são, pela fé, colocados sobre Cristo e transferidos, de fato, para o Santuário Celeste. E, como a purificação típica do Santuário Terrestre se efetuava mediante a remoção dos pecados, pelos quais ele se poluía, igualmente a purificação real do Santuário Celeste deve efetuar-se pela remoção ou apagamento dos pecados que ali estão registrados. O pecado é tão malsinado que até mesmo o seu registro macula o santuário do céu.
O dramático início do juízo de Deus (Sua obra de expiação, no céu), no entanto, não foi reconhecida pela maioria dos cristãos, apesar de vivamente anunciada pelo Espírito de Profecia.
Segundo White, no que concerne ao Santuário Terrestre “A cerimônia tinha por fim impressionar os israelitas para a santidade de Deus e Seu horror ao pecado. Exigia-se que, enquanto a obra de expiação se efetuava, cada homem afligisse a alma. Todas as ocupações deviam ser postas de lado e a congregação de Israel devia passar o dia em oração, jejum e exame de coração”. O Grande Conflito, versão condensada, p. 241.
Como a grande maioria das igrejas cristãs da época ‘continuaram no lugar Santo’, como se Jesus ainda estivesse lá, passaram por alto o necessário preparo para comparecer neste grande tribunal celestial. O trono de Jesus, no lugar Santo ficou vazio e estas igrejas, na Terra, ficaram em trevas, despreparadas, imersas numa grande confusão babilônica. Satanás aproveitou-se da oportunidade para exercer sua influência sobre as mesmas, passando a instruí-las, conforme lemos em ‘Primeiros Escritos’, p. 55-56:
“Satanás parecia estar junto ao trono, procurando conduzir a obra de Deus. Vi-os erguer os olhos para o trono e olhar enquanto que Satanás inspirava-lhes uma influência malévola; nela havia luz e muito poder, mas não suave amor, gozo e paz. O objetivo de Satanás era o de mantê-los enganados, atrair de novo e enganar os filhos de Deus”.
O lugar Santíssimo do Santuário Terrestre, em realidade, era apenas uma representação simbólica do aposento do trono de Deus, o Pai, no céu. A descrição feita por Ellen White é insuperável:
            “Nenhuma linguagem pode descrever a glória do cenário apresentado dentro do santuário – as paredes chapeadas de ouro, que refletiam a luz do áureo castiçal; os brilhantes matizes das cortinas, ricamente bordadas com os seus resplandecentes anjos; a mesa e o altar de incenso, brilhantes pelo ouro; além do segundo véu, a arca sagrada com os seus querubins místicos; e, acima dela, o santo Shequinah, manifestação visível da presença de Jeová; tudo não era senão um pálido reflexo dos esplendores do templo de Deus no céu, o grande centro da obra pela redenção do homem”. Patriarcas e Profetas, 360-361.
            Disse Frank B. Holbrook:
“A arca era o centro da religião e do culto israelita. Pode-se dizer que todos os elementos essenciais na redenção se juntam na arca: o próprio Deus, Sua lei, o sangue sacrifical e a mediação sacerdotal”. O Santuário Israelita, 28.               

5.2 – Os objetos sagrados do lugar santíssimo
            A longa história da Arca da Aliança começou no Monte Sinai onde ela foi construída. A descrição dos utensílios do Tabernáculo começou com a arca, que ficava guardada no lugar Santíssimo. Vejamos o enunciado de Êxodo 25: 10-22:
            “Também me farão uma arca de madeira de acácia; de dois côvados e meio será o seu comprimento, de um côvado e meio a largura e de um côvado e meio a altura. De ouro puro a cobrirás; por dentro e por fora a cobrirás, e farás sobre ela uma bordadura de ouro ao redor. Fundirás para ela quatro argolas de ouro, e as porás nos quatro cantos da arca: duas argolas num lado dela, e duas argolas no outro lado. Farás também varais de madeira de acácia, e os cobrirás de ouro; meterás os varais nas argolas aos lados da arca, para se levar por meio deles a arca. Os varais ficarão nas argolas da arca, não se tirarão dela. E porás na arca o Testemunho que eu te darei. Farás também um propiciatório de ouro puro; de dois côvados e meio será o seu comprimento, e a largura de um côvado e meio. Farás dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório; um querubim na extremidade de uma parte, e o outro na extremidade da outra parte: de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas extremidades dele. Os querubins estenderão as suas asas por cima, cobrindo com elas o propiciatório; estarão eles de faces voltadas uma para a outra, olhando para o propiciatório. Porás o propiciatório em cima da arca; e dentro dela porás o Testemunho, que eu te darei. Ali virei a ti, em cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a Arca do Testemunho, falarei contigo acerca de tudo o que Eu te ordenar para os filhos de Israel”.
            Assim, no templo celestial, morada de Deus, acha-se o Seu trono, estabelecido em justiça e juízo. No lugar Santíssimo está a Sua lei, a grande regra de justiça, pela qual a humanidade toda é julgada. A arca que encerra as tábuas da lei se encontra coberta pelo propiciatório, diante do qual Cristo, pelo Seu sangue, pleiteia em prol do pecador. A Ele pertence a glória da redenção da raça decaída. Através das eras eternas, o cântico dos resgatados será, de acordo com Apocalipse 1: 5-6:
            “Àquele que nos ama, e em Seu sangue nos lavou de nossos pecados... a Ele a glória e poder, para todo o sempre”.
            Agora, dentro da arca do tabernáculo do deserto havia mais dois objetos, conforme lemos em Hebreus 9: 3-4:
            “Por trás do véu se encontra o tabernáculo que se chama o Santo dos Santos, ao qual pertencia um altar de ouro para o incenso e a arca da aliança totalmente coberta de ouro, na qual estava uma urna de ouro contendo o maná, e a vara de Arão, que floresceu, e as tábuas da aliança”.
            Quanto às tábuas dos dez mandamentos, o que chama a atenção é o fato de serem elas escritas em tábuas de pedras pelo próprio Deus, conforme êxodo 31: 18:
            “E, tendo acabado de falar com ele no monte Sinai, deu a Moisés as duas tábuas de pedras, escritas pelo dedo de Deus”.
            E o que era a vara de Arão? Era um simples bastão seco, como um cabo de vassoura! Se pegarmos um cabo de vassoura e o plantarmos, será que ele dará flores? Claro que não, porque este bastão está morto! O fato de o cajado estar vivo encerra uma importante lição: Ele reviveu pelo poder de Deus. Isto aconteceu devido a um milagre externo. Se Deus não lhe tivesse dado vida ele jamais floresceria. E de onde se tira um bastão? De uma árvore. E o que representa uma árvore, na Bíblia? Em Salmos 1: 3, lemos:
            “Bem aventurado o homem... ele é como a árvore plantada junta a corrente de águas que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido”.
            Em João 15: 5 lemos, mais especificamente:
            “Eu sou a videira, vós os ramos”.
            Satanás também tem os seus ramos, conforme Malaquias 4: 1:
            “Pois eis que vem o dia, e arde como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem perversidade, serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que não lhes deixará raiz nem ramo”.
Quem é a raiz? Satanás! Quem são os ramos? Os ímpios!    Aquela vara de Arão que florescera, pelo poder de Deus, fala que não temos imortalidade natural da alma, conforme lemos em Ezequiel 18: 4:
            “Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá”.
            A única chance dos ramos terem vida é em Cristo, conforme João 15: 6-8:
            “Se alguém não permanecer em Mim, será lançado fora à semelhança do ramo e secará; e o apanham, lançam ao fogo e o queimam. Se permanecerdes em Mim e as Minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito. Nisto é glorificado Meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos”.
Como podemos dar frutos? Florescendo, como a vara de Arão, pelo poder de Deus.
            Finalmente, havia na arca o pote de maná, que nos fala da reforma da saúde. Muitos falam que não importa o que comamos, pois que a oração santifica. Mas Deus mandou colocar na arca um pote de maná, daquele que alimentou o povo de Deus por quarenta anos. O que representa o maná? Jesus Cristo é o pão da vida que desceu do céu, já o vimos em João 6: 35. Mas, aqui, particularmente, tem um sentido real. O povo de Israel, no deserto, acostumado com as comidas pesadas do Egito, não queria comer aquele pão fraco, por ele chamado de fastidioso. Queria carne. Eles saíram do Egito, mas o Egito não havia saído deles. Será que o mesmo não se dá conosco, quando a recomendação de Deus é de não se comer carnes devido a grande contaminação dos animais, de uma forma geral, nestes últimos dias?                          

                         6. A Doutrina do Santuário à Luz de Romanos 8
                                      6.1 - Antecedentes

            O tempo da profecia de Daniel 8: 14: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado”, esgotou-se, inexoravelmente no outono de 1844, pois esta era uma profecia selada pela unção e pelo sangue de Jesus (Daniel 9: 26)

A senhora White, que teve mais de duas mil visões documentadas, viu, entre as primeiras de suas visões, Jesus dirigindo-se ao encontro do Pai, no lugar Santíssimo, conforme Daniel 7: 13, para iniciar o juízo prévio ao advento de Jesus, referido em Daniel 7:  9-10.

Ao contemplar a impressionante cena sobre o juízo de Deus, e ver a grande minúcia dos detalhes verificados por meio dos livros, preocupada disse:

“enchi-me de inexprimível angústia e exclamei: Quem poderá salvar-se? Quem subsistirá justificado diante de Deus? Quem terá os vestidos sem manchas? Quem é impecável aos olhos de um Deus puro e santo”?

A mesma exclamação foi feita pelo apóstolo Paulo, quando reconheceu a seriedade deste juízo e a insuficiência humana, na luta contra o pecado, exclamando em Romanos 7: 24:

Quem me livrará do corpo desta morte”?

 Em outras palavras ele está dizendo: quem poderá subsistir diante do tribunal de Deus? Em seguida, contudo, no versículo 25, ele desabafa, diante da única solução:
“Graças a Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo”!

Com estes antecedentes em memória, oremos ao nosso Pai celestial por uma melhor compreensão do extraordinário capítulo oito do livro de Romanos, que dá continuidade ao tema em discussão.

6.2 – O capítulo oito de Romano

O versículo primeiro de Romanos oito é como um bálsamo para a alma ferida pelo pecado:

“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”.
 Se o texto de Paulo não lhe ficou muito claro, o próprio Senhor Jesus comenta o significado do mesmo:

“Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a Minha Palavra e crê nAquele que me enviou, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida”. (João 5: 24).

O que Jesus enfatiza é que na cruz nós já passamos pelo grande tribunal de Deus. Todos nós, com os nossos pecados, fomos condenados e mortos, na pessoa de Cristo. Só não fomos para a cruz (o salário do pecado é a morte) porque Jesus, compadecido, sofreu o efeito da condenação da lei, em nosso lugar, exatamente como diz Isaías 53: 5:

Ele foi moído pelas nossas iniquidades”.

Esta foi a base da Nova Aliança, o sangue de Jesus e não mais os Dez Mandamentos. Seu sangue se constituiu no último recurso do céu, para nos salvar. Recebemos a graça e passamos a viver pela fé, sem medo do juízo.

No primeiro século da Era Cristã, com base nessa mensagem, houve um grande reavivamento da fé. O evangelho da salvação foi levado a todo o mundo naquela geração. Eles saíram pregando o que encontramos em Romanos 13: 10:

“O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da Lei é o amor”.

Por isso Jesus disse em Mateus 5: 17:

“Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir”.

Foi este amor infinito que levou Deus a dar o Seu único filho, “para que todo aquele que nEle crê não pereça mas tenha a vida eterna”. (João 3: 16).

Consternados com tal amor, façamos nossas as palavras do salmista:

“Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga ao Seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum só de Seus benefícios. Ele é quem perdoa todas as tuas iniquidades; quem sara todas as tuas enfermidades; quem da cova redime a tua vida, e te coroa de graça e misericórdia”.  Salmos 103: 1-4

Paulo segue este argumento em Romanos 8: 2-3:

“Porque a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te livrou da Lei do pecado (Dez Mandamentos) e da morte. Porquanto o que fora impossível à Lei (Dez Mandamentos), no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o Seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne (de Seu Filho), o pecado”. Parênteses acrescentados.

O pecado, contudo, segue sendo a transgressão da Lei e gerando a morte para o ímpio, uma vez que “não anulamos a Lei pela fé, antes confirmamos a Lei”. (Romanos 3: 31).

Portanto, a condenação do pecado, na carne de Cristo, não foi para todos. Paulo restringe os méritos da cruz a um grupo particular:

“A fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito”. (Romanos 8: 4).

Os versículos de Romanos 8: 5-11 amplia o significado desse verso:

“Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne, mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Por isso o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeita à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Porquanto os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vós. E se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle. Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o Espírito é vida, por causa da justiça. Se habita em vós o Espírito dAquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos, vivificará também os vossos corpos mortais, por meio do Seu Espírito que em vós habita”.

Pedro entra no debate, ratificando o pronunciamento de Paulo:

“Bendito o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a Sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança mediante a ressurreição de Jesus dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros, que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo. Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que o valor de vossa fé, uma vez confirmado, muito mais precioso do que o ouro perecível, mesmo apurado no fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo, a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé, a salvação de vossas almas”. (I Pedro 1: 3-9).

Nos versículos de Romanos 8: 12-17 temos as consequências eternas de vivermos pelo Espírito:

“Assim, pois, irmãos, somos devedores, não à carne como se constrangidos a viver segundo a carne. Porque se viverdes segundo a carne caminhais para a morte; mas se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis (ver Isaias 1: 18). Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai (que quer dizer papai ou paizinho). O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co herdeiros  com Cristo: se com Ele sofrermos, para que também com Ele sejamos glorificados”.

Romanos 8: 18 é um verdadeiro bálsamo para os nossos eventuais sofrimentos:

“Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória por vir a ser revelada em nós”.

O versículo de Romanos 8: 19 nos apresenta o clima de toda a criação de Deus em relação a nós:

“A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus”. Isto quer dizer que a demonstração final do que o evangelho pode operar na humanidade está no futuro, conforme Apocalipse 14: 12:

“Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus”. 

Cristo é a demonstração do poder de Deus. Aos homens e, mais precisamente, a este seleto grupo de Apocalipse 14: 12 cabe lhe seguir o exemplo. E, quando isso se manifestar, virá o fim. Cristo terá cumprido o Seu plano. Esse final, na verdade é um recomeço, pois em Romanos 8: 20-25 lemos:

“Pois a criação está sujeita a vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação a um só tempo geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção de nosso corpo. Porque na esperança fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos”.

Não devemos esquecer o papel do Espírito Santo no processo de nossa salvação. Isso é o que encontramos nos versículos de Romanos 8: 26-27:

“Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós, sobremaneira com gemidos inexprimíveis. E Aquele que sonda os corações, sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que Ele intercede pelos santos”.

O versículo de Romanos 8: 28 é extraordinário, nos dá muita segurança, contudo dele teremos uma melhor compreensão na eternidade:

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito”.

Os versículos de Romanos 8: 29-30 nos acrescentam:

“Porque os que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conforme à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou”.

Em face dessas considerações, “devemos entregar nosso caminho ao Senhor, confiar nEle, porque o mais Ele tudo fará”. (Salmo 37: 5).

Finalmente, com relação a todos os que foram redimidos pelo sangue de Jesus Cristo e purificados pelo Espírito Santo, os versículos de Romanos 8: 31-39 dão as provas finais e a certeza do amor de Deus:

            “Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou a Seu próprio Filho, antes, por todos nós O entregou, por  ventura não nos dará graciosamente com Ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus que os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, O qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Deus? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: por amor de Ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio dAquele que nos amou. Porque eu estou bem certo do que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus Nosso Senhor”

Assim verificamos que as condições do juízo serão terríveis apenas para aqueles que não levarem a sério o grande plano da salvação de Deus. Para aqueles que não entendem que a única saída para a eternidade está em Cristo crucificado e na nossa semelhança com Ele.

Capítulo 7 – Detalhes da construção do santuário


7.1 - Detalhes das Ofertas dos Materiais

            Em Êxodo 25: 1-2, disse Deus a Moisés:

            “Fala aos filhos de Israel que me tragam oferta; de todo homem cujo coração se mover para isso, dele recebereis a minha oferta”.

            Foi por meio destas ofertas que todos os materiais necessários à construção do tabernáculo deviam ser providos. Deus reclamava os donativos de Seu povo. Mas, lembremo-nos bem, unicamente aqueles que fossem dados de bom coração. Os outros eram rejeitados à priori.
           
A vontade divina não mudou! Ela é, hoje, a mesma que no tempo de Moisés. Deus espera, ainda, por nossas ofertas; não somente as em dinheiro, como também as de tempo. Ele demanda que O sirvamos, no seio da assembleia e no meio dos pecadores. Não devemos esquecer que Deus não aceita aquilo que não é dado espontaneamente, alegremente e sem remorso.  
           
Todos os donativos, grandes como possam parecer, feitos por constrangimento e, todos os serviços, por importantes que pareçam, feitos por obrigação, não têm valor aos olhos de Deus. Longe de ser uma bênção, eles constituem um recuo espiritual! O apóstolo Paulo escreveu em II Coríntios 9: 7:

            “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade, porque Deus ama a quem dá com alegria”.

            Nosso coração deve falar, e é levado por ele que devemos agir. Se houver tristeza, se não formos felizes em dar, se é com tristeza que deixamos as coisas serem arrancadas de nós, no lugar de dar com alegria, a aprovação de Deus não será sobre nós e seria melhor não fazermos nada, porque os donativos feitos em tal condição não trazem nenhuma bênção.

O Senhor fez um apelo ao povo de Israel e a resposta foi maravilhosa. Em Êxodo 35: 21 lemos:

“E veio todo o homem, cujo coração o moveu e cujo espírito o impeliu, e trouxe a oferta ao Senhor para a obra da tenda da congregação. E para todo o serviço, e para as vestes sagradas”.

E a Bíblia descreve, nos seguintes versos, a disposição com a qual cada um respondeu, segundo as suas possibilidades. Êxodo 36: 5 e 7:

“E disseram a Moisés: o povo traz muito mais do que é necessário para o serviço da obra que o Senhor ordenou se fizesse... porque o material que tinha era suficiente para toda obra que se devia fazer, e ainda sobejava”.
                                                                                      
Como o coração de Deus não se alegrou por tal zelo? Os israelitas, naquelas circunstâncias, souberam glorificá-lo, verdadeiramente! Como estamos fazendo hoje? Não deveríamos fazer o mesmo em nossos dias? Não deveríamos fazer o mesmo agora, que Deus reclama consagração inteira e feliz, de todos os seus resgatados, para edificar um edifício eterno, uma igreja gloriosa?
           
7.2 - Detalhes dos Obreiros

            Além dos materiais, consideraremos os operários. Como eles foram recrutados? Moisés fez uma pesquisa para encontrá-los? Ele aproveitou aqueles que se julgavam qualificados? Fez um concurso? Negativo! Foram colocados na obra aqueles que o Eterno havia designado, a começar pelos dois principais administradores do trabalho, Bezalel e Aoliabe, conforme lemos em Êxodo 35: 30-35:

“Disse Moisés aos filhos de Israel: Eis que o Senhor chamou pelo nome a Bezalel,  filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o Espírito de Deus o encheu de habilidade, inteligência e conhecimento, em todo o artifício, e para elaborar desenhos e trabalhar em ouro, em prata, em bronze, para a lapidação de pedras de engaste, para detalhe de madeira, para toda a sorte de lavores. Também lhe dispôs o coração para ensinar a outrem, a ele e a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã. Encheu-os de habilidade, para fazerem toda a obra de mestre até a mais engenhosa, e a de bordador em estofo azul, em púrpura, em carmesim e em linho fino, e a do tecelão; sim, toda sorte de obra, e a elaborar desenhos”.

Em Êxodo 36: 1 Deus fez questão que todos os homens hábeis fossem incluídos:

“Assim trabalharam Bezalel e Aoliabe, e todo homem hábil a quem o Senhor dera habilidade e inteligência para saberem fazer toda a obra para o serviço do santuário, segundo a tudo que o Senhor havia ordenado”.

Qual é a lição para nós, hoje? O tabernáculo foi perfeitamente executado e digno de Deus, porque obra daqueles homens a quem Deus mesmo havia chamado para o trabalho, e que Ele mesmo havia qualificado para o serviço. O problema é o mesmo na igreja, hoje. Ele tem necessidade de obreiros para a edificação. A desgraça é que seguidamente nós vemos agindo, pessoas que foram designadas por elas próprias! Elas se julgavam capazes; mas, na verdade, elas nunca foram qualificadas! Que trabalho podem elas fazer? Muitos erros são assim cometidos! E os resultados são grandes prejuízos para a causa de Deus! Não podem fazer uma obra eficaz, aqueles a quem o Senhor não chamou! Porque é Ele quem dá, ao mesmo tempo em que chama, tudo o que os obreiros precisam para realizar sua tarefa. Se nós não tivermos em conta essa necessidade, não devemos nos espantar de ver as assembleias vegetar, e mesmo afundar. 

7.3 - Detalhes da Tenda da Congregação

Neste particular, vamos considerar algumas coisas que deixaram de ser colocadas no tabernáculo.
7.3.1 - Ausência de degraus

            O lugar Santo e o Santíssimo estavam no mesmo nível do pátio. Os sacerdotes não subiam escadas para se encontrar com Deus como era hábito nos templos pagãos. Deus se abaixa até os homens porque estes são incapazes de subir até Ele. Deus nos veio procurar na pessoa de Seu filho bem amado. Outra razão para a ausência de degraus, encontramos em Êxodo 20: 26, que diz:

            “Nem subirás por degraus ao Meu altar, para que a tua nudez não seja ali exposta”.

Isso era devido ao modo antigo de se vestirem os judeus. Mas há ainda outra razão aí embutida. O homem pecador, quando tenta vir a Deus por seus esforços pessoais, só faz manifestar sua natureza perversa. E, neste caso, ele mostra apenas o seu coração humano, dentro de sua terrível nudez moral.

7.3.2 - Ausência de Assoalho

            Em todo o tabernáculo, até ao lugar Santíssimo, caminhava-se sobre a areia do deserto. Não havia absolutamente nada para proteger os pés desse contato. Tentemos nos ver no lugar Santíssimo: tudo em torno de nós é de ouro; as paredes davam o reflexo do ouro maciço e das luzes das sete lâmpadas do castiçal, em todas as direções. As tábuas, revestidas de ouro, a mesa dos pães da presença e o altar de incenso fulguravam como o ouro polido. Acima de nossas cabeças, a magnífica cortina que formava o teto, bordada com figuras de anjos em finos estofados, nas cores púrpura, azul e carmesim, aumentava a beleza do cenário. Tudo isso é magnífico! Mas, se baixarmos as nossas cabeças, os nossos olhos não poderão deixar de registrar o contraste: sob nossos pés não há mais do que a areia do deserto! Não há nada para atenuar o seu aspecto rude e desigual!
           
Fiquemos certos de que esta ausência não significa um esquecimento da parte de Deus. Ela encerra um ensinamento: a igreja não flutua no céu. Pelo contrário, ele tem sua base na Terra. Um dia ela será elevada, mas, aguardando por esse evento faustoso, ela se encontra na Terra, estabelecida neste mundo. Jesus orou em João 17: 15:
           
“Não peço que os tires do mundo; e sim que os livres do mal”.

Assim é que o crente se envolve com as maravilhas celestes que lhes são reveladas pela fé, mas, nem por isso, ele diminui os seus contatos com a realidade terrestre. O cristão já foi definido como alguém que tem a cabeça no céu e os pés na Terra. Ele não é mais do mundo, mas está nele mergulhado. Não como esponja que se enche do líquido no qual ela está mergulhada, mas como a pedra que, mesmo mergulhada na água, não se deixa penetrar por ela. Assim é a igreja, que pode estar, ao mesmo tempo, dentro do mundo e fora dele. A igreja tem uma natureza celeste, mas isso não a impede de estar neste mundo. Ela aí tem de viver e avançar, sem se deixar penetrar por ele. Essa verdade, válida para a igreja, é válida, também, para cada cristão!

7.3.3 - Ausência de cadeiras

            Como não temos nenhuma menção sobre cadeiras no santuário, somos autorizados a pensar que elas não existiam ali. Que ninguém se assentava na casa de Deus. Sem dúvida, uma das razões dessa ausência era o respeito devido a tal lugar. Mas, com certeza, esse não é o único motivo. O sacerdote apenas entrava ali para realizar suas diferentes tarefas. Elas eram numerosas: no pátio, ele oferecia holocaustos, lavava-se na pia de bronze e, no lugar Santo, queimava o incenso perfumado, mantinha as lâmpadas do candelabro acesas e renovava os pães da proposição. O tabernáculo era para ele um lugar de atividades. Não esqueçamos que estas atividades eram uma imagem daquela que o crente deve ter dentro da igreja, hoje. Não se trata, certamente, de um serviço material, mas de um serviço espiritual, o que lhe ultrapassa infinitamente. A intercessão, a consagração, a comunhão e o louvor, entre muitas outras coisas, constituem o santo serviço que é devido a Deus, por cada um dos cristãos.
           
Os sacerdotes da antiga aliança não dispunham de muito tempo para estar dentro do tabernáculo. Mas, os da nova aliança, isto é, os resgatados, são chamados a uma atividade que não deve cessar. Tomemos atenção para esse detalhe. Alguns pensam que só estão na igreja nas horas de culto. Confundem o edifício com a atividade espiritual! Nas igrejas, nós não passamos mais do que algumas horas por semana; mas, na igreja espiritual, nos encontramos vinte e quatro horas por dia. Nosso serviço pelo Senhor se completa em todos os lugares e dura o dia todo. Ausência de cadeiras no santuário, pois, significa que o crente é chamado a uma atividade permanente, porque ele serve a Deus em tudo o que ele faz.           

7.3.4 - Ausência de Janelas

 O plano dado por Deus não comportava nenhuma janela, nem mesmo a menor abertura. Graças a isso, o sacerdote não tinha nenhuma distração com espetáculos exteriores, nem mesmo por um instante. Transportando isso para o domínio espiritual, podemos tirar dois preciosos ensinamentos: a luz que ilumina a igreja é aquela que vem de Jesus Cristo e nos é interditado recorrer a qualquer outra. A igreja deve dirigir-se pela sabedoria de Deus e não pela do homem. Em segundo lugar, quando nos ocupamos do serviço do Senhor não devemos olhar para fora. O que é necessário entender-se por isso? Se, por exemplo, lermos a Bíblia, se oramos ou se participamos do culto em assembleias, devemos cuidar de fechar todas as aberturas pelas quais a distração possa nos desviar a atenção. A experiência nos diz que é suficiente uma triscada de olhos em torno de nós, para nos distrair. Quando nós olhamos, por exemplo, para uma pessoa, sua aparência nos leva, em memória, a tal e tal coisa, e o nosso pensamento não fica mais na palavra ou na oração.

            O adversário de nossas almas aproveita cada brecha e tenta lembrar-nos toda a sorte de assuntos que desviem os nossos recolhimentos. Nosso serviço é diminuído. A edificação vai embora, e Deus não é glorificado.
           
Os sacerdotes de Israel, no exercício de suas funções no tabernáculo, encontravam-se totalmente desviados do mundo exterior. Era essencial que eles não fossem distraídos por nada. Inicialmente, por respeito à santidade de Deus; e, em seguida, para desincumbirem-se corretamente de suas tarefas.

Hoje, nossa razão é mais forte, porque literal. Nós que temos um serviço tão superior ao deles, cuidemos para que a nossa profissão de fé seja perfeita. Distrair-se em oração, louvor ou culto, é como olhar por uma janela. Isso é inadmissível! Devemos evitar que tal aconteça na presença de Deus! Digamos a Deus: Senhor, Tu que em Tua sabedoria, dispensaste janela no tabernáculo, ajude-nos a manter fechadas todas as janelas que o inimigo procura abrir em nós para impedir-nos de Te prestar um serviço digno de Ti. Se nos decidirmos a obter essa graça, nós a receberemos. E, então, estaremos em condições de sermos os sacerdotes fiéis da Nova Aliança.  

7.3.5 - Ausência de Fechaduras

            No santuário, as portas eram substituídas por cortinas fáceis de suspender. Nada de ferrolhos difíceis de serem removidos. Nada de barras pesadas a deslocar. A atitude de Deus aparece aqui, muito claramente. Sua Santidade o isola, o separa do homem pecador. Mas, o Seu amor proporcionou uma porta que não deve fechar-se, de maneira a não se transformar em um obstáculo intransponível. Uma cortina permite passagem a quem deseje. E essa cortina é Jesus Cristo. Vinde a Mim! Não é este o clamor que nós ouvimos ressoar por toda a Bíblia?

            O amor de Deus não cessa de chamar o homem. Se Sua justiça o desvia, inexoravelmente do pecador, Seu amor aguarda por todo aquele que se aproxima dEle coberto pelo sangue do Senhor Jesus.

            Três cortinas se sucedem no santuário: a primeira, dando acesso ao pátio; a segunda, ao lugar Santo e a terceira, ao lugar Santíssimo. Cada uma delas, notemos bem, era a imagem de Jesus Cristo. Todo o itinerário de nossa vida espiritual não pode passar por outro caminho, senão por Cristo. Do começo ao fim, Ele é o caminho, e só Ele é o caminho. Nós não podemos realizar progresso fora de Sua intervenção. Todo o passo à frente é dado nEle. Ele é a porta que acessa as bênçãos. Bendito seja o Seu nome, de eternidade em eternidade! Amém!

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