segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

O julgamento corporativo/ A abertura dos seis primeiros selos


Trataremos nesta sessão do segundo objetivo do juízo de Deus: o julgamento da última Igreja, como instituição. Este segmento faz a caracterização prévia das sete fases pelas quais deve passar o povo julgado a partir da abertura do tribunal celeste até a sua vitória final. O último evento está claramente revelado no sétimo selo, a seguir:

“Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, houve “silêncio no céu cerca de meia hora”. Apocalipse 8: 1.

O profeta João está se referindo a um período profético correspondente a uma semana literal.

A chave para a transformação da meia hora profética em tempo literal encontra-se em Ezequiel 4: 7:

“Quarenta dias te dei, cada dia por um ano”.

Precisamos apenas lembrar que, para essa conversão, o ano bíblico tem doze meses de trinta dias, conforme Gênesis 7: 11; 8: 3-4 e 1 Reis 4: 7. Neste sentido uma hora corresponde a 360d/24h=15 dias. Meia hora corresponde a 7,5 dias, e quase meia hora, a uma semana literal.
Esta era a duração da festa das colheitas ou dos tabernáculos que se seguia por sete dias após a festa da Expiação, em Israel.
Vemos no sétimo selo o antítipo se encontrando com o tipo, ou seja, a festa das colheitas do tempo dos judeus, após a sua libertação do cativeiro egípcio, com o tempo previsto para a colheita final da seara da Terra, após o cativeiro do pecado.
Fica apenas a interrogação sobre o porquê do tipo ser de sete dias? Haveria a intenção de prenunciar a conclusão da História da humanidade sobre a Terra da mesma forma como ela começou? Incluiria, inclusive um repouso semelhante ao do final da primeira semana da criação? Provavelmente sim, só que agora por uma motivação diferente, conforme aquela registrada em Deuteronômio 5: 15:
“Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito (símbolo também da escravidão do mundo e do pecado, no nosso caso), e que o Senhor teu Deus te tirou dali com mão poderosa, e braço estendido...”. Parêntese meu.
Assim, o céu ficará vazio por ocasião do resgate de todos os salvos desta Terra, os quais serão levados para lá, conforme a promessa de João 14: 1-3:
“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, Eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E quando Eu for, e, vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para Mim mesmo, para que onde Eu estou estejais vós também”.
No céu os justos permanecerão por mil anos, após a primeira ressurreição, participando do julgamento dos perdidos, conforme Apocalipse 20: 4:
“Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da Palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos”.
Quanto ao sexto selo, ninguém duvida que o mesmo revele eventos extraordinários estreitamente ligados à Segunda Vinda de Jesus, devido ao seu contexto imediato revelar que “o céu recolheu-se como um pergaminho, quando se enrola...”, conforme citado em Apocalipse 6: 14.
Este selo ainda inclui o derradeiro desespero dos ímpios, nesta hora fatal, encerrando-se com uma pergunta crucial:
“Quem subsistirá”? Apocalipse 6: 17
Antes de examinarmos a resposta para essa inquietante pergunta, suficientemente respondida em Apocalipse 7, vamos discutir, rapidamente, o conteúdo das revelações contidas na abertura dos seis primeiros selos, descritos em Apocalipse 6: 1-11.  

     A abertura dos seis primeiros selos

         Para nos situarmos, historicamente, no contexto do primeiro selo, precisamos nos reportar à abertura do tribunal, no Santíssimo, onde a cena foi introduzida por uma voz que disse a João:
    “Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer ‘depois destas coisas’”. Apocalipse 4: 1.
        Fica claro que o ponto de vista de João é o do céu. Mas, o que significaria a expressão: “depois destas coisas”? Para sabê-lo, precisamente, basta voltarmos ao Apocalipse 1: 19 que divide o livro das Revelações em apena três partes, como segue:
        “Escreve, pois, as coisas que viste (o verbo, no passado, aponta para a visão de Cristo glorificado visto por João, no primeiro capítulo); e as que são (O verbo, no presente, está falando das sete igrejas que estavam estabelecidas na Ásia Menor, citadas nos capítulos dois e três), e as que hão de acontecer depois destas” (o verbo no futuro se reporta ao juízo de Deus, iniciado a partir do capítulo 4). Parênteses acrescentados.
   Como não temos outras fases, devemos concluir, sem sombra de dúvidas, que o julgamento divino é o tema focado no Apocalipse 4: 1 a 8: 1, a ocorrer logo após às seis primeiras igrejas, já que a última, apesar de inclusa nas ‘coisas que são’, deve, também, ocupar o seu espaço a partir da abertura do juízo, de acordo com o significado do seu nome, sendo ela, portanto, a igreja ‘sub judice’ a partir da abertura do primeiro selo.
O fato da abertura dos selos, no capítulo 6, ocorrer após a instauração do juízo individual, em Apocalipse 4 e 5, confirma o referencial de tempo para a abertura dos selos, de acordo com o seu expresso lugar cronológico indicado em Apocalipse 4: 1: “depois destas coisas”.
Vamos, pois, a abertura dos seis primeiros selos.

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