segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Os aspectos principais do tribunal divino



Ainda sob o ponto de vista introdutório e situacional, a segunda visão do primeiro alinhamento, exposta em Apocalipse de 4 a 8, descreve a implantação do juízo celestial. E, para proporcionar uma melhor compreensão desta visão, a relacionaremos com as profecias do profeta Daniel, devido ao seu claro vínculo com os textos em apreço.

Enquanto Daniel 7: 9-10 introduz o tema do tribunal e dos livros que são abertos, dizendo:

“Continuei olhando até que foram postos uns tronos e o Ancião de Dias se assentou... milhares de milhares O serviam e miríades de miríades estavam diante dele; assentou-se o tribunal, e se abriram os livros”, João, destacando um destes livros da visão de Daniel, complementa a profecia dele, dizendo que os mortos serão julgados pelo conteúdo destes livros, que nos são apresentados da forma como segue:

“... Então, se abriram os livros. Ainda outro livro, o livro da vida foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros” – Apocalipse 20: 12.

A visão de João, portanto, é a mesma de Daniel, mas as informações são complementares.

Enquanto Daniel se impressiona com os livros, em geral, e com a quantidade inumerável dos presentes no imenso salão do Santíssimo, João tratou de diferenciar o livro da vida dos demais, caracterizando, também, os participantes desta suprema corte de justiça, conforme Apocalipse 5: 11:

“Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares”.

Além de particularizar as testemunhas angélicas e demais componentes da corte real, João descreve a extraordinária beleza do trono de Deus, agregando uma série de detalhes ao ambiente, que não foram percebidos pelo profeta Daniel:

“Imediatamente, eu me achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado, e esse que se acha assentado é semelhante, no aspecto, a pedra de jaspe e de sardônio, e, ao redor do trono, há um arco-íris semelhante, no aspecto, a esmeralda” – Apocalipse 4: 2-3.

João acrescenta, ainda, que no meio e na volta do trono havia quatro querubins guardadores dos livros que foram abertos, contendo os processos pertinentes aos seres humanos crentes que um dia viveram sobre a Terra, destacando, também, a figura dos vinte e quatro anciãos que se achavam sentados em vinte e quatro tronos menores – Apocalipse 4: 3-4. Estes anciãos certamente foram conduzidos à sala ampla e iluminada do Santíssimo para testemunharem quanto à ilibada justiça praticada neste tribunal.


Enquanto João, em sua primeira visão, viu Jesus ainda entre os candeeiros, intercedendo pelas Suas igrejas, antes da instalação do juízo propriamente dito,  coube ao profeta Daniel registrar a passagem dEle para o extraordinário fórum celestial, a fim de efetuar o julgamento da humanidade, conforme o testemunho de Daniel 7: 13:

“Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho de Homem, e dirigiu-Se ao Ancião de Dias, e O fizeram chegar até Ele”.  

Enquanto Daniel se apercebe da formidável distância entre os dois compartimentos do verdadeiro Santuário, o apóstolo amado dá evidente continuidade à cena, dizendo que o Ancião de Dias, Deus, o Pai, já aguardava o Filho com um livro selado na mão, conforme Apocalipse 5: 1:

“Então vi na mão direita daquele que está assentado no trono um rolo escrito de ambos os lados e selado com sete selos”.

Enquanto Jesus estava a caminho do Santíssimo, o livro do Apocalipse revela a tensa preocupação no coração de João porque ele via tudo preparado, mas não o magistrado credenciado para definir os salvos para a eternidade. Por isso lemos em Apocalipse 5: 4 que o profeta “chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem mesmo de olhar para ele”.

Foi, então que o discípulo amado foi consolado por um dos anciãos que estava próximo e disse-lhe:

“Não chore. Veja: o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu para abrir o rolo e os sete selos” - Apocalipse 5: 5.

Quando, pois, o profeta reconheceu Aquele que acabava de chegar com Sua comitiva de anjos poderosos, e viu o livro da vida, definido em Apocalipse 20: 12, passando para as Suas mãos para dar continuidade à impressionante sessão, sua esperança renasceu e passou a narrar o momento em que o Messias, chamado de Cordeiro de Deus em Apocalipse 5: 6, foi recepcionado no Santíssimo, conforme Apocalipse 5: 7-10:

“Veio, pois, e tomou o livro da mão direita daquele que estava sentado no trono; e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes (quatro querubins, conforme Ezequiel 10: 15) e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos, e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o Teu sangue compraste para Deus os que procedem de cada tribo, língua, povo e nação e para nosso Deus os constituíste reino e sacerdote e reinarão sobre a Terra”. Parêntese suprido.  

Temos aqui dois fatos importantes: um concernente ao juízo dos que apresentam suas orações a Deus, particularizando o juízo dos pressupostos justos vivos inscritos no livro da vida, e outro que alude à abertura dos sete selos.

A partir deste momento transcendental para os seres humanos de todos os tempos e da Igreja Remanescente, em particular, os nomes daqueles que um dia professaram servir a Jesus começaram a ser examinados. Nomes passaram a ser confirmados no livro da vida do Cordeiro e nomes a serem rejeitados, pois todos aqueles que já sustentaram ser servos de Deus, mas que apresentavam pecados não confessados em seus registros, eram riscados do livro da vida, conforme a informação que encontramos em Êxodo 32: 33:

“Então, disse o Senhor a Moisés: Riscarei do Meu livro todo aquele que pecar contra Mim”.

Nesta fase do juízo, em operação desde 1844, Jesus vem fazendo uma exaustiva investigação individual de Seus seguidores, visando definir os súditos de Seu reino, conforme foi profetizado em Daniel 7: 14, que diz:

“Foi-Lhe dado domínio, e glória e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas O servissem; o Seu domínio é domínio eterno que não passará, e o Seu reino jamais será destruído”.

Como resultado deste ato solene realizado com aqueles que um dia foram justificados, lemos, ainda, em Daniel 7: 18 que:

“Os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre, de eternidade em eternidade”.

Tal revelação será feita com base nas decisões deste tribunal, concluído um ano antes da Segunda Vinda do nosso Mestre.

A contrapartida desta obra de justiça será tirar, em definitivo, o domínio dos rebeldes que estarão dominando sobre a Terra, e do seu líder, referido em Daniel 7: 26 como segue:

“Mas, depois, se assentará o tribunal para lhe tirar o domínio, para o destruir e consumir até ao fim”.

A razão deste pesado veredito é antecipada em Daniel 7: 25:

O chifre pequeno: “Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a Lei”.

As sentenças divinas, portanto, serão justas, apesar de surpreendentes. Precisamos, apenas, identificar, friamente, este personagem representado pelo chifre pequeno para sabermos de quem se trata.

Ao verificarmos no curso da História quem perseguiu os santos, chegando a matar, cruelmente, mais de 50 milhões deles, e que também mudou os mandamentos de Deus, somente uma figura se destaca: a do papa medieval.

Segundo, porém, os desdobramentos previstos nas profecias do Apocalipse, devemos esperar que o papa atual também intente obrigar a humanidade a seguir seus dogmas, contrários aos mandamentos de Deus, e que ainda venha a se embriagar com o sangue dos dissidentes, conforme nos revela Apocalipse 17: 6, no contexto da sétima praga:

“Então vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus”.

No caso de comprovarmos o cumprimento desta predição referente aos fatos ainda futuros, teremos então a certeza de que as sentenças divinas caberão também a ele.

Neste tempo que se aproxima rapidamente, como testemunhas do exposto, cada um dos vivos ‘sub judice’ deverá escolher, livremente, o lado em que se situar, contando que seja enquanto a porta da graça esteja aberta. Lembremo-nos de que ela fecha primeiro para os que conhecem a verdade.

Todos aqueles que não se arrependerem nem abandonarem seus pecados serão colocados no grupo dos perdidos, recebendo as pragas e a sentença de morte por ocasião da volta de Jesus, conforme Mateus 25: 32-41:

“Todas as nações serão reunidas diante dele, e Ele separará umas das outras como o pastor separa os bodes das ovelhas.

E colocará as ‘ovelhas’ à sua direita, e os ‘bodes’, à esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à direita: Venham, benditos de Meu pai, recebam sua herança, o reino preparado para vocês desde a fundação do mundo! ... Então ele também dirá aos que estiverem à esquerda: Afastem-se de Mim, malditos! ”

Neste patético quadro de Mateus 25, na presença dos vivos que restarão sobre a Terra, Jesus não menciona livros nem julgamento, porque Ele já traz o resultado do juízo, conforme Apocalipse 22: 12:

“E eis que venho sem demora, e Comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras.”

Foi neste clima de solene expectativa iniciado no Apocalipse 4 e 5 que o julgamento individual começou, pelo primeiro morto, e continua ainda sendo realizado.  

Antes mesmo da conexão com Abel, cuja morte ocorreu no início da criação, sendo, portanto o primeiro a ser julgado, ouviu-se dos 24 anciãos, que foram comprados da Terra, a gloriosa proclamação a Deus, o Pai:

“Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da Tua vontade vieram a existir e foram criadas”. Apocalipse 4: 11

Em Apocalipse 5: 12, quando a cena da redenção operada pelo Cordeiro é realizada e João for levado ao momento de Sua ascensão vitoriosa, milhões de anjos acompanhados pelos quatro seres viventes e pelos vinte e quatro anciãos cantaram em alta voz:

“Digno é o Cordeiro que foi morto de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor”!

No âmbito desta mesma visão, a cena do juízo finalmente foi transportada ao clímax da História Universal, após o milênio, quando todas as criaturas humanas estarão vivas e vindicarão o justo caráter de Deus e do Cordeiro, conforme o registro de Apocalipse 5: 13:

“E ouvi todas as criaturas, na Terra, debaixo da terra e no mar - sim, tudo o que neles há - dizerem: Àquele que está assentado no trono e ao Cordeiro pertencem o louvor, a honra, a glória e o poder, para todo o sempre”!

        Após este reconhecimento geral do santuário celestial, visando tornar mais reais alguns detalhes deste tribunal, faremos uma exposição detalhada do mesmo, com base nas Escrituras.  





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