Tratando já do Império
Romano, diz o verso 16:
“O que, pois, vier contra ele, fará o que bem quiser, e
ninguém poderá resistir a ele; estará na terra gloriosa, e tudo estará em suas
mãos”.
Isso ocorreu em 161
a. C., quando Roma, aproveitando-se do esgotamento do Império Grego e do pedido
de ajuda de Israel, domina o que restara da Síria, ocupando, a partir de então,
historicamente, o reino do Norte. Roma, imperceptivelmente, foi também anexando
a Palestina à sua jurisdição, o que se concretizou, de fato, cem anos mais
tarde, quando a Palestina tornou-se, efetivamente, território romano, e os
judeus passaram a orar e aguardar pelo Messias político prometido, que os
libertaria.
No ano 51 a. C.,
com a morte de Ptolomeu XI, que deixou dois filhos: Ptolomeu XII e Cleópatra,
Roma aproveitou-se da ocasião para colocar o Egito sob seu domínio.
O Egito reúne todo
o seu exército para a luta, mas busca negociar com Roma, propondo um acordo com
Júlio Cesar, então imperador romano. Seu intuito era o de unir o Egito com Roma
por meio de um casamento, conforme o verso 17:
Daniel
11: 17 “Resolverá vir com a força de todo
o seu reino, e entrará em acordo com ele, e lhe dará uma jovem em casamento,
para destruir o seu reino; isso, porém, não vingará, nem será para sua
vantagem”.
Júlio César aceitou
a proposta de casamento com Cleópatra, a herdeira do Egito e, depois de
conquistá-la, volta para Roma, mas não antes de outras conquistas territoriais:
Daniel 11: 18-19: “Depois se voltará para as terras do mar, e
tomará muitas; mas um príncipe fará cessar-lhe o opróbrio, e ainda fará recair
o opróbrio sobre aquele. Então voltará para as fortalezas de sua própria terra;
mas tropeçará e cairá, e não será achado”.
O verso 19
apresenta Júlio César voltando glorioso a Roma e sendo recebido com festa.
Havia, porém, uma conspiração entre os seus senadores que o assassinaram. Após
sua morte, a História aponta uma disputa entre dois homens fortes de Roma:
Marco Antônio e César Augusto. Cleópatra, pensando que Marco Antônio sairia
vencedor, tentou conquistá-lo, chegando a casar-se com ele e colocando seu
reino contra César Augusto. Este, no entanto, liderou o exército, na ausência
de Marco Antônio, ficando com o reino de Roma. Derrotado pelo seu oponente,
Marco Antônio suicida-se quando de seu retorno para o Egito. Cleópatra,
desesperada suicida-se, também, após uma frustrada aproximação a César Augusto,
que governa Roma de 44 a.C. até 14 d.C.
O verso 20 faz
alusão à morte de Júlio César e à Ascensão de César Augusto:
“Levantar-se-á, depois, em lugar dele, um que fará passar um
exator pela terra mais gloriosa do seu reino; mas em poucos dias será
destruído, e isso sem ira nem batalha”.
Foi no império de
César Augusto que saiu o decreto obrigando todo cidadão a retornar a sua cidade
natal para o recenseamento (Lucas 2:1). Neste período Maria e José foram a
Belém, onde Jesus nasceu, conforme Daniel 11: 21:
“Depois se levantará em seu lugar um homem vil, ao qual não
tinham dado a dignidade real; mas ele virá caladamente, e tomará o reino com
intrigas”.
César Augusto não
gostava do filho – Tibério César, que era filho apenas de Lívia, sua esposa.
Tibério César, por isso, foi considerado indigno para a sucessão – um homem
vil. Mas acabou sendo o imperador, por manobras de sua mãe. Tibério César
colocou na Palestina um procurador chamado Pôncio Pilatos que foi quem assinou
o termo de crucifixão de Jesus em 31 d. C., de acordo com o versículo seguinte:
Daniel 11: 22: “As forças inundantes serão arrancadas de
diante dele; serão quebrantadas, como também o Príncipe da aliança”.
Esta é uma evidente
alusão à crucifixão de Jesus Cristo, distinguindo com clareza o tempo profético
assinalado. Os versículos seguintes, pela lógica, deverão corresponder a fatos
ocorridos a partir da Igreja Primitiva, haja vista a necessidade da
continuidade da História. Lembremo-nos que a profecia é apenas a antecipação dos
fatos históricos graças à pré-ciência de Deus.
Daniel 11: 23: “Apesar da aliança com ele, usará de engano,
subirá e se tornará forte com pouca gente”.
Este verso deve estar fazendo uma alusão à relativa decepção com respeito ao Cristianismo, que não obstante a aliança estabelecida com Cristo aceitou a introdução lenta e gradual da apostasia, mormente após a morte de todos os apóstolos do Senhor Jesus. O verso também deve fazer alusão a Constantino que elevou o Cristianismo das catacumbas para os palácios, mas passou a dominá-lo por meio do clero romano.
Este verso deve estar fazendo uma alusão à relativa decepção com respeito ao Cristianismo, que não obstante a aliança estabelecida com Cristo aceitou a introdução lenta e gradual da apostasia, mormente após a morte de todos os apóstolos do Senhor Jesus. O verso também deve fazer alusão a Constantino que elevou o Cristianismo das catacumbas para os palácios, mas passou a dominá-lo por meio do clero romano.
Daniel 11: 24-25: “Virá também caladamente aos lugares mais
férteis da província, e fará o que nunca fizeram seus pais, nem os pais de seus
pais; repartirá entre eles a presa, os despojos e os bens; e maquinará os seus
projetos contra as fortalezas, mas por certo tempo. Suscitará a sua força e seu
ânimo contra o rei do Sul à frente de grande exército; o rei do Sul sairá à
batalha com grande e poderoso exército, mas não prevalecerá, porque maquinarão
projetos contra ele”.
Enquanto o verso 24
fala de uma possível dispersão da igreja primitiva, mormente após a influência
de Constantino, passando a se interessar mais pelos bens materiais do que pelos
espirituais, o verso 25 aponta para a ocorrência de disputas entre os bispos de
Roma e o bispo do Egito (Sul). É bem provável que se refira aí ao combate às
três tribos arianas (nações que defendiam os pontos de vista de Ários, bispo de
Alexandria que afirmava ser Jesus Cristo apenas homem e não Deus).
As tribos arianas
foram destruídas completamente e, por isso, Daniel 11: 25 mantém um provável
alinhamento com Daniel 7: 8 que parece ter profetizado o mesmo:
“Estando eu a observar os chifres, eis que entre eles subiu
outro pequeno (papado), diante do
qual três dos primeiros chifres (três nações arianas), foram arrancadas (destruídas)”.
Parênteses acrescentados.
A última tribo
ariana, (os Hérulos), caiu em 538. O resultado destes combates propiciou o
estabelecimento definitivo do papado no cenário mundial.
Daniel 11: 26: “Os que comerem os seus manjares o
destruirão, e o exército dele será arrasado, e muitos cairão
transpassados".
Temos aqui mais uma
alusão à queda do Arianismo que, não obstante ser tributário a Roma foi
destruído por ela, o que facilitou aos bispos romanos consolidar seu poder
religioso e político.
Daniel 11: 27: “Também estes dois reis se empenham em fazer
o mal, e a uma só mesa falarão mentiras; porém isso não prosperará, porque o
fim virá no tempo determinado”.
Este verso encontra
uma melhor aplicação no que se refere ao aumento do poder dos bispos romanos e
a diminuição do poder político dos imperadores de Roma pagã, cujo final foi também
previsto.
Daniel 11: 28 “Então tornará para a sua terra com grande
riqueza; o seu coração será contra a santa aliança, fará o que lhe aprouver, e
tornará para a sua terra”.
A partir do ano 330
d. C. Roma começa a cair. E numa tentativa de sobrevivência Constantino reúne
muitos recursos e investe em Constantinopla que passa a ser a capital do
império. Em Roma, o caminho fica aberto para os bispos que organizam a hegemonia
da igreja.
Daniel 11: 29-30: “No tempo determinado tornará a avançar
contra o Sul; mas não será nesta última vez como foi na primeira porque virão
contra ele navios de Quitim, que lhe causarão tristeza; voltará e se indignará
contra a santa aliança, e fará o que lhe aprouver; e, tendo voltado, atenderá
aos que tiverem desamparado a santa aliança”.
A saída de
Constantino de Roma redundou no desaparecimento do Império Romano, em 476 d. C.
A expressão profética “navios de Quitim” faz referência às nações bárbaras que
penetraram o império romano, dividindo-o em dez reinos - uns mais fortes,
outros mais fracos, que nunca mais se uniriam novamente (o reino dividido, profetizado
em Daniel 2). Diz, ainda, que Roma agiria contra a santa aliança, defendendo o
papado das tribos arianas, passando o cetro do poder para os papas que
estabeleceram a primeira supremacia papal de 538 d. C. a 1798 d. C.
Fortalecida politicamente, Roma eclesiástica passa a infiltrar distorções na Palavra de Deus, segundo as suas crenças
mescladas de paganismo e por meio de tradutores comprometidos com o sistema
papal.
Do versículo 31 em
diante espera-se, pois, que se faça alusão ao papado em suas perseguições aos
cristãos sinceros, por todo o período da Idade Média, e foi isto o que
realmente aconteceu.
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