terça-feira, 4 de dezembro de 2012

As Crenças Diferenciadas do Remanescente


Introdução

    Este documento aborda algumas das doutrinas da Igreja Remanescente: aquelas mais relacionadas com a parte do Santíssimo do Santuário Israelita: daquele que foi confeccionado a partir de um modelo simplificado do Santuário Celestial, e no qual se processa atualmente a obra do juízo de Deus, prévia à segunda vinda de Jesus à Terra. O tema do juízo tem sido considerado por alguns, apropriadamente, como sendo a essência das revelações do Apocalipse e do livro do profeta Daniel. Vamos abordá-lo porque ele nos permite explicar melhor as principais diferenças existentes entre as crenças da Igreja Remanescente com relação às outras denominações religiosas contemporâneas.
A Parte III destina-se mais aos que não pertencem a Igreja Remanescente, mas poderá ser de valia para todos aqueles interessados em saber mais sobre as particularidades desta igreja profética.
Este material foi redigido porque temos ouvido muitas críticas infundadas sobre as doutrinas da verdadeira Igreja de Deus, trazendo confusão para muitos interessados na verdade.
                As fontes deste estudo, que visa sistematizar as bases da fé diferenciada da Igreja Remanescente são, fundamentalmente, a Bíblia, o Espírito de Profecia (acervo bibliográfico produzido pela senhora White, falecida em 1915), bem como livros, artigos e anotações colhidas na Igreja.
                Dos mais experientes e mesmo dos líderes, esperamos merecer as críticas sinceras para que possamos revisar este trabalho, pois que, a cada dia que passa, sentimos a necessidade imperiosa de sua complementação.
  A ausência destas críticas nos dará a sensação de consenso e de que o documento seja oportuno como alimento espiritual, e apropriado para o nosso tempo.
                Se você discordar da utilidade do que está escrito, peço-lhe, também, que me advirta.
                                               
         Cap. 1 - A origem das crenças diferenciadas da Igreja Remanescente

1.1    – Introdução

Falaremos, nesta Parte, sobre o Santuário Celestial o qual serviu de modelo para o tabernáculo (santuário portátil em forma de tenda), construído por Moisés - o Mosaico, em conformidade com a seguinte orientação divina:
               
E Me farão um santuário, para que Eu possa habitar no meio deles. Segundo a tudo que Eu te mostrar para modelo do tabernáculo, e para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis”. Êxodo 25: 8-9.

O apóstolo Paulo, em Hebreus 8: 1-5 retoma este assunto. Não só discute a questão do modelo, como também salienta sua importância:

Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal Sumo Sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como Ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu não o homem. Pois todo sumo sacerdote é constituído para oferecer assim dons como sacrifícios; por isso era necessário que também Esse Sumo Sacerdote tivesse o que oferecer. Ora, se Ele estivesse na Terra, nem mesmo sacerdote seria, visto existirem aqueles que oferecem os dons segundo a lei, os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes, assim como foi Moisés divinamente instruído, quando estava para construir o tabernáculo; pois diz Ele: Vê que faças todas as coisas de acordo com o modelo que te foi mostrado no monte”.
               
O Espírito de Profecia nos informa porque Deus deseja atrair nossa atenção para estes registros sagrados:

“O Santuário no céu é o próprio centro da obra de Cristo em favor dos homens. Diz respeito a toda alma que vive sobre a Terra. Patenteia-nos o plano da redenção, transportando-nos mesmo até o final do tempo, e revelando o desfecho triunfante da controvérsia entre a justiça e o pecado. É da máxima importância que todos investiguem acuradamente esses assuntos, e possam dar resposta a qualquer que lhes peça a razão da esperança que neles há”. (1)
               
Nossa proposta de estudo tem por base o fato de a Igreja Remanescente ter-se originado a partir do estudo sobre este tema julgado essencial pelo apóstolo Paulo e da máxima importância pelo Espírito de Profecia. E, também porque, a partir de então foi que as diferenças de suas doutrinas com relação às demais igrejas foram evidenciadas.

Por meio destas revelações do santuário, ricamente ilustradas, Deus apresentou ao povo de Israel o grande tema da salvação eterna. Nossa convicção é a de que assim como essas instruções práticas foram oportunas para orientar os hebreus, no começo do caminho, nos ajudarão a separar da verdade bíblica as tradições humanas que lhe foram agregadas ao longo do tempo.

                     1. 2 –  Exposição genérica do Santuário Terrestre

Faremos, inicialmente, uma exposição superficial do Santuário Terrestre constituído de um átrio (pátio) e do tabernáculo propriamente dito. A partir deste pano de fundo, seguiremos para a validação bíblica das crenças diferenciadas da Igreja Remanescente de Deus.

Por fora do tabernáculo ficavam três tribos de cada lado. À entrada do pátio, que ficava no lado oriental, o primeiro móvel que se via era o altar de holocaustos. Nele se sacrificavam cordeiros, touros e cabritos. Na verdade, todos os tipos de animais eram sacrificados neste altar. Um pouco mais ao fundo havia uma bacia cheia d’água envolvida por um suporte que tinha um espelho para que o sacerdote pudesse se enxergar e constatar sua limpeza, antes de entrar no santuário.


Por dentro do santuário em si, havia dois compartimentos. Diferentemente da aparência externa, a interna era gloriosa, conforme Figura da capa.

Ao sul do primeiro compartimento – chamado Santo, encontrava-se um candelabro de sete ramos, confeccionado em ouro maciço; Esse candelabro, pesando 25 quilos, era a única fonte de luz permanente do santuário, pois o mesmo não possuía janelas. No lugar Santíssimo, o sagrado Shekinah, iluminava também a tenda, quando entre os querubins se manifestava a glória da presença de Deus.

Ao norte do lugar Santo encontrava-se a mesa com os doze pães da proposição. Estes se chamavam também pães da presença porque ficavam na presença de Jeová. Diz o Salmo 48: 2:

“Seu santo monte, belo e sobranceiro, é a alegria de toda a Terra; o Monte de Sião, para os lados do Norte, a cidade do grande Rei”.

Esta mesa representava, portanto, o trono de Jesus. Ao centro deste primeiro compartimento ficava o altar de incenso, banhado em ouro. Tinha chifres nos cantos e um equipamento chamado incensário ou turíbulo. O sacerdote queimava o incenso com brasas removidas do altar de holocaustos com os quais misturava ainda o sangue proveniente do altar de sacrifícios, e os oferecia sobre o altar de ouro. Esta era a forma de Deus aceitar a interseção do sacerdote pelo justo arrependido. Neste particular havia uma relação fundamental entre os dois altares, que foi ressaltada por White:

A intercessão de Cristo no Santuário Celestial, em prol do homem, é tão essencial ao plano da redenção, como foi a Sua morte sobre a cruz. Pela Sua morte iniciou esta obra, para cuja terminação ascendeu ao céu, depois de ressurgir”. (2)

Mais ao fundo ficava o Santíssimo, lugar da habitação de Deus, o Pai. Nele havia apenas um móvel, conhecido como a Arca do Pacto. De cada lado da arca havia um querubim cobridor. Assim eram chamados porque suas asas se estendiam, tocando-se por sobre a arca, cobrindo, por assim dizer, e reverentemente, a presença de Deus, quando ali ela se manifestava.

Em cima da arca havia um lugar conhecido como propiciatório; era uma espécie de tampa, folheada a ouro que funcionava como se fosse o trono de Deus, porque ali se percebia a Sua glória, na forma de uma nuvem, de uma neblina. Dentro da arca foram colocadas as tábuas da Lei, com os Dez Mandamentos. Isso significava que quando Deus ocupava o Seu lugar sobre o propiciatório, as pedras contendo a Sua Lei que se encontravam dentro da arca, representavam o fundamento ou a base do Seu trono, do Seu Governo. E, assim, Deus se assentava sobre a misericórdia e a justiça. Enquanto a Lei representava a justiça, o propiciatório, onde o sumo sacerdote aspergia o sangue do bode expiatório para a remissão dos pecados, representava a misericórdia, ou a combinação das duas coisas. 

Dentro da arca do tabernáculo do deserto, havia mais dois objetos: o cajado de Arão, que florescera e um pote de maná, o pão que, por quarenta anos alimentou o povo de Deus, no deserto. (Hebreus 9: 4). O primeiro objeto lembra que há vida depois da morte, a qual só é possível mediante a ação miraculosa de Deus, como no caso do florescimento de um bastão seco. O apóstolo Paulo, em hebreus 9: 27, confirma esta posição:

E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo”.

Este enunciado não deixa espaço para dúvidas quanto à continuidade do processo da redenção, após a morte do homem, nem deixa base para a teoria de reencarnações sucessivas.
Quanto ao maná, ele nos lembra das provisões de Deus no deserto e da reforma alimentar, proveniente da substituição do regime cárneo do Egito, pelo pão que passou a descer do céu. Basicamente, esse era o plano do santuário.

1.     3 – Aplicação prática

Agora vamos fazer uma breve aplicação destinada a comprovar a hipótese formulada no oitavo parágrafo da primeira página, referente ao Santuário Terrestre.

No plano geral, o acampamento, com as doze tribos de Israel, era uma representação de todos os pecadores; e o átrio, representava a obra de Cristo e do Espírito Santo na Terra, onde Cristo morreu por nós. Pelo fato de Jesus já ter morrido na cruz, o santuário do céu, que aparece no Apocalipse, não tem átrio. Cristo quando foi para o céu, foi diretamente para o lugar Santo. Por essa razão é que o Apocalipse começa com Cristo glorificado, no primeiro compartimento.

No livro ‘Primeiros Escritos’ da senhora White, lemos a informação de que até 1844, Jesus se encontrava ministrando pelo Seu povo, indivíduo por indivíduo, no lugar Santo, da mesma forma como fazia o sacerdote no lugar Santo durante o ano, no Santuário Mosaico.
Lembremo-nos de que um era o modelo do outro.

Numa visão, ela viu, neste ano, a Arca do Pacto, que era dotada de rodas e chamejava como se fosse de fogo, conduzindo Jesus Cristo do lugar Santo para o lugar Santíssimo, à presença de Deus o Pai. Estes escritos nos levam ao passo das Escrituras que encontramos em Daniel 7: 13-14:

“Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até Ele. Foi-Lhe dado domínio e glória e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas O servissem; o Seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o Seu reino jamais será destruído”.

Ao passar Jesus para o Santíssimo a fim de definir os súditos de Seu reino por meio do juízo investigativo, a parte norte do lugar Santo, do Santuário Celestial, que era ocupada pelo Seu trono e iluminada pela Sua presença, ficou vazia.

Isaías 14: 12-14, referindo-se às pretensões satânicas de ocupar este lugar, escreveu:

“Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte. Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo”.
Essa pretensão de Satanás certamente não pode se concretizar porque à Igreja de Filadélfia, que permaneceu até 1844 – início do juízo investigativo foi anunciado:

“Estas coisas diz o Santo, o Verdadeiro, Aquele que tem as chaves de Davi, que abre e ninguém fechará, e que fecha e ninguém abre: conheço as tuas obras – eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar”. Apocalipse 3: 7-8.

Em (3), o Espírito de Profecia nos esclarece sobre este ponto:

“Cristo abrira a porta, ou o ministério, do lugar Santíssimo; resplandecia a luz por aquela porta aberta do Santuário Celestial”.

Logo, a porta que foi fechada foi a do lugar Santo.

O sumo sacerdote, no ritual mosaico, quando fazia essa passagem para o Santíssimo, tinha campainhas nas vestes para que o povo de Israel, naquele dia solene do Yon Kippur ou do perdão, pudesse acompanhar, lá de fora, todos os seus movimentos, porquanto intercedia por eles, diante de Deus, com base no sangue do bode expiatório. Essa era a limpeza ou a purificação anual do santuário, em Israel e que dava fim ao ciclo anual das cerimônias.

Naquele tempo todo o povo acompanhava o que o sumo sacerdote fazia, e realizava uma obra paralela, de purificação, no coração. Da mesma forma nós, pela fé, devemos acompanhar o que se passa atualmente no Santíssimo, e buscar a mesma purificação, cá em baixo, de modo a sermos aceitos como perdoados no grande tribunal do céu.

Ao final desta cerimônia, o sumo sacerdote transferia os pecados do povo de Deus para um bode chamado Azazel, em hebraico, e que significa emissário, na língua portuguesa, por meio de uma oração. Este bode que representava Satanás durante o milênio arrostava simbolicamente os pecados por ele induzidos, até morrer no deserto, onde era confinado.

No ano de 1844, quando a luz profética assinalava o início da purificação do Santuário Celeste (tema detalhado no próximo capítulo), houve um grande desapontamento do povo remanescente, porque pensou, erroneamente, que a cerimônia predita por Daniel 8: 14 que diz: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado”, correspondia à vinda de Jesus à Terra, ocasião em que, pensava ele, a Terra seria purificada pelo fogo. O Espírito de Profecia, mais tarde, assim comentou o equívoco:

“A proclamação: ‘Aí vem o esposo’! feita no verão de 1844 levou milhares a esperar o imediato advento do Senhor. No tempo indicado o Esposo veio, não para a Terra, como o povo esperava, mas ao Ancião de dias, no céu, às bodas, à recepção de Seu reino. ‘As que estavam preparadas (virgens prudentes) entraram com Ele para as bodas, e fechou-se a porta’. Elas não deveriam estar presentes, em pessoa, nas bodas; pois que estas ocorrem no céu, ao passo que elas estão na Terra”. (4)
É no sentido de compreender o trabalho de Cristo e segui-Lo, pela fé, ao ir Ele perante Deus, que se diz irem elas às bodas.

Estava, então, apenas começando a etapa do julgamento coletivo no céu, do qual o Yon Kippur, o dia do perdão ou da purificação do Santuário Terrestre, fora um símbolo. Deus passava, neste momento a analisar a situação de Seu povo como um todo e não apenas de forma individualizada como O fizera até outubro de 1844. Para efeito de esclarecimento: o juízo investigativo iniciado em 1844 continua em curso, estendendo-se até o fechamento da porta da graça (início das sete últimas pragas, ainda no futuro).

Jesus, ao ver o desapontamento de seus amados filhos que, com afinco, aprofundaram-se no estudo das profecias, e que, por causa disso, estavam sendo injustamente penalizados pela decepção, providenciou uma luz especial para que eles tivessem uma melhor compreensão do profeta Daniel; e revelou-lhes, por meio de sonhos e visões, os detalhes da Sua obra no Santuário Celestial. Esta bênção, recebida pela profetisa do advento, Ellen White, falecida em 1915, fez com que os estudiosos das profecias se apercebessem do equívoco da interpretação e passassem a acompanhar, pela fé, a obra de Cristo em Seu ministério no Santíssimo.

A partir desta experiência foi organizada a Igreja Remanescente, não como mais uma igreja, mas como a igreja do destino, surgida na plenitude do tempo profético, assinalado de forma especial no capítulo dez do Apocalipse, para pregar ao mundo as mensagens relacionadas com a Segunda Vinda de Jesus, em glória e majestade:

“Fui, pois, ao anjo dizendo-lhe que me desse o livrinho (de Daniel). Ele, então me fala: Toma-o, e devora-o; certamente ele será amargo no teu estômago, mas na tua boca, doce como o mel. Tomei o livrinho da mão do anjo e o devorei, e na minha boca era doce como o mel; quando, porém, o comi, o meu estômago ficou amargo. Então me disseram: É necessário que ainda profetizes a respeito de muitos povos, nações, línguas e reis”. Apocalipse 10: 9-11. Parênteses acrescentados.

A esperança do aparecimento de Cristo, que era doce como o mel, tornou-se amarga decepção, mas, das cinzas deste desapontamento, emergiu a Igreja Remanescente com a responsabilidade de levar a todos os povos e nações, o alerta amoroso de Deus sobre os ensinamentos provenientes do Santíssimo e do recente estabelecimento do juízo, em particular. Começa então uma enorme obra de evangelização que, ao seu tempo, deveria abarcar o mundo, começando pela pregação da primeira das três últimas Mensagens de Deus aos habitantes da Terra:
“Vi, outro anjo, voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a Terra, e a cada nação, e tribo, e língua e povo, dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora de Seu juízo; e adorai Aquele que fez o céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas”. Apocalipse 14: 6 e 7.

As igrejas cristãs constituídas até aquela época, as protestantes, em particular, que reuniam os remanescentes de então, não deram a devida atenção à luz celestial que fora revelada por meio do Espírito de Profecia. Pelo contrário, fizeram a parte do dragão, anunciada, previamente, em Apocalipse 12: 17 e complementada em Apocalipse 19: 10:
“Irou-se o dragão e foi pelejar com os restantes de sua descendência, os que guardam os Mandamentos de Deus e têm o Testemunho de Jesus... Ora o Testemunho de Jesus é o Espírito de Profecia”.

Duas coisas diz o texto apocalíptico, motivariam a ira satânica: a obediência aos Mandamentos que foram colocados no interior da Arca do Pacto, que a Igreja Remanescente já nascera observando, e o dom profético, atribuído, de forma sobrenatural a esta última igreja. O dom profético vem sendo singularmente importante para dotar o povo de Deus com a luz suplementar necessária para os últimos dias, a fim de restabelecer as verdades bíblicas que foram deitadas por terra pelo papado medieval, conforme atesta o texto abaixo:

“O exército lhe foi entregue, com o sacrifício costumado, por causa das transgressões; e deitou por terra a verdade; e o que fez prosperou”. Daniel 8: 12.

Foi desta forma que Roma eclesiástica, a qual por tantos anos massacrou o exército dos santos e deitou por terra a verdade, agora acompanhada de suas filhas protestantes, rejeitou entrar, pela fé, com Jesus, no Santíssimo, a fim de receber a luz do Seu Shekinah. Na sua incredulidade, estas igrejas continuaram indo ao lugar Santo como se Jesus ainda lá estivesse. Mas o Seu trono ali ficara vazio, a porta fechada e estas igrejas, na Terra, em escuridão.

Diz o Espírito de Profecia que Satanás aproveitou-se daquela oportunidade para ‘ocupar’ o lugar vazio deixado por Cristo, conforme seu antigo desejo, passando a insuflá-las com seu espírito maligno. E foi assim que as igrejas que permaneceram no lugar Santo, em 1844, rechaçaram as doutrina essencialmente bíblicas derivadas do Santíssimo:
·         A existência e a purificação do Santuário Celestial;
·         O juízo investigativo, ainda em execução;
·         Os Dez Mandamentos escritos de forma candente pelo dedo de Deus para ser o coração do evangelho e a norma do juízo, incluindo o sábado do quarto mandamento;
·         A doutrina do milênio, tipificada pelo bode Azazel;
·         A imortalidade condicional da alma, tipificada pela vara de Arão que florescera; e,
·         A reforma alimentar, que se alinha com o abandono do regime cárneo que prevalecia no Egito.

                      1.4 – A formação de dois grupos de cristãos
Resumindo, o mundo cristão foi então dividido em dois grupos: um, que acompanhou a Jesus em sua obra de juízo no Santíssimo (das virgens prudentes), passando a se preparar para o Seu retorno e o outro (das néscias), que não O acompanhou, continuando inebriado com os encantamentos satânicos até ao dia de hoje.

E como se chamam, segundo a Bíblia, essas igrejas que ficaram sem a luz proveniente do Santíssimo? Babilônia. E para elas foi endereçada a segunda mensagem angélica exarada em Apocalipse 14: 8, e que deveria ser difundida no mundo, com determinação, pela Igreja Remanescente:

“Seguiu-se outro anjo, o segundo, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia que tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição”.

Porque caiu a grande Babilônia? Porque as verdades bíblicas começaram a ser restauradas, dissipando as trevas existentes. Não obstante, contudo, o esforço evangelístico da igreja nascente, a confusão babilônica não chegou a ser desmistificada na escala mundial, precisando a segunda mensagem ser reeditada, e com mais rigor, em Apocalipse 18: 2-3:

“Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável, pois todas as nações têm bebido do vinho do furor de sua prostituição. Com ela se prostituíram os reis da Terra. Também os mercadores da Terra se enriqueceram à custa da sua luxúria”.

Esta terrível condenação segue, no entanto, acompanhada do dramático apelo do verso 4: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados, e para não participardes de seus flagelos”. (Negrito acrescentado)

Estes flagelos constituem, justamente, o teor da terceira mensagem angélica, uma das mais solenes advertências da Bíblia para todos aqueles que não adotarem as instruções bíblicas, que vêm sendo difundidas apenas pela Igreja Remanescente, por meio do Espírito de Profecia:

“Seguiu-se a estes, outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: se alguém adora a besta e a sua imagem, e recebe a sua marca na fronte, ou sobre a mão, também este beberá do vinho da cólera de Deus, preparado sem mistura, do cálice de Sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem, e quem quer que receba a marca de seu nome”. Apocalipse 14: 9-11.

O verso 12 finaliza esta terceira mensagem, destacando, por contraste, as três características dos vencedores:

Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a de Jesus”.

O sábado, situado no coração dos mandamentos, foi designado como um sinal eterno entre Deus e os seus filhos (os pertencentes ao primeiro grupo) e é o que o distingue do segundo grupo (os que têm o sinal da besta, o domingo, decretado pelo Império Romano e endossado por Roma papal). A passagem de Êxodo 31: 17 revela-nos quem são os pertencentes ao primeiro grupo. Fica claro, ao lê-la, que os que rechaçam este sinal, são pertencentes do segundo grupo:

“Entre mim e os filhos de Israel é sinal para sempre; porque em seis dias fez o Senhor os céus e a Terra, e ao sétimo dia descansou e tomou alento”.

As igrejas cristãs, de uma forma geral, creem na morte de Jesus Cristo na cruz do calvário, o que foi tipificado pela morte expiatória de animais sobre o altar de holocaustos no ritual antigo; não há diferenças significativas quanto à humanidade de Jesus e todos adotam o batismo como um símbolo de Sua morte e ressurreição. Tampouco há muita confusão quanto ao papel e o poder do Espírito Santo em revelar-nos as manchas de caráter, o que foi tipificado pela pia com água, dotada de espelho, que também ficava no pátio. As diferenças neste particular são mais quanto à forma de manifestação do Espírito do que quanto ao seu conteúdo. Estas igrejas creem também, em conformidade com os da Igreja Remanescente, que precisam se alimentar de Jesus, como o pão da vida espiritual, tipificado pelos pães da proposição, que deviam ser repostos, no santuário, a cada sábado; creem que precisam orar associando as orações (como um incenso suave para Deus), com o sangue de Jesus que morreu, e hoje vive e intercede por Seus filhos, o que foi tipificado pelo altar de incenso e, finalmente, creem que Jesus é a luz do mundo, conforme sugere o candelabro que também se destaca no lugar Santo.

É do lugar Santíssimo, porém, que vêm as principais diferenças, como vimos. Babilônia está totalmente confusa quanto ao tema das duas mil e trezentas tardes e manhãs de Daniel 8: 14, que demarca, com precisão, o começo do juízo investigativo – relacionado com a purificação do Santuário Celestial; não entendem o juízo propriamente dito, em suas três fases: investigativa (após 1844); comprovação das culpas e sentença (durante o milênio); e executiva (no fogo, após o milênio), apesar das mais de mil passagens a respeito; e rejeitam a integralidade da norma do juízo, o Decálogo, não obstante a grave admoestação de Tiago 2: 10-12:

“Pois qualquer que guarda toda a Lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos. Portanto, aquele que disse: Não adulterarás também ordenou: Não matarás. Ora, se não adulteras, porém matas, vens a ser transgressor da Lei. Falai de tal maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela Lei da liberdade”.

O tema do milênio, tão claramente exposto no Apocalipse 20, é muito controvertido e nebuloso para as igrejas em geral, e o sábado do sétimo dia, apesar de ser o selo de Deus, é totalmente rechaçado, apesar de ser provavelmente a doutrina melhor estruturada e uma das mais enfatizadas das Escrituras.

Estes assuntos, de transcendental importância para a salvação, e mais o da reforma alimentar, em proveniência do Santíssimo, constituem a motivação dos próximos capítulos.

 Cap. 2–Os 2300 anos prévios à purificação do santuário
                                        2.1 - Introdução
A última visão de Daniel foi apresentada nos capítulos 10, 11 e 12 de seu livro e analisada no primeiro capítulo da Parte I intitulada Daniel e Apocalipse. Estes três capítulos estão interligados, formando uma cadeia profética que nos guia, com segurança, do Império Medo Persa até à véspera da Segunda Vinda de Jesus. Agora vamos estudar os capítulos 8 e 9 que constituem uma unidade preliminar que, como um fio condutor, nos leva ao início do juízo investigativo, prévio e absolutamente necessário ao advento de Cristo. Quando Ele vier, já trará consigo a recompensa, pois afirma em Apocalipse 22: 12:

Eis que venho sem demora, e Comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras”.

Neste capítulo estudaremos a precisa e selada (garantida) cronologia bíblica que foi revelada ao profeta Daniel, a fim de nos revelar com segurança absoluta o dia exato da instauração deste grande tribunal celeste. Para não perdermos a noção de conjunto e para facilitarmos o entendimento, vamos dividir esta grande cadeia profética em três sessões. Vamos repassar rapidamente a primeira sessão da visão, a qual começa com dois animais do santuário, em disputa, para chegarmos logo nas segunda e terceira sessões, as mais importantes para o nosso estudo.

                                        2.2 – O carneiro e o bode

Esta sessão considera o conteúdo de Daniel 8: 1-9 e a explicação do mesmo, o que foi bem compreendido pelo profeta.

“No ano terceiro do reinado do rei Belsazar eu, Daniel, tive uma visão depois daquela que eu tivera a princípio. Quando a visão me veio, parecia estar eu na cidadela de Susã, que é província de Elão, e vi que estava junto do rio Ulai. Então levantei os olhos, e vi, e eis que um carneiro estava diante do rio, o qual tinha dois chifres, e os dois chifres eram altos, mas um mais alto do que o outro; e o mais alto subiu por último. Vi que o carneiro dava marradas para o ocidente, e para o norte e para o sul; e nenhum dos animais lhe podia resistir, nem havia quem pudesse livrar-se do seu poder; ele, porém, fazia segundo a sua vontade, e assim se engrandecia. Estando eu observando, eis que um bode vinha do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; este bode, tinha um chifre notável entre os olhos; dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, o qual eu tinha visto diante do rio; e correu contra ele com todo o seu furioso poder. Vi-o chegar perto do carneiro e, enfurecido contra ele, o feriu e lhe quebrou os dois chifres, pois não havia força no carneiro para lhe resistir; mas o bode o lançou por terra e o pisou aos pés, e não houve quem pudesse livrar o carneiro do poder dele. O bode se engrandeceu sobremaneira; e na sua força quebrou-se lhe o grande chifre, e em seu lugar saíram quatro chifres notáveis, para os quatro ventos do céu. De um deles saiu um chifre pequeno e se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa. Daniel 8: 1-9.
   
A segunda parte da visão, que vai até o versículo 14, será estudada na segunda sessão. Nos versículos 15 e 16 encontramos o profeta querendo, como nós, entender a primeira parte da visão, pois que diz:

“Havendo eu, Daniel, tido a visão, procurei entendê-la, e eis que se me apresentou diante uma como aparência de homem. E ouvi uma voz de homem de entre as margens do Ulai, o qual gritou e disse: Gabriel dá a entender a este a visão”.
                Gabriel, segundo Lucas 1: 19 é um poderosíssimo anjo, que provavelmente tenha ocupado o lugar de Lúcifer. Assim ele falou a Maria, mãe de Jesus:

“Respondeu-lhe o anjo: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para falar-te e trazer-te estas boas novas”.

O personagem com aparência de homem que lhe ordenou explicar a visão é Jesus, certamente. Vejamos as suas características explicitadas em Daniel 10: 5-6:
   
“Levantei os olhos, e olhei, e eis um homem vestido de linho, cujos ombros estavam cingidos de ouro puro de Ufaz; o Seu corpo era como o berilo, o Seu rosto como um relâmpago, os Seus olhos como tochas de fogo, os Seus braços e os Seus pés brilhavam como bronze polido, e a voz de Suas palavras como o estrondo de muita gente”.
   
Vemos, portanto, que a fonte da interpretação é fidedigna.    Vejamos, em Daniel 8: 17 a reação do profeta, diante da inusitada cena:

“Veio, pois, para junto donde eu estava; ao chegar ele, fiquei amedrontado, e prostrei-me com o rosto em terra; mas ele me disse: Entende filho do homem, pois esta visão se refere ao tempo do fim”.

A saúde de Daniel parece ter-se agravado, quando o anjo repetiu-lhe a informação, dando ênfase à questão do tempo de seu cumprimento:

“Falava ele comigo quando caí sem sentido, rosto em terra; ele, porém, me tocou e me pôs em pé no lugar onde eu me achava; e disse: Eis que te farei saber o há de acontecer no último tempo da ira; porque esta visão se refere ao tempo determinado do fim”. Daniel 8: 18-19.
Após deixar bem claro que o foco da visão em seu conjunto e da última parte, em particular, se referia ao tempo do fim, o anjo começa a explicar o significado de sua primeira parte, a partir do verso 20:
               
“Aquele carneiro que viste com dois chifres, são os reis da Média e da Pérsia”. O chifre maior, que aparece por último, no carneiro, era a Pérsia; o outro era a Média que no começo era dominante. A Pérsia, o segundo império mundial, dominou o mundo de 538 a 331 AC. Na ocasião da visão, Belsazar era o último governante da monarquia babilônica, que foi o primeiro império mundial citado por Daniel e que estava no seu fim, conforme a visão já descrita no quarto parágrafo deste capítulo. As marradas do carneiro para o ocidente, para o norte e para o sul significavam, respectivamente, as conquistas da Lídia, da Babilônia e do Egito pela Medo Pérsia.
No verso 21, segue a interpretação da profecia:

mas o bode peludo é o rei da Grécia; o chifre entre os olhos é o primeiro rei”. Este versículo já está apresentando detalhes referentes ao terceiro império mundial, isto é, à Grécia, a Macedônia.  O chifre entre os olhos do primeiro rei representa Alexandre, o Grande. A Grécia conquistou a Medo Pérsia e governou de 331 AC a 168 AC. Esta parte da profecia se cumpriu e 200 anos depois de anunciada a Daniel.

E segue o verso 22:

                “o ter sido quebrado, levantando quatro em lugar dele, significa que quatro reinos se levantarão deste povo, mas não com força igual a que ele tinha”.

Ao morrer Alexandre, com 32 anos, no auge de seu Governo, a Grécia foi dividida entre os seus quatro generais: Celeuco, que ficou com a Síria; Ptolomeu, com o Egito; Lisímaco, que reinou na Trácia e na Ásia Menor, e Cassandro, na Macedônia. Destes quatro prevaleceram dois: Celeuco e Ptolomeu que, após várias guerras sucessivas pela hegemonia, acabaram enfraquecidos, dando lugar ao quarto império mundial, descrito no verso 23:

“Mas, no fim do seu reinado, quando os prevaricadores acabarem, levantar-se-á um rei de feroz catadura e entendido de intrigas”.

 Apesar de não dizer quem é esse rei, diz o que ele faz, no verso 24:
     
“Grande é o seu poder, mas não por sua própria força; causará estupendas destruições, prosperará e fará o que lhe aprouver; destruirá os poderosos e o povo santo”.

Esta é uma clara alusão a Roma que, aproveitando-se mais da fragilidade momentânea do exército grego do que de sua própria força, conquistou a Grécia, começando pela Síria, depois o Egito, anexando também a Palestina. Esta expansão horizontal foi profetizada no verso nove:

De um deles (dos quatro ventos, segundo o texto original do verso oito e a tradução da Bíblia de Jerusalém) saiu um chifre pequeno e se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa.
Este chifre pequeno representou, primeiramente, Roma, o quarto império mundial, que destruiu os poderosos da Grécia e foi sucedido por Roma papal, o chifre pequeno definitivo, que destruiu o povo santo.


2.3 – A parte da visão que não foi compreendida

Nos versos 10 e 11 começa, em sequência, a segunda parte da profecia, a qual, segundo Gabriel, no verso dezessete, deveria se projetar para os últimos dias:

“Cresceu até atingir o exército dos céus; e alguns do exército e das estrelas lançou por terra e os pisou. Sim, engrandeceu-se até ao Príncipe do exército; dele tirou o sacrifício costumado e o lugar do seu santuário foi deitado abaixo”.

O Príncipe dos exércitos é Jesus Cristo o qual aparece recebendo a adoração humana, em Josué 5: 14.

O exército dos céus refere-se aos santos, conforme a explicação do verso 24.

Quanto à retirada do sacrifício costumado, apesar da palavra sacrifício ter sido suprida fortuitamente pelos tradutores para adaptá-la a opressão de Antíoco Epifanio, como veremos adiante, ela acabou facilitando a interpretação, porque o oferecimento contínuo de dois cordeiros, um pela manhã e outro à tarde, para remissão de pecados, que era realizada em favor dos judeus que não podiam chegar ao templo, era também uma tipologia do futuro ministério sacerdotal de Cristo no céu, intercedendo continuamente por nós, conforme Hebreus 7: 25:

“Por isso, também pode salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”.

A palavra sacrifício, portanto, acabou fazendo sentido porque o texto, de fato, está fazendo alusão à substituição arbitrária da intercessão contínua desenvolvida por Jesus Cristo, no céu, por outro sistema, de natureza pagã, realizado por meio do confessionário, de santos e de imagens, aqui na Terra. E segue Daniel 8: 25:

 “Por sua astúcia nos seus empreendimentos fará prosperar o engano, no seu coração se engrandecerá, e destruirá a muitos que vivem despreocupadamente; levantar-se-á contra o Príncipe dos príncipes, mas será quebrado sem esforço de mãos humanas”.

Esta ilegítima manobra religiosa, em oposição às Escrituras, mostra os ataques do papado aos filhos de Deus que viviam despreocupadamente (mais de cinquenta milhões de mortos durante mil e duzentos e sessenta anos de supremacia papal) atingindo também o santuário celestial, substituindo a intercessão de Jesus e mudando os mandamentos de Deus. O chifre pequeno, contudo, não ficará impune. No tempo certo, será quebrado sem esforço de mãos humanas, porque só Deus poderá trazer esse poder eclesiástico corrupto a um fim definitivo.

E segue a profecia, em Daniel 8: 12: “O exército lhe foi entregue, com o sacrifício costumado (que representava a intercessão de Jesus); e deitou por terra a verdade (do sábado, em particular); e o que fez prosperou”.
    Diante desta escalada do Chifre Pequeno, surge a grande pergunta do verso 13: ”Depois ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: Até quando durará a visão do costumado sacrifício, e da transgressão assoladora, visão na qual era entregue o santuário e o exército, a fim de serem pisados”?

Em outras palavras, até quando prevalecerão estas transgressões do papado, que estavam massacrando os santos, deitando por terra a verdade, usurpando, inclusive, o papel de Jesus como ministro do Santuário Celestial? A resposta vem no verso 14: “Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado”. Este é o ponto culminante da profecia e também dos mais relevantes de todo o livro de Daniel.

A análise deste verso pelo profeta deve tê-lo levado diretamente ao juízo de Deus que se processava uma vez por ano em Israel, consistindo da remoção dos pecados que eram transferidos para o santuário durante o ano.

O verso 26, no entanto, que provê a explicação para o conteúdo do verso 14, confirma mais uma vez que esta profecia não poderia se referir à purificação do Santuário Terrestre que havia sido profanado por Nabucodonosor:

“A visão da tarde e da manhã, que foi dita, é verdadeira; tu, porém, preserva a visão, porque se refere a dias ainda mui distantes”.
Confundido em seus pensamentos, no verso 27 o profeta conclui o capítulo: “Eu, Daniel enfraqueci, e estive enfermo alguns dias; então me levantei e tratei dos negócios do rei. Espantava-me com a visão, e não havia quem a entendesse”.

Como a parte da visão relacionada com o carneiro e o bode foi perfeitamente detalhada, a parte nebulosa faz referência às duas mil e trezentas tardes e manhãs, isto é, dois mil e trezentos dias, conforme a linguagem de Gênesis 1: 5: “Chamou Deus à luz Dia, e às trevas, Noite. Houve tarde e manhã, o primeiro dia”. Como esta profecia se refere a dias ainda mui distantes (repetido por três vezes), estes 2300 dias não podem ser literais e sim proféticos, onde cada dia representa um ano, conforme Ezequiel 4: 7:“Quarenta dias te dei, cada dia por um ano”...

Alguns intérpretes das Escrituras defendem a literalidade das 2300 tardes e manhãs e os aplicam ao período em que Antíoco Epifânio, um descendente de Celeuco, da Síria, dominou a Palestina e, na tentativa de helenizar os judeus, ofereceu um porco em holocausto no templo de Jerusalém, obrigando os judeus a fazerem o mesmo.

Esta aplicação é incorreta porque no livro de I Macabeus, 1: 54-59  e 4: 52-54 é dito que Antíoco interrompeu os serviços do templo durante três anos e dez dias (do 15º dia do mês de Chislev do ano 168  até o 25º do mês de Chislev do ano 165). Este período foi, portanto de 1090 dias literais. Mesmo considerando-se fortuitamente cada tarde e manhã como sendo apenas meio dia, teríamos 1150 dias, que também não se ajusta ao tempo especificado em Macabeus. E isto sem contar com o enunciado da profecia que se reporta, à sucessivas reprises, ao tempo determinado do fim.

A confusão relacionada com Antíoco foi estabelecida porque o livro apócrifo de I Macabeus 1: 54 aplicou, indevidamente a frase ‘sacrilégio desolador’, de Daniel 9: 27, àquilo que Antíoco Epifânio fez em relação ao templo judaico. Este erro dos apócrifos, infelizmente, tem desencaminhado o entendimento de muitos irmãos evangélicos.

2.3 – A explicação das 2300 tardes e manhãs  

O capítulo 9, a seguir, é um dos mais notáveis capítulos referentes a Cristo, do Antigo Testamento, e dá continuação ao tema que ficou em aberto, no capítulo 8.

Dois anos antes da libertação do cativeiro babilônico, no curso de uma sentida oração de Daniel (versos de 1 ao 19), quando o profeta intercedia pelo santuário destruído e pelo seu povo, apareceu-lhe, novamente, o anjo Gabriel:

“Falava eu ainda, e orava, e confessava o meu pecado e o pecado de meu povo Israel, e lançava a minha súplica perante a face do Senhor, meu Deus, pelo monte santo de meu Deus. Falava eu, digo, falava ainda na oração, quando o homem Gabriel que eu tinha presenciado na minha visão ao princípio, veio rapidamente, voando, e me tocou à hora do sacrifício da tarde. Ele queria instruir-me, falou comigo, e disse: Daniel, agora saí para fazer-te entender o sentido. No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a coisa, e entende a visão”. Daniel 9: 20-23.

A palavra visão, empregada aqui, no original hebraico é hazon a mesma que foi usada para a visão geral do capítulo 8. Como o profeta não havia mencionado nada sobre visão nos primeiros dezenove versos do capítulo 9, o anjo só podia estar se referindo a visão geral do capítulo oito.
A senhora White confirma esta ideia: “O anjo fora enviado a Daniel com o expresso fim de lhe explicar o ponto que tinha deixado de compreender na visão do capítulo 8, a saber a declaração relativa ao tempo”. White, E.G. Cristo em Seu Santuário, p. 54, in Estudos Bíblicos Avançados, Fase 2, p. 48.

Outra coisa que chama a atenção é que quando o profeta começa a explicar a parte que não ficou esclarecida no capitulo 8, ele utiliza outra palavra hebraica para visão: mareh, a mesma que foi usada para a visão dos 2.300 dias proféticos, que ficaram sem explicação, conforme os dois últimos versos do capítulo oito:

“A visão (mareh) da tarde e da manhã ... Eu, Daniel, espantava-me com a visão (mareh) e não havia quem a entendesse”. Daniel 8: 26-27.

E, logo a seguir, a explicação da mareh, apresentada a partir do verso 24, confirma a hipótese do relacionamento entre os dois capítulos:

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos Santos”.

A palavra: determinadas, traduzida de ‘chatak’, do original hebraico, significa literalmente: cortadas, amputadas. Cabe aqui a pergunta: cortadas de que? Só poderiam ser cortadas de um período mais longo de tempo, como dos 2300 anos de Daniel 8: 14.

Uma vez esclarecida esta parte, temos a considerar o fato destas setenta semanas não serem literais, em face dos seis itens que elas abrangem: para fazer cessar a transgressão (a ser alcançado no tempo de angústia), para dar fim aos pecados (no juízo investigativo), para expiar a iniquidade (somente realizada na cruz), para trazer a justiça eterna (na segunda vinda), para selar a visão e a profecia (na unção de Jesus), e para ungir o Santo dos santos (no ano 27 da era cristã), os quais seriam providos futuramente por Jesus. Os dois últimos itens merecem destaque pela sua importância ao nosso tema: a visão e a profecia seriam seladas, isto é, sem deixar margem para dúvidas, a partir da unção de Jesus pelo Espírito Santo.

E quando deveria começar esse período que levaria, entre outras coisas, à unção do Santo dos santos e ao começo de Seu ministério terrestre? A resposta nós a encontramos no verso 25:

“Sabe, e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas: as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos”.

Este verso é de excepcional importância porque fixa o começo das setenta semanas: a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém e seus muros, permitindo, desta forma definir-se o ano certo do começo do ministério terrestre de Jesus.
Este decreto é referido em Esdras 6: 14: “segundo o decreto de Ciro, de Dario e de Artaxerxes, rei da Pérsia”, que foi datado em Esdras 7: 7, por ocasião do envio de Esdras a Jerusalém:

“Também subiram a Jerusalém alguns dos filhos de Israel, dos sacerdotes, dos levitas, dos cantores, dos porteiros e dos servidores do templo, no ano sétimo do rei Artaxerxes.

 E no verso vinte e cinco, ao seu final, Artaxerxes I faz as provisões para a restauração da completa autoridade civil, judicial e religiosa dos judeus em sua pátria: “Tu, Esdras, segundo a sabedoria do teu Deus, que possuis, nomeia magistrados e juízes, que julguem a todo o povo que está dalém do Eufrates, a todos os que sabem as leis de teu Deus, e ao que não as sabe, que lhas façam saber”. (Esdras 7: 25). (Negrito e grifos acrescentados)

C. Ceram, (5) no “final do livro ‘Deuses, Túmulos e Sábios” apresenta uma planilha que nos mostra os anos em que vários reis e imperadores começaram a reinar. De acordo com esta planilha, cientificamente comprovada, Artaxerxes começou a reinar no ano de 464 AC. Logo, o sétimo ano de Artaxerxes fica situado, historicamente em 457 AC. Assim, no final das primeiras sessenta e nove semanas (483 anos), a partir de 457 AC a História chega ao ano 27 DC, quando Cristo foi batizado. Isso ocorreu no décimo quinto ano de reinado de Tibério César (Lucas 3: 1), o qual começou a reinar no ano 12 (por causa da doença de seu pai, César Augusto Otaviano). Nessa ocasião surgiu João Batista pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados (Lucas 3: 3). E no verso 21 deste mesmo capítulo, encontramos a unção do Santo dos santos:

“E aconteceu que, ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e estando Ele a orar, o céu se abriu, e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o Meu Filho amado, em Ti me comprazo”.

Quando Jesus foi ungido pelo Espírito Santo, já havia sido batizado. A palavra Ungido corresponde às palavras Messias, no hebraico e Cristo, no grego.

E em Daniel 9: 26 vemos esta impressionante profecia confirmada pelo início do ministério de Jesus, seguido de sua morte na cruz:

“Depois das sessenta e duas semanas será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas”.

Mais tarde, portanto, depois das sessenta e duas semanas que se seguem às sete primeiras semanas, isto é, após sessenta e nove semanas, duas coisas importantes deveriam acontecer, selando a profecia: 1) A morte do Messias, no ano 31 DC e, 2) a cidade reconstruída e o santuário seriam novamente destruídos, desta vez pelo povo de outro príncipe que ainda estava para vir. Esta profecia teve seu cumprimento no ano 70 DC quando Tito, então futuro rei do Império Romano, comandou a destruição de Jerusalém. Desde então o povo judeu vem sendo envolvido em guerras e desolações.

O texto de Daniel 9: 27 conclui a profecia: “Ele fará firme aliança com muitos por uma semana; na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele”.
Aos três anos e meio de Seu ministério, justamente no meio da derradeira semana de anos, Jesus morreu na cruz, cessando o sacrifício, conforme é entendido pelo rasgar do véu do templo: “Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes, de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas”. Mateus: 27: 51.

Vemos pela profecia que Deus não somente revela o futuro, como também dirige, molda e controla-o. Considerando-se que as primeiras setenta semanas de anos, destacadas dos 2300 anos, foram cumpridas até o ano 34 DC, com o apedrejamento de Estêvão e ulterior perseguição dos cristãos, pelos líderes judeus, o tempo destinado à nação israelita extinguiu-se. Restaram, contudo, 1810 anos no escopo da profecia. Este período leva a História até ao outono de 1844, quando o santuário, finalmente, começou a ser purificado. Como o santuário israelita estava em ruínas, o único santuário que poderia ser purificado, era o celestial, citado em Hebreus 8: 1-5 e 9: 11-12. A sua purificação contempla a eliminação dos pecados escritos nos livros do céu, por meio do juízo investigativo. Este será o tema do próximo capítulo. 
Uma segunda aplicação, atualizada, para a septuagésima semana de anos (verso vinte e sete) foi provida na sessão 1.4.1 do primeiro capítulo da Parte I.

Cap. 3 – A purificação do santuário: O juízo de Deus

3.1 - Introdução
A purificação do santuário, como vimos, é uma referência ao juízo que antecede a volta de Cristo à Terra. Destacaremos, neste capítulo, a necessidade que temos de repensar nossa vida espiritual, à luz deste juízo de Deus, pois será terrivelmente minucioso e, por ele, passaremos todos.

 Em Números 32: 23 encontramos o texto base para a nossa reflexão:

“Porém, se não fizerdes assim, eis que pecastes contra o Senhor; e sabei que o vosso pecado vos há de achar”.

Vamos contar uma história ocorrida na América do Norte que permitirá trazer esta passagem bíblica pouco comentada para o contexto de nossos dias.

Um jornalista norte-americano saiu de casa para fazer uma reportagem em uma cidade vizinha e, logo nos primeiros quarteirões, atendeu a um pedido de carona. Parou seu carro de bom grado para que o estranho entrasse. O curioso é que aquele cidadão entrou sem dizer uma só palavra. O jornalista, acostumado com todo o tipo de pessoas, procurou desenvolver uma conversa com aquela estranha criatura. Falou do tempo, que era primavera, falou de política, de futebol e de religião, mas o homem permaneceu quieto sem nada responder. Seria mudo este homem, pensou o jornalista? A verdade é que a situação ficou tensa e se agravou ainda mais quando o ‘carona’ sacou de uma faquinha afiada e pontuda. Logo a seguir, sacou, também, de dentro da camisa, uma varinha, começando a golpeá-la com a faca. O sujeito parecia hábil no manuseio da faquinha e, logo, tinha nas mãos uma vara artisticamente trabalhada. Fez, então, menção para descer e o jornalista rapidamente parou o carro, dando oportunidade para o estranho evadir-se, o que ele fez sem sequer agradecer.

Aliviado, o jornalista foi fazer sua reportagem e, dias mais tarde, voltando pelo mesmo caminho, ele viu um aglomerado de pessoas e, como bom jornalista, procurou saber do que se tratava. Depara-se, então, com um grupo horrorizado, diante de um casal (da mercearia), recentemente assaltado e morto à punhaladas. Ninguém sabia nada sobre o crime. A única pista que encontraram, entre os mortos, foi uma varinha talhada à mão, que nada significava para eles.

O jornalista teve um calafrio ao reconhecer aquela varinha, lembrando-se do sujeito que a talhou na sua frente. Procurou a polícia, contou tudo o que sabia e logo encontraram o suposto criminoso. Instaurou-se o tribunal, onde aquele homem começa a defender-se com calma e maestria, respondendo tranquilamente a todas as perguntas. O juiz, os jurados e, mesmo o promotor público, já estavam acreditando na sua inocência, quando, pela sala do júri entra o jornalista, trazendo a varinha oculta em suas mãos. Foi parar na frente do réu e colocou-lhe a varinha diante dos olhos. Aquele homem, que estava tão seguro, muda de cor, começa a suar e a tremer e, naquele momento, todos perceberam que ele era o assassino. Aquele homem, naquele momento, encontrou-se com o seu pecado, conforme Números 32: 23:

Porém, se não fizerdes assim, eis que pecastes contra o Senhor e sabei que o vosso pecado vos há de achar”.
Por mais que sabiamente consigamos encobrir o nosso pecado, mais cedo ou mais tarde ele aparecerá.  A passagem registrada no Salmo 44: 21 contém uma solene advertência para todos nós:

Porventura, não o teria atinado Deus, Ele que conhece os segredos dos corações”?
               
                                      3.2 – A realidade do juízo
O juízo de Deus é algo extremamente real e decisivo para nossas almas. Apesar de não pensarmos muito nele, é o ponto central no processo de nossa salvação eterna.
Vamos imaginar um quadro vivo para trazê-lo para o contexto de nossas próprias vidas. Vamos supor a estória de um casal, habitando em um bairro nobre da cidade. Este casal hipotético tem duas filhas adolescentes. Aos sábados pela manhã, os quatro tomam o seu bonito carro importado e dirigem-se para a Igreja Remanescente do bairro. Nela, aquela família é bem conhecida e estimada. A mãe e as duas filhas tinham sido recentemente batizadas. Só o pai que, apesar de ser um moço muito elogiado por todos e até citado como exemplo, pelo pastor, não havia se decidido, ainda, pelo batismo. Mas, apesar de não ser batizado, frequentava, sempre, os cultos de sábado, e, às vezes, era encontrado na igreja aos domingos e, mesmo às quartas feiras. Dava o dízimo, fazia trabalho missionário e, de vez em quando, passava a lição na escola sabatina. Era uma bela criatura, porém não se decidia pelo batismo. Por que será que ele não se batizava? Será que ele bebia, fumava ou usava drogas? Nem pensar! Era atlético, muito simpático e gozava de boa saúde. Mas, apesar dos apelos, ele não se batizava. Postergava sempre a sua decisão, dizendo que havia tempo.

Aos sábados à tarde, ele apanhava seu bonito carro esporte e ia sozinho, entregar folhetos do outro lado da cidade. Ali, após o trabalho missionário, ao por do sol, encontrava-se, clandestinamente, com uma jovem mulher.

Lembremo-nos de que este não é um caso verdadeiro. Somente estamos nos servindo dele como ilustração.

Após seu encontro, no início da noite de sábado, voltava para casa, seguindo o curso normal de sua vida. Ninguém sabia de nada. Mas, por causa deste ilegítimo compromisso, ele adiava, indefinidamente, a hora de seu batismo. Sabia que precisava mudar sua vida, tinha mesmo urgência para fazê-lo, contudo, ia contemporizando com o seu problema.

Certo dia, voltando do trabalho e já bem próximo de casa, ocorre um trágico imprevisto. O carro dirigido por nosso jovem colide com um taxi que cruza o seu caminho em alta velocidade.

O jovem, atingido na cabeça, falece a caminho do hospital. Ninguém queria acreditar, apesar destas coisas acontecerem a todo instante. Todos ficaram atônitos, mas a verdade era uma só: o jovem estava morto!

E agora, será que ele poderia se corrigir? Vamos ler Eclesiastes 9: 5 e 10:

“Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque sua memória jaz no esquecimento... Tudo o que te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obras, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma”.

Não devemos deixar nossas correções para depois porque o depois pode ser tarde demais! Será que o caso de nosso jovem estaria encerrado? Não! Definitivamente! Vamos ao livro de hebreus 9: 27:

“E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo”.

O juízo vem após a morte porque este é o momento certo, quando já não mais ocorrem conversões. Observemos que o texto elimina, também, a possibilidade de reencarnações. E, em II Coríntios 5: 10, o apóstolo Paulo enfatiza:

“Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou mal que tiver feito por meio do corpo”.

Mas como o nosso jovem compareceria neste tribunal, se ele já estava morto e sepultado? Daniel 7: 9-10 nos ajuda a entender:

“Continuei olhando, até que foram postos uns tronos e o Ancião de dias (Deus, o Pai) se assentou; Sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a pura lã; o Seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente. Um rio de fogo manava e saía de diante dEle; milhares de milhares O serviam, e miríades de miríades estavam diante dEle; assentou-se o tribunal e abriram-se os livros”.
O texto nos informa que seremos julgados, não de corpo presente, mas pelas anotações que se encontram nos nossos livros, no santuário celestial. Quantos livros? São muitos. Vamos agora mencionar apenas quatro:
1)           O livro da vida. Todos os nomes dos que professam fé em Jesus Cristo estão inscritos no livro da vida:

 O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do livro da vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de Meu Pai e diante de Seus anjos”. Apocalipse 3: 5.

Devemos orar para que Deus não risque o nosso nome de lá, pois a possibilidade existe:

“Então disse o Senhor a Moisés: Riscarei do meu livro todo aquele que pecar contra mim”. Êxodo 32: 33.


2)                          O livro memorial. Em Malaquias 3: 16-17 encontramos:

“Então, os que temiam ao Senhor falavam uns aos outros; o Senhor atentava e ouvia; havia um memorial escrito diante dEle para os que temem ao Senhor e para os que se lembram do Seu nome. Eles serão para Mim particular tesouro, naquele dia que preparei, diz o Senhor dos Exércitos; poupá-los-ei como um homem poupa seu filho que o serve”.
No Espírito de Profecia, relacionado com este memorial, lemos: “Suas palavras de fé, seus atos de amor, acham-se registrados no céu. Neemias a isto se refere quando diz: ‘Deus meu, lembra-Te de mim; e não apagues as beneficências que eu fiz à casa de meu Deus’”. Neemias 13: 14. “No livro memorial de Deus toda ação de justiça se acha imortalizada. Ali, toda tentação resistida, todo o mal vencido, toda palavra de terna compaixão que se proferir, acham-se fielmente historiados”. (6)
3) Contas-correntes do Céu – “Vários livros achavam-se diante dEle, e na capa de cada um estava escrito em letras de ouro, que pareciam como chama ardente: Contas-correntes do céu.(7).
 Neles estão registrados, com infalível precisão, todos os pecados não confessados e não abandonados. Salomão, a ele se refere, dizendo:

Deus há de trazer a juízo toda obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom quer seja mau.” Eclesiastes 12: 14. Em Mateus 12: 36, disse Jesus:“De toda a palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do juízo”.

Se, todavia nos arrependermos e confessarmos e convertermo-nos, no dia do juízo, nossos pecados serão apagados e jogados nas profundezas do mar. Caso contrário, estes pecados permanecerão no livro Contas-correntes do Céu, para um juízo posterior, durante o milênio, quando será estabelecida a sentença final para o ímpio.

4) O livro da morte – Se formos julgados e condenados, nossas boas obras serão apagadas do memorial de Deus, nosso nome será riscado do livro da vida e colocado, definitivamente, no livro da morte. Pela profecia de Daniel 8: 14 nos apercebemos de que este julgamento começou em 1844.

“Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs, e o santuário será purificado”, o que é confirmado no livro O Grande Conflito – ‘Acontecimentos que mudarão o seu futuro’, páginas 272/279, o qual acrescenta que este juízo começou pelos mortos, devendo passar, finalmente, ao caso dos vivos.

                                               3.3 – O juízo em ação
Agora vamos imaginar este tribunal em pleno funcionamento. Qual foi o primeiro homem a comparecer neste tribunal? Com certeza foi Abel, o primeiro morto. E, em Gênesis 4: 4 lemos:

“Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta”.

Com certeza Jesus estava ali para interceder por ele, sendo confirmado o nome de Abel no livro da vida e seus pecados apagados do ‘Contas-correntes do Céu’.

Em Gênesis 4: 5, por outro lado, lemos:
“Ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou o Senhor. Irou-se, pois, sobremaneira Caim, e descai-lhe o semblante”.
As Escrituras relatam a triste história de Caim. Ele matou o seu irmão! Certamente, no tribunal de Deus, estava tudo contra ele, ninguém apareceu para defendê-lo, seu nome com certeza, foi apagado do livro da vida e escrito no livro da morte.
Fica para a nós a importante advertência encontrada em Genesis 4: 7:

“Se procederem bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta, o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”.

Dessa forma vai se processando este fantástico tribunal até que aparece o caso de nosso jovem nas cortes celestiais. O Senhor Deus, o Pai, não julga, mas preside todo o julgamento. Olha o memorial daquele jovem e percebe que ele conhecia toda a verdade, participava dos cultos de adoração, dava os dízimos, fazia trabalho missionário, mas, apesar de ser um jovem promissor, o seu caso estava muito complicado. No livro Contas Correntes do céu, além de outros pecados menores, constava o seu romance ilegal. Deus, então, perguntou ao Senhor Jesus Cristo porque ele não havia se apresentado para defendê-lo. E, também, porque a situação daquele jovem estava assim tão ruim? Jesus diz: Meu Pai, eu morri por ele e mostra as Suas mãos marcadas pelos cravos. Enviei, também, o Espírito Santo, para convencê-lo do pecado, da justiça provida na cruz para o seu pecado, e, também, deste juízo. Ele, porém, não quis beneficiar-se de Meu sangue, alegando, simplesmente, que havia tempo. Que mais eu poderia fazer? Deus, então, pergunta ao Espírito Santo: Porque o jovem não se arrependeu? O Espírito Santo responde que fizera tudo ao Seu alcance, usando, insistentemente o pastor, os anciãos da igreja, a esposa e os amigos para convencê-lo a mudar de vida; inspirava os sermões; quando ele andava sozinho, muitas vezes insistia com ele para que se batizasse e mudasse de vida, mas ele não chegou a tomar a decisão. Que mais eu poderia fazer? O Senhor Deus, com dor no coração, mandou apagar o nome daquele jovem do livro da vida e escrevê-lo no livro da morte. Apesar de conhecer toda a verdade e de cruzar muitas e muitas vezes os átrios da igreja, aquele jovem estava perdido para sempre!

“Porém, se não fizerdes assim, eis que pecastes contra o Senhor; e sabei que o vosso pecado vos há de achar”... “Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta, o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”.

Estaria encerrada, a nossa história? De forma alguma! A esposa do jovem continuou frequentando a igreja e manteve-se fiel até à morte. Depois de muitos anos ela morre na doce expectativa de encontrar-se com o seu amado na manhã gloriosa da ressurreição. Ela é sepultada ao lado do esposo e, também passa pelo tribunal de Deus. Seu nome é confirmado no livro da vida e seus pecados são apagados do livro Contas Correntes do céu. E, naquele cemitério permanecem as duas silenciosas sepulturas, uma ao lado da outra. Suas filhas continuaram firmes na igreja, como verdadeiros baluartes da causa de Deus, até a manhã da ressurreição. Foram julgadas no juízo dos vivos e aprovadas. Diz-nos o apóstolo Paulo em I Tessalonicenses 4: 13-16:

“Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança. Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim, também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem. Ora, ainda vos declaramos, por palavras do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro”.

 No glorioso dia da ressurreição, entre relâmpagos e clarinadas; entre trovões e terremotos, ao som da última trombeta, uma daquelas sepulturas se abrirá. Nesse dia, aguardado por todos os séculos, aquela mãe piedosa saiu gloriosamente transformada e revestida da imortalidade. Viu Jesus nos ares com milhões de anjos que se movimentavam em todas as direções. Encontrou as suas duas filhas, agora transformadas, conforme lemos em I Coríntios 15: 50-55:

“Isto afirmo, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar d’olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E quando este corpo corruptível se revestir da incorruptibilidade e o que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão”?

As três se abraçaram e se confraternizaram gloriosamente numa alegria indescritível. Lembraram-se, todavia, de seu esposo e pai. Estavam certas de encontrá-lo, porém viram a sua sepultura fechada. Perceberam, então, que ele não foi aprovado no tribunal de Deus e que por certo Jesus irá explicar-lhes todos os detalhes durante o milênio. O que se passará com elas neste momento? Não o sabemos, mas uma coisa é certa: se houver uma nuvem de tristeza, essa será, com certeza, grandemente compensada pela esfuziante felicidade daquele momento. Possivelmente aqui também se aplique o conteúdo do verso de Apocalipse 21: 4, apesar de ser mais específico para depois do milênio:

“E lhes enxugará dos olhos toda a lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram”.

Elas seguiram para as cortes celestiais, na companhia dos remidos de todos os tempos, com os anjos e com o Cordeiro de Deus. Diz o apóstolo Paulo que “não subiu ao coração humano tudo o que Deus tem preparado para os que o amam”.

Estaria encerrada aqui a nossa história? Ainda não! Elas participarão da ceia do Cordeiro e do juízo dos perdidos. Compreenderão porque o seu amado esposo e pai fora reprovado no juízo investigativo. Mil anos após, retornarão à Terra renovada, com a Nova Jerusalém e com Cristo, conforme lemos em Apocalipse 21: 1-3:

“Vi novo céu e nova Terra, pois o primeiro céu e a primeira Terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então vi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles”.

Ao baixar a cidade ocorreu o que encontramos em Apocalipse 20: 5-7:

“Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com Ele os mil anos. Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto de sua prisão”.

A soltura (circunstancial) de Satanás, nessa ocasião, após o milênio no céu, representa a segunda ressurreição, dos perdidos. Continuemos imaginando nossa história: entre trovões, relâmpagos e terremotos, o nosso jovem, aturdido, participa dessa ressurreição. Ele conhecia esse assunto muito bem. Acreditava nisso, na sonhada ressurreição dos mortos. Olha para o alto e, contudo, não vê Jesus nos ares, como aprendera em Mateus 24: 30-31:

“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da Terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória. E Ele enviará os Seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os Seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus”.

O jovem olha para o lado e vê a sepultura de sua esposa que fora aberta há muitíssimos anos. Vê rostos desfigurados pelo pecado, por todos os lados e dá-se conta tratar-se da segunda ressurreição e se abate profundamente. Que não seja esta a nossa sorte! Reconhece, então, amargamente, o seu erro e vê-se inexoravelmente perdido, não por falta de misericórdia de Deus, mas por causa da sua própria negligência! Satanás passa então a comandar os rebeldes para tomar de assalto a nova Jerusalém:

“E sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da Terra, Gogue e Magogue (os maus recém ressuscitados), a fim de reuni-los para a peleja. O número desses é como a areia do mar. Marcharam então pela superfície da Terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo dos céus e os consumiu”. Apocalipse 20: 8-9.

Ainda estamos aqui e podemos fazer a nossa escolha, tomar a nossa decisão. Que todos nós possamos ser renovados nesta ocasião e fazer nossa a doxologia (glorificação a Deus por meio de cânticos ou preces) de Judas 24 e 25:

“Ora, aquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da Sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém”.

Cap. 4 – A Segunda Vinda de Jesus
4.1 Antecedentes
    Todas as doutrinas originadas da obra de Jesus no Santíssimo apontam para a Sua segunda vinda, ao final do juízo investigativo. Quais acordes de suave melodia elas tocam o coração do remanescente atento.

As palavras de Jesus, citadas em João 14: 2-3: “Vou preparar-vos lugar... e vos receberei para Mim mesmo, para que onde Eu estou estejais vós também”, soam maravilhosamente aos seus ouvidos.   

Isto acontece porque ele já entra na igreja “aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a Si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda a iniquidade e purificar, para Si mesmo, um povo exclusivamente Seu, zeloso de boas obras”. Tito 2: 13-14.

Quando, no Monte das Oliveiras, os discípulos perguntaram a Jesus:

“Dize-nos quando sucederão estas coisas (destruição do templo e de Jerusalém, citados nos dois primeiros versos de Mateus 24) e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século”? Citado no final de Mateus 24: 3, a resposta de Jesus lhe interessa de forma particular.

Vamos examinar a resposta de Jesus à primeira pergunta, a qual foi relacionada com três cercos sobre Jerusalém. Os dois primeiros cercos foram aludidos em Lucas 21: 20-24:

“Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação. Então os que estiverem na Judéia fujam para os montes; os que se encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos não entrem nela. Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito. Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande aflição na terra e ira contra este povo. Cairão ao fio da espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles”.

No ano 66 DC esta profecia começou a ter seu cumprimento, quando Céstio Gaio sitiou Jerusalém pela primeira vez. Todos os cristãos compreenderam que aquela era a hora de fugir; surgiram, no entanto, algumas dificuldades: os portões estavam fechados, o exército romano cercava a cidade e os líderes judeus impediram qualquer movimento dos judeus cristãos. Porém nada podia impedir o total cumprimento profético porque no livro de Isaías 46: 9-10 lemos:

“Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que Eu sou Deus, e não há outro, Eu sou Deus e não há outro semelhante a Mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o Meu conselho permanecerá de pé, farei toda a Minha vontade”.
               
Na sua onisciência Deus sabe o que vai ocorrer não só na Terra como em todo o Universo. E assim, sem que houvesse um motivo imperioso Céstio resolveu abandonar o cerco e voltar para Roma. Isto só se explica pela infalível revelação de Deus: ‘Farei toda a Minha vontade’! Naquela ocasião os judeus saíram atrás dos romanos e os três impedimentos para a fuga desapareceram. Os filhos de Deus fugiram para a região montanhosa da Pereia, onde fundaram a primeira cidade cristã, chamada Péla.
               
E, no ano 70 DC o General Vespasiano cercou Jerusalém pela segunda vez. Ele também precisou voltar para Roma, durante o cerco, para assumir o império. Deixou, contudo, seu sobrinho Tito, que também veio a ser imperador, no comando do cerco. Este conseguiu abrir uma brecha no muro, originando uma monstruosa carnificina. Aquele banho de sangue, que levou a morte cerca de um milhão de judeus, parecia um eco das palavras ditas por eles há 39 anos, por ocasião da crucifixão de Cristo:

 “Caia sobre nós o Seu sangue e sobre nossos filhos”. Mateus 27: 25.
   
                O General Tito ainda tentou impedir a profética destruição do templo, embelezado sobremaneira por Otávio, o imperador César Augusto, mas não teve jeito. Um fato que merece a moldura do destaque, na destruição do edifício sagrado foi que o calor intenso de mais de 1000°C rachou as paredes de mármore que tinha artísticos desenhos em ouro reluzente. O ouro, então, começou a escorrer para dentro das brechas das colunas e paredes. Tito mandou desmanchar tudo para desentranhá-lo. De fato não ficou pedra sobre pedra, conforme profetizara Jesus, na Sua última saída do templo de Jerusalém:

“... quando se aproximaram dEle os Seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo. Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada”. Mateus 24: 1-2.

Anos mais tarde o imperador Juliano, precisando fazer média com os judeus, garantiu que reedificaria o templo.  Os judeus fizeram tudo para ajudar, mas saia um calor intenso das fundações e eles não conseguiram dar prosseguimento às obras até que Juliano, numa guerra, foi atravessado por uma lança, dizendo, antes de morrer, a célebre frase: venceste Galileu!
               
4.2 – O princípio das dores
Trataremos agora da resposta de Jesus à segunda parte da pergunta formulada pelos Seus discípulos, no Monte das Oliveiras:

“... que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século”?

Esta indagação foi totalmente respondida em Mateus 24: 4-31.

Para tanto, Jesus dividiu estes sinais em dois grupos: quanto aos primeiros sinais, foram chamados por Ele de o princípio das dores, no verso oito. As referências às dores de parto deslocam o foco dos sinais, das dores propriamente ditas para a intensificação de sua frequência. Neste sentido, não são as dores os sinais, mas a frequência de sua ocorrência. Quando as dores de parto se intensificam significam que o bebê está prestes a nascer. Assim, os sinais citados por Cristo sempre ocorreram, mas a frequência não é mais a mesma. A sua intensificação é que nos diz que um novo mundo está para nascer. Então Jesus começa, dizendo aos discípulos o que encontramos em Mateus 24: 5:

“E Ele lhes respondeu: vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo e enganarão a muitos”.

Dando cumprimento a esta profecia temos visto surgir muitos falsos profetas pelo mundo. Só nos últimos dez anos (2001-2011), mil e novecentas pessoas se declararam, segundo a Internet, ser uma reencarnação de Cristo. Alguns destes têm alcançado milhões de seguidores. No Brasil, talvez o mais conhecido seja o INRI Cristo.
   
Outro sinal anunciado por Jesus encontra-se em Mateus 24: 6:

“E certamente ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim”.

Aqui, também, guerras sempre existiram, mas não com a mesma intensidade dos últimos anos. No Século XX foram registradas duas grandes guerras mundiais, com cerca de cem milhões de mortos. Após a segunda Guerra Mundial começaram os rumores de guerras entre os Estados Unidos da América e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Tais rumores foram chamados de guerra fria. Hoje, após a queda do bloco socialista, apesar de estarmos vivendo no período em que se fala de paz e segurança, a mídia mostra que 28 conflitos estão em andamento e mais de cem escaramuças sangrentas ocorrem por dia! (9). Este estado beligerante crescente vem preocupando tanto a Organização das Nações Unidas, que ela tem se orientado para a consolidação de uma Nova Ordem Mundial a fim de evitar o terrorismo internacional e assegurar a paz para à humanidade. A proposta da ONU busca inutilmente evitar o que foi profetizado na primeira parte de Mateus 24:7:

“Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares”.

Quanto ao problema da fome, já temos, atualmente, mais de um bilhão de pessoas no mundo que apresentam uma desnutrição crônica. Parte deste problema é remanescente da exploração das nações mais pobres pelas mais ricas. Hoje, com a erradicação do colonialismo, persistem, ainda, a fome e a pobreza; uma em cada cinco pessoas devem morrer, por falta de comida nos próximos dois anos. Até as nações ‘ditas’ desenvolvidas estão entrando em colapso. É notória a movimentação destas nações em busca de despojos, agora no Oriente Médio e Norte da África. Felizmente os anjos estão ainda segurando os quatro ventos da destruição (Apocalipse 7: 1-3). Contudo, será ainda no contexto desta última crise mundial que Cristo se manifestará.

A escalada dos terremotos tem sido vertiginosa, tanto em número como em perdas de vidas humanas. Antes não chegava a ocorrer um terremoto por século. Hoje a situação mudou: temos mais de um milhão de terremotos registrados por ano. Só nos últimos dez anos ocorreram mais terremotos do que a soma dos ocorridos em todos os tempos. Nos últimos sete anos ocorreram mais de 380 terremotos acima de 8 graus na escala Richter. O terremoto de Sumatra, em 2004, acusou 9,3 graus nesta escala e foi o único a ser medido em todos os sismógrafos do mundo. Os terremotos do Chile e os da Ásia, com tsunamis, abalaram o eixo da Terra, interferindo até na migração das aves.
Cumpre-se cabalmente o que falou a respeito disso, o profeta Isaías, no capítulo vinte e quatro, versos quatro e cinco do seu livro:

“A terra pranteia e se murcha; o mundo enfraquece e se murcha; enlanguescem os mais altos do povo da terra. Na verdade a terra está contaminada por causa de seus moradores, porquanto transgridem as leis, violam os estatutos e quebram a aliança eterna”.

“Porém tudo isso é ainda o princípio das dores”, citou Jesus, em Mateus 24: 8, passando a discorrer então sobre os eventos que deverão ocorrerão na parte final, os quais serão ainda mais terríveis:

                                     4.3 – Os últimos sinais
 Quando sair o Decreto Dominical, os remanescentes guardadores do sábado serão fortemente perseguidos, a exemplo do que aconteceu na Idade Média:

“Então sereis atribulados e vos matarão. Sereis odiados de todas as nações, por causa de Meu nome”. Mateus 24: 9. Este verso vai de par com Mateus 10: 17-22:

“E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas; por Minha causa sereis levados à presença de governadores e de reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios. E, quando vos entregarem, não cuideis em como ou o que haveis de falar, porque, naquela hora, vos será concedido o que haveis de dizer, visto que não sois vós os que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós. Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e os matarão. Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo”. Mateus 10: 17-22:

Em Mateus 24: 10 Jesus acrescenta que:

“Neste tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros”.

Os remanescentes nominais cederão às exigências para a transgressão do sábado; o ódio deles contra os fiéis será devido à determinação destes em vencer, com base em sua inquebrantável fé, a fé de Jesus.

Ainda em Mateus 24: 11-13, lemos:

“Levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos... E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo!”.

A obra destes falsos profetas e falsos mestres vem trazendo o esfriamento da fé para muitos corações. Pedro, em sua segunda carta, versículos de um a três, dá mais informações, inclusive quanto aos resultados para o futuro destes charlatões:

 “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas , e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e sua destruição não dorme”

A televisão, na atualidade, está congestionada destes falsos líderes que se dizem apóstolos, profetas e mestres. Com certeza trata-se apenas da ponta do iceberg. Contudo, apesar deste estratagema maligno, diz Jesus em Mateus 24: 14 que:

“Será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim”.
   
Este fim virá cercado de eventos sobrenaturais que chamarão a atenção dos enganados, conforme vimos na descrição das trombetas no desenvolvimento do Tema I. Em Mateus 24: 15-18 Jesus segue com o Seu discurso, anunciando uma terceira fuga:

“Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda), então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes; quem estiver sobre o eirado, não desça a tirar de casa alguma coisa; e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa”.
                                                                                                                                                
As palavras quando, pois, neste contexto específico, situa este evento no fim dos dias citado no verso anterior e dizem respeito, especificamente, aos poucos judeus cristãos que vivem hoje em Jerusalém.

A palavra abominável faz alusão ao príncipe romano que foi referido por Daniel, no texto abaixo:

“Depois das sessenta e duas semanas será morto o Ungido, e já não estará; e o povo de um príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas. Ele (o príncipe romano) fará firme aliança com muitos por uma semana; na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares (Decreto Dominical); sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele”.  Daniel 9: 26-27.

A palavra desolação bem como o termo lugar santo (Jerusalém, para os judeus), mencionados por Cristo, também foram referidos por Daniel.

Apesar do verso 26 fazer alusão específica a Tito que destruiu Jerusalém e o templo no ano 70, ele se relaciona intimamente com o verso 27 que pode ser deslocado para o fim do tempo, quando passará então a tratar do papado que verá seu fim chegar de forma abrupta como num dilúvio.

Esta passagem de Daniel nove, predita seiscentos anos antes de Cristo, foi aludida por Ele acompanhada de uma ênfase especial ao seu necessário entendimento: Quem lê entenda.  

Para mais detalhes ver a sessão 1.2.5, na Parte I.
Cristo, em Mateus 24: 19-20, continua sua impressionante profecia do final dos tempos:

“Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno nem no sábado”.

Esta é mais uma alusão à futura crise em Jerusalém, que virá após a manifestação da abominação desoladora, também citada em Daniel 12: 11:

“Depois do tempo em que o costumado sacrifício for tirado, e posta a abominação desoladora, haverá ainda mil duzentos e noventa dias”.

Este verso também foi discutido no final da Parte I. Como as circunstâncias são semelhantes àquelas que ocorreram no ano setenta, é natural que advertências também o sejam. A diferença é que no caso presente, Jerusalém será poupada pela intervenção divina. A citação do sábado é oportuna porque será a observância do mesmo pelos judeus em Israel que trará o Decreto Dominical e a invasão da cidade santa, trazendo o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel.
               
Em Mateus 24: 21 seguem as palavras de Jesus:

“Porque neste tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido nem haverá jamais”.

Por ocasião da invasão final de Jerusalém pelas tropas ocidentais, próximo à segunda vinda, virá a pior de todas as tribulações. Esta terrível pressão sobre os remanescentes de Israel, também foram aludidas em Daniel 11: 44 e 12: 1, que acrescenta o livramento da cidade e do seu povo nos seguintes termos:

”Mas pelos rumores do oriente e do norte (o rei do Norte ou o papado citado anteriormente) será perturbado, e sairá com grande furor, para destruir e exterminar a muitos...” “Nesse tempo se levantará Miguel, o grande Príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e haverá tempo de angústia qual nunca houve desde que houve nação até aquele tempo; mas naquele tempo será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro”.

Apesar de específicos para o povo de Daniel, estes versos fazem também alusão à pregação intensiva da volta de Jesus, pela Igreja Remanescente. Trata-se do alto clamor do Terceiro Anjo, que contará com o reforço especial vindo de Sião. Este fato será interpretado como os rumores do oriente e do norte, de onde vem Jesus com os seus anjos. O papado tentará abafar o movimento, destruindo muitos fiéis, não só em Jerusalém como em todo o mundo. Após cerca de dois anos e meio de feroz perseguição, a porta da graça se fechará, quando Cristo se levantará do tribunal dos vivos. E então não haverá mais morte de cristãos, cujo testemunho despertou muitos que se encontravam em Babilônia para o selamento eterno. Deus então passará a preservá-los, inclusive por meio das sete últimas pragas que deverão ocorrer durante o último ano da Terra.

Em Mateus 24: 22 lemos da gravidade e do abreviamento deste tempo:

“Não tivessem aqueles dias sido abreviados, e ninguém seria salvo; mas por causa dos escolhidos tais dias serão abreviados”.

Em Mateus 24: 23-28 Jesus segue alertando seus filhos para os perigos dos últimos dias:

“Então se alguém vos disser: eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! não acrediteis; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando falsos sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. Vede que vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto! Não saiais: Ei-lo no interior da casa! Não acrediteis. Porque assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do homem. Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres”.

Os charlatões manifestados já desde o princípio das dores se multiplicarão e farão maravilhas de inspiração diabólica, principalmente muitas curas. Satanás simulará a segunda vinda de Cristo, mas sem sucesso.

 Outros três fenômenos são citados em Mateus 24: 29:

“Logo em seguida a tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes do céu serão abalados”.

Estes fenômenos ditos acima receberam uma aplicação simbólica no contexto do sexto selo, o que foi historicamente comprovado: em 25 de maio de 1780 ocorreu o escurecimento do sol; um negrume tal que não se podia ver uma folha branca a um palmo dos olhos, às onze horas da manhã. O inusitado foi que o sol fazia com a lua um ângulo de 180 graus, descartando-se toda hipótese para um eclipse. E, naquela mesma noite a lua apareceu como uma bola de sangue, sem poder para dar a sua claridade. Anos mais tarde, em 13 de novembro de 1833 caem 200.000 meteoritos por hora, durante seis horas na madrugada de uma vasta região também dos Estados Unidos, e sem uma explicação científica confiável.

Além desta aplicação simbólica que não podemos questionar, este verso pode ter uma segunda aplicação, colocando-se a ocorrência do sexto selo em sincronização com a sétima praga e com a sétima trombeta, ainda no futuro. Neste caso ele passa a se relacionar diretamente com o acontecimento da mais alta relevância: a Volta de Cristo, descrita a seguir em Mateus 24: 30-31:

“Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; pois todos os povos da Terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. E Ele enviará os Seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os Seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus”.

Sim, Cristo não virá sozinho:

“Quando vier o Filho do Homem na Sua majestade e todos os anjos com Ele, então se assentará no trono da Sua glória”. Mateus 25: 31.

Esta mensagem é reprisada por Lucas, no capítulo vinte e um e no versículo vinte e sete:“Então se verá o Filho do homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória”.

Paulo, em I Tessalonicenses 4: 16-17, refere-se a este evento, nos seguintes termos:

 “Porquanto o Senhor mesmo, dada a Sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor”.

E em I Coríntios 15: 50-55, o mesmo apóstolo complementa: “Isto afirmo, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. Eis que vos digo um mistério: Nem todos dormiremos mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar d’olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E quando este corpo corruptível se revestir da incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória! Onde está, ó morte a tua vitória? Onde está, ó morte o teu aguilhão? 

Em Amós 4: 12 o profeta deixa-nos o seu contundente apelo:

“Portanto, assim te farei, ó Israel! E, porque isto te farei, prepara-te ó Israel, para te encontrares com o teu Deus”.
Cap. 5 - A doutrina do milênio
               
                                               5.1 - Antecedentes
O Milênio bíblico – referido em Apocalipse 20 segue-se à segunda vinda de Jesus (Apocalipse 19), e está articulado com a purificação do Santuário celestial, tipificada pelo ‘dia do juízo’, em Israel.

A conexão é a seguinte: depois dos pecados confessados sobre os animais oferecidos em holocausto contaminarem o santuário durante o ano inteiro, havia a cerimônia da purificação, conforme a orientação de Levítico 16: 16:

Assim fará expiação pelo santuário por causa das impurezas dos filhos de Israel, e das suas transgressões, e de todos os seus pecados. Da mesma sorte, fará pela tenda da congregação, que está com eles no meio das suas impurezas”.

O fato de que este cerimonial não passava de uma lição ilustrada da realidade celestial, a qual não podemos ver é o que Paulo nos explica em Hebreus 9: 11, 12, 23 e 24:
   
“Quando, porém, veio Cristo como Sumo Sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e o mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo Seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção... Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que se acham nos céus se purificassem com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios a eles superiores. Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus”.

Para realizar a transferência simbólica dos pecados que contaminavam o santuário terrestre, o sumo sacerdote orava sobre a cabeça de um bode, chamado emissário, de acordo com a orientação de Moisés em Levítico 16: 19-22:

“Do sangue aspergirá, com o dedo, sete vezes sobre o altar, e o purificará, e o santificará das impurezas dos filhos de Israel. Havendo, pois, acabado de fazer expiação pelo santuário, pela tenda da congregação e pelo altar, então fará chegar o bode vivo. Arão porá ambas as mãos sobre a cabeça do bode vivo e sobre ele confessará todas as iniquidades dos filhos de Israel, todas as suas transgressões e todos os seus pecados; e o porá sobre a cabeça do bode e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem à disposição para isso”.
               
Este bode não tinha poder de salvação porque o seu sangue não era derramado. Ele representava Satanás, o grande tentador, que induzira o povo de Deus ao pecado. Ele era levado ao deserto, carregando simbolicamente todos os pecados do povo de Deus; e lá deveria permanecer até a sua morte. Sobre este assunto, diz o Espírito de Profecia:

“Ao passo que a oferta pelo pecado apontava para Cristo como um sacrifício, e o sumo sacerdote representava Cristo como mediador, o bode emissário tipificava Satanás, autor do pecado, sobre quem os pecados dos verdadeiros penitentes serão finalmente colocados. Quando o sumo sacerdote, por virtude do sangue da oferta pela transgressão, removia do santuário os pecados, colocava-os sobre o bode emissário. Quando Cristo, pelo mérito de seu próprio sangue, remover do santuário celestial os pecados de Seu povo, ao encerrar-se o Seu ministério, Ele os colocará sobre Satanás, que, na execução do juízo, deverá arrostar a pena final. O bode emissário era enviado para uma terra não habitada, para nunca mais voltar para a congregação de Israel. Assim será Satanás para sempre banido da presença de Deus e de Seu povo, e eliminado da existência na destruição final dos pecados e dos pecadores”. (10)
               
Com estes antecedentes em mente, entendendo que assim como o deserto estava para o bode, esta Terra vazia estará para Satanás, comecemos o estudo do capítulo vinte do Apocalipse, que trata exclusivamente do Milênio:

                   5.2 – Acontecimentos ligados com o início do milênio

Então vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente”. Apocalipse 20: 1

As palavras: então vi situam o milênio no tempo, uma vez que elas seguem-se aos eventos salientados no capítulo dezenove, quando Cristo retorna como Rei dos reis e Senhor dos senhores, conforme os versículos de onze a dezesseis. O anjo descendo com a chave na mão significa que o céu tem total controle sobre os eventos, isto é, que o dragão não poderá evitar de ser lançado no abismo, registrado nos versos dois e três. Como Satanás é um ente espiritual, a corrente é apenas um símbolo de sua prisão.
      
Em Apocalipse 20: 2-3, portanto, lemos:

“Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o, e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos. Depois disso é necessário que ele seja solto por pouco tempo”.
                Satanás é tratado aqui como um perigoso bandido, devendo aguardar encarcerado, o momento da sua execução. A prisão é simbolizada pelo abismo caótico em que se tornará a Terra, após as sete últimas pragas: disforme, vazia e sem luz, como no princípio da criação:
               
“No princípio, criou Deus os céus e a Terra. A Terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo...”. (Gênesis 1: 1-2).

O esvaziamento da Terra trará o fim das atividades satânicas – sua prisão será circunstancial. Este fato é esclarecido pela afirmação que mostra o propósito do seu confinamento: ‘para que não mais enganasse as nações’. (Apocalipse 20:3).

Isto é uma consequência natural porque o Senhor Jesus, após o juízo, na Sua Segunda Vinda, realizará duas operações conjuntas:

a) recolherá os justos para o céu:

Porquanto o Senhor mesmo, dada a Sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor”. I Tessalonicenses 4: 16-17.
      
b) confinará Satanás na Terra desolada, uma vez que os ímpios, que restarem vivos, serão eliminados:

Os restantes foram mortos com a espada que saía da boca daquele que estava montado no cavalo. E todas as aves se fartaram de suas carnes”. Apocalipse 19: 21
                    
       Resumindo os acontecimentos ligados com o início do milênio, temos:
·         A volta de Jesus Cristo (Mateus 24: 30-31);
·         A morte dos ímpios (II Tess. 2: 8 e Apocalipse 19: 21);
·         A ressurreição dos justos (I Tess. 4: 16-17);
·         O arrebatamento dos justos (I Tess. 4: 16-17 e I Coríntios 15: 51);
·         A prisão circunstancial de Satanás (Apocalipse 20: 1-3).
   
                            5.3 – Acontecimentos durante o milênio

Estes acontecimentos terão lugar à partir de Apocalipse 20: 4:

            “Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar... e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos”.
   
Este texto apresenta positivamente o milênio no céu, conforme a promessa de Jesus em João 14: 1-3:

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, Eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E quando Eu for, e, vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para Mim mesmo, para que onde Eu estou, estejais vós também”.

Daniel, no seu tempo, profetizou assim: “Até que veio o Ancião de dias, e fez justiça aos santos do Altíssimo; e veio o tempo em que os santos possuíram o reino”. Daniel 7: 22. E, ainda no verso 27:

O reino e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu, serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; e o Seu reino será reino eterno; e todos os domínios O servirão e Lhe obedecerão”.

E, enquanto permanecerem no céu, pelo período de mil anos, conforme o enunciado de Apocalipse 21: 4, os santos participarão do julgamento dos ímpios, comprovando os fatos e estabelecendo as sentenças, conforme I Coríntios 6: 2-3:

“Ou não sabeis que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deverá ser julgado por vós, sois acaso indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos; quanto mais as coisas desta vida”?

O fato de reinarem com Cristo está de acordo com o texto da sétima trombeta que diz que o reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do Seu Cristo e que chegou o tempo de serem julgados os ímpios mortos. (Apocalipse 11: 15 e 18).
   
Como em Apocalipse 20: 5 encontramos: “O restante dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos, esta é a primeira ressurreição”, compreendemos que os ímpios mortos não serão ressuscitados quando da segunda vinda de Cristo, pois diz que eles não reviveram até que os mil anos se acabaram. Serão, contudo, julgados.
   
Já em Apocalipse 20: 6, o apóstolo João comenta:

Bem aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com Ele os mil anos”.

A segunda morte refere-se ao caso dos ímpios mortos que também ressuscitarão da primeira morte, só que mil anos mais tarde, na ressurreição do juízo:

“Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a Sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo”. João 5: 28-29.

Enquanto os justos sairão imortais de suas sepulturas, e a segunda morte não os atingirá, conforme I Cor. 15: 50-55, já transcrita no capítulo 4 deste estudo, os ímpios, por seu turno, serão ressuscitados para receberem a sua punição e terem uma morte eterna. Deus destruirá tanto os seus corpos como as suas almas, no inferno de fogo:

Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes Aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”. (Mateus 10: 28).
               
A segunda morte será, portanto, aquela que sobrevirá aos ímpios após a sua ressurreição, no término dos mil anos:

Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”. Apocalipse 21: 8.
               
              5.4 – Acontecimentos ligados ao final do milênio

Como vimos no início deste capítulo, o anjo prendeu Satanás durante mil anos e agora, em Apocalipse 20: 7 lemos sobre a sua soltura:

Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto de sua prisão”.
               
Aqui começam os fatos relacionados com o término do milênio. Satanás, após refletir sobre a culpa dos pecados por ele induzidos, durante mil anos (situação do bode emissário, no deserto, conforme o ritual do santuário), terá sua prisão relaxada porque a ressurreição dos ímpios fornecerá a ele material humano sobre quem exercer sua astúcia enganadora. Ele deverá estar livre para organizar os ímpios ressurretos. Certamente restará muito pouco tempo para ele fazer sua última manobra. Este será seu esforço final contra Deus antes da sua destruição:

                “e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da Terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-los para a peleja. O número desses é como a areia do mar”. Apocalipse 20: 8.

Os termos Gogue e Magogue se expandem agora para representar as hostes dos não salvos de todas as eras que ressuscitarão na segunda ressurreição. Seu número está além da conta. Este é o último conflito entre Deus e os que estão em rebelião contra Ele.
               
E o verso 9 de Apocalipse 20, continua:

Marcharam então pela superfície da Terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; Desceu, porém, fogo dos céus e os consumiu”.

O apóstolo São João, em Apocalipse 21: 2 vê a descida deste acampamento:

“E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido”.

Contemplando esta imponente cidade descendo do céu em toda a sua radiante glória, com seus muros de jaspe e suas ruas de ouro, além de tudo o que o olho mortal já contemplou, e estabelecendo-se no sítio da velha Jerusalém, a hoste dos ímpios recém ressurretos se espanta e, em consternação, busca fugir da cena, conforme o comentário do profeta Zacarias:

“Fugireis pelo vale dos Meus montes, porque o vale dos montes chegará até Azel; sim, fugireis como fugistes do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá; então virá o Senhor meu Deus, e todos os santos com Ele. Acontecerá naquele dia que não haverá luz, mas frio e gelo”.  Zacarias 14: 5-6.

Satanás, no entanto, enganosamente convencerá os ímpios a suporem que poderão tomar a cidade pela força, conforme vimos no verso nove de Apocalipse vinte. A cidade querida é a nova Jerusalém. O fato de ser circundada pelos ímpios mostra claramente que ela desceu, embora a descida real não seja descrita no capítulo 20. Vejamos mais outra vívida descrição de sua descida:

“Vi novo céu e nova Terra, pois o primeiro céu e a primeira Terra passaram, e o mar já não existe... Então, veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro; e me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha e me mostrou a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus”. Apocalipse 21: 1, 9 e 10
.              
Este é, sem dúvidas, o evento mais significativo do final de milênio: a descida de Cristo, dos santos e da santa cidade. A narrativa é breve, mas a sequência dos fatos é clara quando se examina o contexto inteiro. Os ímpios são então destruídos com fogo literal:

“O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos”. Apocalipse 20: 10

Este lago de fogo é a superfície da Terra convertida em um mar de chamas, que tanto consome os ímpios como purifica a Terra.

Os ímpios serão aniquilados; sofrerão a segunda morte, esta sim, para sempre. Não existe aqui vestígios de tormento sem fim, num inferno de fogo eterno, como reza a tradução do verso 10. É a alma do ímpio que perecerá. Em Apocalipse 20: 11 lemos:

Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta de cuja presença fugiram a Terra e o céu, e não se achou lugar para eles”.

Agora Cristo aparece de novo à vista de seus inimigos. Muito acima da cidade, sobre um fundamento de ouro polido, está um trono alto e sublime. Sobre este trono assenta-se o Filho de Deus, e em redor dEle estão os súditos de Seu reino. Os muros de Jerusalém serão transparentes.

Para os ímpios, fora da cidade, a situação é crítica:

“Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes, no reino de Deus, Abraão, Isaque e Jacó e todos os profetas, mas vós lançados fora”. Lucas 13: 28.
               
Eis que aquele dia vem ardendo como forno, diz Malaquias 4: 1.  E o verso continua: todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo”.
   
E em Apocalipse 20: 12:

 “Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então se abriram os livros. Ainda outro livro, o livro da vida foi aberto. E os mortos foram julgados segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros”.

A alusão aqui é aos ímpios que participaram da segunda ressurreição. A posição na vida não influirá neste encontro com Deus. Muitos de alta posição no mundo escaparam, enquanto vivos, da justa punição por suas más ações. Neste final ajuste de contas com Deus não haverá evasão da justiça completa. Abrir-se-ão os livros em que se encontram todos os registros dos homens. Sentença alguma será arbitrária, tendenciosa ou injusta.

Em Apocalipse 20: 13:

Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados um por um, segundo as suas obras”.

Estas palavras estabelecem a universalidade da segunda ressurreição, implícita no verso 12. Ninguém poderá deixar de comparecer em pessoa diante de Deus em Seu trono. Em Apocalipse 20: 14, o apóstolo João acrescenta:

“Então a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago do fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo”.

A personificação da morte e do inferno aqui e o seu lançamento no lago de fogo representa o fim da morte e da morada dos mortos. Jamais terão parte na Nova Terra; são fenômenos mortais que pertencem apenas a este mundo. A morte é o último inimigo a ser destruído. (I Cor. 15: 26, 53-55). Finalmente, em Apocalipse 20: 15 temos a conclusão:

“E, se alguém não foi achado inscrito no livro da vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo”.

Somente o nome dos fiéis será retido no livro da vida. O nome daqueles que não perseveraram até o fim serão apagados (Apocalipse 3: 5). Muitos jamais tiveram seu nome escrito ali, pois o livro contém somente o nome daqueles que nalgum tempo da vida professaram fé em Cristo.

“O grande conflito terminou. Pecado e pecadores não mais existem. O Universo inteiro está purificado. Uma única palpitação de harmonioso júbilo vibra por toda a vasta criação”. (11)

Cap. 6 - O sábado: do Éden perdido ao Éden restaurado
                                                                6.1 - Antecedentes
No ano 350AC, na Grécia, havia um famoso filósofo chamado Aristóteles. Ele, na verdade, era, também, um cientista de primeira categoria. Ele escreveu muito sobre Botânica, Zoologia e até sobre Entomologia que é o ramo da Zoologia que trata sobre os insetos. Possivelmente não soubéssemos dessas informações sobre o célebre Aristóteles. Aproximadamente em 350 AC Aristóteles definiu um pequeno animal que vemos amiúde em nossa casa, em nossa garagem, a aranha, como um pequeno inseto. E uma das premissas para classificar um animal como inseto é que ele tenha seis patas. O interessante é que por mais de dois mil anos depois que Aristóteles escreveu que a aranha era um inseto, e que todos os livros de ciência e os tratados de Entomologia dessem a mesma definição de Aristóteles: a aranha é um pequeno inseto de seis patas, não ocorreu a ninguém contar as patas da aranha. Isto porque Aristóteles era um filósofo de muita fama, muito respeitado e reconhecido, não havendo ninguém que o questionasse.
                
Em meados do século XVII, levantou-se outro cientista, chamado Lamarque, que resolveu contar as patas da aranha e descobriu que ela não tem seis patas e sim oito, não podendo, portanto, ser classificada como um inseto, passando a constituir outra ordem: a dos aracnídeos. No entanto, por mais de dois mil anos, como resultado das pesquisas do célebre Aristóteles, todo o mundo repetia o mesmo erro, porque não haviam sido capazes de contar as patas da aranha, como fez Lamarque.
                
Hoje em dia acontece o mesmo nas igrejas cristãs. Há cerca de 1700 anos a igreja cristã tem observado o domingo como dia de repouso, e o faz porque alguns dos pais da igreja pós-apostólica ensinaram que devíamos guardar o domingo em atenção à ressurreição de Jesus. E, desta época em diante, tem sido repetido, de geração em geração, até aos dias de hoje, que o dia de repouso é o domingo, porque sempre se guardou assim. E, para a maioria, nunca se lhes ocorreu de ir a Bíblia para contar as patas da aranha, ou seja, para ver se, em verdade, a Bíblia ensina que o domingo é o dia de repouso. O mesmo ocorre com outras doutrinas, das quais não faremos menção agora. Neste momento queremos falar do sábado, porque o sábado é o fundamento da adoração a Deus. Para adorar a Deus correta e adequadamente precisamos compreender porque Deus deu o sábado e como havemos de guardá-lo. Ora, você já deve ter-se apercebido que a leitura bíblica de base será sobre os Dez Mandamentos, mas não só os Dez Mandamentos de Êxodo vinte, como também de Deuteronômio cinco.
                
                                             6.2 – O memorial da criação

Vamos, pois, ao Êxodo 20 e ler o quarto mandamento, tal como aparece ali nos versículos de 8 a 10:
                
“Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro”.
                        Pelo sentido da palavra ‘lembra-te’ podemos concluir que este mandamento fora dado à humanidade antes do Êxodo e que, por algum motivo, sido esquecido.

E este foi exatamente o caso. Ele foi dado ao homem, no dia mesmo de sua criação (Gênesis 2: 1-3), foi guardado durante toda a era patriarcal, deixando de ser observado somente durante o cativeiro egípcio.
    
                 Agora, no Sinai, Deus não apenas ratifica o mandamento do sábado, mas também o regulamenta: Todas as pessoas da família, incluindo cada servo, dos dois sexos, a classe trabalhadora juntamente com o patrão, devem descansar ao mesmo tempo. O mandamento inclui mesmo os visitantes e todos os animais. O sábado passa então a ser um grande equalizador na estrutura social.
                 Na continuação, o mandamento explica a razão de Deus haver dado o sábado ao povo de Israel. O quarto mandamento indica que a origem do sábado é muito mais antiga que o tempo do Êxodo. No versículo 11 encontramos a verdadeira razão pela qual não devemos fazer nenhuma obra no sábado:
                 “Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a Terra, o mar e tudo o que o que nele há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado, e o santificou”.

Qual era, portanto, a motivação pela qual o povo de Deus devia guardar o sábado? – Porque o Senhor Jeová criou o céu e a Terra e tudo o que neles há, e também o mar e as fontes das águas, tudo em seis dias e repousou no sétimo dia.

Contudo, Isaías 40: 28 diz que Deus não se cansa:

“Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da Terra, não se cansa nem se fadiga”?

E, além disso, quanto esforço seria necessário para dizer: haja luz! Haja firmamento! Quanto esforço foi necessário para dizer: apareça o sol, a lua e as estrelas? Voem as aves, povoem-se as águas de peixes! Requer isso muito esforço?
    
Em realidade, diz a Bíblia textualmente que Deus não se cansa. Então surge a pergunta: Porque razão foi que Deus repousou no sétimo dia? A passagem de Marcos 2: 27 permite-nos esclarecer:
“E acrescentou: o sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado”;

Jesus está dizendo que o sábado foi feito para o homem. Isto quer dizer que no primeiro sábado Deus não descansou sozinho. Deus fez o sábado para o homem descansar e aproveitou para descansar com ele. E, logo, no versículo 28, disse Jesus: “De sorte que o Filho do homem é Senhor também do sábado”.
     Você sabia que Jesus foi o Criador? O Novo Testamento diz que Jesus criou todas as coisas:
“Todas as coisas foram feitas por intermédio dEle , e sem Ele nada do que foi feito se fez”. João 1: 3.
Portanto, quem repousou foi Cristo. Mas Ele não repousou só, porque vimos que o sábado não foi feito para Deus e sim para o homem. Vimos, também, que Jesus é o Senhor do sábado, porque foi Ele quem o fez, no sétimo dia, exatamente como fez tudo o mais, conforme lemos em Colossenses 1: 15-17:

“Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois nEle foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a Terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados quer potestades. Tudo foi criado por meio dEle e para Ele. Ele é antes de todas as coisas. NEle tudo subsiste”

Ninguém diria que Jesus é o Senhor do mar, do céu, da Terra, das bestas, do sábado e de todas as coisas, se Ele não as tivesse feito!
E assim encontramos que se Deus repousou no sábado, conforme diz a Bíblia, Ele o fez juntamente com Adão. Ficou junto com ele. E fez isso como um referencial eterno da criação. E fez isso também como um exemplo, porque, com certeza, naquele primeiro sábado, não havia outra razão para Adão descansar.
Agora, o versículo onze de Êxodo vinte fala de mais duas ações relacionadas com o sábado: Diz que Deus o abençoou e o santificou. Você acredita que Deus abençoou o sábado para Si mesmo? Sendo Deus a fonte de todas as bênçãos, necessitaria abençoar um dia especial para Si, sendo Ele a própria fonte de todas as bênçãos? Certamente que Deus abençoou o sábado para o benefício do homem.
Em Gênesis 12, quando Deus abençoou Abraão, logo vemos uma lista de bens materiais que Deus deu a Abraão, como resultado de Sua bênção. Com esta ilustração podemos ter certeza que Deus incorporou nas horas do sábado, prosperidade para os que as observam. Gosto muito de me lembrar da dona Abigail. Ela tinha um salão de beleza e fazia muito dinheiro no sábado. Ao se batizar na Igreja Adventista, passou a fechar o salão no sábado, dizendo, muito animada, que, ao contrário do que pudesse parecer, seu faturamento aumentou consideravelmente. Eu, logo que me formei em Agronomia, quarenta anos atrás, fiz um concurso e passei em segundo lugar. Deveria começar a trabalhar com uma remuneração mensal de sete salários mínimos. Mas por causa do trabalho no sábado, não fiquei na empresa. Fui fazer um curso de mestrado em Porto Alegre e, ao sair de lá, fui convidado para trabalhar sem precisar transgredir o sábado, na base de vinte salários mínimos por mês, fora as diárias. Essa parece ser uma experiência bastante generalizada em nosso meio. Com certeza, ninguém morrerá de fome por guardar o sábado, como é o pensamento de muitas pessoas. Eu não posso guardar o sábado, porque se eu guardá-lo poderei me dar mal, economicamente, dizem. Ledo engano! Muito pelo contrário; Deus incorporou nas horas do sábado as Suas bênçãos para que, todo aquele que o guardasse pudesse receber bênçãos sem medida, até que excedessem as suas reais necessidades.

A terceira coisa que Deus fez com relação ao sábado foi a sua santificação. E o que significa santificar o sábado? Significa colocá-lo à parte para uso santo ou especial. Você acredita que Deus o santificou para Si? Será que para Deus há coisas mais santas do que outras? – Claro que não! Ele é a fonte da santidade! Ele o separou, mas não para Si, apesar de a Bíblia dizer que Deus repousou neste dia, junto com o Seu povo. Porém não foi porque Ele necessitasse desse dia de repouso, senão que Ele o separou e o santificou para Seus filhos. Agora, porque razão Deus separaria o sábado, como um dia santo, como um dia de repouso, como um dia de bênçãos? A razão é muito simples. Em sua presciência Deus sabia que o homem teria sempre a vontade de olvidá-lo. Teria a possibilidade de acreditar que a criação não era provinda, necessariamente de Deus, e que existia simplesmente para que o homem a aproveitasse para os seus próprios fins e propósitos, esquecendo-se de sua origem. Então, por causa disso, Deus diz ao homem, ainda sem pecado: a cada sete dias nos reuniremos no horto para admirar todas as Minhas obras, no céu e na Terra e, ao relembrar toda a Minha criação, vocês vão se ajoelhar e render homenagem ao Criador, ao Deus de amor, de misericórdia, de bondade, de beleza e de generosidade. Assim é que o sábado, desde o Éden, tinha o propósito de levar o homem a recordar-se de Deus como o Criador de todas as coisas.

Agora, se isso prevalecia no Éden, antes da queda, será que hoje precisamos menos do sábado? Para este propósito? Se, em um horto perfeito, com um corpo perfeito, o homem necessitava, semanalmente, recordar-se de seu Criador, guardando um dia com Deus, para trazer bem viva na memória que Ele é o Criador, ajoelhando-se, e bendizendo Lhe e rendendo Lhe homenagem, quanto mais hoje, se faz necessário o sábado para esse fim? Eu creio que hoje necessitamos do sábado, para recordar o Criador, mais do que nunca dantes.

E porque adoramos a Deus? Nós o adoramos porque Ele é o nosso Criador. Porque é que os anjos não recebem adoração? Lembra-se de quando João foi ajoelhar-se diante do anjo em Apocalipse 19 ele o impediu dizendo que era conservo dele? Porque os profetas não recebiam adoração? Porque eles eram criaturas e, por isso, se recebessem adoração, seriam abomináveis a Deus, constituindo-se em ídolos. E inclinar-se o homem diante de um ídolo, significava que o homem estava longe do único Criador.

Nos capítulos 42, 43, 44 e 45 de Isaías, percebemos que Deus constantemente se confronta com os deuses falsos e os contesta, dizendo: Eu sou o Criador, enquanto que os deuses falsos nada podem criar. Assim adoramos ao Senhor porque Ele é o nosso Criador. Porém, meus irmãos, qual é o sinal que Deus nos deixou para que recordássemos ser Ele o Criador? O sábado! Como então vamos adorar o Criador, render-lhe homenagem, se não observamos o dia que Ele mesmo estabeleceu para se encontrar conosco para esse fim, nos lembrando de que Ele é o nosso Criador?

Não podemos compreender como muitos evangélicos escrevem livros defendendo com veemência, a criação em seis dias literais, negando os registros geológicos, mas negando, porém, o sábado.
Nunca pude entender como fazem isso. Querem que recordemos a literalidade da criação, que Deus é o Criador, que nós somos as Suas criaturas e quanto ao sábado, dizem que Deus o deixou apenas como uma lembrança de que Ele é o Criador. Mas se o homem no Éden perfeito necessitava do sábado, quanto mais hoje em dia, para que, antes de olharmos para as coisas de Deus, olhemos ao Deus das coisas. Se em toda a semana a nossa atenção fica focada em nossas próprias obras: nosso trabalho, nosso dinheiro, nossos afazeres, necessitamos de um dia para darmos um passo atrás, para pensarmos que tudo o que desfrutamos, na semana, veio das mãos de um Criador, de um Deus dadivoso, cheio de amor, generoso. O sábado é uma sorte de confissão que eu faço, reconhecendo a Deus, a Cristo Jesus como o Criador e como o Senhor de minha vida.
                 Você já percebeu que Deus acabou Sua obra duas vezes em Gênesis 1 e 2? Vamos lê-lo. O que está ai é muito interessante. Gênesis 1: 31 a 2: 1 diz:

“Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia. Assim, pois, foram acabados os céus e a Terra e todo o seu exército”.
     Quando acabou? No sexto dia. Mas logo segue dizendo em Gênesis 2:2:

“E havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a Sua obra que tinha feito”.
Parece haver aqui uma contradição. Porque diz que Deus acabou no dia sexto e diz que no sétimo dia Ele acabou também. Como assim? Devemos comparar esse quadro com a obra de um artista. Quando um artista pinta um quadro, o faz bem bonito, colocando todas as cores, todas as paisagens e, ao final, admirando-o diz que ficou muito bom. Mas será que seu quadro ficou realmente concluído? Não. Como não? Ele não terminou o quadro? Sim, porém faltou a assinatura que identifica o autor. Agora aqui nesta Terra, Deus fez um quadro maravilhoso, imenso, vivo, que se transforma a cada instante, a cada segundo, porém Ele não queria que esquecessem a sua autoria. De sorte que Ele no sexto dia terminou o quadro e no sétimo dia o assinou: Deus. E, quando guardamos o sábado, recordamos que Deus é o Criador e nós, Suas criaturas, rendendo-Lhe homenagem e adoração. E, assim, o sábado aparece como o fundamento da verdadeira adoração.

Alguns poderão dizer que o domingo também serve para esse fim, contudo, quando Deus pede um dia, Ele quer esse dia. Nós não podemos manipular a Deus, como se pudéssemos Lhe dar a forma que quiséssemos. Esse foi o erro que cometeu Caim. Disse Deus a Caim e a Abel que trouxessem um cordeiro como oferta. Abel trouxe um cordeiro, mas Caim, que era lavrador disse: porque tenho que trazer um cordeiro? Vou levar-Lhe dos meus vegetais. Levava, provavelmente, aqueles que estavam mais perto de apodrecer, que já ficavam passados para o consumo. É como se Caim dissesse a Deus: você tem de aceitar o que eu te ofereço. E diz a Bíblia que Deus bendisse a oferta que Abel Lhe ofereceu e o abençoou. Caim, porém, não recebeu nenhuma bênção e por causa disso se enfureceu contra o irmão, apesar de, na realidade, estar enfurecido contra Deus. E assassinou o seu irmão. E logo Deus colocou na testa de Caim uma marca. Será que esta história vai se repetir? Você sabia que a serva do Senhor diz que Caim e Abel representam duas classes de seres humanos que habitariam sobre a Terra no final da História? Os que adoram à sua maneira – consagrando o domingo e recebem a marca da besta e os que têm o selo da obediência a Deus. Há algo assim no livro do Apocalipse? Haverá um grupo que devotará irrestrita obediência ao que disse Deus? Claro que sim! Se Deus disse o sábado, eu, como criatura, não posso dizer o domingo.

Assim o domingo é o maior dos ídolos porque o homem coloca o que ele quer em vez de colocar o que Deus pede. Portanto, adorar a Deus em um dia em que Ele não indicou, é adorar de forma independente. Porém, Ele não aceita esta classe de adoração. Você pode, por exemplo, comemorar o seu aniversário noutro dia, mas esse outro dia nunca será o dia do seu aniversário. Assim, podemos celebrar o sábado no domingo, porém o domingo nunca será o dia do aniversário da criação. Na verdade ele não é dia de aniversário nenhum! As datas históricas não podem ser mudadas, porque estão bem definidas na História.

Poderíamos nos interrogar se a sequência de sete dias que temos hoje é a mesma sequência da criação? Se o sétimo dia de hoje é o mesmo sétimo dia da criação? E você pode, ainda, perguntar como sabemos isso? Esta questão, no entanto é muito simples. A ciência nos informa que o sábado que guardou Cristo quando veio à Terra é o mesmo sábado de hoje. E o sábado que guardou Cristo tem de ser o mesmo da criação, porque Ele o criou e não iria guardar um dia que não fosse o mesmo da criação. Se tivesse havido mudança, Cristo teria atinado e falado que havia se perdido o verdadeiro sábado, na sequência dos dias e teria corrigido o erro. Mas Cristo guardou o sábado, o mesmo sábado que, segundo os astrônomos e os cientistas, é o sábado de hoje. Isso significa que, como Ele é o Criador, nos assegura que o sábado da criação é o mesmo que guardamos atualmente na Terra.

Muitos perguntam: O que faz a gente do Polo Norte? Buscam toda a classe de desculpas para não guardar o sábado. Podemos responder-lhes que não vivemos no Polo Norte. Deixemos os do Polo Norte com Deus e cumpramos nós aquilo que Ele nos pede.

                                               6. 3 – O memorial da redenção

Você sabia que há uma segunda razão pela qual devemos guardar o sábado? E que os Dez Mandamentos são relatados de outra maneira?

Vamos ver isso em Deuteronômio 5. Os mandamentos aqui são iguais aos do Êxodo 20, com uma exceção: o quarto mandamento. A diferença está na razão para observarmos o sétimo dia. Em Êxodo vinte a razão dada para guardarmos o quarto mandamento é o fato da criação. Vamos agora observar em Deuteronômio 5, a partir do verso 12, o que o texto diz:

“Guarda o dia de sábado, para o santificar, como te ordenou o Senhor, teu Deus. E, no verso 15 dá a razão: “Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o Senhor, teu Deus, te tirou dali com mão poderosa e braço estendido; pelo que o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado”.

A motivação para a observância do sábado em Deuteronômio 5 passa a ser porque Israel fora escravo no Egito e Deus o redimiu de sua escravidão. Você pode dizer que isso se aplica apenas a Israel e não para nós outros. A história do Êxodo de Israel do Egito, no entanto, é um símbolo de nossa libertação do pecado, porque a Bíblia diz que faraó era o grande dragão, o qual tinha o povo de Israel cativo e o afligia e o pisoteava, fazendo com que o Deus que o havia criado o libertasse. E o povo de Deus orava pela sua remissão, pela sua liberdade.

É interessante notar que o povo de Israel, quando estava no Egito, procurou guardar o sábado.
               
Quando Moisés entrou para falar com o faraó, disse:

Deixe ir o povo para que celebremos a Deus uma festa no deserto”; o texto acrescenta que Moisés queria permanecer três dias de festa. E que festa era esta que Moisés estava pedindo para o povo celebrar?  Era o sábado. E como sabemos disso? Vamos procurar na Bíblia e depois, no Espírito de Profecia. Notemos o que diz Êxodo 5: 1-2:

“Depois, foram Moisés e Arão e disseram a faraó: assim diz o Senhor Deus de Israel: Deixa ir o Meu povo, para que Lhe celebre uma festa no deserto. Respondeu faraó: Quem é o Senhor para que Lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir a Israel”.
               
No verso 4, lemos: “Porque interrompeis o povo no seu trabalho? Ide às vossas tarefas”. O termo hebraico significa: porque sabatizeis o povo? E, no verso 5, encontramos:

“Disse, também, faraó: o povo da terra já é muito, e vós os distraís das suas tarefas. Vós o fazeis descansar, (sabatizar) de seus trabalhos”.

Que estavam querendo Moisés e Arão? Estavam pedindo para levar o povo para celebrar o sábado. E o que fez faraó como resultado? Fez com que suas cargas fossem ainda piores.
               
Vejamos o que diz a serva do Senhor no livro Patriarcas e Profetas, p. 263, sobre esse particular:

“Em seu cativeiro tinham os israelitas até certo ponto perdido o conhecimento da Lei de Deus, e haviam se afastado de seus preceitos. O sábado tinha sido geralmente desrespeitado, e as exigências dos maiorais de tarefas tornaram sua observância aparentemente impossível. Mas Moisés mostrara a seu povo que a obediência a Deus era a primeira condição de livramento; e os esforços feitos para restaurar a observância do sábado vieram a ser notados pelos seus opressores”. (12)
                
Finalmente, tirou o Senhor o povo de Israel do Egito para observar Seus sábados no deserto? – Sim. E o sábado chegou a ser o grande sinal de que Deus havia intervindo para libertá-los de sua escravidão. Por causa disso disse Deus a Israel: Guardareis os Meus sábados, não somente porque vos fiz, porque sou seu Criador, mas também porque quando eram escravos, vos recriei, vos redimi, vos fiz de novo, vos livrei de vossa servidão e por isso agora, vocês têm uma dupla motivação para guardar o sábado. Porque sou vosso Criador e, também, porque sou vosso Redentor. A redenção é sensivelmente uma recriação. Todos os que estão em Cristo, novas criatura são. As coisas velhas passaram e ficaram somente as novas.

Uma redenção é uma recriação. Alguém perguntaria quem é o Criador? Jesus. E quem é o Redentor? Quem libertou Israel do Egito?  Jesus. Então eu quero perguntar a meus irmãos e irmãs: se Cristo é o Criador e se Cristo é o Redentor, no livro de Êxodo, que tirou o povo de Israel do Egito, então quantas motivações temos nós para guardar o sábado? Duas. Algumas pessoas fazem uma dicotomia entre o Novo Testamento e o Velho Testamento. Dizem que no Antigo Testamento era o sábado de Deus e que nós agora guardamos o sábado de Cristo. Falso! Falso porque o Deus Criador é o próprio Cristo e o que redimiu o povo de Israel do Egito foi Ele, também. O Criador e o Redentor, segundo as Escrituras, são a mesma pessoa. Portanto, quando Israel foi libertado, Deus disse-lhe: agora que foste libertado, deves celebrar um santo sábado para recordar que eram escravos no Egito, que faraó vos pisoteava e que eu vos libertei!
                
Deus lhes deu também o maná por quarenta anos, isto é, por 2080 sábados sem que estragasse no sábado, quando colhiam em dose dupla na sexta feita. Na sexta, Deus o mandava em dobro; e, portanto, neste dia recolhiam em dobro, sendo que no sábado permanecia tão fresco como em qualquer outro dia. Nos outros dias, ao contrário, o maná estragava, quando era guardado para o dia seguinte.
                
Os pães da mesa da proposição do santuário eram trocados todos os sábados. Isto significa que devemos vir ao templo, no santuário, no sábado para conseguir pão fresco. Nos sábados, não nos domingos! Quer dizer que o sábado é o grande sinal de que Deus é o nosso Criador e também o nosso Redentor! E a Bíblia nos diz que a grande crise final será com respeito a esse ponto. Alguém pode dizer: que diferença pode fazer um dia entre outros dias? Creio que falamos muito disso em nosso tema. Podemos, contudo, dar uma ilustração: consideremos a bandeira do Brasil; normalmente enchemos o peito e dizemos que essa é a nossa bandeira. Quando rendemos homenagem à bandeira, na verdade estamos rendendo homenagem ao país representado pela bandeira. Sim ou não? Se me visse pegando uma bandeira brasileira, colocando no chão e limpando os pés com ela, que diria você? Diria que é só um pedaço de tela? Que a bandeira não é o Brasil? Não! Você, que ama o Brasil, vai dizer que eu estou pisoteando o Brasil.
                
Pois bem, a bandeira de Deus é o sábado. Em Isaías 58: 13 nos diz:
“Se desviares o teu pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no Meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então te deleitarás no Senhor”.

No entanto, muitos limpam os pés no sábado de Deus. E rendem homenagem à outra bandeira. E ao mesmo tempo pretendem servir a Cristo. Suponhamos que eu tome a bandeira do Brasil e recite o hino dos Estados Unidos. Alguém dirá: irmão, essa não é a bandeira dos Estados Unidos e sim a do Brasil! E eu respondo que isso não tem importância, que bandeira é bandeira. Que você acharia disso? Não tem lógica! E, no entanto, muitos cristãos fazem isso! Porque tem a bandeira do domingo e pretendem estar homenageando o Governo de Deus. Assim é que, na crise final, teremos um Governo contra outro Governo. E a forma de mostrar que sou servo de Deus é guardando Sua bandeira e rendendo homenagem à Sua bandeira.
                
A árvore do bem e do mal, no Éden, foi a forma que Deus usou para testar a obediência de Adão e Eva. O sábado é a forma pela qual Deus testa a obediência de Seus filhos, nos dias de hoje, no final da História.
                
E precisamos reconhecer que os filhos de Deus terão de padecer fome, sede e cárcere; sofrerão, inclusive, um decreto de morte. Porém, dirão que Cristo é tão importante, que seu Governo é tão importante, que sua bandeira é tão importante que não importa o sacrifício, que guardarão esse dia, mesmo que lhe custe a vida! Guardá-lo-ão por amor ao Senhor Jesus! Isso é o que significa o sábado.
                
Cristo criou o céu e a Terra em seis dias e descansou no sétimo dia; e quando concluiu a sua obra de redenção, repousou no sepulcro, no sábado, segundo o mandamento. Porque dizemos isso? Porque Ele poderia ter ressuscitado no sábado mesmo, ou na sexta-feira, não é verdade? Ele, contudo descansou o sábado inteiro, como um símbolo de sua redenção. Assim, a criação e a redenção foram realizadas pelo mesmo personagem. E Apocalipse 4 e 5 nos apresentam duas motivações para guardar o sábado. Vejamos Apocalipse 4: 8-11:

“E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheio de olhos; ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir. Quando esses seres viventes derem glória, honra e ação de graças ao que se encontra sentado no trono, ao que vive pelos séculos dos séculos, os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante dAquele que se encontra sentado no trono, adorarão ao que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas diante do trono, proclamado: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas Tu criaste, sim, por causa da Tua vontade vieram a existir e foram criadas”.
                
Porque davam glória a Deus? Porque Ele é o Criador. E agora observemos Apocalipse 5, que os mesmos seres criados estão cantando não porque Deus é o Criador, mas sim porque Ele é, também, o Redentor. Vejamos os versos de 9-14, que dizem:

“E entoavam novo cântico, dizendo: Digno És de tomar o livro e de abrir-lhes os selos, porque foste morto e com o Teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a Terra. Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares, proclamando em grande voz: Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra e glória, e louvor. Então, ouvi que toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o que neles há, estava dizendo: Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos. E os quatro seres viventes respondiam: Amém; também os anciãos prostraram-se e adoraram”.
                
A adoração vem porque o Cordeiro redimiu Seu povo. Você sabia que não é coincidência Jesus ter escolhido o sábado para realizar muitos dos Seus milagres? É para trazer liberdade! Inclusive não é coincidência que em Lucas 4 o Senhor Jesus entrou na sinagoga no sábado e anunciou o propósito de Sua missão: que era para libertar os que estavam presos nos seus pecados. O mesmo que fez com Israel, fez, novamente, sob o ângulo espiritual, com Seu povo. O sábado foi posto como o fundamento da verdadeira adoração e devo dize-lhes, meus irmãos e irmãs, que alguns não têm os devidos cuidados na sua forma de guardar o sábado.

E a serva do Senhor tem alguns conselhos para essas pessoas que são levianas na sua forma de observar o sábado. Em Testemunhos, Volume 1, páginas 496 e 497 ela fala de pessoas que guardam o sábado segundo as suas conveniências, insultando, dessa forma o Criador. Coisas como sair para comer nos restaurantes no sábado, jogar bola, colocar gasolina no carro! Quanto mais próximos de Jesus, mais criteriosos seremos na observância do sábado. Quando jogo tênis no sábado à tarde, quando estou no restaurante, cercado de mundanos, torna-se muito difícil colocar a mente no Senhor. Por isso o Senhor Jesus disse: Guardem os Meus sábados e honrem a Mim que sou Seu Criador e Seu Redentor. Por essa razão acredito que devemos pregar essa mensagem em todo o mundo, para que todos os seres humanos possam desfrutar desse gozo e da glória que nos dá Cristo no seu santo dia.

E que todos nós possamos desfrutar dessa gloriosa experiência do repouso sabático, não somente nesta vida, mas por toda a eternidade, conforme Isaias 66: 22-23 que, se reportando à felicidade eterna de Sião, inclui a guarda do sábado:

“Porque, como os novos céus e a nova Terra, que hei de fazer, estarão diante de Mim, diz o Senhor, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome. E será que, de uma Festa de Lua Nova à outra e de um sábado a outro, virá toda a carne a adorar perante Mim, diz o Senhor”.

 Cap. 7. A reforma alimentar

            Vivemos nas cenas finais da história terrestre. As profecias se cumprem rapidamente. As horas de graça estão se esgotando. Não temos nenhum tempo. Nenhum momento a perder. Não sejamos encontrados dormindo no posto do dever. As palavras de Marcos 16: 15 são mais do que atualizadas para nós:

“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. Esta é a ordem de Jesus para nós. Não somos ministros nem missionários, mas podemos ser cooperadores de Cristo, dando as boas novas de salvação ao mundo. A todos, grandes ou pequenos, doutores ou ignorantes, velhos ou jovens é ordenado: “Ide”!
           
No livro O DTN (13), lemos:
“Todos quantos recebem a vida de Cristo, são mandados trabalhar pela salvação de seus semelhantes. Para essa obra foi estabelecida a igreja, e todos quantos tomam sobre si os seus sagrados votos, comprometem-se, assim, a ser coobreiros de Cristo”.
 Se praticarmos estas palavras, sentiremos a Sua presença em nosso meio, conforme Mateus 28: 20: “... e eis que Eu estou convosco todos os dias até a consumação do século”.
           
E para sermos bem sucedidos, Diz-nos o Espírito de Profecia, duas mensagens são particularmente importantes no nosso tempo: a dos Dez Mandamentos, para o mundo e a da Reforma da Saúde, para a igreja. A fim de cumprirmos os desígnios de Deus, há uma obra preparatória a fazer. O nosso preparo para dar a mensagem ao mundo envolve o que encontramos em I Tessalonicenses 5: 23:

O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo, sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo”.
           
A repeito da nossa integridade o livro ‘O Grande Conflito’ (14) nos adverte:

“A Reforma da Saúde deve efetuar entre nosso povo uma obra ainda não realizada até agora. Existem os que deviam estar atentos aos perigos da alimentação cárnea, os quais ainda se alimentam da carne de animais, pondo em perigo, desta forma, a saúde física, mental e espiritual. Muitos dos que agora são apenas meio convertidos quanto à questão da alimentação cárnea, separar-se-ão do povo de Deus, para não mais andar com Ele”.      

O princípio de negar a carne como alimento parece novo, mas não é. Nós o encontramos no Santíssimo, representado naquele pequeno pote de maná que foi posto no interior da Arca da Aliança. Com que finalidade ele foi posto ali? Certamente para lembrar-nos, nos últimos dias, de que o maná foi dado ao povo de Israel, em sua peregrinação pelo deserto, em substituição ao regime cárneo que prevalecia no Egito.
E agora que “o fim está próximo e, por esta razão, deveríamos tirar o máximo proveito de toda habilidade a nós confiada e de todo o meio que proporcione ajuda para a obra”, 6 Testemonies, 440 (15), devemos nos lembrar deste detalhe.

Em Testemunhos Seletos, Volume I, p. 423 (16), lemos mais um trecho relaciona do com nossa santificação:

“Impossível é ao Espírito e ao poder da verdade santificar o homem (alma, corpo e espírito), quando ele é dominado pelo apetite e a paixão”. "O apetite e a paixão devem ser restringidos e postos em sujeição ao domínio de uma consciência esclarecida, para que o intelecto seja equilibrado, claras as faculdades de percepção, de maneira que as manobras do inimigo e seus ardis não sejam considerados como providência de Deus”.
           
Estes conselhos são mais sérios do que imaginamos, porque “Deus se comunica conosco por meio do Espírito e imprime suas verdades em nossa mente. Caso o corpo esteja debilitado, a apreensão e a compreensão destas verdades certamente serão dificultadas”. Bíblia Sagrada Missionária, Estudo nº 18. (17)
           
Os que estão de uma forma ou de outra, em dificuldade para levar à prática os seus conhecimentos teóricos adquiridos até aqui, pondo em risco não só a sua vida eterna, como a daqueles que estão sob sua influência, encontrarão ajuda na famosa ‘escadinha da santificação’, de Pedro, que encontramos na sua segunda carta e no capítulo primeiro. E isto porque nela identificamos princípios de grande alcance para nossa necessária superação.
           
Como introdução, ele se dirige ao seleto público dos que já obtiveram fé preciosa igual à dele, como é o nosso caso, incentivando à transformação, aquelas vidas mornas de Laodiceia que anseiam por uma vida mais piedosa, com uma percepção mais prática de Deus. O apóstolo estabelece os passos para que saiamos dos aspectos meramente teóricos de nossa profissão de fé, para o gozo e a alegria da graça salvadora, resgatando a paz de uma vida cristã de acordo com a excelência de nossa teoria.
           
O desejo deste servo inspirado, cuja obediência incondicional ao seu Mestre é um exemplo para nós, é o de que nós também nos tornemos coparticipantes da natureza divina, livrando-nos da corrupção das paixões que há no mundo. Leiamos, pois, os primeiros versos de sua carta:
           
“Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco obtiveram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, graça e gozo vos sejam multiplicados, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, Nosso Senhor. Visto como, pelo Seu divino poder nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a Sua própria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as Suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-nos da corrupção das paixões que há no mundo”. II Pedro 1: 1-4.
           
A seguir o texto inspirado de Pedro nos informa que a relativa decepção que sofremos, por causa da nossa fraqueza espiritual, só poderá ser superada por um processo interior que permita a Jesus entrar em nossa vida e nos usar poderosamente, restaurando a imagem de Deus em nós. E que devemos começar um processo de desenvolvimento harmonioso, a partir de nossa fé:
           
Por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude o conhecimento”... II Pedro 1: 5.
           
Com urgência e fervor, devemos associar a nossa fé com a virtude. A fé, segundo este apóstolo que levava as credenciais e a autoridade de quem o enviou, é apenas um dom estratégico que Deus nos oferta e que funciona como a chave para a obtenção de outros dons divinos, igualmente preciosos para a consolidação do nosso almejado ‘novo nascimento’. Ele diz que em nossa conversão recebemos apenas o núcleo do conhecimento cristão de Deus, mas que isso não é suficiente. Ele espera que cresçamos em compreensão espiritual obtendo mais claro discernimento da moral cristã. Esta virtude só poderá ser obtida através de uma reforma espiritual profunda com mudanças em nossas teorias e abandono de velhos costumes. Isto certamente não é coisa muito fácil, mas se permitirmos, Jesus entrará em nosso coração, em nossa mente e nós vamos nos tornar pessoas de Deus, e crescer “até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para o outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro”. Efésios 4: 13-14. 
           
A virtude, que também é resultado de nossa entrega a Deus, mesmo que associada a uma vibrante fé, ainda que de grande relevância, não é suficiente para alcançarmos a estatura espiritual que nos está proposta, em Cristo Jesus.

As nossas boas obras, no entanto, serão sempre o resultado natural de nossa consagração a Deus e não um meio para alcançá-la. Elas, contudo, devem estar associadas ao conhecimento de toda a vontade do céu para nós. Para isso Deus disponibilizou uma arma exclusiva e muito esclarecedora: o dom de Profecia. Não obstante, porém, termos desenvolvido muito este dom, mais do que teríamos alcançado em qualquer outra denominação religiosa, mesmo contando com a excelente ajuda de programações de rádio e TV, isto não tem sido suficiente. Para nós que percebemos isso, Pedro diz, no verso 6, que devemos ainda   associar, “com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade”.

Assim é que, se quisermos seguir vencendo, diz ele, importa associarmos com esse conhecimento já adquirido, o domínio próprio, o qual é fundamental para realizarmos as reformas que precisamos para vivermos com a devida temperança. Se não confiarmos a Deus o domínio de nossa vontade, corremos um risco muito sério, pois está escrito:

Os que são escravos do apetite, deixarão de aperfeiçoar o caráter cristão. Tem-me sido mostrado, seguidas vezes, que Deus está procurando fazer-nos retornar, passo a passo, ao seu propósito original – o de que o homem deve viver dos produtos naturais da terra. Entre os que estão aguardando a vinda do Senhor, deve a alimentação cárnea ser finalmente abandonada”. O Grande Conflito, 450. (18)

A liderança da igreja, preocupada com as influências inexoráveis que o mundo exerce sobre seus liderados, tenta o impossível para corrigi-los por meio dos sentidos: vigílias, semanas de oração seguidas de Santa Ceia e jejuns. Não podemos nos esquecer de que as nossas mudanças de hábitos não dependem somente de nossa consciente necessidade de mudança, mas, principalmente, da ação do Espírito Santo em nossa mente, exercendo em nós tanto o querer como o realizar.

Por isso, antes de tudo, precisamos nos conscientizar da necessidade de desenvolvermos esse dom, o domínio próprio, para não bloquearmos, inadvertidamente, o processo de nossa salvação. Devemos evitar o consumo de substâncias com potencial de prejudicar o nosso discernimento mental e espiritual, o qual é vital para as nossas mudanças não só de apetite como também de atitudes. O consumo de carne, por exemplo, inibe nossas faculdades mentais, de forma imperceptível aos que estão sem as lentes do Espírito, e impede-nos de alcançar um padrão de vida espiritual mais aperfeiçoado.

Como não conseguimos persistir naquilo que não depende apenas de nossa vontade meramente humana, devemos atentar aos apelos do Espírito de Profecia para que não venhamos a nos afastar do verdadeiro povo de Deus. Podemos fazer muitas vigílias e exultar com elevados louvores, mas em findo estes, de natureza externa, nossas mentes inebriadas pelas toxinas do regime cárneo, não alcançarão a apreender aquele clima maravilhoso para as nossas vidas, devido à ausência da perseverança. Isto nos leva a jogar fora tudo o que conseguimos obter até então, passando à triste categoria de remanescentes nominais. E tudo isto apenas porque a nossa vontade humana, enfraquecida pelas sutilezas da gula nos deixa impotentes, a lutar sozinhos contra as fraquezas da carne, num estagio semelhante ao dos discípulos sonolentos a quem Cristo disse, no Getsêmani: “o espírito está preparado, mas a carne é fraca”.

Se nos conscientizarmos que podemos facilitar nossa vitória, abandonando o consumo da carne e, por extensão, o das drogas, do álcool, do fumo e demais produtos  tóxicos, certamente, seremos bem mais enérgicos com o nosso domínio próprio, cuja fraqueza vem nos impedindo de um posicionamento mais vigoroso em defesa de nossa alma. Precisamos atentar para a lógica de Jesus, em Mateus 16: 24-26:

“Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por Minha causa achá-la-á. Pois que ganhará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma”?
O Espírito de profecia, de certa forma, nos admoesta, dizendo:

“Muitos desejam a recompensa final e a vitória concedida aos vencedores, mas não estão dispostos a suportar fadiga, privação e a renúncia do próprio eu, como fez o Redentor”. “É unicamente por meio da obediência e de contínuo esforço que haveremos de vencer como Cristo venceu”. (19)

A perseverança, dependente do domínio próprio, por ser crucial para a nossa vitória em Cristo, é destacada no grupo de transladação, associada com a obediência e a fé.

“Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus”. Apocalipse 14: 12.

           
Este dom, totalmente indispensável, por essencial que seja, contudo, ainda não nos situa no ápice da escada do crescimento cristão. Apesar destes degraus não representarem salvação própria, se baseando em atributos comunicados pelo céu, eles colocam em evidência a nossa necessária cooperação com o que Deus já realizou em nós; temos, portanto, uma parte ativa neste processo da salvação e, com muito zelo, devemos associar a perseverança com a piedade, que é a excelência da vida que deve ser vista naqueles que adoram Seu Criador. O desenvolvimento destes dons divinos nos habilitará a fazer com muita alegria tudo o que Ele quer. A nossa parte é a de não dificultarmos ou mesmo não impedirmos que o Espírito Santo faça por nós aquilo que não podemos fazer por nós mesmos.
           
Todavia, para alcançarmos tudo o que Deus espera de nós, e que é indispensável à nossa salvação, devemos ainda, segundo II Pedro 1: 7, associar:
“... com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor”.

Estes últimos degraus envolvem seguramente eliminar as dissensões provenientes da crítica e do orgulho; relevar, com amor, todas as nossas diferenças; não nos conduzir inconvenientemente, removendo o fardo das insignificâncias; agir com submissão e respeito mútuo, conforme aprendemos em I Coríntios 13: 4-7:

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.

Feliz é a igreja na qual reina a bondade e o amor fraternal. Nela estaremos aptos a desenvolver um caminho sobremodo excelente: o do amor princípio, semelhante ao de Jesus, que não depende das ações dos outros. Nos versos de 8 a 11, Pedro conclui sua mensagem redentora:

Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos (deixando de ocupar o espaço que Deus reservou para nós no Seu plano de salvação), nem infrutuosos no pleno conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele a quem estas coisas não estão presentes é cego (nossa condição laodiceana: batizados, mas deixando de cultivar as virtudes mencionadas), vendo só o que está perto, esquecido da purificação dos seus pecados de outrora. Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição, porquanto, procedendo assim não tropeçareis em tempo algum. Pois desta maneira  é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”.
           
Com respeito ao alcance dos atributos já mencionados, diz a senhora White:

“Aqueles cujos corações estão repletos de vida espiritual não precisam ser incitados a revelá-lo. A vida divina deles fluirá em ricas correntes de graça. Ao orarem, ao falarem, ao labutarem, Deus é glorificado”. 6 Testemonies, 443. (20)

Se esta maravilhosa condição ainda não está presente em nossa vida, não desanimemos. Estas características do verdadeiro cristão devem agora absorver nossa atenção. Não podemos dar-nos ao luxo de conceder às coisas celestes o segundo plano. Adotemos doravante a mensagem do livro ‘O Lar Adventista, p. 406, 407 e 409:

Devotarei meu tempo e meus pensamentos a adquirir capacidade para o serviço de Deus. Fecharei meus olhos às coisas fúteis e pecaminosas. Meus ouvidos são do Senhor e não ouvirei as sutis razões do inimigo. Minha voz não estará de maneira nenhuma sujeita a uma vontade que não esteja sob a influência do Espírito de Deus. Meu corpo é o templo do Espírito Santo e toda a faculdade de meu ser será consagrada a objetivos dignos”. (21)
           
Sejam também nossas as palavras registradas no Salmo 101: 3-4:

“Não porei coisa injusta diante dos meus olhos; aborreço o proceder dos que se desviam. Nada disso se me pegará. Longe de mim o coração perverso; não quero conhecer o mal”.
           
Assim devem persuadir os homens e as mulheres, em toda a parte, a se arrependerem e a fugirem da ira vindoura. Incentivemo-los à preparação imediata. O Senhor virá em breve e precisamos estar preparados para nos encontrar com Ele, em paz. Tomemos a resolução de fazermos tudo o que está ao nosso alcance para comunicar luz aos que se acham ao nosso redor.
“Não devemos estar tristes, mas, bem dispostos e conservar sempre o Senhor Jesus diante de nós. Oh! Quão glorioso será vê-Lo e receber as boas vindas como Seus remidos! Temos esperado por muito tempo, mas nossa fé não deve enfraquecer-se”. RH 14/07/1903. (22)

Agora, agora mesmo é o tempo de estarmos vigiando, trabalhando e esperando. A palavra de Deus revela o fato de que está próximo o fim de todas as coisas. O tempo oportuno para trabalharmos é agora, exatamente agora, enquanto durar o dia. “Ide”!

Como diz Josué 24: 15: “Escolhei hoje a quem sirvais”. Todo o que pretende ser um servo de Deus é convidado a fazer o Seu serviço, como se cada dia fosse o último.

A Terra inteira deve ser iluminada com a glória da verdade de Deus. A luz deve fulgir para todas as terras e todos os povos. E é dos que receberam a luz que ela deve difundir-se. A Estrela da Alva raiou sobre nós, e devemos lançar Sua luz sobre o caminho dos que acham se em trevas. A última crise econômica mundial já se encontra estabelecida; devemos agora, pelo poder do Espírito Santo, proclamar as grandes verdades para estes últimos dias. Não levará muito tempo para que todos tenham ouvido a advertência e feito a decisão. Então virá o fim. Ouçamos o seguinte conselho:

“Todo o poder a nós emprestado pelo céu deve ser empregado a fazer a obra que nos foi designada pelo Senhor em benefício dos que estão a perecer na ignorância. A mensagem de advertência deve ser proclamada em todas as partes do mundo... deve ser efetuada uma grande obra, e esta obra tem sido confiada aos que conhecem a verdade para este tempo”. Meditações Matinais, 1977, p. 259 e 264. (23)

O período de tempo em rápida diminuição entre nós e a eternidade, deve impressionar-nos mais profundamente. Cada dia que passa deixa-nos um dia a menos para completar nossa obra de aperfeiçoamento do caráter.

Há um só refúgio: a Rocha dos séculos. Com fúria inexorável aproxima-se a tormenta. Estamos nos preparando para enfrentá-la? Somos um com Cristo como Ele é um com o Pai? O caráter de Cristo deve ser o nosso caráter. Devemos ser transformados pela renovação de nossas mentes. Aqui está nossa única segurança!

A parábola da figueira estéril, em Lucas 3: 6-9, nos indica que a paciência de Deus ainda continua:“certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e, vindo procurar fruto nela, não achou. Pelo que disse ao viticultor: Há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não acho; pode cortá-la; para que está ela ainda ocupando inutilmente a Terra? Ele, porém, respondeu: Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume. Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la”.

O que significam as palavras: deixe-a ainda este ano? Elas dão a entender, no tempo presente, que a paciência e a misericórdia de Deus são quase ilimitadas. Quase, porque sabemos que virá o tempo em que a misericórdia deixará de pleitear e a justiça será posta em execução.

E que frutos são estes? Alguns estatísticos dizem que são almas salvas pelo esforço pessoal. Mas isso não é fruto! O fruto que Jesus está falando aqui é o fruto composto, do Espírito, citado em Gálatas 5: 22-23:

“amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio”.
Você não gostaria de pertencer a este grupo que dá fruto e nunca será cortado? Então descubra o que significa prostrar-se diante da cruz e comungar com o seu Salvador, Senhor e Amigo.

Deus, na Sua misericórdia não te cortou, nem te contempla friamente. Ao reconhecermos que Ele nos aceita assim como estamos e ao contemplarmos diariamente o Seu grande amor e misericórdia, o fruto surgirá espontaneamente. O segredo está na viva relação com o grande coração de amor.

Repetimos: “Aqueles cujos corações estão repletos de vida espiritual não precisam ser incitados a revelá-lo”.

                                                                 Anexo 1 - O juízo

Na manhã de 23 de outubro de 1879, por volta das duas horas, o Espírito do Senhor repousou sobre mim, e vi cenas do juízo vindouro. Faltam-me palavras para descrever devidamente as coisas que passaram diante de mim, e o efeito que tiveram sobre meu espírito.

Parecia haver chegado o grande dia da execução do juízo de Deus. Dez milhares vezes dez milhares achavam-se reunidos diante de um grande trono, sobre o qual estava sentada uma pessoa de aparência majestosa. Vários livros achavam-se diante dEle, e na capa de cada um estava escrito em letras de ouro, que parecia como chama ardente: “Contas correntes do céu”. Foi então aberto um desses livros contendo os nomes dos que professam crer na verdade. Perdi imediatamente de vista os inúmeros milhões que se achavam ao redor do trono, e unicamente os que eram professos filhos da luz e da verdade me prenderam a atenção. Ao serem nomeadas essas pessoas, uma a uma, e mencionadas suas boas ações, sua fisionomia iluminava-se de santa alegria que se refletia em todas as direções. Isto, porém, não pareceu fixar-se em meu espírito com a maior intensidade.

Abriu-se outro livro, no qual se achavam registrados os pecados dos que professam a verdade. Sob o cabeçalho geral do egoísmo, vinha uma legião de pecados. Havia também cabeçalhos sobre cada coluna e, em baixo destes ao lado de cada nome, achava-se registrados, em suas respectivas colunas, os pecados menores.

Sob a cobiça vinha a falsidade, o furto, o roubo, a fraude e a avareza; sob a ambição vinha orgulho e a prodigalidade; o ciúme encabeçava a maldade , a inveja e o ódio; e a intemperança servia de cabeçalho a uma longa lista de terríveis crimes, como a lascívia, o adultério, a condescendência com as paixões animais etc. Ao contemplar isto, enchi-me de inexprimível angústia e exclamei: Quem poderá salvar-se? Quem subsistirá justificado diante de Deus? Quem terá os vestidos sem mancha? Quem é impecável aos olhos de um Deus puro e santo?

À medida que o Santo que estava sobre o trono ia virando lentamente as folhas do Contas correntes e Seus olhos pousavam momentaneamente sobre os indivíduos, esse olhar parecia queimar-lhes até ao íntimo da alma, e, no mesmo instante, cada palavra e ação de sua vida passava-lhe diante da sua mente clara como se fosse traçada ante seus olhos com letras de fogo. Apoderava-se deles o temor, e os rostos empalideciam. Seu primeiro aspecto quando se achava diante do trono, era de descuidosa indiferença. Mas como se lhes mudara agora esse aspecto! Desaparece o sentimento de segurança, substituindo-o inominável terror. Toda alma está aterrada, não seja ela achada entre os que estão em falta. Todos os olhos se acham voltados para a face dAquele que se acha sentado sobre o trono; e enquanto Seu olhar solene e esquadrinhador passa por aquele grupo, há tremor de coração; pois sentem-se em si mesmos condenados, sem que fosse pronunciada uma palavra. Em angústia de alma, cada um declara a própria culpa e de maneira terrivelmente vívida vê que, pecando, atirou fora a preciosa dádiva da vida eterna.


Empecilhos do terreno

Uma classe estava registrada como empecilhos do terreno. Ao cair sobre estes o penetrante olhar do juiz, foram distintamente revelados seus pecados de negligência. Com lábios pálidos e trêmulos reconheceram haver sido traidores do santo depósito que lhes fora confiado. Haviam tido advertências e privilégios, mas não os haviam atendido e aproveitado. Podiam ver agora que haviam presumido demasiado da misericórdia de Deus. Em verdade, não tinham a fazer confissões como as dos vis e baixamente corrompidos; mas, como a figueira, eram amaldiçoados por não produzirem frutos por não haverem usado os talentos a eles confiados.

Esta classe dera ao próprio eu o supremo lugar, trabalhando apenas pelo interesse egoísta. Não eram ricos para com Deus, não havendo correspondido às suas reivindicações sobre eles. Porquanto professassem ser servos de Cristo, não lhe trouxeram almas. Houvesse a causa de Deus dependido de seus esforços, e haveria definhado; pois eles, não somente retiveram os meios que lhes foram emprestados por Deus, mas a si mesmos se retiveram. Estes, porém, podiam ver agora e sentir que, assumindo para com a obra e a cause de Deus uma posição de irresponsabilidade, haviam se colocado do lado esquerdo. Haviam tido oportunidade, mas não fizeram a obra que podiam e deviam ter feito.

Foram mencionados os nomes de todos quantos professam a verdade. Alguns foram reprovados pela sua incredulidade, outros por terem sido servos negligentes. Deixaram que outros fizessem a obra na vinha do Mestre, e levassem as mais pesadas responsabilidades, enquanto eles estavam servindo egoistamente seus próprios interesses temporais. Houvessem eles cultivado as aptidões que o Senhor lhes dera, teriam sido dignos de confiança como portadores de responsabilidades, trabalhando pelos interesses do Mestre. Disse o juiz: “todos serão justificados por sua fé, e julgados por suas obras”. Quão vividamente aparecia então sua negligência, e quão sábia a medida de Deus de dar a cada homem uma obra a fazer a fim de promover a causa e salvar seus semelhantes! Cada um devia demonstrar na família e na vizinhança uma fé viva, mediante a bondade manifestada ao pobre, a compaixão para com o aflito, o empenhar-se em obra missionária, e o ajudar a causa de Deus com seus meios. Mas, como Meroz, a maldição de Deus repousou sobre eles pelo que não fizeram. Eles amaram a obra que traria mais proveito nesta vida; e ao lado de seus nomes no Livro consagrado às boas obras, havia um lamentável vazio.
Achado em Falta

As palavras dirigidas a estes foram soleníssimas: “Fostes pesados na balança, e achados em falta. Negligenciastes as responsabilidades espirituais devido à atarefada atividade nos assuntos temporais, ao passo que vossa própria posição de confiança tornava necessário possuirdes sabedoria mais que humana e discernimento acima do finito. Precisáveis disto a fim de realizardes mesmo a parte mecânica de vosso trabalho; e quando desligastes Deus e Sua glória de vossa ocupação, desviastes-vos de Sua bênção”.

Foi então feita a pergunta: “Porque não lavastes vossos vestidos de caráter, e os branqueastes no sangue do Cordeiro? Deus enviou Seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que este fosse salvo por Ele. Meu amor por vós foi mais abnegado do que o de uma mãe. Foi para poder pagar vosso sombrio registro de iniquidade, e pôr-vos nos lábios o cálice da salvação, que sofri a morte de cruz, suportando o peso e a maldição de vossa culpa. As agonias da morte e os horrores das trevas do sepulcro, Eu suportei, a fim de vencer aquele que tinha o império da morte, descerrar a prisão, e abrir-vos os portais da vida. Submeti-me à vergonha e à angústia porque vos amava com infinito amor, e queria trazer de volta Minhas ovelhas desgarradas e errantes ao paraíso de Deus, à árvore da vida. Esta vida de bênçãos que para vós comprei a tal preço vós a desprezastes. Vergonha, vitupério e ignomínia como os que por vós sofreu vosso Mestre, vós os evitastes. Os privilégios que Ele deu a vida para por ao vosso alcance, não os apreciastes. Não quisestes ser participantes de Seus sofrimentos, e agora não podeis partilhar com Ele de Sua glória”.

Foram então proferidas estas solenes palavras: “Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e que é santo, seja santificado ainda”. Fechou-se então o livro, e caiu o manto da pessoa que estava no trono, revelando a terrível glória do Filho de Deus.

A cena dissipou-se, e encontrei-me ainda na Terra, inexprimivelmente grata porque o dia de Deus ainda não tivesse vindo, e o precioso tempo da graça ainda nos fosse concedido, de modo a nos prepararmos para a eternidade.
O trabalho de cada hora passa em revista diante de Deus, e é registrado para fidelidade ou infidelidade. O registro dos momentos desperdiçados e não aproveitadas oportunidades, terá de ser enfrentado quando se assentar o juízo, e os livros forem abertos e cada um for julgado segundo as coisas escritas nos livros. Egoísmo, inveja, orgulho, ciúmes, preguiça, ou qualquer outro pecado nutrido no coração, excluirá uma pessoa da bem-aventurança do céu. “A quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis”.


                                                                  Bibliografia

1. WHITE, E.G., O Grande Conflito, 30ª Edição, 1985, p. 492
2. WHITE, E.G., O Grande Conflito, 36ª Edição, 1988, p. 489
3. WHITE, E. G., O Grande Conflito, 36ª Edição, 1988, p. 435
4. WHITE, E. G., O Grande Conflito, 30ª Edição, 1985, p. 427
5. CERAM, C. W., Deuses, Túmulos e Sábios. 8ª Ed. São Paulo: Melhoramentos, 1959.
6. WHITE E.G., O Grande Conflito, 36ª Edição, 1988, p. 481.
7. WHITE, E.G., Testemunhos Seletos, Volume I, página 518.
8.
9.
10. WHITE, E.G., O Grande Conflito, 36ª Edição, 1988, p.678.
11. WHITE, E.G., O Grande Conflito, 30ª Edição, 1985, p.684
 E. W. Testemunhos Seletos, Volume I, p. 423.
12. WHITE, E.G., Patriarcas e Profetas, p. 263.
13. WHITE, E.G., O Desejado de Todas as Nações, Sétima Edição, CPB, 1965, p. 611.
14. WHITE, E.G., O Grande Conflito, 30ª Edição, p. 422. verificar.
15. WHITE, E.G., 6 Testemonies, p. 440
16. WHITE, E.G., Testemunhos Seletos, Volume I, p. 423.
17. A Bíblia Sagrada Missionária, Estudo Nº 18
18. E.W. O Grande Conflito, 30ª Edição p. 450.
19. WHITE, E.G..
20. WHITE, E.G., 6 Testemonies, p. 443
21. WHITE, E.G., O Lar adventista, p. 406, 407 e 409
22. WHITE, E.G.. R H 14/07/1903.
23. WHITE, E.G., Meditações Matinais Maranata, 1977, p. 259 e 264.


Nenhum comentário:

Postar um comentário