Agora vamos considerar as
revelações quanto ao futuro, a partir de Daniel 2: 31 onde, justamente, começa
o sonho do rei:
Tu, ó rei, estavas vendo, e eis aqui uma grande estátua; esta, que era
imensa, e de extraordinário esplendor, está em pé diante de ti; e a sua
aparência era terrível. A cabeça era de fino ouro, o peito e os braços de
prata, o ventre e os quadris de bronze; as pernas de ferro, os pés em parte de
ferro e em parte de barro. Quando estavas olhando, uma pedra foi cortada sem
auxílio de mãos, feriu a estátua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou.
Então foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os
quais se fizeram como a palha das eiras no estio, e o vento os levou, e deles
não se viram mais vestígios. Mas a pedra, que feriu a estátua, se tornou uma
grande montanha que encheu toda a Terra”. Daniel 2: 31-35.
Este foi o sonho do rei: uma
estátua de diferentes metais, que se degradava a partir do ouro até chegar ao
barro de oleiro e que, finalmente, foi pulverizada por uma misteriosa pedra e
levada pelo vento. O rei, certamente deve ter ficado impressionado com a
recordação do sonho e muito atento para a sua interpretação. O que ele não
sabia é que estava sob a observação dAquele que o havia colocado no poder,
conforme a explicação de Daniel:
“Tu, ó rei, rei de reis, a quem o Deus do céu conferiu o reino, o poder, a
força e a glória; a cujas mãos foram entregues os filhos dos homens, onde quer
que eles habitem, e os animais do campo e as aves do céu, para que dominasses
sobre todos eles, tu és a cabeça de ouro. Depois de ti se levantará outro
reino, inferior ao teu; e um terceiro reino, de bronze, o qual terá domínio
sobre toda a Terra. O quarto reino será forte como o ferro; pois, o ferro a
tudo quebra e esmiúça; como o ferro quebra todas as coisas, assim ele fará em
pedaços e esmiuçará. Quanto ao que viste dos pés e dos dedos, em parte de barro
de oleiro e em parte de ferro, será isso um reino dividido; contudo haverá nele
alguma coisa da firmeza do ferro, pois que viste o ferro misturado com o barro
de lodo. Como os dedos dos pés eram em parte de ferro e em parte de barro,
assim por uma parte o reino será forte, e por outra será frágil. Quanto ao que
viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão mediante casamento,
mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro. Mas,
nos dias destes reis (representados
pelos dedos da estátua, significando um império dividido unido pela religião), o Deus do céu suscitará um reino que não
será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e
consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre, como viste
que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o
ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. O Grande Deus fez saber ao rei o
que há de ser futuramente. Certo é o sonho, e fiel a sua interpretação.” Daniel
2: 37-45.
A
explicação foi clara: haveria uma sucessão de impérios, a partir de Babilônia,
até que, finalmente, o reino do Altíssimo seria estabelecido para sempre na
Terra.
O tempo avançou e hoje já estamos
situados nos pés desta estátua aguardando apenas pela conclusão da profecia.
Encontramo-nos, também, em situação privilegiada em poder fazer a retrospectiva
dos fatos já realizados.
O
reino da Grécia antiga, representada pelo quadril de bronze, surgiu na sucessão
dos medos e persas, sob o comando de Alexandre, o Grande, mas foi, finalmente
subjugado por Roma que permaneceu até ser, 640 anos mais tarde, invadida pelas
tribos bárbaras que acabaram dividindo o Império em dez nações, as quais vieram
a constituir a Europa Ocidental. A segmentação deste império deveria permanecer
até muito próximo da Segunda Vinda de Jesus que, segundo o apóstolo Pedro, foi
representado pela pedra cortada do monte sem auxílio de mãos, conforme a
revelação de Atos 4: 11 e I Pedro 2: 3-4:
“Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os
construtores, o qual se tornou a pedra angular... Chegando-vos para Ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens,
mas para com Deus eleita e preciosa” – Atos 4: 11 e I Pedro 2: 4.
Quanto à mistura do ferro com o
barro de oleiro ou lodo, a mesma tipifica a mistura da política (como foi
representada pelo ferro das pernas da estátua, pois que as pernas de ferro
representaram Roma Imperial, um reino político), com a religião (caracterizada
pelo barro de oleiro, conforme Jeremias 18: 6).
Esta condição dominou o cenário
político/religioso de toda a Idade Média até que foi mudada, quando Napoleão
Bonaparte eliminou o papado, em 1798.
No início do século XX, surgiu
uma tentativa de reunificação da Europa por meio de intrigas políticas e
alianças de casamentos. Inútil, porém, porque a profecia indicava que a
separação continuaria até ao final dos tempos, quando a condição medieval de um
império mundial dividido, unido pela religião seria reestabelecido, ainda que
por brevíssimo tempo.
Ignorando o teor desta profecia,
os homens continuam buscando, tenazmente, a formação de uma Nova Ordem Mundial,
para unir as nações por meio da religião. Eles vêm sendo orientados, desde
1875, através de livros espíritas. Estes livros recomendam que o plano da
globalização devia ser mantido em sigilo por cem anos. Assim, somente em 1975 o
mesmo começou a ser difundido pelas grandes Universidades do mundo.
Mais recentemente, por ocasião da
invasão do Kwait pelo Iraque, logo que Sadan Hussein invadiu aquele pequeno
país e antes que os aliados do Kwait declarassem guerra contra o invasor,
George Bush fez um discurso no congresso dos EUA, em 11/09/91, passando a
seguinte nota sobre a Nova Ordem Mundial:
“Encontramo-nos diante de um momento único e extraordinário. Apesar desta
crise do Golfo Pérsico ser muito séria, ela nos oferece uma preciosa
oportunidade de nos movermos a um período histórico de cooperação. Nosso
objetivo, nestes tempos problemáticos é estabelecer uma Nova Ordem Mundial. E o
que é isso? Uma Nova Era livre da ameaça do terror, mais forte na procura da
justiça e mais segura na busca da paz. Uma era na qual as nações do mundo:
Oriente e Ocidente, Norte e Sul poderão prosperar e viver em harmonia”.
O que poucos compreendem é que
este plano formidável faz parte de uma tentativa satânica para substituir os
planos de Deus. Os líderes do planeta não sabem que a sua NOM não prevalecerá
porque será justamente neste momento em que os homens estarão tentando
solucionar a atual crise mundial pela união das nações e por meio da religião
que Deus intervirá como foi ilustrado pela Pedra do sonho de Nabucodonosor que
destruirá este último sistema mundial, ora em formação, com um golpe súbito e
irremediável, conforme foi registrado em Daniel 2: 34.
Depois de lembrar-se de seu
sonho, ouvir a interpretação e engrandecer o jovem profeta, o monarca disse,
reverentemente:
“Certamente, o vosso Deus é o Deus dos
deuses, e o Senhor dos reis, e o
revelador de mistérios, pois pudeste revelar este mistério” - Daniel 2: 47.
Se o rei Nabucodonosor acreditou
porque Daniel pode revelar-lhe o sonho, quanto mais nós, que somos testemunhas
do seu cumprimento cabal na História?
Voltemos ao final dos dias de
Daniel para repassar um detalhe interessante. Quando estavam para se cumprir os
setenta anos de cativeiro prognosticado por Jeremias, Ciro, no comando dos
medos e persas tomou Babilônia, exatamente como previsto em II Crônicas 36:
22-23, descrito na página 11.
A
questão que se nos apresenta é como Ciro, um monarca pagão no governo de todo o
mundo conhecido, veio a dizer: “O Senhor,
Deus dos céus, Me deu todos os reinos da Terra e Me encarregou de Lhe edificar
uma casa em Jerusalém...”.
Esta questão, fora da lógica humana, nos
permite avaliar melhor a citação de Isaías 55: 8, que diz:
“Porque os Meus pensamentos não são os
vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os Meus caminhos, diz o Senhor”.
Diferentemente
de nós, Deus trabalha com expectativas de longo prazo e, para alcançar este
objetivo específico, já havia feito uma profecia, há cerca de cem anos antes do
nascimento de Ciro, em Isaías 45: 1-6, como segue:
“Assim diz o Senhor ao Seu ungido, a Ciro, a
quem tomo pela mão direita, para abater as nações ante sua face; e descingir os
lombos dos reis, para abrir diante dele as portas, que não se fecharão. Eu irei
diante de ti, endireitarei os caminhos tortuosos, quebrarei as portas de
bronze, e despedaçarei as trancas de ferro; dar-Te-ei os tesouros escondidos, e
as riquezas encobertas, para que saibas que Eu sou o Senhor, o Deus de Israel,
que Te chama pelo teu nome. Por amor do Meu servo Jacó, e de Israel, Meu
escolhido, Eu Te chamei pelo teu nome, e Te pus o sobrenome, ainda que não Me
conheces. Eu sou o Senhor, e não há outro; além de Mim não há Deus; Eu Te
cingirei, ainda que não Me conheces, para que se saiba até ao nascente do sol e
até ao poente, que além de Mim não há outro; Eu sou o Senhor, e não há outro”.
Esta
intenção divina de usar o general persa para derrubar Babilônia e libertar os
filhos de Israel calou fundo em seu coração. O livramento prévio de Daniel da
cova dos leões, como veremos, certamente também foi providencial para criar uma
impressão favorável no espírito do novo rei. As excelentes qualidades de Daniel
com certeza ajudaram para levar o governante persa a mostrar-lhe marcado
respeito. E agora, ao chegar o tempo do templo de Deus ser reconstruído, Ele
usa Daniel para orientar o monarca persa no discernimento desta impressionante
revelação.
Ciro, ao constatar seu nome nas
antigas Escrituras não teve dúvidas para libertar os judeus que voltaram para
sua terra e, ainda decretou:
“O rei Ciro, no seu primeiro ano, baixou o seguinte decreto: Com respeito a
casa de Deus, em Jerusalém, deve ela edificar-se para ser um lugar em que se
ofereçam sacrifícios; seus fundamentos serão firmes, a sua altura, de sessenta
côvados, e a sua largura, de sessenta côvados, com três carreiras de grandes
pedras e uma de madeira nova. A despesa se fará da casa do rei”. Esdras 6: 3-4.
Ciro ainda permitiu que levassem
os utensílios de ouro e prata que haviam sido retirados do templo por
Nabucodonosor, bem como as ofertas que foram doadas, pelos judeus que ficaram,
para dar início à reconstrução de Jerusalém.
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