Introdução
Este
documento aborda algumas das doutrinas da Igreja Remanescente: aquelas mais relacionadas
com a parte do Santíssimo do Santuário Israelita: daquele que foi confeccionado
a partir de um modelo simplificado do Santuário Celestial, e no qual se
processa atualmente a obra do juízo de Deus, prévia à segunda vinda de Jesus à
Terra. O tema do juízo tem sido considerado por alguns, apropriadamente, como
sendo a essência das revelações do Apocalipse e do livro do profeta Daniel.
Vamos abordá-lo porque ele nos permite explicar melhor as principais diferenças
existentes entre as crenças da Igreja Remanescente com relação às outras
denominações religiosas contemporâneas.
A
Parte III destina-se mais aos que não pertencem a Igreja Remanescente, mas
poderá ser de valia para todos aqueles interessados em saber mais sobre as
particularidades desta igreja profética.
Este
material foi redigido porque temos ouvido muitas críticas infundadas sobre as
doutrinas da verdadeira Igreja de Deus, trazendo confusão para muitos interessados
na verdade.
As
fontes deste estudo, que visa sistematizar as bases da fé diferenciada da
Igreja Remanescente são, fundamentalmente, a Bíblia, o Espírito de Profecia
(acervo bibliográfico produzido pela senhora White, falecida em 1915), bem como
livros, artigos e anotações colhidas na Igreja.
Dos
mais experientes e mesmo dos líderes, esperamos merecer as críticas sinceras
para que possamos revisar este trabalho, pois que, a cada dia que passa,
sentimos a necessidade imperiosa de sua complementação.
A ausência destas críticas nos dará a
sensação de consenso e de que o documento seja oportuno como alimento
espiritual, e apropriado para o nosso tempo.
Se
você discordar da utilidade do que está escrito, peço-lhe, também, que me
advirta.
1.1
– Introdução
Falaremos,
nesta Parte, sobre o Santuário Celestial o qual serviu de modelo para o tabernáculo
(santuário portátil em forma de tenda), construído por Moisés - o Mosaico, em
conformidade com a seguinte orientação
divina:
“E Me farão um santuário, para que Eu possa
habitar no meio deles. Segundo a tudo que Eu te mostrar para modelo do tabernáculo, e para modelo de todos os seus móveis,
assim mesmo o fareis”. Êxodo 25: 8-9.
O
apóstolo Paulo, em Hebreus 8: 1-5 retoma este assunto. Não só discute a questão
do modelo, como também salienta sua importância:
“Ora,
o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal Sumo Sacerdote,
que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como Ministro do
santuário e do verdadeiro tabernáculo
que o Senhor erigiu não o homem. Pois todo sumo sacerdote é constituído para
oferecer assim dons como sacrifícios; por isso era necessário que também Esse Sumo
Sacerdote tivesse o que oferecer. Ora, se Ele estivesse na Terra, nem mesmo
sacerdote seria, visto existirem aqueles que oferecem os dons segundo a lei, os
quais ministram em figura e sombra das coisas celestes, assim como foi Moisés
divinamente instruído, quando estava para construir o tabernáculo; pois diz Ele:
Vê que faças todas as coisas de acordo com o
modelo que te foi mostrado no monte”.
O
Espírito de Profecia nos informa porque Deus deseja atrair nossa atenção para
estes registros sagrados:
“O Santuário no
céu é o próprio centro da obra de Cristo
em favor dos homens. Diz respeito a toda alma que vive sobre a Terra.
Patenteia-nos o plano da redenção, transportando-nos mesmo até o final do
tempo, e revelando o desfecho triunfante da controvérsia entre a justiça e o
pecado. É da máxima importância que todos investiguem acuradamente esses
assuntos, e possam dar resposta a qualquer que lhes peça a razão da esperança
que neles há”.
(1)
Nossa
proposta de estudo tem por base o fato de a Igreja Remanescente ter-se originado
a partir do estudo sobre este tema julgado essencial pelo apóstolo Paulo e da
máxima importância pelo Espírito de Profecia. E, também porque, a partir de
então foi que as diferenças de suas doutrinas com relação às demais igrejas foram
evidenciadas.
Por
meio destas revelações do santuário, ricamente ilustradas, Deus apresentou ao
povo de Israel o grande tema da salvação eterna. Nossa convicção é a de que
assim como essas instruções práticas foram oportunas para orientar os hebreus,
no começo do caminho, nos ajudarão a separar da verdade bíblica as tradições
humanas que lhe foram agregadas ao longo do tempo.
1.
2 – Exposição genérica do Santuário Terrestre
Faremos,
inicialmente, uma exposição superficial do Santuário Terrestre constituído de
um átrio (pátio) e do tabernáculo propriamente dito. A partir deste pano de
fundo, seguiremos para a validação bíblica das crenças diferenciadas da Igreja Remanescente
de Deus.
Por
dentro do santuário em si, havia dois compartimentos. Diferentemente da
aparência externa, a interna era gloriosa, conforme Figura da capa.
Ao
sul do primeiro compartimento – chamado Santo, encontrava-se um candelabro de
sete ramos, confeccionado em ouro maciço; Esse candelabro, pesando 25 quilos, era
a única fonte de luz permanente do santuário, pois o mesmo não possuía janelas.
No lugar Santíssimo, o sagrado Shekinah, iluminava
também a tenda, quando entre os querubins se manifestava a glória da presença
de Deus.
Ao
norte do lugar Santo encontrava-se a mesa com os doze pães da proposição. Estes
se chamavam também pães da presença porque ficavam na presença de Jeová. Diz o
Salmo 48: 2:
“Seu santo monte, belo
e sobranceiro, é a alegria de toda a Terra; o Monte de Sião, para os lados do
Norte, a cidade do grande Rei”.
Esta
mesa representava, portanto, o trono de Jesus. Ao centro deste primeiro
compartimento ficava o altar de incenso, banhado em ouro. Tinha chifres nos
cantos e um equipamento chamado incensário ou turíbulo. O sacerdote queimava o
incenso com brasas removidas do altar de holocaustos com os quais misturava ainda
o sangue proveniente do altar de sacrifícios, e os oferecia sobre o altar de
ouro. Esta era a forma de Deus aceitar a interseção do sacerdote pelo justo
arrependido. Neste particular havia uma relação fundamental entre os dois
altares, que foi ressaltada por White:
“A intercessão de Cristo no Santuário Celestial,
em prol do homem, é tão essencial ao plano da redenção, como foi a Sua morte
sobre a cruz. Pela Sua morte iniciou esta obra, para cuja terminação ascendeu
ao céu, depois de ressurgir”. (2)
Mais
ao fundo ficava o Santíssimo, lugar da habitação de Deus, o Pai. Nele havia
apenas um móvel, conhecido como a Arca do Pacto. De cada lado da arca havia um
querubim cobridor. Assim eram chamados porque suas asas se estendiam,
tocando-se por sobre a arca, cobrindo, por assim dizer, e reverentemente, a
presença de Deus, quando ali ela se manifestava.
Em
cima da arca havia um lugar conhecido como propiciatório; era uma espécie de
tampa, folheada a ouro que funcionava como se fosse o trono de Deus, porque ali
se percebia a Sua glória, na forma de uma nuvem, de uma neblina. Dentro da arca
foram colocadas as tábuas da Lei, com os Dez Mandamentos. Isso significava que
quando Deus ocupava o Seu lugar sobre o propiciatório, as pedras contendo a Sua
Lei que se encontravam dentro da arca, representavam o fundamento ou a base do Seu
trono, do Seu Governo. E, assim, Deus se assentava sobre a misericórdia e a
justiça. Enquanto a Lei representava a justiça, o propiciatório, onde o sumo
sacerdote aspergia o sangue do bode expiatório para a remissão dos pecados, representava
a misericórdia, ou a combinação das duas coisas.
Dentro
da arca do tabernáculo do deserto, havia mais dois objetos: o cajado de Arão,
que florescera e um pote de maná, o pão que, por quarenta anos alimentou o povo
de Deus, no deserto. (Hebreus 9: 4). O primeiro objeto lembra que há vida
depois da morte, a qual só é possível mediante a ação miraculosa de Deus, como
no caso do florescimento de um bastão seco. O apóstolo Paulo, em hebreus 9: 27,
confirma esta posição:
“E, assim como aos homens está ordenado
morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo”.
Este
enunciado não deixa espaço para dúvidas quanto à continuidade do processo da
redenção, após a morte do homem, nem deixa base para a teoria de reencarnações
sucessivas.
Quanto
ao maná, ele nos lembra das provisões de Deus no deserto e da reforma alimentar,
proveniente da substituição do regime cárneo do Egito, pelo pão que passou a descer
do céu. Basicamente, esse era o plano do santuário.
1.
3 – Aplicação prática
Agora
vamos fazer uma breve aplicação destinada a comprovar a hipótese formulada no oitavo
parágrafo da primeira página, referente ao Santuário Terrestre.
No
plano geral, o acampamento, com as doze tribos de Israel, era uma representação
de todos os pecadores; e o átrio, representava a obra de Cristo e do Espírito
Santo na Terra, onde Cristo morreu por nós. Pelo fato de Jesus já ter morrido na
cruz, o santuário do céu, que aparece no Apocalipse, não tem átrio. Cristo
quando foi para o céu, foi diretamente para o lugar Santo. Por essa razão é que
o Apocalipse começa com Cristo glorificado, no primeiro compartimento.
No
livro ‘Primeiros Escritos’ da senhora White, lemos a informação de que até
1844, Jesus se encontrava ministrando pelo Seu povo, indivíduo por indivíduo,
no lugar Santo, da mesma forma como fazia o sacerdote no lugar Santo durante o
ano, no Santuário Mosaico.
Lembremo-nos
de que um era o modelo do outro.
Numa
visão, ela viu, neste ano, a Arca do Pacto, que era dotada de rodas e chamejava
como se fosse de fogo, conduzindo Jesus Cristo do lugar Santo para o lugar Santíssimo,
à presença de Deus o Pai. Estes escritos nos levam ao passo das Escrituras que encontramos
em Daniel 7: 13-14:
“Eu estava olhando nas
minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do
homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até Ele. Foi-Lhe dado
domínio e glória e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as
línguas O servissem; o Seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o Seu
reino jamais será destruído”.
Ao
passar Jesus para o Santíssimo a fim de definir os súditos de Seu reino por
meio do juízo investigativo, a parte norte do lugar Santo, do Santuário
Celestial, que era ocupada pelo Seu trono e iluminada pela Sua presença, ficou
vazia.
Isaías
14: 12-14, referindo-se às pretensões satânicas de ocupar este lugar, escreveu:
“Como caíste do céu, ó
estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que
debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu, acima das
estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me
assentarei, nas extremidades do Norte. Subirei acima das mais altas nuvens e
serei semelhante ao Altíssimo”.
Essa
pretensão de Satanás certamente não pode se concretizar porque à Igreja de
Filadélfia, que permaneceu até 1844 – início do juízo investigativo foi anunciado:
“Estas coisas diz o
Santo, o Verdadeiro, Aquele que tem as chaves de Davi, que abre e ninguém
fechará, e que fecha e ninguém abre:
conheço as tuas obras – eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a
qual ninguém pode fechar”. Apocalipse 3: 7-8.
Em
(3), o Espírito de Profecia nos esclarece sobre este ponto:
“Cristo abrira a porta,
ou o ministério, do lugar Santíssimo; resplandecia a luz por aquela porta
aberta do Santuário Celestial”.
Logo,
a porta que foi fechada foi a do lugar Santo.
O
sumo sacerdote, no ritual mosaico, quando fazia essa passagem para o Santíssimo,
tinha campainhas nas vestes para que o povo de Israel, naquele dia solene do Yon
Kippur ou do perdão, pudesse acompanhar, lá de fora, todos os seus movimentos,
porquanto intercedia por eles, diante de Deus, com base no sangue do bode
expiatório. Essa era a limpeza ou a purificação anual do santuário, em Israel e
que dava fim ao ciclo anual das cerimônias.
Naquele
tempo todo o povo acompanhava o que o sumo sacerdote fazia, e realizava uma
obra paralela, de purificação, no coração. Da mesma forma nós, pela fé, devemos
acompanhar o que se passa atualmente no Santíssimo, e buscar a mesma
purificação, cá em baixo, de modo a sermos aceitos como perdoados no grande
tribunal do céu.
Ao final desta cerimônia, o sumo
sacerdote transferia os pecados do povo de Deus para um bode chamado Azazel, em
hebraico, e que significa emissário, na língua portuguesa, por meio de uma
oração. Este bode que representava Satanás durante o milênio arrostava
simbolicamente os pecados por ele induzidos, até morrer no deserto, onde era
confinado.
No
ano de 1844, quando a luz profética assinalava o início da purificação do Santuário
Celeste (tema detalhado no próximo capítulo), houve um grande desapontamento do
povo remanescente, porque pensou, erroneamente, que a cerimônia predita por
Daniel 8: 14 que diz: “Até duas mil e
trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado”, correspondia à
vinda de Jesus à Terra, ocasião em que, pensava ele, a Terra seria purificada
pelo fogo. O Espírito de Profecia, mais tarde, assim comentou o equívoco:
“A proclamação: ‘Aí vem
o esposo’! feita no verão de 1844 levou milhares a esperar o imediato advento
do Senhor. No tempo indicado o Esposo veio, não para a Terra, como o povo
esperava, mas ao Ancião de dias, no céu, às bodas, à recepção de Seu reino. ‘As
que estavam preparadas (virgens prudentes) entraram com Ele para as bodas, e fechou-se
a porta’. Elas não deveriam estar presentes, em pessoa, nas bodas; pois que
estas ocorrem no céu, ao passo que elas estão na Terra”. (4)
É
no sentido de compreender o trabalho de Cristo e segui-Lo, pela fé, ao ir Ele
perante Deus, que se diz irem elas às bodas.
Estava,
então, apenas começando a etapa do julgamento coletivo no céu, do qual o Yon Kippur,
o dia do perdão ou da purificação do Santuário Terrestre, fora um símbolo. Deus
passava, neste momento a analisar a situação de Seu povo como um todo e não
apenas de forma individualizada como O fizera até outubro de 1844. Para efeito
de esclarecimento: o juízo investigativo iniciado em 1844 continua em curso,
estendendo-se até o fechamento da porta da graça (início das sete últimas
pragas, ainda no futuro).
Jesus,
ao ver o desapontamento de seus amados filhos que, com afinco, aprofundaram-se
no estudo das profecias, e que, por causa disso, estavam sendo injustamente
penalizados pela decepção, providenciou uma luz especial para que eles tivessem
uma melhor compreensão do profeta Daniel; e revelou-lhes, por meio de sonhos e
visões, os detalhes da Sua obra no Santuário Celestial. Esta bênção, recebida
pela profetisa do advento, Ellen White, falecida em 1915, fez com que os
estudiosos das profecias se apercebessem do equívoco da interpretação e
passassem a acompanhar, pela fé, a obra de Cristo em Seu ministério no Santíssimo.
A
partir desta experiência foi organizada a Igreja Remanescente, não como mais
uma igreja, mas como a igreja do destino, surgida na plenitude do tempo
profético, assinalado de forma especial no capítulo dez do Apocalipse, para
pregar ao mundo as mensagens relacionadas com a Segunda Vinda de Jesus, em
glória e majestade:
“Fui, pois, ao anjo
dizendo-lhe que me desse o livrinho (de Daniel). Ele, então me fala: Toma-o, e devora-o;
certamente ele será amargo no teu estômago, mas na tua boca, doce como o mel.
Tomei o livrinho da mão do anjo e o devorei, e na minha boca era doce como o
mel; quando, porém, o comi, o meu estômago ficou amargo. Então me disseram: É
necessário que ainda profetizes a respeito de muitos povos, nações, línguas e
reis”. Apocalipse 10: 9-11. Parênteses acrescentados.
A
esperança do aparecimento de Cristo, que era doce como o mel, tornou-se amarga
decepção, mas, das cinzas deste desapontamento, emergiu a Igreja Remanescente com
a responsabilidade de levar a todos os povos e nações, o alerta amoroso de Deus
sobre os ensinamentos provenientes do Santíssimo e do recente estabelecimento do
juízo, em particular. Começa então uma enorme obra de evangelização que, ao seu
tempo, deveria abarcar o mundo, começando pela pregação da primeira das três últimas
Mensagens de Deus aos habitantes da Terra:
“Vi, outro anjo, voando
pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam
sobre a Terra, e a cada nação, e tribo, e língua e povo, dizendo, em grande
voz: Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois
é chegada a hora de Seu juízo; e adorai Aquele que fez o céu, e a Terra, e
o mar, e as fontes das águas”. Apocalipse 14: 6 e 7.
As
igrejas cristãs constituídas até aquela época, as protestantes, em particular, que
reuniam os remanescentes de então, não deram a devida atenção à luz celestial que
fora revelada por meio do Espírito de Profecia. Pelo contrário, fizeram a parte
do dragão, anunciada, previamente, em Apocalipse 12: 17 e complementada em
Apocalipse 19: 10:
“Irou-se o dragão e foi
pelejar com os restantes de sua descendência, os que guardam os Mandamentos de
Deus e têm o Testemunho de Jesus... Ora o Testemunho de Jesus é o Espírito de
Profecia”.
Duas
coisas diz o texto apocalíptico, motivariam a ira satânica: a obediência aos
Mandamentos que foram colocados no interior da Arca do Pacto, que a Igreja Remanescente
já nascera observando, e o dom profético, atribuído, de forma sobrenatural a esta
última igreja. O dom profético vem sendo singularmente importante para dotar o
povo de Deus com a luz suplementar necessária para os últimos dias, a fim de
restabelecer as verdades bíblicas que foram deitadas por terra pelo papado
medieval, conforme atesta o texto abaixo:
“O exército lhe foi
entregue, com o sacrifício costumado, por causa das transgressões; e deitou por
terra a verdade; e o que fez prosperou”. Daniel 8: 12.
Foi
desta forma que Roma eclesiástica, a qual por tantos anos massacrou o exército
dos santos e deitou por terra a verdade, agora acompanhada de suas filhas
protestantes, rejeitou entrar, pela fé, com Jesus, no Santíssimo, a fim de receber
a luz do Seu Shekinah. Na sua incredulidade, estas igrejas continuaram indo ao
lugar Santo como se Jesus ainda lá estivesse. Mas o Seu trono ali ficara vazio,
a porta fechada e estas igrejas, na Terra, em escuridão.
Diz
o Espírito de Profecia que Satanás aproveitou-se daquela oportunidade para
‘ocupar’ o lugar vazio deixado por Cristo, conforme seu antigo desejo, passando
a insuflá-las com seu espírito maligno. E foi assim que as igrejas que
permaneceram no lugar Santo, em 1844, rechaçaram as doutrina essencialmente
bíblicas derivadas do Santíssimo:
·
A existência e a purificação do Santuário Celestial;
·
O juízo investigativo, ainda em execução;
·
Os Dez Mandamentos escritos de forma candente pelo dedo de Deus para ser o
coração do evangelho e a norma do juízo, incluindo o sábado do quarto mandamento;
·
A doutrina do milênio, tipificada pelo bode Azazel;
·
A imortalidade condicional da alma, tipificada pela vara de Arão que
florescera; e,
·
A reforma alimentar, que se alinha com o abandono do regime cárneo que
prevalecia no Egito.
1.4
– A formação de dois grupos de cristãos
Resumindo,
o mundo cristão foi então dividido em dois grupos: um, que acompanhou a Jesus
em sua obra de juízo no Santíssimo (das virgens prudentes), passando a se
preparar para o Seu retorno e o outro (das néscias), que não O acompanhou, continuando
inebriado com os encantamentos satânicos até ao dia de hoje.
E
como se chamam, segundo a Bíblia, essas igrejas que ficaram sem a luz
proveniente do Santíssimo? Babilônia. E para elas foi endereçada a segunda
mensagem angélica exarada em Apocalipse 14: 8, e que deveria ser difundida no
mundo, com determinação, pela Igreja Remanescente:
“Seguiu-se outro anjo,
o segundo, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia que tem dado a beber a todas
as nações do vinho da fúria da sua prostituição”.
Porque
caiu a grande Babilônia? Porque as verdades bíblicas começaram a ser
restauradas, dissipando as trevas existentes. Não obstante, contudo, o esforço
evangelístico da igreja nascente, a confusão babilônica não chegou a ser
desmistificada na escala mundial, precisando a segunda mensagem ser reeditada,
e com mais rigor, em Apocalipse 18: 2-3:
“Então, exclamou com
potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de
demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero
de ave imunda e detestável, pois todas as nações têm bebido do vinho do furor de
sua prostituição. Com ela se prostituíram os reis da Terra. Também os
mercadores da Terra se enriqueceram à custa da sua luxúria”.
Esta
terrível condenação segue, no entanto, acompanhada do dramático apelo do verso
4: “Retirai-vos
dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados, e para não
participardes de seus flagelos”. (Negrito acrescentado)
Estes
flagelos constituem, justamente, o teor da terceira mensagem angélica, uma das
mais solenes advertências da Bíblia para todos aqueles que não adotarem as
instruções bíblicas, que vêm sendo difundidas apenas pela Igreja Remanescente,
por meio do Espírito de Profecia:
“Seguiu-se a estes,
outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: se alguém adora a besta e a sua
imagem, e recebe a sua marca na fronte, ou sobre a mão, também este beberá do
vinho da cólera de Deus, preparado sem mistura, do cálice de Sua ira, e será
atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do
Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm
descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua
imagem, e quem quer que receba a marca de seu nome”.
Apocalipse 14: 9-11.
O
verso 12 finaliza esta terceira mensagem, destacando, por contraste, as três
características dos vencedores:
“Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus”.
O
sábado, situado no coração dos mandamentos, foi designado como um sinal eterno
entre Deus e os seus filhos (os pertencentes ao primeiro grupo) e é o que o distingue
do segundo grupo (os que têm o sinal da besta, o domingo, decretado pelo
Império Romano e endossado por Roma papal). A passagem de Êxodo 31: 17 revela-nos
quem são os pertencentes ao primeiro grupo. Fica claro, ao lê-la, que os que
rechaçam este sinal, são pertencentes do segundo grupo:
“Entre mim e os filhos
de Israel é sinal para sempre; porque em seis dias fez o Senhor os céus e a
Terra, e ao sétimo dia descansou e tomou alento”.
As
igrejas cristãs, de uma forma geral, creem na morte de Jesus Cristo na cruz do
calvário, o que foi tipificado pela morte expiatória de animais sobre o altar
de holocaustos no ritual antigo; não há diferenças significativas quanto à
humanidade de Jesus e todos adotam o batismo como um símbolo de Sua morte e
ressurreição. Tampouco há muita confusão quanto ao papel e o poder do Espírito
Santo em revelar-nos as manchas de caráter, o que foi tipificado pela pia com
água, dotada de espelho, que também ficava no pátio. As diferenças neste
particular são mais quanto à forma de manifestação do Espírito do que quanto ao
seu conteúdo. Estas igrejas creem também, em conformidade com os da Igreja Remanescente,
que precisam se alimentar de Jesus, como o pão da vida espiritual, tipificado
pelos pães da proposição, que deviam ser repostos, no santuário, a cada sábado;
creem que precisam orar associando as orações (como um incenso suave para
Deus), com o sangue de Jesus que morreu, e hoje vive e intercede por Seus
filhos, o que foi tipificado pelo altar de incenso e, finalmente, creem que
Jesus é a luz do mundo, conforme sugere o candelabro que também se destaca no
lugar Santo.
É
do lugar Santíssimo, porém, que vêm as principais diferenças, como vimos.
Babilônia está totalmente confusa quanto ao tema das duas mil e trezentas
tardes e manhãs de Daniel 8: 14, que demarca, com precisão, o começo do juízo
investigativo – relacionado com a purificação do Santuário Celestial; não
entendem o juízo propriamente dito, em suas três fases: investigativa (após
1844); comprovação das culpas e sentença (durante o milênio); e executiva (no
fogo, após o milênio), apesar das mais de mil passagens a respeito; e rejeitam
a integralidade da norma do juízo, o Decálogo, não obstante a grave admoestação
de Tiago 2: 10-12:
“Pois qualquer que
guarda toda a Lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos.
Portanto, aquele que disse: Não adulterarás também ordenou: Não matarás. Ora,
se não adulteras, porém matas, vens a ser transgressor da Lei. Falai de tal
maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela Lei
da liberdade”.
O
tema do milênio, tão claramente exposto no Apocalipse 20, é muito controvertido
e nebuloso para as igrejas em geral, e o sábado do sétimo dia, apesar de ser o
selo de Deus, é totalmente rechaçado, apesar de ser provavelmente a doutrina
melhor estruturada e uma das mais enfatizadas das Escrituras.
Estes
assuntos, de transcendental importância para a salvação, e mais o da reforma
alimentar, em proveniência do Santíssimo, constituem a motivação dos próximos capítulos.
Cap.
2–Os 2300 anos prévios à purificação do santuário
2.1 - Introdução
A
última visão de Daniel foi apresentada nos capítulos 10, 11 e 12 de seu livro e
analisada no primeiro capítulo da Parte I intitulada Daniel e Apocalipse. Estes
três capítulos estão interligados, formando uma cadeia profética que nos guia,
com segurança, do Império Medo Persa até à véspera da Segunda Vinda de Jesus. Agora
vamos estudar os capítulos 8 e 9 que constituem uma unidade preliminar que,
como um fio condutor, nos leva ao início do juízo investigativo, prévio e absolutamente
necessário ao advento de Cristo. Quando Ele vier, já trará consigo a recompensa,
pois afirma em Apocalipse 22: 12:
“Eis que venho sem demora, e Comigo está o
galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras”.
Neste
capítulo estudaremos a precisa e selada (garantida) cronologia bíblica que foi revelada
ao profeta Daniel, a fim de nos revelar com segurança absoluta o dia exato da
instauração deste grande tribunal celeste. Para não perdermos a noção de
conjunto e para facilitarmos o entendimento, vamos dividir esta grande cadeia
profética em três sessões. Vamos repassar rapidamente a primeira sessão da
visão, a qual começa com dois animais do santuário, em disputa, para chegarmos
logo nas segunda e terceira sessões, as mais importantes para o nosso estudo.
2.2
– O carneiro e o bode
Esta
sessão considera o conteúdo de Daniel 8: 1-9 e a explicação do mesmo, o que foi
bem compreendido pelo profeta.
“No ano terceiro do
reinado do rei Belsazar eu, Daniel, tive uma visão depois daquela que eu tivera
a princípio. Quando a visão me veio, parecia estar eu na cidadela de Susã, que
é província de Elão, e vi que estava junto do rio Ulai. Então levantei os
olhos, e vi, e eis que um carneiro estava diante do rio, o qual tinha dois
chifres, e os dois chifres eram altos, mas um mais alto do que o outro; e o
mais alto subiu por último. Vi que o carneiro dava marradas para o ocidente, e para
o norte e para o sul; e nenhum dos animais lhe podia resistir, nem havia quem
pudesse livrar-se do seu poder; ele, porém, fazia segundo a sua vontade, e
assim se engrandecia. Estando eu observando, eis que um bode vinha do ocidente
sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; este bode, tinha um chifre notável
entre os olhos; dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, o qual eu
tinha visto diante do rio; e correu contra ele com todo o seu furioso poder.
Vi-o chegar perto do carneiro e, enfurecido contra ele, o feriu e lhe quebrou
os dois chifres, pois não havia força no carneiro para lhe resistir; mas o bode
o lançou por terra e o pisou aos pés, e não houve quem pudesse livrar o
carneiro do poder dele. O bode se engrandeceu sobremaneira; e na sua força
quebrou-se lhe o grande chifre, e em seu lugar saíram quatro chifres notáveis,
para os quatro ventos do céu. De um deles saiu um chifre pequeno e se tornou
muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa. Daniel
8: 1-9.
A
segunda parte da visão, que vai até o versículo 14, será estudada na segunda
sessão. Nos versículos 15 e 16 encontramos o profeta querendo, como nós,
entender a primeira parte da visão, pois que diz:
“Havendo eu, Daniel,
tido a visão, procurei entendê-la, e eis que se me apresentou diante uma como
aparência de homem. E ouvi uma voz de homem de entre as margens do Ulai, o qual
gritou e disse: Gabriel dá a entender a este a visão”.
Gabriel, segundo
Lucas 1: 19 é um poderosíssimo anjo, que provavelmente tenha ocupado o lugar de
Lúcifer. Assim ele falou a Maria, mãe de Jesus:
“Respondeu-lhe o anjo:
Eu sou Gabriel, que assisto diante de
Deus, e fui enviado para falar-te e trazer-te estas boas novas”.
O
personagem com aparência de homem que lhe ordenou explicar a visão é Jesus, certamente.
Vejamos as suas características explicitadas em Daniel 10: 5-6:
“Levantei os olhos, e
olhei, e eis um homem vestido de linho, cujos ombros estavam cingidos de ouro
puro de Ufaz; o Seu corpo era como o berilo, o Seu rosto como um relâmpago, os Seus
olhos como tochas de fogo, os Seus braços e os Seus pés brilhavam como bronze
polido, e a voz de Suas palavras como o estrondo de muita gente”.
Vemos,
portanto, que a fonte da interpretação é fidedigna. Vejamos, em Daniel 8: 17 a reação do profeta, diante da inusitada
cena:
“Veio,
pois, para junto donde eu estava; ao chegar ele, fiquei amedrontado, e
prostrei-me com o rosto em terra; mas ele
me disse: Entende filho do homem, pois esta
visão se refere ao tempo do fim”.
A
saúde de Daniel parece ter-se agravado, quando o anjo repetiu-lhe a informação,
dando ênfase à questão do tempo de seu cumprimento:
“Falava ele comigo
quando caí sem sentido, rosto em terra; ele, porém, me tocou e me pôs em pé no
lugar onde eu me achava; e disse: Eis que te farei saber o há de acontecer no último tempo da ira; porque esta visão
se refere ao tempo determinado do fim”.
Daniel 8: 18-19.
Após
deixar bem claro que o foco da visão em seu conjunto e da última parte, em
particular, se referia ao tempo do fim, o anjo começa a explicar o significado
de sua primeira parte, a partir do verso 20:
“Aquele carneiro que viste com dois chifres, são os reis da Média e da
Pérsia”. O chifre maior, que aparece por último, no carneiro,
era a Pérsia; o outro era a Média que no começo era dominante. A Pérsia, o
segundo império mundial, dominou o mundo de 538 a 331 AC. Na ocasião da
visão, Belsazar era o último governante da monarquia babilônica, que foi
o primeiro império mundial citado por Daniel e que estava no seu fim, conforme a
visão já descrita no quarto parágrafo deste capítulo. As marradas do carneiro para o ocidente,
para o norte e para o sul significavam, respectivamente, as conquistas da
Lídia, da Babilônia e do Egito pela Medo Pérsia.
No
verso 21, segue a interpretação da profecia:
“mas o bode peludo é o rei da Grécia; o
chifre entre os olhos é o primeiro rei”. Este versículo já está
apresentando detalhes referentes ao terceiro império mundial, isto é, à Grécia,
a Macedônia. O chifre entre os olhos do
primeiro rei representa Alexandre, o Grande. A Grécia conquistou a Medo Pérsia
e governou de 331 AC a 168 AC. Esta parte da profecia se cumpriu e 200 anos
depois de anunciada a Daniel.
E
segue o verso 22:
“o ter sido quebrado, levantando quatro em
lugar dele, significa que quatro reinos se levantarão deste povo, mas não com
força igual a que ele tinha”.
Ao
morrer Alexandre, com 32 anos, no auge de seu Governo, a Grécia foi dividida
entre os seus quatro generais: Celeuco, que ficou com a Síria; Ptolomeu, com o
Egito; Lisímaco, que reinou na Trácia e na Ásia Menor, e Cassandro, na
Macedônia. Destes quatro prevaleceram dois: Celeuco e Ptolomeu que, após várias
guerras sucessivas pela hegemonia, acabaram enfraquecidos, dando lugar ao
quarto império mundial, descrito no verso 23:
“Mas, no fim do seu
reinado, quando os prevaricadores acabarem, levantar-se-á um rei de feroz
catadura e entendido de intrigas”.
Apesar de não dizer
quem é esse rei, diz o que ele faz, no verso 24:
“Grande é o seu poder,
mas não por sua própria força; causará estupendas destruições, prosperará e fará
o que lhe aprouver; destruirá os
poderosos e o povo santo”.
Esta
é uma clara alusão a Roma que, aproveitando-se mais da fragilidade momentânea
do exército grego do que de sua própria força, conquistou a Grécia, começando
pela Síria, depois o Egito, anexando também a Palestina. Esta expansão
horizontal foi profetizada no verso nove:
De um deles
(dos quatro ventos, segundo o texto original do verso oito e a tradução da Bíblia
de Jerusalém) saiu um chifre pequeno e se
tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa.
Este
chifre pequeno representou, primeiramente, Roma, o quarto império mundial, que
destruiu os poderosos da Grécia e foi sucedido por Roma papal, o chifre pequeno
definitivo, que destruiu o povo santo.
2.3
– A parte da visão que não foi compreendida
Nos
versos 10 e 11 começa, em sequência, a segunda parte da profecia, a qual,
segundo Gabriel, no verso dezessete, deveria se projetar para os últimos dias:
“Cresceu até atingir o
exército dos céus; e alguns do exército e das estrelas lançou por terra e os
pisou. Sim, engrandeceu-se até ao Príncipe do exército; dele tirou o sacrifício
costumado e o lugar do seu santuário foi deitado abaixo”.
O
Príncipe dos exércitos é Jesus Cristo o qual aparece recebendo a adoração humana,
em Josué 5: 14.
O
exército dos céus refere-se aos santos, conforme a explicação do verso 24.
Quanto
à retirada do sacrifício costumado, apesar da palavra sacrifício ter sido
suprida fortuitamente pelos tradutores para adaptá-la a opressão de Antíoco Epifanio,
como veremos adiante, ela acabou facilitando a interpretação, porque o oferecimento
contínuo de dois cordeiros, um pela manhã e outro à tarde, para remissão de
pecados, que era realizada em favor dos judeus que não podiam chegar ao templo,
era também uma tipologia do futuro ministério sacerdotal de Cristo no céu,
intercedendo continuamente por nós, conforme Hebreus 7: 25:
“Por isso, também pode
salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para
interceder por eles”.
A
palavra sacrifício, portanto, acabou fazendo sentido porque o texto, de fato, está
fazendo alusão à substituição arbitrária da intercessão contínua desenvolvida
por Jesus Cristo, no céu, por outro sistema, de natureza pagã, realizado por
meio do confessionário, de santos e de imagens, aqui na Terra. E segue Daniel
8: 25:
“Por sua astúcia nos seus empreendimentos fará
prosperar o engano, no seu coração se engrandecerá, e destruirá a muitos que vivem despreocupadamente; levantar-se-á
contra o Príncipe dos príncipes, mas será quebrado sem esforço de mãos
humanas”.
Esta
ilegítima manobra religiosa, em oposição às Escrituras, mostra os ataques do papado
aos filhos de Deus que viviam despreocupadamente (mais de cinquenta milhões de
mortos durante mil e duzentos e sessenta anos de supremacia papal) atingindo
também o santuário celestial, substituindo a intercessão de Jesus e mudando os
mandamentos de Deus. O chifre pequeno, contudo, não ficará impune. No tempo
certo, será quebrado sem esforço de mãos humanas, porque só Deus poderá trazer
esse poder eclesiástico corrupto a um fim definitivo.
E
segue a profecia, em Daniel 8: 12: “O
exército lhe foi entregue, com o sacrifício costumado (que representava a
intercessão de Jesus); e deitou por terra
a verdade (do sábado, em particular);
e o que fez prosperou”.
Diante desta escalada do Chifre Pequeno,
surge a grande pergunta do verso 13: ”Depois
ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: Até quando
durará a visão do costumado sacrifício, e da transgressão assoladora, visão na
qual era entregue o santuário e o exército, a fim de serem pisados”?
Em
outras palavras, até quando prevalecerão estas transgressões do papado, que
estavam massacrando os santos, deitando por terra a verdade, usurpando, inclusive,
o papel de Jesus como ministro do Santuário Celestial? A resposta vem no verso
14: “Ele me disse: Até duas mil e
trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado”. Este é o ponto
culminante da profecia e também dos mais relevantes de todo o livro de Daniel.
A
análise deste verso pelo profeta deve tê-lo levado diretamente ao juízo de Deus
que se processava uma vez por ano em Israel, consistindo da remoção dos pecados
que eram transferidos para o santuário durante o ano.
O
verso 26, no entanto, que provê a explicação para o conteúdo do verso 14,
confirma mais uma vez que esta profecia não poderia se referir à purificação do
Santuário Terrestre que havia sido profanado por Nabucodonosor:
“A visão da tarde e da
manhã, que foi dita, é verdadeira; tu, porém, preserva a visão, porque se refere
a dias ainda mui distantes”.
Confundido
em seus pensamentos, no verso 27 o profeta conclui o capítulo: “Eu, Daniel enfraqueci, e estive enfermo
alguns dias; então me levantei e tratei dos negócios do rei. Espantava-me com a
visão, e não havia quem a entendesse”.
Como
a parte da visão relacionada com o carneiro e o bode foi perfeitamente detalhada,
a parte nebulosa faz referência às duas mil e trezentas tardes e manhãs, isto
é, dois mil e trezentos dias, conforme a linguagem de Gênesis 1: 5: “Chamou Deus à luz Dia, e às trevas, Noite.
Houve tarde e manhã, o primeiro dia”. Como esta profecia se refere a dias
ainda mui distantes (repetido por três vezes), estes 2300 dias não podem ser
literais e sim proféticos, onde cada dia representa um ano, conforme Ezequiel
4: 7:“Quarenta dias te dei, cada dia por
um ano”...
Alguns intérpretes das Escrituras defendem a
literalidade das 2300 tardes e manhãs e os aplicam ao período em que Antíoco
Epifânio, um descendente de Celeuco, da Síria, dominou a Palestina e, na
tentativa de helenizar os judeus, ofereceu um porco em holocausto no templo de
Jerusalém, obrigando os judeus a fazerem o mesmo.
Esta aplicação é incorreta porque no livro de
I Macabeus, 1: 54-59 e 4: 52-54 é dito
que Antíoco interrompeu os serviços do templo durante três anos e dez dias (do
15º dia do mês de Chislev do ano 168 até
o 25º do mês de Chislev do ano 165). Este período foi, portanto de 1090 dias
literais. Mesmo considerando-se fortuitamente cada tarde e manhã como sendo
apenas meio dia, teríamos 1150 dias, que também não se ajusta ao tempo
especificado em Macabeus. E isto sem contar com o enunciado da profecia que se
reporta, à sucessivas reprises, ao tempo determinado do fim.
A confusão relacionada com Antíoco foi estabelecida
porque o livro apócrifo de I Macabeus 1: 54 aplicou, indevidamente a frase
‘sacrilégio desolador’, de Daniel 9: 27, àquilo que Antíoco Epifânio fez em
relação ao templo judaico. Este erro dos apócrifos, infelizmente, tem
desencaminhado o entendimento de muitos irmãos evangélicos.
2.3 – A explicação das 2300 tardes e manhãs
O
capítulo 9, a seguir, é um dos mais notáveis capítulos referentes a Cristo, do
Antigo Testamento, e dá continuação ao tema que ficou em aberto, no capítulo 8.
Dois
anos antes da libertação do cativeiro babilônico, no curso de uma sentida
oração de Daniel (versos de 1 ao 19), quando o profeta intercedia pelo
santuário destruído e pelo seu povo, apareceu-lhe, novamente, o anjo Gabriel:
“Falava
eu ainda, e orava, e confessava o meu pecado e o pecado de meu povo Israel, e lançava a minha súplica perante a face do
Senhor, meu Deus, pelo monte santo de meu Deus. Falava eu, digo, falava ainda
na oração, quando o homem Gabriel
que eu tinha presenciado na minha visão ao princípio, veio rapidamente, voando,
e me tocou à hora do sacrifício da tarde. Ele queria instruir-me, falou comigo,
e disse: Daniel, agora saí para fazer-te entender o sentido. No princípio das
tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado;
considera, pois, a coisa, e entende a visão”. Daniel 9: 20-23.
A
palavra visão, empregada aqui, no original hebraico é hazon a mesma que foi usada
para a visão geral do capítulo 8. Como o profeta não havia mencionado nada
sobre visão nos primeiros dezenove versos do capítulo 9, o anjo só podia estar
se referindo a visão geral do capítulo oito.
A
senhora White confirma esta ideia: “O
anjo fora enviado a Daniel com o expresso fim de lhe explicar o ponto que tinha
deixado de compreender na visão do capítulo 8, a saber a declaração relativa ao
tempo”. White, E.G. Cristo em Seu Santuário, p. 54, in Estudos Bíblicos Avançados, Fase 2, p. 48.
Outra
coisa que chama a atenção é que quando o profeta começa a explicar a parte que
não ficou esclarecida no capitulo 8, ele utiliza outra palavra hebraica para
visão: mareh, a mesma que foi usada para a visão dos 2.300 dias proféticos, que
ficaram sem explicação, conforme os dois últimos versos do capítulo oito:
“A visão (mareh) da
tarde e da manhã ... Eu, Daniel, espantava-me com a visão (mareh) e não havia
quem a entendesse”. Daniel 8: 26-27.
E,
logo a seguir, a explicação da mareh, apresentada a partir do verso 24,
confirma a hipótese do relacionamento entre os dois capítulos:
“Setenta semanas estão
determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade para
fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a
iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia, e
para ungir o Santo dos Santos”.
A
palavra: determinadas, traduzida de ‘chatak’, do original hebraico, significa
literalmente: cortadas, amputadas. Cabe aqui a pergunta: cortadas de que? Só
poderiam ser cortadas de um período mais longo de tempo, como dos 2300 anos de
Daniel 8: 14.
Uma
vez esclarecida esta parte, temos a considerar o fato destas setenta semanas
não serem literais, em face dos seis itens que elas abrangem: para
fazer cessar a transgressão (a ser alcançado no tempo de angústia),
para dar fim aos pecados (no juízo investigativo), para expiar a iniquidade (somente
realizada na cruz), para trazer a justiça eterna (na segunda vinda),
para selar a visão e a profecia (na unção de Jesus), e
para ungir o Santo dos santos (no ano 27 da era cristã), os quais seriam providos futuramente por
Jesus. Os dois últimos itens merecem destaque pela sua importância ao nosso
tema: a visão e a profecia seriam
seladas, isto é, sem deixar margem para dúvidas, a partir da unção de Jesus
pelo Espírito Santo.
E
quando deveria começar esse período que levaria, entre outras coisas, à unção do Santo dos santos e ao começo
de Seu ministério terrestre? A resposta nós a encontramos no verso 25:
“Sabe, e entende: desde
a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao
Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas: as praças e as circunvalações
se reedificarão, mas em tempos angustiosos”.
Este
verso é de excepcional importância porque fixa o começo das setenta semanas: a
saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém e seus muros,
permitindo, desta forma definir-se o ano certo do começo do ministério
terrestre de Jesus.
Este
decreto é referido em Esdras 6: 14: “segundo
o decreto de Ciro, de Dario e de Artaxerxes, rei da Pérsia”, que foi datado
em Esdras 7: 7, por ocasião do envio de Esdras a Jerusalém:
“Também subiram a
Jerusalém alguns dos filhos de Israel, dos sacerdotes, dos levitas, dos
cantores, dos porteiros e dos servidores do templo, no ano sétimo do rei
Artaxerxes”.
E no verso vinte e cinco, ao seu final,
Artaxerxes I faz as provisões para a restauração
da completa autoridade civil, judicial e religiosa dos judeus em sua pátria: “Tu, Esdras, segundo a sabedoria do teu
Deus, que possuis, nomeia magistrados e juízes, que julguem a todo o povo que
está dalém do Eufrates, a todos os que sabem as leis de teu Deus, e ao que não
as sabe, que lhas façam saber”. (Esdras 7: 25). (Negrito e grifos
acrescentados)
C.
Ceram, (5) no “final do livro ‘Deuses, Túmulos e Sábios” apresenta uma planilha
que nos mostra os anos em que vários reis e imperadores começaram a reinar. De
acordo com esta planilha, cientificamente comprovada, Artaxerxes começou a
reinar no ano de 464 AC. Logo, o sétimo ano de Artaxerxes fica situado,
historicamente em 457 AC. Assim, no final das primeiras sessenta e nove semanas
(483 anos), a partir de 457 AC a História chega ao ano 27 DC, quando Cristo foi
batizado. Isso ocorreu no décimo quinto ano de reinado de Tibério César (Lucas
3: 1), o qual começou a reinar no ano 12 (por causa da doença de seu pai, César
Augusto Otaviano). Nessa ocasião surgiu João Batista pregando o batismo de
arrependimento para remissão dos pecados (Lucas 3: 3). E no verso 21 deste
mesmo capítulo, encontramos a unção do Santo dos santos:
“E aconteceu que, ao
ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e estando Ele a orar, o céu se
abriu, e o Espírito Santo desceu sobre
Ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o Meu
Filho amado, em Ti me comprazo”.
Quando
Jesus foi ungido pelo Espírito Santo, já havia sido batizado. A palavra Ungido
corresponde às palavras Messias, no hebraico e Cristo, no grego.
E
em Daniel 9: 26 vemos esta impressionante profecia confirmada pelo início do
ministério de Jesus, seguido de sua morte na cruz:
“Depois das sessenta e
duas semanas será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe, que
há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e
até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas”.
Mais
tarde, portanto, depois das sessenta e duas semanas que se seguem às sete
primeiras semanas, isto é, após sessenta e nove semanas, duas coisas
importantes deveriam acontecer, selando a profecia: 1) A morte do Messias, no
ano 31 DC e, 2) a cidade reconstruída e o santuário seriam novamente
destruídos, desta vez pelo povo de outro príncipe que ainda estava para vir.
Esta profecia teve seu cumprimento no ano 70 DC quando Tito, então futuro rei
do Império Romano, comandou a destruição de Jerusalém. Desde então o povo judeu
vem sendo envolvido em guerras e desolações.
O
texto de Daniel 9: 27 conclui a profecia: “Ele
fará firme aliança com muitos por uma semana; na metade da semana fará cessar o
sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o
assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele”.
Aos
três anos e meio de Seu ministério, justamente no meio da derradeira semana de
anos, Jesus morreu na cruz, cessando o sacrifício, conforme é entendido pelo
rasgar do véu do templo: “Eis que o véu
do santuário se rasgou em duas partes, de alto a baixo; tremeu a terra,
fenderam-se as rochas”. Mateus: 27: 51.
Vemos
pela profecia que Deus não somente revela o futuro, como também dirige, molda e
controla-o. Considerando-se que as primeiras setenta semanas de anos,
destacadas dos 2300 anos, foram cumpridas até o ano 34 DC, com o apedrejamento
de Estêvão e ulterior perseguição dos cristãos, pelos líderes judeus, o tempo destinado
à nação israelita extinguiu-se. Restaram, contudo, 1810 anos no escopo da
profecia. Este período leva a História até ao outono de 1844, quando o santuário,
finalmente, começou a ser purificado. Como o santuário israelita estava em
ruínas, o único santuário que poderia ser purificado, era o celestial, citado
em Hebreus 8: 1-5 e 9: 11-12. A sua purificação contempla a eliminação dos pecados escritos nos livros
do céu, por meio do juízo investigativo. Este será o tema do próximo
capítulo.
Uma
segunda aplicação, atualizada, para a septuagésima semana de anos (verso vinte
e sete) foi provida na sessão 1.4.1 do primeiro capítulo da Parte I.
Cap. 3 – A purificação do santuário: O juízo de Deus
3.1 - Introdução
A
purificação do santuário, como vimos, é uma referência ao juízo que antecede a
volta de Cristo à Terra. Destacaremos, neste capítulo, a necessidade que temos
de repensar nossa vida espiritual, à luz deste juízo de Deus, pois será
terrivelmente minucioso e, por ele, passaremos todos.
Em Números 32: 23 encontramos o texto base
para a nossa reflexão:
“Porém, se não fizerdes
assim, eis que pecastes contra o Senhor; e sabei que o vosso pecado vos há de
achar”.
Vamos
contar uma história ocorrida na América do Norte que permitirá trazer esta
passagem bíblica pouco comentada para o contexto de nossos dias.
Um
jornalista norte-americano saiu de casa para fazer uma reportagem em uma cidade
vizinha e, logo nos primeiros quarteirões, atendeu a um pedido de carona. Parou
seu carro de bom grado para que o estranho entrasse. O curioso é que aquele
cidadão entrou sem dizer uma só palavra. O jornalista, acostumado com todo o
tipo de pessoas, procurou desenvolver uma conversa com aquela estranha
criatura. Falou do tempo, que era primavera, falou de política, de futebol e de
religião, mas o homem permaneceu quieto sem nada responder. Seria mudo este
homem, pensou o jornalista? A verdade é que a situação ficou tensa e se agravou
ainda mais quando o ‘carona’ sacou de uma faquinha afiada e pontuda. Logo a
seguir, sacou, também, de dentro da camisa, uma varinha, começando a golpeá-la
com a faca. O sujeito parecia hábil no manuseio da faquinha e, logo, tinha nas
mãos uma vara artisticamente trabalhada. Fez, então, menção para descer e o
jornalista rapidamente parou o carro, dando oportunidade para o estranho
evadir-se, o que ele fez sem sequer agradecer.
Aliviado,
o jornalista foi fazer sua reportagem e, dias mais tarde, voltando pelo mesmo
caminho, ele viu um aglomerado de pessoas e, como bom jornalista, procurou
saber do que se tratava. Depara-se, então, com um grupo horrorizado, diante de
um casal (da mercearia), recentemente assaltado e morto à punhaladas. Ninguém
sabia nada sobre o crime. A única pista que encontraram, entre os mortos, foi
uma varinha talhada à mão, que nada significava para eles.
O
jornalista teve um calafrio ao reconhecer aquela varinha, lembrando-se do
sujeito que a talhou na sua frente. Procurou a polícia, contou tudo o que sabia
e logo encontraram o suposto criminoso. Instaurou-se o tribunal, onde aquele
homem começa a defender-se com calma e maestria, respondendo tranquilamente a
todas as perguntas. O juiz, os jurados e, mesmo o promotor público, já estavam
acreditando na sua inocência, quando, pela sala do júri entra o jornalista,
trazendo a varinha oculta em suas mãos. Foi parar na frente do réu e colocou-lhe
a varinha diante dos olhos. Aquele homem, que estava tão seguro, muda de cor, começa
a suar e a tremer e, naquele momento, todos perceberam que ele era o assassino.
Aquele homem, naquele momento, encontrou-se com o seu pecado, conforme Números
32: 23:
“Porém, se não fizerdes assim, eis que
pecastes contra o Senhor e sabei que o vosso pecado vos há de achar”.
Por mais que sabiamente consigamos
encobrir o nosso pecado, mais cedo ou mais tarde ele aparecerá. A passagem registrada no Salmo 44: 21 contém
uma solene advertência para todos nós:
“Porventura,
não o teria atinado Deus, Ele que
conhece os segredos dos corações”?
3.2 – A realidade
do juízo
O
juízo de Deus é algo extremamente real e decisivo para nossas almas. Apesar de
não pensarmos muito nele, é o ponto central no processo de nossa salvação
eterna.
Vamos
imaginar um quadro vivo para trazê-lo para o contexto de nossas próprias vidas.
Vamos supor a estória de um casal,
habitando em um bairro nobre da cidade. Este casal hipotético tem duas filhas
adolescentes. Aos sábados pela manhã, os quatro tomam o seu bonito carro
importado e dirigem-se para a Igreja Remanescente do bairro. Nela, aquela
família é bem conhecida e estimada. A mãe e as duas filhas tinham sido
recentemente batizadas. Só o pai que, apesar de ser um moço muito elogiado por
todos e até citado como exemplo, pelo pastor, não havia se decidido, ainda,
pelo batismo. Mas, apesar de não ser batizado, frequentava, sempre, os cultos
de sábado, e, às vezes, era encontrado na igreja aos domingos e, mesmo às
quartas feiras. Dava o dízimo, fazia trabalho missionário e, de vez em quando,
passava a lição na escola sabatina. Era uma bela criatura, porém não se decidia
pelo batismo. Por que será que ele não se batizava? Será que ele bebia, fumava
ou usava drogas? Nem pensar! Era atlético, muito simpático e gozava de boa
saúde. Mas, apesar dos apelos, ele não se batizava. Postergava sempre a sua
decisão, dizendo que havia tempo.
Aos
sábados à tarde, ele apanhava seu bonito carro esporte e ia sozinho, entregar
folhetos do outro lado da cidade. Ali, após o trabalho missionário, ao por do
sol, encontrava-se, clandestinamente, com uma jovem mulher.
Lembremo-nos
de que este não é um caso verdadeiro. Somente estamos nos servindo dele como
ilustração.
Após
seu encontro, no início da noite de sábado, voltava para casa, seguindo o curso
normal de sua vida. Ninguém sabia de nada. Mas, por causa deste ilegítimo
compromisso, ele adiava, indefinidamente, a hora de seu batismo. Sabia que
precisava mudar sua vida, tinha mesmo urgência para fazê-lo, contudo, ia
contemporizando com o seu problema.
Certo
dia, voltando do trabalho e já bem próximo de casa, ocorre um trágico imprevisto.
O carro dirigido por nosso jovem colide com um taxi que cruza o seu caminho em
alta velocidade.
O
jovem, atingido na cabeça, falece a caminho do hospital. Ninguém queria
acreditar, apesar destas coisas acontecerem a todo instante. Todos ficaram atônitos,
mas a verdade era uma só: o jovem estava morto!
E
agora, será que ele poderia se corrigir? Vamos ler Eclesiastes 9: 5 e 10:
“Porque os vivos sabem
que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão
eles recompensa, porque sua memória jaz no esquecimento... Tudo o que te vier à
mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu
vais, não há obras, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma”.
Não
devemos deixar nossas correções para depois porque o depois pode ser tarde
demais! Será que o caso de nosso jovem
estaria encerrado? Não! Definitivamente! Vamos ao livro de hebreus 9: 27:
“E, assim como aos
homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo”.
O
juízo vem após a morte porque este é o momento certo, quando já não mais
ocorrem conversões. Observemos que o texto elimina, também, a possibilidade de
reencarnações. E, em II Coríntios 5: 10, o apóstolo Paulo enfatiza:
“Porque importa que
todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba
segundo o bem ou mal que tiver feito por meio do corpo”.
Mas
como o nosso jovem compareceria neste tribunal, se ele já estava morto e
sepultado? Daniel 7: 9-10 nos ajuda a entender:
“Continuei olhando, até
que foram postos uns tronos e o Ancião de dias (Deus,
o Pai) se assentou; Sua veste era branca
como a neve, e os cabelos da cabeça, como a pura lã; o Seu trono eram chamas de
fogo, e suas rodas eram fogo ardente. Um rio de fogo manava e saía de diante
dEle; milhares de milhares O serviam, e miríades de miríades estavam diante dEle;
assentou-se o tribunal e abriram-se os
livros”.
O
texto nos informa que seremos julgados, não de corpo presente, mas pelas
anotações que se encontram nos nossos livros, no santuário celestial. Quantos
livros? São muitos. Vamos agora mencionar apenas quatro:
1)
O
livro da vida. Todos os nomes dos que professam fé em
Jesus Cristo estão inscritos no livro da vida:
“O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o
seu nome do livro da vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de Meu
Pai e diante de Seus anjos”. Apocalipse 3: 5.
Devemos orar para que Deus não
risque o nosso nome de lá, pois a possibilidade existe:
“Então
disse o Senhor a Moisés: Riscarei do meu livro todo aquele que pecar contra
mim”. Êxodo 32: 33.
2)
O
livro memorial. Em Malaquias 3: 16-17 encontramos:
“Então, os que temiam
ao Senhor falavam uns aos outros; o Senhor atentava e ouvia; havia um memorial escrito diante dEle para os
que temem ao Senhor e para os que se lembram do Seu nome. Eles serão para Mim
particular tesouro, naquele dia que preparei, diz o Senhor dos Exércitos;
poupá-los-ei como um homem poupa seu filho que o serve”.
No
Espírito de Profecia, relacionado com este memorial, lemos: “Suas palavras de fé, seus atos de amor,
acham-se registrados no céu. Neemias a isto se refere quando diz: ‘Deus meu,
lembra-Te de mim; e não apagues as beneficências que eu fiz à casa de meu Deus’”.
Neemias 13: 14. “No livro memorial de
Deus toda ação de justiça se acha imortalizada. Ali, toda tentação resistida,
todo o mal vencido, toda palavra de terna compaixão que se proferir, acham-se
fielmente historiados”. (6)
3)
Contas-correntes do Céu – “Vários
livros achavam-se diante dEle, e
na capa de cada um estava escrito em letras de ouro, que pareciam como chama
ardente: Contas-correntes do céu.(7).
Neles estão
registrados, com infalível precisão, todos os pecados não confessados e não
abandonados. Salomão, a ele se refere, dizendo:
“Deus há de trazer a juízo toda obra, e até
tudo o que está encoberto, quer seja bom quer seja mau.” Eclesiastes 12:
14. Em Mateus 12: 36, disse Jesus:“De
toda a palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do
juízo”.
Se,
todavia nos arrependermos e confessarmos e convertermo-nos, no dia do juízo, nossos
pecados serão apagados e jogados nas profundezas do mar. Caso contrário, estes
pecados permanecerão no livro Contas-correntes do Céu, para um juízo posterior,
durante o milênio, quando será estabelecida a sentença final para o ímpio.
4)
O livro da morte – Se formos
julgados e condenados, nossas boas obras serão apagadas do memorial de Deus,
nosso nome será riscado do livro da vida e colocado, definitivamente, no livro
da morte. Pela profecia de Daniel 8: 14 nos apercebemos de que este julgamento
começou em 1844.
“Ele me disse: Até duas
mil e trezentas tardes e manhãs, e o santuário será purificado”,
o que é confirmado no livro O Grande Conflito – ‘Acontecimentos que mudarão o
seu futuro’, páginas 272/279, o qual acrescenta que este juízo começou pelos mortos,
devendo passar, finalmente, ao caso dos vivos.
3.3 – O juízo em
ação
Agora
vamos imaginar este tribunal em pleno funcionamento. Qual foi o primeiro homem
a comparecer neste tribunal? Com certeza foi Abel, o primeiro morto. E, em
Gênesis 4: 4 lemos:
“Abel, por sua vez,
trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de
Abel e de sua oferta”.
Com
certeza Jesus estava ali para interceder por ele, sendo confirmado o nome de
Abel no livro da vida e seus pecados apagados do ‘Contas-correntes do Céu’.
Em
Gênesis 4: 5, por outro lado, lemos:
“Ao passo que de Caim e
de sua oferta não se agradou o Senhor. Irou-se, pois, sobremaneira Caim, e
descai-lhe o semblante”.
As
Escrituras relatam a triste história de Caim. Ele matou o seu irmão!
Certamente, no tribunal de Deus, estava tudo contra ele, ninguém apareceu para
defendê-lo, seu nome com certeza, foi apagado do livro da vida e escrito no
livro da morte.
Fica
para a nós a importante advertência encontrada em Genesis 4: 7:
“Se procederem bem, não
é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à
porta, o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”.
Dessa
forma vai se processando este fantástico tribunal até que aparece o caso de
nosso jovem nas cortes celestiais. O Senhor Deus, o Pai, não julga, mas preside
todo o julgamento. Olha o memorial daquele jovem e percebe que ele conhecia
toda a verdade, participava dos cultos de adoração, dava os dízimos, fazia
trabalho missionário, mas, apesar de ser um jovem promissor, o seu caso estava
muito complicado. No livro Contas Correntes do céu, além de outros pecados
menores, constava o seu romance ilegal. Deus, então, perguntou ao Senhor Jesus
Cristo porque ele não havia se apresentado para defendê-lo. E, também, porque a
situação daquele jovem estava assim tão ruim? Jesus diz: Meu Pai, eu morri por
ele e mostra as Suas mãos marcadas pelos cravos. Enviei, também, o Espírito
Santo, para convencê-lo do pecado, da justiça provida na cruz para o seu
pecado, e, também, deste juízo. Ele, porém, não quis beneficiar-se de Meu
sangue, alegando, simplesmente, que havia tempo. Que mais eu poderia fazer?
Deus, então, pergunta ao Espírito Santo: Porque o jovem não se arrependeu? O
Espírito Santo responde que fizera tudo ao Seu alcance, usando, insistentemente
o pastor, os anciãos da igreja, a esposa e os amigos para convencê-lo a mudar
de vida; inspirava os sermões; quando ele andava sozinho, muitas vezes insistia
com ele para que se batizasse e mudasse de vida, mas ele não chegou a tomar a
decisão. Que mais eu poderia fazer? O Senhor Deus, com dor no coração, mandou
apagar o nome daquele jovem do livro da vida e escrevê-lo no livro da morte.
Apesar de conhecer toda a verdade e de cruzar muitas e muitas vezes os átrios
da igreja, aquele jovem estava perdido para sempre!
“Porém, se não fizerdes
assim, eis que pecastes contra o Senhor; e sabei que o vosso pecado vos há de
achar”... “Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta, o seu
desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”.
Estaria encerrada, a
nossa história? De forma alguma! A esposa do jovem
continuou frequentando a igreja e manteve-se fiel até à morte. Depois de muitos
anos ela morre na doce expectativa de encontrar-se com o seu amado na manhã
gloriosa da ressurreição. Ela é sepultada ao lado do esposo e, também passa
pelo tribunal de Deus. Seu nome é confirmado no livro da vida e seus pecados
são apagados do livro Contas Correntes do céu. E, naquele cemitério permanecem
as duas silenciosas sepulturas, uma ao lado da outra. Suas filhas continuaram
firmes na igreja, como verdadeiros baluartes da causa de Deus, até a manhã da
ressurreição. Foram julgadas no juízo dos vivos e aprovadas. Diz-nos o apóstolo
Paulo em I Tessalonicenses 4: 13-16:
“Não queremos, porém,
irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos
entristecerdes como os demais, que não têm esperança. Pois, se cremos que Jesus
morreu e ressuscitou, assim, também Deus, mediante Jesus, trará, em sua
companhia, os que dormem. Ora, ainda vos declaramos, por palavras do Senhor,
isto: nós, os vivos, os que ficarmos até a vinda do Senhor, de modo algum
precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de
ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos
céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro”.
No glorioso dia da
ressurreição, entre relâmpagos e clarinadas; entre trovões e terremotos, ao som
da última trombeta, uma daquelas sepulturas se abrirá. Nesse dia, aguardado por
todos os séculos, aquela mãe piedosa saiu gloriosamente transformada e
revestida da imortalidade. Viu Jesus nos ares com milhões de anjos que se
movimentavam em todas as direções. Encontrou as suas duas filhas, agora
transformadas, conforme lemos em I Coríntios 15: 50-55:
“Isto afirmo, irmãos,
que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a
incorrupção. Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas
transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar d’olhos, ao
ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão
incorruptíveis e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo
corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista
da imortalidade. E quando este corpo corruptível se revestir da
incorruptibilidade e o que é mortal se revestir da imortalidade, então se
cumprirá a palavra que está escrita: tragada foi a morte pela vitória. Onde
está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão”?
As
três se abraçaram e se confraternizaram gloriosamente numa alegria
indescritível. Lembraram-se, todavia, de seu esposo e pai. Estavam certas de
encontrá-lo, porém viram a sua sepultura fechada. Perceberam, então, que ele
não foi aprovado no tribunal de Deus e que por certo Jesus irá explicar-lhes
todos os detalhes durante o milênio. O que se passará com elas neste momento?
Não o sabemos, mas uma coisa é certa: se houver uma nuvem de tristeza, essa será,
com certeza, grandemente compensada pela esfuziante felicidade daquele momento.
Possivelmente aqui também se aplique o conteúdo do verso de Apocalipse 21: 4,
apesar de ser mais específico para depois do milênio:
“E lhes enxugará dos
olhos toda a lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem
pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram”.
Elas
seguiram para as cortes celestiais, na companhia dos remidos de todos os
tempos, com os anjos e com o Cordeiro de Deus. Diz o apóstolo Paulo que “não subiu ao coração humano tudo o que Deus
tem preparado para os que o amam”.
Estaria encerrada aqui
a nossa história? Ainda não! Elas participarão da ceia do
Cordeiro e do juízo dos perdidos. Compreenderão porque o seu amado esposo e pai
fora reprovado no juízo investigativo. Mil anos após, retornarão à Terra
renovada, com a Nova Jerusalém e com Cristo, conforme lemos em Apocalipse 21:
1-3:
“Vi novo céu e nova
Terra, pois o primeiro céu e a primeira Terra passaram, e o mar já não existe.
Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de
Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então vi grande voz vinda
do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com
eles. Eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles”.
Ao
baixar a cidade ocorreu o que encontramos em Apocalipse 20: 5-7:
“Os restantes dos
mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira
ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário,
serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com Ele os mil anos. Quando,
porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto de sua prisão”.
A
soltura (circunstancial) de Satanás, nessa ocasião, após o milênio no céu,
representa a segunda ressurreição, dos perdidos. Continuemos imaginando nossa
história: entre trovões, relâmpagos e terremotos, o nosso jovem, aturdido,
participa dessa ressurreição. Ele conhecia esse assunto muito bem. Acreditava
nisso, na sonhada ressurreição dos mortos. Olha para o alto e, contudo, não vê
Jesus nos ares, como aprendera em Mateus 24: 30-31:
“Então aparecerá no céu
o sinal do Filho do homem; todos os povos da Terra se lamentarão e verão o
Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória. E Ele
enviará os Seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os Seus
escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus”.
O
jovem olha para o lado e vê a sepultura de sua esposa que fora aberta há
muitíssimos anos. Vê rostos desfigurados pelo pecado, por todos os lados e
dá-se conta tratar-se da segunda ressurreição e se abate profundamente. Que não
seja esta a nossa sorte! Reconhece, então, amargamente, o seu erro e vê-se
inexoravelmente perdido, não por falta de misericórdia de Deus, mas por causa
da sua própria negligência! Satanás passa então a comandar os rebeldes para
tomar de assalto a nova Jerusalém:
“E sairá a seduzir as
nações que há nos quatro cantos da Terra, Gogue e Magogue (os
maus recém ressuscitados), a fim de
reuni-los para a peleja. O número desses é como a areia do mar. Marcharam então
pela superfície da Terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade
querida; desceu, porém, fogo dos céus e os consumiu”. Apocalipse 20: 8-9.
Ainda
estamos aqui e podemos fazer a nossa escolha, tomar a nossa decisão. Que todos nós
possamos ser renovados nesta ocasião e fazer nossa a doxologia (glorificação a
Deus por meio de cânticos ou preces) de Judas 24 e 25:
“Ora, aquele que é
poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação,
imaculados diante da Sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus
Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as
eras, e agora, e por todos os séculos. Amém”.
Cap. 4 – A Segunda Vinda de Jesus
4.1 Antecedentes
Todas
as doutrinas originadas da obra de Jesus no Santíssimo apontam para a Sua
segunda vinda, ao final do juízo investigativo. Quais acordes de suave melodia elas
tocam o coração do remanescente atento.
As
palavras de Jesus, citadas em João 14: 2-3: “Vou preparar-vos lugar... e vos receberei para Mim mesmo, para que onde
Eu estou estejais vós também”, soam maravilhosamente aos seus ouvidos.
Isto
acontece porque ele já entra na igreja “aguardando
a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador
Cristo Jesus, o qual a Si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda a iniquidade e purificar, para Si mesmo, um povo exclusivamente Seu, zeloso de boas
obras”. Tito 2: 13-14.
Quando,
no Monte das Oliveiras, os discípulos perguntaram a Jesus:
“Dize-nos quando
sucederão estas coisas (destruição do templo e de
Jerusalém, citados nos dois primeiros versos de Mateus 24) e que sinal haverá da tua vinda
e da consumação do século”? Citado no final de Mateus 24: 3, a resposta de Jesus lhe interessa de forma
particular.
Vamos
examinar a resposta de Jesus à primeira pergunta, a qual foi relacionada com três
cercos sobre Jerusalém. Os dois primeiros cercos foram aludidos em Lucas 21:
20-24:
“Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei
que está próxima a sua devastação. Então os que estiverem na Judéia fujam para
os montes; os que se encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que
estiverem nos campos não entrem nela. Porque estes dias são de vingança, para
se cumprir tudo o que está escrito. Ai das que estiverem grávidas e das que
amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande aflição na terra e ira contra
este povo. Cairão ao fio da espada e serão levados cativos para todas as
nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada
por eles”.
No
ano 66 DC esta profecia começou a ter seu cumprimento, quando Céstio Gaio
sitiou Jerusalém pela primeira vez. Todos os cristãos compreenderam que aquela
era a hora de fugir; surgiram, no entanto, algumas dificuldades: os portões
estavam fechados, o exército romano cercava a cidade e os líderes judeus
impediram qualquer movimento dos judeus cristãos. Porém nada podia impedir o
total cumprimento profético porque no livro de Isaías 46: 9-10 lemos:
“Lembrai-vos das coisas
passadas da antiguidade: que Eu sou Deus, e não há outro, Eu sou Deus e não há
outro semelhante a Mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e
desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o Meu
conselho permanecerá de pé, farei toda a
Minha vontade”.
Na
sua onisciência Deus sabe o que vai ocorrer não só na Terra como em todo o
Universo. E assim, sem que houvesse um motivo imperioso Céstio resolveu
abandonar o cerco e voltar para Roma. Isto só se explica pela infalível
revelação de Deus: ‘Farei toda a Minha
vontade’! Naquela ocasião os judeus saíram atrás dos romanos e os três
impedimentos para a fuga desapareceram. Os filhos de Deus fugiram para a região
montanhosa da Pereia, onde fundaram a primeira cidade cristã, chamada Péla.
E,
no ano 70 DC o General Vespasiano cercou Jerusalém pela segunda vez. Ele também
precisou voltar para Roma, durante o cerco, para assumir o império. Deixou,
contudo, seu sobrinho Tito, que também veio a ser imperador, no comando do
cerco. Este conseguiu abrir uma brecha no muro, originando uma monstruosa
carnificina. Aquele banho de sangue, que levou a morte cerca de um milhão de
judeus, parecia um eco das palavras ditas por eles há 39 anos, por ocasião da
crucifixão de Cristo:
“Caia sobre nós o Seu sangue e sobre nossos
filhos”. Mateus 27: 25.
O
General Tito ainda tentou impedir a profética destruição do templo, embelezado
sobremaneira por Otávio, o imperador César Augusto, mas não teve jeito. Um fato
que merece a moldura do destaque, na destruição do edifício sagrado foi que o
calor intenso de mais de 1000°C rachou as paredes de mármore que tinha
artísticos desenhos em ouro reluzente. O ouro, então, começou a escorrer para
dentro das brechas das colunas e paredes. Tito mandou desmanchar tudo para
desentranhá-lo. De fato não ficou pedra sobre pedra, conforme profetizara
Jesus, na Sua última saída do templo de Jerusalém:
“... quando se aproximaram dEle os Seus
discípulos para lhe mostrar as construções do templo. Ele, porém, lhes disse:
Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra
que não seja derribada”. Mateus 24: 1-2.
Anos
mais tarde o imperador Juliano, precisando fazer média com os judeus, garantiu
que reedificaria o templo. Os judeus
fizeram tudo para ajudar, mas saia um calor intenso das fundações e eles não conseguiram
dar prosseguimento às obras até que Juliano, numa guerra, foi atravessado por
uma lança, dizendo, antes de morrer, a célebre frase: venceste Galileu!
4.2
– O princípio das dores
Trataremos
agora da resposta de Jesus à segunda parte da pergunta formulada pelos Seus
discípulos, no Monte das Oliveiras:
“...
que sinal haverá da tua vinda e da consumação
do século”?
Esta
indagação foi totalmente respondida em Mateus 24: 4-31.
Para
tanto, Jesus dividiu estes sinais em dois grupos: quanto aos primeiros sinais,
foram chamados por Ele de o princípio das dores, no verso oito. As referências
às dores de parto deslocam o foco dos sinais, das dores propriamente ditas para
a intensificação de sua frequência. Neste sentido, não são as dores os sinais,
mas a frequência de sua ocorrência. Quando as dores de parto se intensificam
significam que o bebê está prestes a nascer. Assim, os sinais citados por
Cristo sempre ocorreram, mas a frequência não é mais a mesma. A sua
intensificação é que nos diz que um novo mundo está para nascer. Então Jesus
começa, dizendo aos discípulos o que encontramos em Mateus 24: 5:
“E Ele lhes respondeu:
vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o
Cristo e enganarão a muitos”.
Dando
cumprimento a esta profecia temos visto surgir muitos falsos profetas pelo
mundo. Só nos últimos dez anos (2001-2011), mil e novecentas pessoas se declararam,
segundo a Internet, ser uma reencarnação de Cristo. Alguns destes têm alcançado
milhões de seguidores. No Brasil, talvez o mais conhecido seja o INRI Cristo.
Outro
sinal anunciado por Jesus encontra-se em Mateus 24: 6:
“E certamente ouvireis
falar de guerras e rumores de guerras; vede não vos assusteis, porque é
necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim”.
Aqui,
também, guerras sempre existiram, mas não com a mesma intensidade dos últimos
anos. No Século XX foram registradas duas grandes guerras mundiais, com cerca
de cem milhões de mortos. Após a
segunda Guerra Mundial começaram os rumores de guerras entre os Estados Unidos
da América e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Tais rumores foram
chamados de guerra fria. Hoje, após a queda do bloco socialista, apesar de estarmos
vivendo no período em que se fala de paz e segurança, a mídia mostra que 28
conflitos estão em andamento e mais de cem escaramuças sangrentas ocorrem por
dia! (9). Este estado beligerante crescente vem preocupando tanto a Organização
das Nações Unidas, que ela tem se orientado para a consolidação de uma Nova
Ordem Mundial a fim de evitar o terrorismo internacional e assegurar a paz para
à humanidade. A proposta da ONU busca inutilmente evitar o que foi profetizado na
primeira parte de Mateus 24:7:
“Porquanto se levantará
nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários
lugares”.
Quanto
ao problema da fome, já temos, atualmente, mais de um bilhão de pessoas no
mundo que apresentam uma desnutrição crônica. Parte deste problema é
remanescente da exploração das nações mais pobres pelas mais ricas. Hoje, com a
erradicação do colonialismo, persistem, ainda, a fome e a pobreza; uma em cada cinco
pessoas devem morrer, por falta de comida nos próximos dois anos. Até as nações
‘ditas’ desenvolvidas estão entrando em colapso. É notória a movimentação destas
nações em busca de despojos, agora no Oriente Médio e Norte da África.
Felizmente os anjos estão ainda segurando os quatro ventos da destruição
(Apocalipse 7: 1-3). Contudo, será ainda no contexto desta última crise mundial que Cristo se manifestará.
A
escalada dos terremotos tem sido vertiginosa, tanto em número como em perdas de
vidas humanas. Antes não chegava a ocorrer um terremoto por século. Hoje a
situação mudou: temos mais de um milhão de terremotos registrados por ano. Só
nos últimos dez anos ocorreram mais terremotos do que a soma dos ocorridos em
todos os tempos. Nos últimos sete anos ocorreram mais de 380 terremotos acima
de 8 graus na escala Richter. O terremoto de Sumatra, em 2004, acusou 9,3 graus
nesta escala e foi o único a ser medido em todos os sismógrafos do mundo. Os
terremotos do Chile e os da Ásia, com tsunamis, abalaram o eixo da Terra,
interferindo até na migração das aves.
Cumpre-se
cabalmente o que falou a respeito disso, o profeta Isaías, no capítulo vinte e
quatro, versos quatro e cinco do seu livro:
“A terra pranteia e se
murcha; o mundo enfraquece e se murcha; enlanguescem os mais altos do povo da
terra. Na verdade a terra está contaminada por causa de seus moradores,
porquanto transgridem as leis,
violam os estatutos e quebram a aliança eterna”.
“Porém tudo isso é
ainda o princípio das dores”, citou Jesus, em Mateus
24: 8, passando a discorrer então sobre os eventos que deverão ocorrerão na parte
final, os quais serão ainda mais terríveis:
4.3 – Os
últimos sinais
Quando sair o Decreto Dominical, os remanescentes
guardadores do sábado serão fortemente perseguidos, a exemplo do que aconteceu
na Idade Média:
“Então sereis atribulados e vos matarão.
Sereis odiados de todas as nações, por causa de Meu nome”.
Mateus 24: 9. Este verso vai de par com Mateus 10: 17-22:
“E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos
açoitarão nas suas sinagogas; por Minha causa sereis levados à presença de
governadores e de reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios.
E, quando vos entregarem, não cuideis em como ou o que haveis de falar, porque,
naquela hora, vos será concedido o que haveis de dizer, visto que não sois vós
os que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós. Um irmão
entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se
levantarão contra os progenitores e os matarão. Sereis odiados de todos por
causa do meu nome; aquele, porém, que
perseverar até o fim, esse será salvo”. Mateus 10: 17-22:
Em
Mateus 24: 10 Jesus acrescenta que:
“Neste tempo, muitos
hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros”.
Os
remanescentes nominais cederão às exigências para a transgressão do sábado; o
ódio deles contra os fiéis será devido à determinação destes em vencer, com
base em sua inquebrantável fé, a fé de Jesus.
Ainda
em Mateus 24: 11-13, lemos:
“Levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos...
E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. Aquele,
porém, que perseverar até o fim, esse será salvo!”.
A
obra destes falsos profetas e falsos mestres vem trazendo o esfriamento da fé
para muitos corações. Pedro, em sua segunda carta, versículos de um a três, dá
mais informações, inclusive quanto aos resultados para o futuro destes
charlatões:
“Assim
como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão,
dissimuladamente, heresias destruidoras,
até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si
mesmos repentina destruição. E
muitos seguirão as suas práticas libertinas , e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade;
também, movidos por avareza, farão
comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo
tempo não tarda, e sua destruição não dorme”
A
televisão, na atualidade, está congestionada destes falsos líderes que se dizem
apóstolos, profetas e mestres. Com certeza trata-se apenas da ponta do iceberg.
Contudo, apesar deste estratagema maligno, diz Jesus em Mateus 24: 14 que:
“Será pregado este
evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então
virá o fim”.
Este
fim virá cercado de eventos sobrenaturais que chamarão a atenção dos enganados,
conforme vimos na descrição das trombetas no desenvolvimento do Tema I. Em
Mateus 24: 15-18 Jesus segue com o Seu discurso, anunciando uma terceira fuga:
“Quando, pois,
virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda),
então, os que estiverem na Judeia fujam
para os montes; quem estiver sobre o eirado, não desça a tirar de casa alguma
coisa; e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa”.
As
palavras quando, pois, neste
contexto específico, situa este evento no fim dos dias citado no verso anterior
e dizem respeito, especificamente, aos poucos judeus cristãos que vivem hoje em
Jerusalém.
A
palavra abominável faz alusão ao
príncipe romano que foi referido por Daniel, no texto abaixo:
“Depois das sessenta e
duas semanas será morto o Ungido, e já não estará; e o povo de um príncipe,
que há de vir, destruirá a
cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim
haverá guerra; desolações são
determinadas. Ele
(o príncipe romano) fará firme
aliança com muitos por uma semana; na metade da semana fará cessar o sacrifício
e a oferta de manjares (Decreto Dominical); sobre a asa das abominações
virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre
ele”. Daniel 9: 26-27.
A
palavra desolação bem como o termo lugar santo (Jerusalém, para os judeus), mencionados por Cristo, também foram referidos por Daniel.
Apesar
do verso 26 fazer alusão específica a Tito que destruiu Jerusalém e o templo no
ano 70, ele se relaciona intimamente com o verso 27 que pode ser deslocado para
o fim do tempo, quando passará então a tratar do papado que verá seu fim chegar
de forma abrupta como num dilúvio.
Esta
passagem de Daniel nove, predita seiscentos anos antes de Cristo, foi aludida
por Ele acompanhada de uma ênfase especial ao seu necessário entendimento: Quem
lê entenda.
Para
mais detalhes ver a sessão 1.2.5, na Parte I.
Cristo,
em Mateus 24: 19-20, continua sua impressionante profecia do final dos tempos:
“Ai das que estiverem
grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Orai para que a vossa fuga não se
dê no inverno nem no sábado”.
Esta
é mais uma alusão à futura crise em Jerusalém, que virá após a manifestação da
abominação desoladora, também citada em Daniel 12: 11:
“Depois do tempo em que
o costumado sacrifício for tirado, e
posta a abominação desoladora, haverá ainda mil duzentos e noventa dias”.
Este
verso também foi discutido no final da Parte I. Como as circunstâncias são
semelhantes àquelas que ocorreram no ano setenta, é natural que advertências
também o sejam. A diferença é que no caso presente, Jerusalém será poupada pela
intervenção divina. A citação do sábado é oportuna porque será a observância do
mesmo pelos judeus em Israel que trará o Decreto Dominical e a invasão da
cidade santa, trazendo o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel.
Em
Mateus 24: 21 seguem as palavras de Jesus:
“Porque neste tempo haverá grande tribulação,
como desde o princípio do mundo até agora não tem havido nem haverá jamais”.
Por
ocasião da invasão final de Jerusalém pelas tropas ocidentais, próximo à
segunda vinda, virá a pior de todas as tribulações. Esta terrível pressão sobre
os remanescentes de Israel, também foram aludidas em Daniel 11: 44 e 12: 1, que
acrescenta o livramento da cidade e do seu povo nos seguintes termos:
”Mas pelos rumores do
oriente e do norte (o rei do Norte ou o papado citado
anteriormente) será perturbado, e sairá
com grande furor, para destruir e exterminar a muitos...” “Nesse tempo se levantará Miguel, o grande Príncipe, o defensor dos filhos
do teu povo, e haverá tempo de angústia qual nunca houve desde que houve
nação até aquele tempo; mas naquele tempo será salvo o teu povo, todo aquele
que for achado inscrito no livro”.
Apesar
de específicos para o povo de Daniel, estes versos fazem também alusão à
pregação intensiva da volta de Jesus, pela Igreja Remanescente. Trata-se do
alto clamor do Terceiro Anjo, que contará com o reforço especial vindo de Sião.
Este fato será interpretado como os rumores do oriente e do norte, de onde vem
Jesus com os seus anjos. O papado tentará abafar o movimento, destruindo muitos
fiéis, não só em Jerusalém como em todo o mundo. Após cerca de dois anos e meio
de feroz perseguição, a porta da graça se fechará, quando Cristo se levantará
do tribunal dos vivos. E então não haverá mais morte de cristãos, cujo
testemunho despertou muitos que se encontravam em Babilônia para o selamento
eterno. Deus então passará a preservá-los, inclusive por meio das sete últimas
pragas que deverão ocorrer durante o último ano da Terra.
Em
Mateus 24: 22 lemos da gravidade e do abreviamento deste tempo:
“Não tivessem aqueles
dias sido abreviados, e ninguém seria salvo; mas por causa dos escolhidos tais
dias serão abreviados”.
Em
Mateus 24: 23-28 Jesus segue alertando seus filhos para os perigos dos últimos
dias:
“Então se alguém vos
disser: eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! não acrediteis; porque surgirão
falsos cristos e falsos profetas operando falsos sinais e prodígios para
enganar, se possível, os próprios eleitos. Vede que vo-lo tenho predito.
Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto! Não saiais: Ei-lo no
interior da casa! Não acrediteis. Porque assim como o relâmpago sai do oriente
e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do homem. Onde
estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres”.
Os
charlatões manifestados já desde o princípio das dores se multiplicarão e farão
maravilhas de inspiração diabólica, principalmente muitas curas. Satanás simulará
a segunda vinda de Cristo, mas sem sucesso.
Outros três fenômenos são citados em Mateus
24: 29:
“Logo em seguida a
tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará sua claridade, as
estrelas cairão do firmamento, e os poderes do céu serão abalados”.
Estes
fenômenos ditos acima receberam uma aplicação simbólica no contexto do sexto
selo, o que foi historicamente comprovado: em 25 de maio de 1780 ocorreu o
escurecimento do sol; um negrume tal que não se podia ver uma folha branca a um
palmo dos olhos, às onze horas da manhã. O inusitado foi que o sol fazia com a
lua um ângulo de 180 graus, descartando-se toda hipótese para um eclipse. E,
naquela mesma noite a lua apareceu como uma bola de sangue, sem poder para dar
a sua claridade. Anos mais tarde, em 13 de novembro de 1833 caem 200.000
meteoritos por hora, durante seis horas na madrugada de uma vasta região também
dos Estados Unidos, e sem uma explicação científica confiável.
Além
desta aplicação simbólica que não podemos questionar, este verso pode ter uma
segunda aplicação, colocando-se a ocorrência do sexto selo em sincronização com
a sétima praga e com a sétima trombeta, ainda no futuro. Neste caso ele passa a
se relacionar diretamente com o acontecimento da mais alta relevância: a Volta
de Cristo, descrita a seguir em Mateus 24: 30-31:
“Então, aparecerá no
céu o sinal do Filho do Homem; pois todos os povos da Terra se lamentarão e
verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória.
E Ele enviará os Seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão
os Seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus”.
Sim,
Cristo não virá sozinho:
“Quando vier o Filho do
Homem na Sua majestade e todos os anjos com Ele, então se assentará no trono da
Sua glória”. Mateus 25: 31.
Esta
mensagem é reprisada por Lucas, no capítulo vinte e um e no versículo vinte e sete:“Então se verá o Filho do homem vindo numa
nuvem, com poder e grande glória”.
Paulo,
em I Tessalonicenses 4: 16-17, refere-se a este evento, nos seguintes termos:
“Porquanto
o Senhor mesmo, dada a Sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada
a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão
primeiro; depois nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente
com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos
para sempre com o Senhor”.
E
em I Coríntios 15: 50-55, o mesmo apóstolo complementa: “Isto afirmo, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de
Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. Eis que vos digo um mistério: Nem
todos dormiremos mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e
fechar d’olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos
ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. Porque é necessário
que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo
mortal se revista da imortalidade. E quando este corpo corruptível se revestir
da incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá
a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória! Onde está, ó
morte a tua vitória? Onde está, ó morte o teu aguilhão?
Em
Amós 4: 12 o profeta deixa-nos o seu contundente apelo:
“Portanto, assim te
farei, ó Israel! E, porque isto te farei, prepara-te ó Israel, para te
encontrares com o teu Deus”.
Cap. 5 - A doutrina do milênio
5.1
- Antecedentes
O
Milênio bíblico – referido em Apocalipse 20 segue-se à segunda vinda de Jesus
(Apocalipse 19), e está articulado com a purificação do Santuário celestial, tipificada
pelo ‘dia do juízo’, em Israel.
A
conexão é a seguinte: depois dos pecados confessados sobre os animais
oferecidos em holocausto contaminarem o santuário durante o ano inteiro, havia
a cerimônia da purificação, conforme a orientação de Levítico 16: 16:
“Assim fará expiação pelo santuário por causa
das impurezas dos filhos de Israel, e das suas transgressões, e de todos os
seus pecados. Da mesma sorte, fará pela tenda da congregação, que está com eles
no meio das suas impurezas”.
O
fato de que este cerimonial não passava de uma lição ilustrada da realidade
celestial, a qual não podemos ver é o que Paulo nos explica em Hebreus 9: 11,
12, 23 e 24:
“Quando, porém, veio
Cristo como Sumo Sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e o mais
perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não
por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo Seu próprio sangue, entrou
no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção... Era necessário, portanto, que as figuras das
coisas que se acham nos céus se purificassem com tais sacrifícios, mas as
próprias coisas celestiais com sacrifícios a eles superiores. Porque Cristo não
entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu,
para comparecer, agora, por nós, diante de Deus”.
Para
realizar a transferência simbólica dos pecados que contaminavam o santuário terrestre,
o sumo sacerdote orava sobre a cabeça de um bode, chamado emissário, de acordo
com a orientação de Moisés em Levítico 16: 19-22:
“Do sangue aspergirá,
com o dedo, sete vezes sobre o altar, e o purificará, e o santificará das
impurezas dos filhos de Israel. Havendo, pois, acabado de fazer expiação pelo
santuário, pela tenda da congregação e pelo altar, então fará chegar o bode
vivo. Arão porá ambas as mãos sobre a cabeça do bode vivo e sobre ele
confessará todas as iniquidades dos filhos de Israel, todas as suas
transgressões e todos os seus pecados; e o porá sobre a cabeça do bode e
enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem à disposição para isso”.
Este
bode não tinha poder de salvação porque o seu sangue não era derramado. Ele representava
Satanás, o grande tentador, que induzira o povo de Deus ao pecado. Ele era
levado ao deserto, carregando simbolicamente todos os pecados do povo de Deus;
e lá deveria permanecer até a sua morte. Sobre este assunto, diz o Espírito de
Profecia:
“Ao passo que a oferta
pelo pecado apontava para Cristo como um sacrifício, e o sumo sacerdote
representava Cristo como mediador, o bode emissário tipificava Satanás, autor
do pecado, sobre quem os pecados dos
verdadeiros penitentes serão finalmente colocados. Quando o sumo sacerdote,
por virtude do sangue da oferta pela transgressão, removia do santuário os
pecados, colocava-os sobre o bode emissário. Quando Cristo, pelo mérito de seu
próprio sangue, remover do santuário celestial os pecados de Seu povo, ao
encerrar-se o Seu ministério, Ele os colocará sobre Satanás, que, na execução
do juízo, deverá arrostar a pena final. O bode emissário era enviado para uma
terra não habitada, para nunca mais voltar para a congregação de Israel. Assim será Satanás para sempre banido
da presença de Deus e de Seu povo, e eliminado da existência na destruição
final dos pecados e dos pecadores”. (10)
Com
estes antecedentes em mente, entendendo que assim como o deserto estava para o
bode, esta Terra vazia estará para Satanás, comecemos o estudo do capítulo
vinte do Apocalipse, que trata exclusivamente do Milênio:
5.2
– Acontecimentos ligados com o início do milênio
“Então vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e
uma grande corrente”. Apocalipse 20: 1
As
palavras: então vi situam o milênio
no tempo, uma vez que elas seguem-se aos eventos salientados no capítulo dezenove,
quando Cristo retorna como Rei dos reis e Senhor dos senhores, conforme os
versículos de onze a dezesseis. O anjo descendo com a chave na mão significa
que o céu tem total controle sobre os eventos, isto é, que o dragão não poderá
evitar de ser lançado no abismo, registrado nos versos dois e três. Como
Satanás é um ente espiritual, a corrente é apenas um símbolo de sua prisão.
Em
Apocalipse 20: 2-3, portanto, lemos:
“Ele segurou o dragão,
a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos; lançou-o
no abismo, fechou-o, e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as
nações até se completarem os mil anos. Depois disso é necessário que ele seja
solto por pouco tempo”.
Satanás é
tratado aqui como um perigoso bandido, devendo aguardar encarcerado, o momento
da sua execução. A prisão é simbolizada pelo abismo caótico em que se tornará a
Terra, após as sete últimas pragas: disforme, vazia e sem luz, como no
princípio da criação:
“No princípio, criou
Deus os céus e a Terra. A Terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas
sobre a face do abismo...”. (Gênesis 1: 1-2).
O
esvaziamento da Terra trará o fim das atividades satânicas – sua prisão será
circunstancial. Este fato é esclarecido pela afirmação que mostra o propósito
do seu confinamento: ‘para que não mais
enganasse as nações’. (Apocalipse 20:3).
Isto
é uma consequência natural porque o Senhor Jesus, após o juízo, na Sua Segunda
Vinda, realizará duas operações conjuntas:
a)
recolherá os justos para o céu:
“Porquanto o Senhor mesmo, dada a Sua palavra
de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos
céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, os
que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o
encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor”. I
Tessalonicenses 4: 16-17.
b)
confinará Satanás na Terra desolada, uma vez que os ímpios, que restarem vivos,
serão eliminados:
“Os restantes foram mortos com a espada que
saía da boca daquele que estava montado no cavalo. E todas as aves se fartaram
de suas carnes”. Apocalipse 19: 21
Resumindo os acontecimentos ligados com
o início do milênio, temos:
·
A volta de Jesus Cristo (Mateus 24:
30-31);
·
A morte dos ímpios (II Tess. 2: 8 e
Apocalipse 19: 21);
·
A ressurreição dos justos (I Tess. 4:
16-17);
·
O arrebatamento dos justos (I Tess. 4:
16-17 e I Coríntios 15: 51);
·
A prisão circunstancial de Satanás
(Apocalipse 20: 1-3).
5.3 – Acontecimentos durante
o milênio
Estes
acontecimentos terão lugar à partir de Apocalipse 20: 4:
“Vi
também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de
julgar... e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos”.
Este
texto apresenta positivamente o milênio no céu, conforme a promessa de Jesus em
João 14: 1-3:
“Não se turbe o vosso
coração; credes em Deus, crede também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas
moradas. Se assim não fora, Eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E
quando Eu for, e, vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para Mim mesmo,
para que onde Eu estou, estejais vós também”.
Daniel,
no seu tempo, profetizou assim: “Até que
veio o Ancião de dias, e fez justiça aos santos do Altíssimo; e veio o tempo em
que os santos possuíram o reino”. Daniel 7: 22. E, ainda no verso 27:
“O reino e o domínio, e a majestade dos
reinos debaixo de todo o céu, serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; e o
Seu reino será reino eterno; e todos os domínios O servirão e Lhe obedecerão”.
E,
enquanto permanecerem no céu, pelo período de mil anos, conforme o enunciado de
Apocalipse 21: 4, os santos participarão do julgamento dos ímpios, comprovando
os fatos e estabelecendo as sentenças, conforme I Coríntios 6: 2-3:
“Ou não sabeis que os
santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deverá ser julgado por vós, sois
acaso indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis que havemos de julgar os
próprios anjos; quanto mais as coisas desta vida”?
O
fato de reinarem com Cristo está de acordo com o texto da sétima trombeta que diz
que o reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do Seu Cristo e que chegou o
tempo de serem julgados os ímpios mortos. (Apocalipse 11: 15 e 18).
Como
em Apocalipse 20: 5 encontramos: “O
restante dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos, esta é a
primeira ressurreição”, compreendemos que os ímpios mortos não serão
ressuscitados quando da segunda vinda de Cristo, pois diz que eles não
reviveram até que os mil anos se acabaram. Serão, contudo, julgados.
Já
em Apocalipse 20: 6, o apóstolo João comenta:
“Bem aventurado e santo é aquele que tem
parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade;
pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com Ele os mil
anos”.
A
segunda morte refere-se ao caso dos ímpios mortos que também ressuscitarão da
primeira morte, só que mil anos mais tarde, na ressurreição do juízo:
“Não vos maravilheis
disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a Sua
voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que
tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo”. João
5: 28-29.
Enquanto
os justos sairão imortais de suas sepulturas, e a segunda morte não os atingirá,
conforme I Cor. 15: 50-55, já transcrita no capítulo 4 deste estudo, os ímpios,
por seu turno, serão ressuscitados para receberem a sua punição e terem uma
morte eterna. Deus destruirá tanto os seus corpos como as suas almas, no
inferno de fogo:
“Não temais os que matam o corpo e não podem
matar a alma; temei antes Aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma
como o corpo”. (Mateus 10: 28).
A
segunda morte será, portanto, aquela que sobrevirá aos ímpios após a sua
ressurreição, no término dos mil anos:
“Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos,
aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e
a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e
enxofre, a saber, a segunda morte”. Apocalipse 21: 8.
5.4
– Acontecimentos ligados ao final do milênio
Como
vimos no início deste capítulo, o anjo prendeu Satanás durante mil anos e
agora, em Apocalipse 20: 7 lemos sobre a sua soltura:
“Quando, porém, se completarem os mil anos,
Satanás será solto de sua prisão”.
Aqui
começam os fatos relacionados com o término do milênio. Satanás, após refletir
sobre a culpa dos pecados por ele induzidos, durante mil anos (situação do bode
emissário, no deserto, conforme o ritual do santuário), terá sua prisão
relaxada porque a ressurreição dos ímpios fornecerá a ele material humano sobre
quem exercer sua astúcia enganadora. Ele deverá estar livre para organizar os
ímpios ressurretos. Certamente restará muito pouco tempo para ele fazer sua
última manobra. Este será seu esforço final contra Deus antes da sua destruição:
“e
sairá a seduzir as nações que há nos
quatro cantos da Terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-los para a peleja. O
número desses é como a areia do mar”. Apocalipse 20: 8.
Os
termos Gogue e Magogue se expandem agora para representar as hostes dos não
salvos de todas as eras que ressuscitarão na segunda ressurreição. Seu número
está além da conta. Este é o último conflito entre Deus e os que estão em
rebelião contra Ele.
E
o verso 9 de Apocalipse 20, continua:
“Marcharam então pela superfície da Terra e
sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; Desceu, porém, fogo dos
céus e os consumiu”.
O
apóstolo São João, em Apocalipse 21: 2 vê a descida deste acampamento:
“E eu, João, vi a santa
cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa
ataviada para o seu marido”.
Contemplando
esta imponente cidade descendo do céu em toda a sua radiante glória, com seus
muros de jaspe e suas ruas de ouro, além de tudo o que o olho mortal já
contemplou, e estabelecendo-se no sítio da velha Jerusalém, a hoste dos ímpios
recém ressurretos se espanta e, em consternação, busca fugir da cena, conforme o
comentário do profeta Zacarias:
“Fugireis pelo vale dos
Meus montes, porque o vale dos montes chegará até Azel; sim, fugireis como
fugistes do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá; então virá o Senhor meu Deus, e todos os santos com Ele. Acontecerá
naquele dia que não haverá luz, mas frio e gelo”. Zacarias 14: 5-6.
Satanás,
no entanto, enganosamente convencerá os ímpios a suporem que poderão tomar a
cidade pela força, conforme vimos no verso nove de Apocalipse vinte. A cidade
querida é a nova Jerusalém. O fato de ser circundada pelos ímpios mostra
claramente que ela desceu, embora a descida real não seja descrita no capítulo
20. Vejamos mais outra vívida descrição de sua descida:
“Vi novo céu e nova
Terra, pois o primeiro céu e a primeira Terra passaram, e o mar já não
existe... Então, veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos
últimos sete flagelos e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a
esposa do Cordeiro; e me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada
montanha e me mostrou a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de
Deus”. Apocalipse 21: 1, 9 e 10
.
Este
é, sem dúvidas, o evento mais significativo do final de milênio: a descida de
Cristo, dos santos e da santa cidade. A narrativa é breve, mas a sequência dos fatos
é clara quando se examina o contexto inteiro. Os ímpios são então destruídos
com fogo literal:
“O diabo, o sedutor
deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram
não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de
noite, pelos séculos dos séculos”. Apocalipse 20: 10
Este
lago de fogo é a superfície da Terra convertida em um mar de chamas, que tanto
consome os ímpios como purifica a Terra.
Os
ímpios serão aniquilados; sofrerão a segunda morte, esta sim, para sempre. Não
existe aqui vestígios de tormento sem fim, num inferno de fogo eterno, como
reza a tradução do verso 10. É a alma do ímpio que perecerá. Em Apocalipse 20: 11
lemos:
“Vi um grande trono branco e aquele que nele
se assenta de cuja presença fugiram a Terra e o céu, e não se achou lugar para
eles”.
Agora
Cristo aparece de novo à vista de seus inimigos. Muito acima da cidade, sobre
um fundamento de ouro polido, está um trono alto e sublime. Sobre este trono
assenta-se o Filho de Deus, e em redor dEle estão os súditos de Seu reino. Os
muros de Jerusalém serão transparentes.
Para
os ímpios, fora da cidade, a situação é crítica:
“Ali haverá choro e
ranger de dentes, quando virdes, no
reino de Deus, Abraão, Isaque e Jacó e todos os profetas, mas vós lançados fora”.
Lucas 13: 28.
“Eis que aquele dia vem ardendo como forno,
diz Malaquias 4: 1. E o verso continua: todos os soberbos, e todos os que cometem
impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o
Senhor, de sorte que não lhes deixará
nem raiz nem ramo”.
E
em Apocalipse 20: 12:
“Vi
também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então
se abriram os livros. Ainda outro livro, o livro da vida foi aberto. E os
mortos foram julgados segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito
nos livros”.
A
alusão aqui é aos ímpios que participaram da segunda ressurreição. A posição na
vida não influirá neste encontro com Deus. Muitos de alta posição no mundo
escaparam, enquanto vivos, da justa punição por suas más ações. Neste final
ajuste de contas com Deus não haverá evasão da justiça completa. Abrir-se-ão os
livros em que se encontram todos os registros dos homens. Sentença alguma será
arbitrária, tendenciosa ou injusta.
Em
Apocalipse 20: 13:
“Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte
e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados um por um,
segundo as suas obras”.
Estas
palavras estabelecem a universalidade da segunda ressurreição, implícita no
verso 12. Ninguém poderá deixar de comparecer em pessoa diante de Deus em Seu
trono. Em Apocalipse 20: 14, o apóstolo João acrescenta:
“Então a morte e o
inferno foram lançados para dentro do lago do fogo. Esta é a segunda morte, o
lago de fogo”.
A
personificação da morte e do inferno aqui e o seu lançamento no lago de fogo
representa o fim da morte e da morada dos mortos. Jamais terão parte na Nova
Terra; são fenômenos mortais que pertencem apenas a este mundo. A morte é o
último inimigo a ser destruído. (I Cor. 15: 26, 53-55). Finalmente, em Apocalipse
20: 15 temos a conclusão:
“E, se alguém não foi
achado inscrito no livro da vida, esse foi lançado para dentro do lago de
fogo”.
Somente
o nome dos fiéis será retido no livro da vida. O nome daqueles que não
perseveraram até o fim serão apagados (Apocalipse 3: 5). Muitos jamais tiveram
seu nome escrito ali, pois o livro contém somente o nome daqueles que nalgum
tempo da vida professaram fé em Cristo.
“O grande conflito
terminou. Pecado e pecadores não mais existem. O Universo inteiro está
purificado. Uma única palpitação de harmonioso júbilo vibra por toda a vasta criação”.
(11)
Cap. 6 - O sábado: do Éden perdido ao Éden
restaurado
6.1 -
Antecedentes
No
ano 350AC, na Grécia, havia um famoso filósofo chamado Aristóteles. Ele, na
verdade, era, também, um cientista de primeira categoria. Ele escreveu muito
sobre Botânica, Zoologia e até sobre Entomologia que é o ramo da Zoologia que
trata sobre os insetos. Possivelmente não soubéssemos dessas informações sobre
o célebre Aristóteles. Aproximadamente em 350 AC Aristóteles definiu um pequeno
animal que vemos amiúde em nossa casa, em nossa garagem, a aranha, como um
pequeno inseto. E uma das premissas para classificar um animal como inseto é
que ele tenha seis patas. O interessante é que por mais de dois mil anos depois
que Aristóteles escreveu que a aranha era um inseto, e que todos os livros de
ciência e os tratados de Entomologia dessem a mesma definição de Aristóteles: a
aranha é um pequeno inseto de seis patas, não ocorreu a ninguém contar as patas
da aranha. Isto porque Aristóteles era um filósofo de muita fama, muito
respeitado e reconhecido, não havendo ninguém que o questionasse.
Em
meados do século XVII, levantou-se outro cientista, chamado Lamarque, que
resolveu contar as patas da aranha e descobriu que ela não tem seis patas e sim
oito, não podendo, portanto, ser classificada como um inseto, passando a
constituir outra ordem: a dos aracnídeos. No entanto, por mais de dois mil
anos, como resultado das pesquisas do célebre Aristóteles, todo o mundo repetia
o mesmo erro, porque não haviam sido capazes de contar as patas da aranha, como
fez Lamarque.
Hoje
em dia acontece o mesmo nas igrejas cristãs. Há cerca de 1700 anos a igreja
cristã tem observado o domingo como dia de repouso, e o faz porque alguns dos
pais da igreja pós-apostólica ensinaram que devíamos guardar o domingo em
atenção à ressurreição de Jesus. E, desta época em diante, tem sido repetido,
de geração em geração, até aos dias de hoje, que o dia de repouso é o domingo,
porque sempre se guardou assim. E, para a maioria, nunca se lhes ocorreu de ir
a Bíblia para contar as patas da aranha, ou seja, para ver se, em verdade, a
Bíblia ensina que o domingo é o dia de repouso. O mesmo ocorre com outras
doutrinas, das quais não faremos menção agora. Neste momento queremos falar do
sábado, porque o sábado é o fundamento da adoração a Deus. Para adorar a Deus
correta e adequadamente precisamos compreender porque Deus deu o sábado e como
havemos de guardá-lo. Ora, você já deve ter-se apercebido que a leitura bíblica
de base será sobre os Dez Mandamentos, mas não só os Dez Mandamentos de Êxodo
vinte, como também de Deuteronômio cinco.
6.2
– O memorial da criação
Vamos,
pois, ao Êxodo 20 e ler o quarto mandamento, tal como aparece ali nos
versículos de 8 a 10:
“Lembra-te do dia de
sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas
o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho, nem tu,
nem teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu
animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro”.
Pelo
sentido da palavra ‘lembra-te’ podemos concluir que este mandamento fora dado à
humanidade antes do Êxodo e que, por algum motivo, sido esquecido.
E
este foi exatamente o caso. Ele foi dado ao homem, no dia mesmo de sua criação
(Gênesis 2: 1-3), foi guardado durante toda a era patriarcal, deixando de ser
observado somente durante o cativeiro egípcio.
Agora,
no Sinai, Deus não apenas ratifica o mandamento do sábado, mas também o regulamenta:
Todas as pessoas da família, incluindo cada servo, dos dois sexos, a classe
trabalhadora juntamente com o patrão, devem descansar ao mesmo tempo. O
mandamento inclui mesmo os visitantes e todos os animais. O sábado passa então
a ser um grande equalizador na estrutura social.
Na
continuação, o mandamento explica a razão de Deus haver dado o sábado ao povo
de Israel. O quarto mandamento indica que a origem do sábado é muito mais
antiga que o tempo do Êxodo. No versículo 11 encontramos a verdadeira razão
pela qual não devemos fazer nenhuma obra no sábado:
“Porque
em seis dias fez o Senhor os céus e a Terra, o mar e tudo o que o que nele há,
e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado, e o
santificou”.
Qual
era, portanto, a motivação pela qual o povo de Deus devia guardar o sábado? –
Porque o Senhor Jeová criou o céu e a Terra e tudo o que neles há, e também o
mar e as fontes das águas, tudo em seis dias e repousou no sétimo dia.
Contudo,
Isaías 40: 28 diz que Deus não se cansa:
“Não sabes, não ouviste
que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da Terra, não se cansa nem se
fadiga”?
E,
além disso, quanto esforço seria necessário para dizer: haja luz! Haja
firmamento! Quanto esforço foi necessário para dizer: apareça o sol, a lua e as
estrelas? Voem as aves, povoem-se as águas de peixes! Requer isso muito
esforço?
Em
realidade, diz a Bíblia textualmente que Deus não se cansa. Então surge a
pergunta: Porque razão foi que Deus repousou no sétimo dia? A passagem de
Marcos 2: 27 permite-nos esclarecer:
“E acrescentou: o sábado
foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado”;
Jesus
está dizendo que o sábado foi feito para o homem. Isto quer dizer que no
primeiro sábado Deus não descansou sozinho. Deus fez o sábado para o homem
descansar e aproveitou para descansar com ele. E, logo, no versículo 28, disse
Jesus: “De sorte que o Filho do homem é
Senhor também do sábado”.
Você
sabia que Jesus foi o Criador? O Novo Testamento diz que Jesus criou todas as
coisas:
“Todas as coisas foram
feitas por intermédio dEle , e sem Ele nada do que foi feito se fez”. João
1: 3.
Portanto,
quem repousou foi Cristo. Mas Ele não repousou só, porque vimos que o sábado
não foi feito para Deus e sim para o homem. Vimos, também, que Jesus é o Senhor
do sábado, porque foi Ele quem o fez, no sétimo dia, exatamente como fez tudo o
mais, conforme lemos em Colossenses 1: 15-17:
“Ele é a imagem do Deus
invisível, o primogênito de toda a criação; pois nEle foram criadas todas as
coisas, nos céus e sobre a Terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos,
sejam soberanias, quer principados quer potestades. Tudo foi criado por meio
dEle e para Ele. Ele é antes de todas as coisas. NEle tudo subsiste”
Ninguém
diria que Jesus é o Senhor do mar, do céu, da Terra, das bestas, do sábado e de
todas as coisas, se Ele não as tivesse feito!
E
assim encontramos que se Deus repousou no sábado, conforme diz a Bíblia, Ele o
fez juntamente com Adão. Ficou junto com ele. E fez isso como um referencial
eterno da criação. E fez isso também como um exemplo, porque, com certeza,
naquele primeiro sábado, não havia outra razão para Adão descansar.
Agora,
o versículo onze de Êxodo vinte fala de mais duas ações relacionadas com o
sábado: Diz que Deus o abençoou e o santificou. Você acredita que Deus abençoou
o sábado para Si mesmo? Sendo Deus a fonte de todas as bênçãos, necessitaria
abençoar um dia especial para Si, sendo Ele a própria fonte de todas as
bênçãos? Certamente que Deus abençoou o sábado para o benefício do homem.
Em
Gênesis 12, quando Deus abençoou Abraão, logo vemos uma lista de bens materiais
que Deus deu a Abraão, como resultado de Sua bênção. Com esta ilustração
podemos ter certeza que Deus incorporou nas horas do sábado, prosperidade para
os que as observam. Gosto muito de me lembrar da dona Abigail. Ela tinha um
salão de beleza e fazia muito dinheiro no sábado. Ao se batizar na Igreja
Adventista, passou a fechar o salão no sábado, dizendo, muito animada, que, ao
contrário do que pudesse parecer, seu faturamento aumentou consideravelmente.
Eu, logo que me formei em Agronomia, quarenta anos atrás, fiz um concurso e
passei em segundo lugar. Deveria começar a trabalhar com uma remuneração mensal
de sete salários mínimos. Mas por causa do trabalho no sábado, não fiquei na
empresa. Fui fazer um curso de mestrado em Porto Alegre e, ao sair de lá, fui
convidado para trabalhar sem precisar transgredir o sábado, na base de vinte
salários mínimos por mês, fora as diárias. Essa parece ser uma experiência
bastante generalizada em nosso meio. Com certeza, ninguém morrerá de fome por
guardar o sábado, como é o pensamento de muitas pessoas. Eu não posso guardar o
sábado, porque se eu guardá-lo poderei me dar mal, economicamente, dizem. Ledo
engano! Muito pelo contrário; Deus incorporou nas horas do sábado as Suas
bênçãos para que, todo aquele que o guardasse pudesse receber bênçãos sem
medida, até que excedessem as suas reais necessidades.
A
terceira coisa que Deus fez com relação ao sábado foi a sua santificação. E o
que significa santificar o sábado? Significa colocá-lo à parte para uso santo
ou especial. Você acredita que Deus o santificou para Si? Será que para Deus há
coisas mais santas do que outras? – Claro que não! Ele é a fonte da santidade!
Ele o separou, mas não para Si, apesar de a Bíblia dizer que Deus repousou
neste dia, junto com o Seu povo. Porém não foi porque Ele necessitasse desse
dia de repouso, senão que Ele o separou e o santificou para Seus filhos. Agora,
porque razão Deus separaria o sábado, como um dia santo, como um dia de repouso,
como um dia de bênçãos? A razão é muito simples. Em sua presciência Deus sabia
que o homem teria sempre a vontade de olvidá-lo. Teria a possibilidade de
acreditar que a criação não era provinda, necessariamente de Deus, e que
existia simplesmente para que o homem a aproveitasse para os seus próprios fins
e propósitos, esquecendo-se de sua origem. Então, por causa disso, Deus diz ao
homem, ainda sem pecado: a cada sete dias nos reuniremos no horto para admirar
todas as Minhas obras, no céu e na Terra e, ao relembrar toda a Minha criação,
vocês vão se ajoelhar e render homenagem ao Criador, ao Deus de amor, de
misericórdia, de bondade, de beleza e de generosidade. Assim é que o sábado,
desde o Éden, tinha o propósito de levar o homem a recordar-se de Deus como o Criador
de todas as coisas.
Agora,
se isso prevalecia no Éden, antes da queda, será que hoje precisamos menos do
sábado? Para este propósito? Se, em um horto perfeito, com um corpo perfeito, o
homem necessitava, semanalmente, recordar-se de seu Criador, guardando um dia
com Deus, para trazer bem viva na memória que Ele é o Criador, ajoelhando-se, e
bendizendo Lhe e rendendo Lhe homenagem, quanto mais hoje, se faz necessário o
sábado para esse fim? Eu creio que hoje necessitamos do sábado, para recordar o
Criador, mais do que nunca dantes.
E
porque adoramos a Deus? Nós o adoramos porque Ele é o nosso Criador. Porque é
que os anjos não recebem adoração? Lembra-se de quando João foi ajoelhar-se
diante do anjo em Apocalipse 19 ele o impediu dizendo que era conservo dele?
Porque os profetas não recebiam adoração? Porque eles eram criaturas e, por
isso, se recebessem adoração, seriam abomináveis a Deus, constituindo-se em
ídolos. E inclinar-se o homem diante de um ídolo, significava que o homem
estava longe do único Criador.
Nos
capítulos 42, 43, 44 e 45 de Isaías, percebemos que Deus constantemente se
confronta com os deuses falsos e os contesta, dizendo: Eu sou o Criador,
enquanto que os deuses falsos nada podem criar. Assim adoramos ao Senhor porque
Ele é o nosso Criador. Porém, meus irmãos, qual é o sinal que Deus nos deixou
para que recordássemos ser Ele o Criador? O sábado! Como então vamos adorar o
Criador, render-lhe homenagem, se não observamos o dia que Ele mesmo
estabeleceu para se encontrar conosco para esse fim, nos lembrando de que Ele é
o nosso Criador?
Não
podemos compreender como muitos evangélicos escrevem livros defendendo com veemência,
a criação em seis dias literais, negando os registros geológicos, mas negando,
porém, o sábado.
Nunca
pude entender como fazem isso. Querem que recordemos a literalidade da criação,
que Deus é o Criador, que nós somos as Suas criaturas e quanto ao sábado, dizem
que Deus o deixou apenas como uma lembrança de que Ele é o Criador. Mas se o
homem no Éden perfeito necessitava do sábado, quanto mais hoje em dia, para
que, antes de olharmos para as coisas de Deus, olhemos ao Deus das coisas. Se
em toda a semana a nossa atenção fica focada em nossas próprias obras: nosso
trabalho, nosso dinheiro, nossos afazeres, necessitamos de um dia para darmos
um passo atrás, para pensarmos que tudo o que desfrutamos, na semana, veio das mãos
de um Criador, de um Deus dadivoso, cheio de amor, generoso. O sábado é uma
sorte de confissão que eu faço, reconhecendo a Deus, a Cristo Jesus como o
Criador e como o Senhor de minha vida.
Você já percebeu que Deus acabou Sua
obra duas vezes em Gênesis 1 e 2? Vamos lê-lo. O que está ai é muito
interessante. Gênesis 1: 31 a 2: 1 diz:
“Viu Deus tudo quanto
fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia. Assim, pois,
foram acabados os céus e a Terra e todo o seu exército”.
Quando acabou? No sexto dia. Mas logo segue
dizendo em Gênesis 2:2:
“E havendo Deus
terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a Sua
obra que tinha feito”.
Parece
haver aqui uma contradição. Porque diz que Deus acabou no dia sexto e diz que
no sétimo dia Ele acabou também. Como assim? Devemos comparar esse quadro com a
obra de um artista. Quando um artista pinta um quadro, o faz bem bonito,
colocando todas as cores, todas as paisagens e, ao final, admirando-o diz que
ficou muito bom. Mas será que seu quadro ficou realmente concluído? Não. Como
não? Ele não terminou o quadro? Sim, porém faltou a assinatura que identifica o
autor. Agora aqui nesta Terra, Deus fez um quadro maravilhoso, imenso, vivo,
que se transforma a cada instante, a cada segundo, porém Ele não queria que
esquecessem a sua autoria. De sorte que Ele no sexto dia terminou o quadro e no
sétimo dia o assinou: Deus. E, quando guardamos o sábado, recordamos que Deus é
o Criador e nós, Suas criaturas, rendendo-Lhe homenagem e adoração. E, assim, o
sábado aparece como o fundamento da verdadeira adoração.
Alguns
poderão dizer que o domingo também serve para esse fim, contudo, quando Deus
pede um dia, Ele quer esse dia. Nós não podemos manipular a Deus, como se pudéssemos
Lhe dar a forma que quiséssemos. Esse foi o erro que cometeu Caim. Disse Deus a
Caim e a Abel que trouxessem um cordeiro como oferta. Abel trouxe um cordeiro,
mas Caim, que era lavrador disse: porque tenho que trazer um cordeiro? Vou
levar-Lhe dos meus vegetais. Levava, provavelmente, aqueles que estavam mais
perto de apodrecer, que já ficavam passados para o consumo. É como se Caim
dissesse a Deus: você tem de aceitar o que eu te ofereço. E diz a Bíblia que
Deus bendisse a oferta que Abel Lhe ofereceu e o abençoou. Caim, porém, não
recebeu nenhuma bênção e por causa disso se enfureceu contra o irmão, apesar
de, na realidade, estar enfurecido contra Deus. E assassinou o seu irmão. E
logo Deus colocou na testa de Caim uma marca. Será que esta história vai se
repetir? Você sabia que a serva do Senhor diz que Caim e Abel representam duas
classes de seres humanos que habitariam sobre a Terra no final da História? Os
que adoram à sua maneira – consagrando o domingo e recebem a marca da besta e
os que têm o selo da obediência a Deus. Há algo assim no livro do Apocalipse?
Haverá um grupo que devotará irrestrita obediência ao que disse Deus? Claro que
sim! Se Deus disse o sábado, eu, como criatura, não posso dizer o domingo.
Assim
o domingo é o maior dos ídolos porque o homem coloca o que ele quer em vez de
colocar o que Deus pede. Portanto, adorar a Deus em um dia em que Ele não
indicou, é adorar de forma independente. Porém, Ele não aceita esta classe de
adoração. Você pode, por exemplo, comemorar o seu aniversário noutro dia, mas
esse outro dia nunca será o dia do seu aniversário. Assim, podemos celebrar o
sábado no domingo, porém o domingo nunca será o dia do aniversário da criação.
Na verdade ele não é dia de aniversário nenhum! As datas históricas não podem
ser mudadas, porque estão bem definidas na História.
Poderíamos
nos interrogar se a sequência de sete dias que temos hoje é a mesma sequência
da criação? Se o sétimo dia de hoje é o mesmo sétimo dia da criação? E você
pode, ainda, perguntar como sabemos isso? Esta questão, no entanto é muito
simples. A ciência nos informa que o sábado que guardou Cristo quando veio à
Terra é o mesmo sábado de hoje. E o sábado que guardou Cristo tem de ser o
mesmo da criação, porque Ele o criou e não iria guardar um dia que não fosse o
mesmo da criação. Se tivesse havido mudança, Cristo teria atinado e falado que
havia se perdido o verdadeiro sábado, na sequência dos dias e teria corrigido o
erro. Mas Cristo guardou o sábado, o mesmo sábado que, segundo os astrônomos e
os cientistas, é o sábado de hoje. Isso significa que, como Ele é o Criador,
nos assegura que o sábado da criação é o mesmo que guardamos atualmente na
Terra.
Muitos
perguntam: O que faz a gente do Polo Norte? Buscam toda a classe de desculpas
para não guardar o sábado. Podemos responder-lhes que não vivemos no Polo
Norte. Deixemos os do Polo Norte com Deus e cumpramos nós aquilo que Ele nos
pede.
6.
3 – O memorial da redenção
Você
sabia que há uma segunda razão pela qual devemos guardar o sábado? E que os Dez
Mandamentos são relatados de outra maneira?
Vamos
ver isso em Deuteronômio 5. Os mandamentos aqui são iguais aos do Êxodo 20, com
uma exceção: o quarto mandamento. A diferença está na razão para observarmos o
sétimo dia. Em Êxodo vinte a razão dada para guardarmos o quarto mandamento é o
fato da criação. Vamos agora observar em Deuteronômio 5, a partir do verso 12, o
que o texto diz:
“Guarda o dia de sábado,
para o santificar, como te ordenou o Senhor, teu Deus. E,
no verso 15 dá a razão: “Porque te
lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o Senhor, teu Deus, te tirou
dali com mão poderosa e braço estendido; pelo que o Senhor, teu Deus, te
ordenou que guardasses o dia de sábado”.
A
motivação para a observância do sábado em Deuteronômio 5 passa a ser porque
Israel fora escravo no Egito e Deus o redimiu de sua escravidão. Você pode
dizer que isso se aplica apenas a Israel e não para nós outros. A história do Êxodo
de Israel do Egito, no entanto, é um símbolo de nossa libertação do pecado,
porque a Bíblia diz que faraó era o grande dragão, o qual tinha o povo de
Israel cativo e o afligia e o pisoteava, fazendo com que o Deus que o havia
criado o libertasse. E o povo de Deus orava pela sua remissão, pela sua
liberdade.
É
interessante notar que o povo de Israel, quando estava no Egito, procurou
guardar o sábado.
Quando
Moisés entrou para falar com o faraó, disse:
“Deixe ir o povo para que celebremos a Deus
uma festa no deserto”; o texto acrescenta que Moisés queria permanecer três
dias de festa. E que festa era esta que Moisés estava pedindo para o povo
celebrar? Era o sábado. E como sabemos
disso? Vamos procurar na Bíblia e depois, no Espírito de Profecia. Notemos o que
diz Êxodo 5: 1-2:
“Depois, foram Moisés e
Arão e disseram a faraó: assim diz o Senhor Deus de Israel: Deixa ir o Meu
povo, para que Lhe celebre uma festa no deserto. Respondeu faraó: Quem é o
Senhor para que Lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor,
nem tampouco deixarei ir a Israel”.
No
verso 4, lemos: “Porque interrompeis o
povo no seu trabalho? Ide às vossas tarefas”. O termo hebraico significa:
porque sabatizeis o povo? E, no verso
5, encontramos:
“Disse, também, faraó:
o povo da terra já é muito, e vós os distraís das suas tarefas. Vós o fazeis
descansar, (sabatizar) de seus trabalhos”.
Que
estavam querendo Moisés e Arão? Estavam pedindo para levar o povo para celebrar
o sábado. E o que fez faraó como resultado? Fez com que suas cargas fossem
ainda piores.
Vejamos
o que diz a serva do Senhor no livro Patriarcas e Profetas, p. 263, sobre esse
particular:
“Em seu cativeiro
tinham os israelitas até certo ponto perdido o conhecimento da Lei de Deus, e
haviam se afastado de seus preceitos. O sábado tinha sido geralmente
desrespeitado, e as exigências dos maiorais de tarefas tornaram sua observância
aparentemente impossível. Mas Moisés mostrara a seu povo que a obediência a
Deus era a primeira condição de livramento; e os esforços feitos para restaurar
a observância do sábado vieram a ser notados pelos seus opressores”. (12)
Finalmente,
tirou o Senhor o povo de Israel do Egito para observar Seus sábados no deserto?
– Sim. E o sábado chegou a ser o grande sinal de que Deus havia intervindo para
libertá-los de sua escravidão. Por causa disso disse Deus a Israel: Guardareis
os Meus sábados, não somente porque vos fiz, porque sou seu Criador, mas também
porque quando eram escravos, vos recriei, vos redimi, vos fiz de novo, vos
livrei de vossa servidão e por isso agora, vocês têm uma dupla motivação para
guardar o sábado. Porque sou vosso Criador e, também, porque sou vosso
Redentor. A redenção é sensivelmente uma recriação. Todos os que estão em
Cristo, novas criatura são. As coisas velhas passaram e ficaram somente as
novas.
Uma
redenção é uma recriação. Alguém perguntaria quem é o Criador? Jesus. E quem é
o Redentor? Quem libertou Israel do Egito?
Jesus. Então eu quero perguntar a meus irmãos e irmãs: se Cristo é o
Criador e se Cristo é o Redentor, no livro de Êxodo, que tirou o povo de Israel
do Egito, então quantas motivações temos nós para guardar o sábado? Duas.
Algumas pessoas fazem uma dicotomia entre o Novo Testamento e o Velho
Testamento. Dizem que no Antigo Testamento era o sábado de Deus e que nós agora
guardamos o sábado de Cristo. Falso! Falso porque o Deus Criador é o próprio
Cristo e o que redimiu o povo de Israel do Egito foi Ele, também. O Criador e o
Redentor, segundo as Escrituras, são a mesma pessoa. Portanto, quando Israel
foi libertado, Deus disse-lhe: agora que foste libertado, deves celebrar um
santo sábado para recordar que eram escravos no Egito, que faraó vos pisoteava
e que eu vos libertei!
Deus
lhes deu também o maná por quarenta anos, isto é, por 2080 sábados sem que
estragasse no sábado, quando colhiam em dose dupla na sexta feita. Na sexta,
Deus o mandava em dobro; e, portanto, neste dia recolhiam em dobro, sendo que
no sábado permanecia tão fresco como em qualquer outro dia. Nos outros dias, ao
contrário, o maná estragava, quando era guardado para o dia seguinte.
Os
pães da mesa da proposição do santuário eram trocados todos os sábados. Isto
significa que devemos vir ao templo, no santuário, no sábado para conseguir pão
fresco. Nos sábados, não nos domingos! Quer dizer que o sábado é o grande sinal
de que Deus é o nosso Criador e também o nosso Redentor! E a Bíblia nos diz que
a grande crise final será com respeito a esse ponto. Alguém pode dizer: que
diferença pode fazer um dia entre outros dias? Creio que falamos muito disso em
nosso tema. Podemos, contudo, dar uma ilustração: consideremos a bandeira do
Brasil; normalmente enchemos o peito e dizemos que essa é a nossa bandeira.
Quando rendemos homenagem à bandeira, na verdade estamos rendendo homenagem ao país
representado pela bandeira. Sim ou não? Se me visse pegando uma bandeira
brasileira, colocando no chão e limpando os pés com ela, que diria você? Diria
que é só um pedaço de tela? Que a bandeira não é o Brasil? Não! Você, que ama o
Brasil, vai dizer que eu estou pisoteando o Brasil.
Pois
bem, a bandeira de Deus é o sábado. Em Isaías 58: 13 nos diz:
“Se desviares o teu pé de profanar
o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no Meu santo dia; se chamares
ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não
seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem
falando palavras vãs, então te deleitarás no Senhor”.
No
entanto, muitos limpam os pés no sábado de Deus. E rendem homenagem à outra
bandeira. E ao mesmo tempo pretendem servir a Cristo. Suponhamos que eu tome a
bandeira do Brasil e recite o hino dos Estados Unidos. Alguém dirá: irmão, essa
não é a bandeira dos Estados Unidos e sim a do Brasil! E eu respondo que isso
não tem importância, que bandeira é bandeira. Que você acharia disso? Não tem
lógica! E, no entanto, muitos cristãos fazem isso! Porque tem a bandeira do
domingo e pretendem estar homenageando o Governo de Deus. Assim é que, na crise
final, teremos um Governo contra outro Governo. E a forma de mostrar que sou
servo de Deus é guardando Sua bandeira e rendendo homenagem à Sua bandeira.
A
árvore do bem e do mal, no Éden, foi a forma que Deus usou para testar a
obediência de Adão e Eva. O sábado é a forma pela qual Deus testa a obediência
de Seus filhos, nos dias de hoje, no final da História.
E
precisamos reconhecer que os filhos de Deus terão de padecer fome, sede e
cárcere; sofrerão, inclusive, um decreto de morte. Porém, dirão que Cristo é
tão importante, que seu Governo é tão importante, que sua bandeira é tão
importante que não importa o sacrifício, que guardarão esse dia, mesmo que lhe
custe a vida! Guardá-lo-ão por amor ao Senhor Jesus! Isso é o que significa o
sábado.
Cristo
criou o céu e a Terra em seis dias e descansou no sétimo dia; e quando concluiu
a sua obra de redenção, repousou no sepulcro, no sábado, segundo o mandamento.
Porque dizemos isso? Porque Ele poderia ter ressuscitado no sábado mesmo, ou na
sexta-feira, não é verdade? Ele, contudo descansou o sábado inteiro, como um
símbolo de sua redenção. Assim, a criação e a redenção foram realizadas pelo
mesmo personagem. E Apocalipse 4 e 5 nos apresentam duas motivações para
guardar o sábado. Vejamos Apocalipse 4: 8-11:
“E os quatro seres
viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheio de
olhos; ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite,
proclamando: santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que
era, que é e que há de vir. Quando esses seres viventes derem glória, honra e
ação de graças ao que se encontra sentado no trono, ao que vive pelos séculos
dos séculos, os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante dAquele que se
encontra sentado no trono, adorarão ao que vive pelos séculos dos séculos e
depositarão as suas coroas diante do trono, proclamado: Tu és digno, Senhor e
Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas Tu
criaste, sim, por causa da Tua vontade vieram a existir e foram criadas”.
Porque
davam glória a Deus? Porque Ele é o Criador. E agora observemos Apocalipse 5,
que os mesmos seres criados estão cantando não porque Deus é o Criador, mas sim
porque Ele é, também, o Redentor. Vejamos os versos de 9-14, que dizem:
“E entoavam novo
cântico, dizendo: Digno És de tomar o livro e de abrir-lhes os selos, porque
foste morto e com o Teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda
tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e
sacerdotes; e reinarão sobre a Terra. Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao
redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de
milhões e milhares de milhares, proclamando em grande voz: Digno é o Cordeiro
que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra e
glória, e louvor. Então, ouvi que toda criatura que há no céu e sobre a terra,
debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o que neles há, estava dizendo: Àquele
que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra e a glória, e
o domínio pelos séculos dos séculos. E os quatro seres viventes respondiam:
Amém; também os anciãos prostraram-se e adoraram”.
A
adoração vem porque o Cordeiro redimiu Seu povo. Você sabia que não é
coincidência Jesus ter escolhido o sábado para realizar muitos dos Seus
milagres? É para trazer liberdade! Inclusive não é coincidência que em Lucas 4
o Senhor Jesus entrou na sinagoga no sábado e anunciou o propósito de Sua missão:
que era para libertar os que estavam presos nos seus pecados. O mesmo que fez
com Israel, fez, novamente, sob o ângulo espiritual, com Seu povo. O sábado foi posto como o fundamento da verdadeira
adoração e devo dize-lhes, meus irmãos e irmãs, que alguns não têm os
devidos cuidados na sua forma de guardar o sábado.
E
a serva do Senhor tem alguns conselhos para essas pessoas que são levianas na
sua forma de observar o sábado. Em Testemunhos, Volume 1, páginas 496 e 497 ela
fala de pessoas que guardam o sábado segundo as suas conveniências, insultando,
dessa forma o Criador. Coisas como sair para comer nos restaurantes no sábado,
jogar bola, colocar gasolina no carro! Quanto mais próximos de Jesus, mais
criteriosos seremos na observância do sábado. Quando jogo tênis no sábado à
tarde, quando estou no restaurante, cercado de mundanos, torna-se muito difícil
colocar a mente no Senhor. Por isso o Senhor Jesus disse: Guardem os Meus
sábados e honrem a Mim que sou Seu Criador e Seu Redentor. Por essa razão acredito
que devemos pregar essa mensagem em todo o mundo, para que todos os seres
humanos possam desfrutar desse gozo e da glória que nos dá Cristo no seu santo
dia.
E
que todos nós possamos desfrutar dessa gloriosa experiência do repouso sabático,
não somente nesta vida, mas por toda a eternidade, conforme Isaias 66: 22-23
que, se reportando à felicidade eterna de Sião, inclui a guarda do sábado:
“Porque, como os novos
céus e a nova Terra, que hei de fazer, estarão diante de Mim, diz o Senhor,
assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome. E será que, de uma Festa
de Lua Nova à outra e de um sábado a outro, virá toda a carne a adorar perante
Mim, diz o Senhor”.
Cap. 7. A reforma alimentar
Vivemos nas cenas finais da
história terrestre. As profecias se cumprem rapidamente. As horas de graça
estão se esgotando. Não temos nenhum tempo. Nenhum momento a perder. Não
sejamos encontrados dormindo no posto do dever. As palavras de Marcos 16: 15
são mais do que atualizadas para nós:
“Ide
por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. Esta
é a ordem de Jesus para nós. Não somos ministros nem missionários, mas podemos ser
cooperadores de Cristo, dando as boas novas de salvação ao mundo. A todos,
grandes ou pequenos, doutores ou ignorantes, velhos ou jovens é ordenado: “Ide”!
No livro O DTN (13), lemos:
“Todos
quantos recebem a vida de Cristo, são mandados trabalhar pela salvação de seus
semelhantes. Para essa obra foi estabelecida a igreja, e todos quantos tomam
sobre si os seus sagrados votos, comprometem-se, assim, a ser coobreiros de
Cristo”.
Se praticarmos estas
palavras, sentiremos a Sua presença em nosso meio, conforme Mateus 28: 20: “... e eis que Eu estou convosco todos os
dias até a consumação do século”.
E para sermos bem sucedidos, Diz-nos o
Espírito de Profecia, duas mensagens são particularmente importantes no nosso
tempo: a dos Dez Mandamentos, para o mundo e a da Reforma da Saúde, para a
igreja. A fim de cumprirmos os desígnios de Deus, há uma obra preparatória a
fazer. O nosso preparo para dar a mensagem ao mundo envolve o que encontramos
em I Tessalonicenses 5: 23:
“O
mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo,
sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de Nosso Senhor Jesus
Cristo”.
A repeito da nossa integridade o livro
‘O Grande Conflito’ (14) nos adverte:
“A
Reforma da Saúde deve efetuar entre nosso povo uma obra ainda não realizada até
agora. Existem os que deviam estar atentos aos perigos da alimentação cárnea,
os quais ainda se alimentam da carne de animais, pondo em perigo, desta forma,
a saúde física, mental e espiritual. Muitos dos que agora são apenas meio
convertidos quanto à questão da alimentação cárnea, separar-se-ão do povo de
Deus, para não mais andar com Ele”.
O princípio de negar a carne como
alimento parece novo, mas não é. Nós o encontramos no Santíssimo, representado naquele
pequeno pote de maná que foi posto no interior da Arca da Aliança. Com que
finalidade ele foi posto ali? Certamente para lembrar-nos, nos últimos dias, de
que o maná foi dado ao povo de Israel, em sua peregrinação pelo deserto, em
substituição ao regime cárneo que prevalecia no Egito.
E agora
que “o fim está próximo e,
por esta razão, deveríamos tirar o máximo proveito de toda habilidade a nós
confiada e de todo o meio que proporcione ajuda para a obra”, 6
Testemonies, 440 (15), devemos
nos lembrar deste detalhe.
Em Testemunhos Seletos, Volume I, p. 423
(16), lemos mais um trecho relaciona do com nossa santificação:
“Impossível
é ao Espírito e ao poder da verdade santificar o homem (alma, corpo e
espírito), quando ele é dominado pelo apetite e a paixão”. "O apetite e a
paixão devem ser restringidos e postos em sujeição ao domínio de uma
consciência esclarecida, para que o intelecto seja equilibrado, claras as
faculdades de percepção, de maneira que as manobras do inimigo e seus ardis não
sejam considerados como providência de Deus”.
Estes conselhos são mais sérios do que
imaginamos, porque “Deus se comunica
conosco por meio do Espírito e imprime suas verdades em nossa mente. Caso o
corpo esteja debilitado, a apreensão e a compreensão destas verdades certamente
serão dificultadas”. Bíblia Sagrada Missionária, Estudo nº 18. (17)
Os que estão de uma forma ou de outra, em
dificuldade para levar à prática os seus conhecimentos teóricos adquiridos até
aqui, pondo em risco não só a sua vida eterna, como a daqueles que estão sob
sua influência, encontrarão ajuda na famosa ‘escadinha da santificação’, de
Pedro, que encontramos na sua segunda carta e no capítulo primeiro. E isto
porque nela identificamos princípios de grande alcance para nossa necessária
superação.
Como introdução, ele se dirige ao seleto
público dos que já obtiveram fé preciosa igual à dele, como é o nosso caso, incentivando
à transformação, aquelas vidas mornas de Laodiceia que anseiam por uma vida
mais piedosa, com uma percepção mais prática de Deus. O apóstolo estabelece os
passos para que saiamos dos aspectos meramente teóricos de nossa profissão de
fé, para o gozo e a alegria da graça salvadora, resgatando a paz de uma vida
cristã de acordo com a excelência de nossa teoria.
O desejo deste servo inspirado, cuja obediência
incondicional ao seu Mestre é um exemplo para nós, é o de que nós também nos
tornemos coparticipantes da natureza divina, livrando-nos da corrupção das
paixões que há no mundo. Leiamos, pois, os primeiros versos de sua carta:
“Simão
Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco obtiveram fé igualmente
preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, graça e gozo vos
sejam multiplicados, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, Nosso Senhor.
Visto como, pelo Seu divino poder nos têm sido doadas todas as coisas que
conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou
para a Sua própria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as Suas
preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis
coparticipantes da natureza divina, livrando-nos da corrupção das paixões
que há no mundo”. II Pedro 1: 1-4.
A seguir o texto inspirado de Pedro nos informa
que a relativa decepção que sofremos, por causa da nossa fraqueza espiritual, só
poderá ser superada por um processo interior que permita a Jesus entrar em
nossa vida e nos usar poderosamente, restaurando a imagem de Deus em nós. E que
devemos começar um processo de desenvolvimento harmonioso, a partir de nossa fé:
“Por
isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência,
associai com a vossa fé a virtude; com a virtude o conhecimento”... II
Pedro 1: 5.
Com urgência e fervor, devemos associar
a nossa fé com a virtude. A fé, segundo este apóstolo que levava as credenciais
e a autoridade de quem o enviou, é apenas um dom estratégico que Deus nos
oferta e que funciona como a chave para a obtenção de outros dons divinos, igualmente
preciosos para a consolidação do nosso almejado ‘novo nascimento’. Ele diz que em
nossa conversão recebemos apenas o núcleo do conhecimento cristão de Deus, mas
que isso não é suficiente. Ele espera que cresçamos em compreensão espiritual
obtendo mais claro discernimento da moral cristã. Esta virtude só poderá ser
obtida através de uma reforma espiritual profunda com mudanças em nossas
teorias e abandono de velhos costumes. Isto certamente não é coisa muito fácil,
mas se permitirmos, Jesus entrará em nosso coração, em nossa mente e nós vamos
nos tornar pessoas de Deus, e crescer “até
que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à
perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que
não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para o outro e levados ao
redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com
que induzem ao erro”. Efésios 4: 13-14.
A virtude, que também é resultado de
nossa entrega a Deus, mesmo que associada a uma vibrante fé, ainda que de
grande relevância, não é suficiente para alcançarmos a estatura espiritual que
nos está proposta, em Cristo Jesus.
As nossas boas obras, no entanto, serão
sempre o resultado natural de nossa consagração a Deus e não um meio para alcançá-la.
Elas, contudo, devem estar associadas ao conhecimento de toda a vontade do céu
para nós. Para isso Deus disponibilizou uma arma exclusiva e muito
esclarecedora: o dom de Profecia. Não obstante, porém, termos desenvolvido
muito este dom, mais do que teríamos alcançado em qualquer outra denominação
religiosa, mesmo contando com a excelente ajuda de programações de rádio e TV,
isto não tem sido suficiente. Para nós que percebemos isso, Pedro diz, no verso
6, que devemos ainda associar,
“com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança;
com a perseverança, a piedade”.
Assim é que, se quisermos seguir
vencendo, diz ele, importa associarmos com esse conhecimento já adquirido, o
domínio próprio, o qual é fundamental para realizarmos as reformas que precisamos
para vivermos com a devida temperança. Se não confiarmos a Deus o domínio de
nossa vontade, corremos um risco muito sério, pois está escrito:
“Os
que são escravos do apetite, deixarão de aperfeiçoar o caráter cristão. Tem-me
sido mostrado, seguidas vezes, que Deus está procurando fazer-nos retornar,
passo a passo, ao seu propósito original – o de que o homem deve viver dos produtos naturais da terra. Entre os que
estão aguardando a vinda do Senhor, deve a alimentação cárnea ser finalmente
abandonada”. O Grande Conflito, 450. (18)
A liderança da igreja, preocupada com as
influências inexoráveis que o mundo exerce sobre seus liderados, tenta o impossível
para corrigi-los por meio dos sentidos: vigílias, semanas de oração seguidas de
Santa Ceia e jejuns. Não podemos nos esquecer de que as nossas mudanças de
hábitos não dependem somente de nossa consciente necessidade de mudança, mas,
principalmente, da ação do Espírito Santo em nossa mente, exercendo em nós
tanto o querer como o realizar.
Por isso, antes de tudo, precisamos nos
conscientizar da necessidade de desenvolvermos esse dom, o domínio próprio,
para não bloquearmos, inadvertidamente, o processo de nossa salvação. Devemos
evitar o consumo de substâncias com potencial de prejudicar o nosso
discernimento mental e espiritual, o qual é vital para as nossas mudanças não
só de apetite como também de atitudes. O consumo de carne, por exemplo, inibe
nossas faculdades mentais, de forma imperceptível aos que estão sem as lentes
do Espírito, e impede-nos de alcançar um padrão de vida espiritual mais
aperfeiçoado.
Como não conseguimos persistir naquilo
que não depende apenas de nossa vontade meramente humana, devemos atentar aos
apelos do Espírito de Profecia para que não venhamos a nos afastar do
verdadeiro povo de Deus. Podemos fazer muitas vigílias e exultar com elevados
louvores, mas em findo estes, de natureza externa, nossas mentes inebriadas
pelas toxinas do regime cárneo, não alcançarão a apreender aquele clima
maravilhoso para as nossas vidas, devido à ausência da perseverança. Isto nos
leva a jogar fora tudo o que conseguimos obter até então, passando à triste
categoria de remanescentes nominais. E tudo isto apenas porque a nossa vontade
humana, enfraquecida pelas sutilezas da gula nos deixa impotentes, a lutar sozinhos
contra as fraquezas da carne, num estagio semelhante ao dos discípulos
sonolentos a quem Cristo disse, no Getsêmani: “o espírito está preparado, mas a carne é fraca”.
Se nos conscientizarmos que podemos facilitar
nossa vitória, abandonando o consumo da carne e, por extensão, o das drogas, do
álcool, do fumo e demais produtos tóxicos,
certamente, seremos bem mais enérgicos com o nosso domínio próprio, cuja
fraqueza vem nos impedindo de um posicionamento mais vigoroso em defesa de
nossa alma. Precisamos atentar para a lógica de Jesus, em Mateus 16: 24-26:
“Se
alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.
Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por Minha
causa achá-la-á. Pois que ganhará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a
sua alma”?
O Espírito de profecia, de certa forma,
nos admoesta, dizendo:
“Muitos
desejam a recompensa final e a vitória concedida aos vencedores, mas não estão
dispostos a suportar fadiga, privação e a renúncia do próprio eu, como fez o
Redentor”. “É unicamente por meio da obediência e de contínuo esforço que
haveremos de vencer como Cristo venceu”. (19)
A perseverança, dependente do domínio
próprio, por ser crucial para a nossa vitória em Cristo, é destacada no grupo
de transladação, associada com a obediência e a fé.
“Aqui
está a perseverança dos santos, os
que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus”. Apocalipse
14: 12.
Este dom, totalmente indispensável, por
essencial que seja, contudo, ainda não nos situa no ápice da escada do
crescimento cristão. Apesar destes degraus não representarem salvação própria,
se baseando em atributos comunicados pelo céu, eles colocam em evidência a nossa
necessária cooperação com o que Deus já realizou em nós; temos, portanto, uma
parte ativa neste processo da salvação e, com muito zelo, devemos associar a perseverança
com a piedade, que é a excelência da vida que deve ser vista naqueles que
adoram Seu Criador. O desenvolvimento destes dons divinos nos habilitará a
fazer com muita alegria tudo o que Ele quer. A nossa parte é a de não dificultarmos
ou mesmo não impedirmos que o Espírito Santo faça por nós aquilo que não
podemos fazer por nós mesmos.
Todavia, para alcançarmos tudo o que
Deus espera de nós, e que é indispensável à nossa salvação, devemos ainda,
segundo II Pedro 1: 7, associar:
“... com a piedade, a
fraternidade; com a fraternidade, o amor”.
Estes últimos degraus envolvem
seguramente eliminar as dissensões provenientes da crítica e do orgulho; relevar,
com amor, todas as nossas diferenças; não nos conduzir inconvenientemente, removendo
o fardo das insignificâncias; agir com submissão e respeito mútuo, conforme
aprendemos em I Coríntios 13: 4-7:
“O
amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se
ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses,
não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas
regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.
Feliz é a igreja na qual reina a bondade
e o amor fraternal. Nela estaremos aptos a desenvolver um caminho sobremodo
excelente: o do amor princípio, semelhante ao de Jesus, que não depende das
ações dos outros. Nos versos de 8 a 11, Pedro conclui sua mensagem redentora:
“Porque
estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais
nem inativos (deixando de ocupar o espaço que Deus reservou para nós no Seu
plano de salvação), nem infrutuosos no
pleno conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele a quem estas
coisas não estão presentes é cego (nossa condição laodiceana: batizados,
mas deixando de cultivar as virtudes mencionadas), vendo só o que está perto, esquecido da purificação dos seus pecados
de outrora. Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior,
confirmar a vossa vocação e eleição, porquanto, procedendo assim não
tropeçareis em tempo algum. Pois desta maneira
é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de Nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo”.
Com respeito ao alcance dos atributos já
mencionados, diz a senhora White:
“Aqueles
cujos corações estão repletos de vida espiritual não precisam ser incitados a
revelá-lo. A vida divina deles fluirá em ricas correntes de graça. Ao orarem,
ao falarem, ao labutarem, Deus é glorificado”. 6 Testemonies,
443. (20)
Se esta maravilhosa condição ainda não
está presente em nossa vida, não desanimemos. Estas características do
verdadeiro cristão devem agora absorver nossa atenção. Não podemos dar-nos ao
luxo de conceder às coisas celestes o segundo plano. Adotemos doravante a
mensagem do livro ‘O Lar Adventista, p. 406, 407 e 409:
“Devotarei
meu tempo e meus pensamentos a adquirir
capacidade para o serviço de Deus. Fecharei meus olhos às coisas fúteis e
pecaminosas. Meus ouvidos são do Senhor e não ouvirei as sutis razões do
inimigo. Minha voz não estará de maneira nenhuma sujeita a uma vontade que não
esteja sob a influência do Espírito de Deus. Meu corpo é o templo do Espírito
Santo e toda a faculdade de meu ser será consagrada a objetivos dignos”. (21)
Sejam também nossas as palavras
registradas no Salmo 101: 3-4:
“Não
porei coisa injusta diante dos meus olhos; aborreço o proceder dos que se
desviam. Nada disso se me pegará. Longe de mim o coração perverso; não quero
conhecer o mal”.
Assim devem persuadir os homens e as
mulheres, em toda a parte, a se arrependerem e a fugirem da ira vindoura.
Incentivemo-los à preparação imediata. O Senhor virá em breve e precisamos
estar preparados para nos encontrar com Ele, em paz. Tomemos a resolução de
fazermos tudo o que está ao nosso alcance para comunicar luz aos que se acham
ao nosso redor.
“Não
devemos estar tristes, mas, bem dispostos e conservar sempre o Senhor Jesus
diante de nós. Oh! Quão glorioso será vê-Lo e receber as boas vindas como Seus
remidos! Temos esperado por muito tempo, mas nossa fé não deve enfraquecer-se”.
RH 14/07/1903. (22)
Agora, agora mesmo é o tempo de estarmos
vigiando, trabalhando e esperando. A palavra de Deus revela o fato de que está
próximo o fim de todas as coisas. O tempo oportuno para trabalharmos é agora,
exatamente agora, enquanto durar o dia. “Ide”!
Como diz Josué 24: 15: “Escolhei hoje a quem sirvais”. Todo o
que pretende ser um servo de Deus é convidado a fazer o Seu serviço, como se
cada dia fosse o último.
A Terra inteira deve ser iluminada com a
glória da verdade de Deus. A luz deve fulgir para todas as terras e todos os
povos. E é dos que receberam a luz que ela deve difundir-se. A Estrela da Alva
raiou sobre nós, e devemos lançar Sua luz sobre o caminho dos que acham se em
trevas. A última crise econômica mundial já se encontra estabelecida; devemos agora,
pelo poder do Espírito Santo, proclamar as grandes verdades para estes últimos
dias. Não levará muito tempo para que todos tenham ouvido a advertência e feito
a decisão. Então virá o fim. Ouçamos o seguinte conselho:
“Todo
o poder a nós emprestado pelo céu deve ser empregado a fazer a obra que nos foi
designada pelo Senhor em benefício dos que estão a perecer na ignorância. A
mensagem de advertência deve ser proclamada em todas as partes do mundo... deve
ser efetuada uma grande obra, e esta obra tem sido confiada aos que conhecem a
verdade para este tempo”. Meditações Matinais, 1977, p. 259 e
264. (23)
O período de tempo em rápida diminuição
entre nós e a eternidade, deve impressionar-nos mais profundamente. Cada dia que
passa deixa-nos um dia a menos para completar nossa obra de aperfeiçoamento do
caráter.
Há um só refúgio: a Rocha dos séculos.
Com fúria inexorável aproxima-se a tormenta. Estamos nos preparando para
enfrentá-la? Somos um com Cristo como Ele é um com o Pai? O caráter de Cristo
deve ser o nosso caráter. Devemos ser transformados pela renovação de nossas mentes.
Aqui está nossa única segurança!
A parábola da figueira estéril, em Lucas
3: 6-9, nos indica que a paciência de Deus ainda continua:“certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e, vindo procurar
fruto nela, não achou. Pelo que disse ao viticultor: Há três anos venho
procurar fruto nesta figueira, e não acho; pode cortá-la; para que está ela
ainda ocupando inutilmente a Terra? Ele, porém, respondeu: Senhor, deixa-a
ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume. Se vier a
dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la”.
O que significam as palavras: deixe-a
ainda este ano? Elas dão a entender, no tempo presente, que a paciência e a
misericórdia de Deus são quase ilimitadas. Quase, porque sabemos que virá o
tempo em que a misericórdia deixará de pleitear e a justiça será posta em
execução.
E que frutos são estes? Alguns
estatísticos dizem que são almas salvas pelo esforço pessoal. Mas isso não é
fruto! O fruto que Jesus está falando aqui é o fruto composto, do Espírito, citado
em Gálatas 5: 22-23:
“amor,
alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e
domínio próprio”.
Você
não gostaria de pertencer a este grupo que dá fruto e nunca será cortado? Então
descubra o que significa prostrar-se diante da cruz e comungar com o seu
Salvador, Senhor e Amigo.
Deus,
na Sua misericórdia não te cortou, nem te contempla friamente. Ao reconhecermos
que Ele nos aceita assim como estamos e ao contemplarmos diariamente o Seu
grande amor e misericórdia, o fruto surgirá espontaneamente. O segredo está na
viva relação com o grande coração de amor.
Repetimos:
“Aqueles cujos corações estão repletos de vida espiritual não precisam ser
incitados a revelá-lo”.
Anexo 1 - O juízo
Na manhã de
23 de outubro de 1879, por volta das duas horas, o Espírito do Senhor repousou
sobre mim, e vi cenas do juízo vindouro. Faltam-me palavras para descrever devidamente
as coisas que passaram diante de mim, e o efeito que tiveram sobre meu
espírito.
Parecia haver
chegado o grande dia da execução do juízo de Deus. Dez milhares vezes dez
milhares achavam-se reunidos diante de um grande trono, sobre o qual estava
sentada uma pessoa de aparência majestosa. Vários livros achavam-se diante
dEle, e na capa de cada um estava escrito em letras de ouro, que parecia como
chama ardente: “Contas correntes do céu”. Foi então aberto um desses livros
contendo os nomes dos que professam crer na verdade. Perdi imediatamente de
vista os inúmeros milhões que se achavam ao redor do trono, e unicamente os que
eram professos filhos da luz e da verdade me prenderam a atenção. Ao serem
nomeadas essas pessoas, uma a uma, e mencionadas suas boas ações, sua
fisionomia iluminava-se de santa alegria que se refletia em todas as direções.
Isto, porém, não pareceu fixar-se em meu espírito com a maior intensidade.
Abriu-se
outro livro, no qual se achavam registrados os pecados dos que professam a
verdade. Sob o cabeçalho geral do egoísmo, vinha uma legião de pecados. Havia
também cabeçalhos sobre cada coluna e, em baixo destes ao lado de cada nome,
achava-se registrados, em suas respectivas colunas, os pecados menores.
Sob a cobiça
vinha a falsidade, o furto, o roubo, a fraude e a avareza; sob a ambição vinha
orgulho e a prodigalidade; o ciúme encabeçava a maldade , a inveja e o ódio; e
a intemperança servia de cabeçalho a uma longa lista de terríveis crimes, como
a lascívia, o adultério, a condescendência com as paixões animais etc. Ao
contemplar isto, enchi-me de inexprimível angústia e exclamei: Quem poderá
salvar-se? Quem subsistirá justificado diante de Deus? Quem terá os vestidos
sem mancha? Quem é impecável aos olhos de um Deus puro e santo?
À medida que
o Santo que estava sobre o trono ia virando lentamente as folhas do Contas correntes
e Seus olhos pousavam momentaneamente sobre os indivíduos, esse olhar parecia
queimar-lhes até ao íntimo da alma, e, no mesmo instante, cada palavra e ação
de sua vida passava-lhe diante da sua mente clara como se fosse traçada ante
seus olhos com letras de fogo. Apoderava-se deles o temor, e os rostos
empalideciam. Seu primeiro aspecto quando se achava diante do trono, era de
descuidosa indiferença. Mas como se lhes mudara agora esse aspecto! Desaparece
o sentimento de segurança, substituindo-o inominável terror. Toda alma está
aterrada, não seja ela achada entre os que estão em falta. Todos os olhos se
acham voltados para a face dAquele que se acha sentado sobre o trono; e
enquanto Seu olhar solene e esquadrinhador passa por aquele grupo, há tremor de
coração; pois sentem-se em si mesmos condenados, sem que fosse pronunciada uma
palavra. Em angústia de alma, cada um declara a própria culpa e de maneira
terrivelmente vívida vê que, pecando, atirou fora a preciosa dádiva da vida
eterna.
Empecilhos do terreno
Uma classe
estava registrada como empecilhos do terreno. Ao cair sobre estes o penetrante
olhar do juiz, foram distintamente revelados seus pecados de negligência. Com
lábios pálidos e trêmulos reconheceram haver sido traidores do santo depósito
que lhes fora confiado. Haviam tido advertências e privilégios, mas não os
haviam atendido e aproveitado. Podiam ver agora que haviam presumido demasiado
da misericórdia de Deus. Em verdade, não tinham a fazer confissões como as dos
vis e baixamente corrompidos; mas, como a figueira, eram amaldiçoados por não
produzirem frutos por não haverem usado os talentos a eles confiados.
Esta classe
dera ao próprio eu o supremo lugar, trabalhando apenas pelo interesse egoísta.
Não eram ricos para com Deus, não havendo correspondido às suas reivindicações
sobre eles. Porquanto professassem ser servos de Cristo, não lhe trouxeram
almas. Houvesse a causa de Deus dependido de seus esforços, e haveria
definhado; pois eles, não somente retiveram os meios que lhes foram emprestados
por Deus, mas a si mesmos se retiveram. Estes, porém, podiam ver agora e sentir
que, assumindo para com a obra e a cause de Deus uma posição de
irresponsabilidade, haviam se colocado do lado esquerdo. Haviam tido
oportunidade, mas não fizeram a obra que podiam e deviam ter feito.
Foram
mencionados os nomes de todos quantos professam a verdade. Alguns foram
reprovados pela sua incredulidade, outros por terem sido servos negligentes.
Deixaram que outros fizessem a obra na vinha do Mestre, e levassem as mais
pesadas responsabilidades, enquanto eles estavam servindo egoistamente seus
próprios interesses temporais. Houvessem eles cultivado as aptidões que o
Senhor lhes dera, teriam sido dignos de confiança como portadores de
responsabilidades, trabalhando pelos interesses do Mestre. Disse o juiz: “todos
serão justificados por sua fé, e julgados por suas obras”. Quão vividamente
aparecia então sua negligência, e quão sábia a medida de Deus de dar a cada
homem uma obra a fazer a fim de promover a causa e salvar seus semelhantes!
Cada um devia demonstrar na família e na vizinhança uma fé viva, mediante a
bondade manifestada ao pobre, a compaixão para com o aflito, o empenhar-se em
obra missionária, e o ajudar a causa de Deus com seus meios. Mas, como Meroz, a
maldição de Deus repousou sobre eles pelo que não fizeram. Eles amaram a obra
que traria mais proveito nesta vida; e ao lado de seus nomes no Livro
consagrado às boas obras, havia um lamentável vazio.
Achado em Falta
As palavras
dirigidas a estes foram soleníssimas: “Fostes pesados na balança, e achados em
falta. Negligenciastes as responsabilidades espirituais devido à atarefada
atividade nos assuntos temporais, ao passo que vossa própria posição de
confiança tornava necessário possuirdes sabedoria mais que humana e
discernimento acima do finito. Precisáveis disto a fim de realizardes mesmo a
parte mecânica de vosso trabalho; e quando desligastes Deus e Sua glória de
vossa ocupação, desviastes-vos de Sua bênção”.
Foi então
feita a pergunta: “Porque não lavastes vossos vestidos de caráter, e os
branqueastes no sangue do Cordeiro? Deus enviou Seu Filho ao mundo não para que
condenasse o mundo, mas para que este fosse salvo por Ele. Meu amor por vós foi
mais abnegado do que o de uma mãe. Foi para poder pagar vosso sombrio registro
de iniquidade, e pôr-vos nos lábios o cálice da salvação, que sofri a morte de
cruz, suportando o peso e a maldição de vossa culpa. As agonias da morte e os
horrores das trevas do sepulcro, Eu suportei, a fim de vencer aquele que tinha
o império da morte, descerrar a prisão, e abrir-vos os portais da vida.
Submeti-me à vergonha e à angústia porque vos amava com infinito amor, e queria
trazer de volta Minhas ovelhas desgarradas e errantes ao paraíso de Deus, à
árvore da vida. Esta vida de bênçãos que para vós comprei a tal preço vós a
desprezastes. Vergonha, vitupério e ignomínia como os que por vós sofreu vosso
Mestre, vós os evitastes. Os privilégios que Ele deu a vida para por ao vosso
alcance, não os apreciastes. Não quisestes ser participantes de Seus
sofrimentos, e agora não podeis partilhar com Ele de Sua glória”.
Foram então
proferidas estas solenes palavras: “Quem é injusto, faça injustiça ainda; e
quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e que é
santo, seja santificado ainda”. Fechou-se então o livro, e caiu o manto da
pessoa que estava no trono, revelando a terrível glória do Filho de Deus.
A cena dissipou-se,
e encontrei-me ainda na Terra, inexprimivelmente grata porque o dia de Deus
ainda não tivesse vindo, e o precioso tempo da graça ainda nos fosse concedido,
de modo a nos prepararmos para a eternidade.
O trabalho de cada hora passa em revista diante de
Deus, e é registrado para fidelidade ou infidelidade. O registro dos momentos
desperdiçados e não aproveitadas oportunidades, terá de ser enfrentado quando
se assentar o juízo, e os livros forem abertos e cada um for julgado segundo as
coisas escritas nos livros. Egoísmo, inveja, orgulho, ciúmes, preguiça, ou
qualquer outro pecado nutrido no coração, excluirá uma pessoa da
bem-aventurança do céu. “A quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer,
sois servos daquele a quem obedeceis”.
Bibliografia
1. WHITE, E.G., O Grande Conflito, 30ª Edição, 1985,
p. 492
2. WHITE, E.G., O Grande Conflito, 36ª Edição,
1988, p. 489
3. WHITE, E. G., O Grande Conflito, 36ª Edição, 1988,
p. 435
4. WHITE, E. G., O Grande Conflito, 30ª Edição,
1985, p. 427
5. CERAM, C. W., Deuses, Túmulos e Sábios.
8ª Ed. São Paulo: Melhoramentos, 1959.
6. WHITE E.G., O Grande
Conflito, 36ª Edição, 1988, p. 481.
7. WHITE, E.G., Testemunhos
Seletos, Volume I, página 518.
8.
9.
10. WHITE, E.G., O
Grande Conflito, 36ª Edição, 1988, p.678.
11. WHITE, E.G., O
Grande Conflito, 30ª Edição, 1985, p.684
E. W. Testemunhos Seletos, Volume I, p. 423.
12. WHITE, E.G.,
Patriarcas e Profetas, p. 263.
13. WHITE, E.G., O
Desejado de Todas as Nações, Sétima Edição, CPB, 1965, p. 611.
14. WHITE, E.G., O
Grande Conflito, 30ª Edição, p. 422. verificar.
15. WHITE, E.G., 6 Testemonies, p. 440
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Testemunhos Seletos, Volume I, p. 423.
17. A Bíblia Sagrada
Missionária, Estudo Nº 18
18. E.W. O Grande
Conflito, 30ª Edição p. 450.
19. WHITE, E.G..
20. WHITE, E.G., 6 Testemonies, p. 443
21. WHITE, E.G., O Lar
adventista, p. 406, 407 e 409
22. WHITE, E.G.. R H
14/07/1903.
23. WHITE, E.G.,
Meditações Matinais Maranata, 1977, p. 259 e 264.
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