segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

O segundo selo

“Quando abriu o segundo selo, ouvi o segundo ser vivente dizendo: Vem! E saiu outro cavalo, vermelho; e ao seu cavaleiro, foi-lhe dado tirar a paz da Terra para que os homens se matassem uns aos outros; também lhe foi dada uma grande espada” - Apocalipse 6: 3-4.
A paz, gozada por tanto tempo pela igreja de Laodiceia, tem sido garantida, principalmente, pela Constituição Americana, que tem assegurado a separação entre Igreja e Estado, em quase todo o Ocidente.
Antes, porém, que haja a efêmera união do ferro com o barro de oleiro profetizada em Daniel 2, isto é, a mescla da política com a religião, neste país, para que esta nação passe a legislar também sobre religião, o que induzirá ao processamento do juízo das nações, a presciência divina abre-nos um parêntese em Apocalipse 7 para nos explicar o porquê da casa de Judá entrar na profecia do tempo do fim: ela terá um importante papel na preparação das nações para a terceira fase do juízo investigativo, previsto na abertura do terceiro selo. Este parêntese explicativo contido em Apocalipse 7, todavia, será desenvolvido na altura do sexto selo.
Quanto à abertura do segundo selo, comecemos com as considerações divinas expressas em Zacarias 10: 1-3, específicas para o tempo da queda da última chuva do Espírito Santo, em Israel:
“Pedi ao Senhor chuva no tempo das chuvas serôdias... porque os ídolos do lar falam coisas vãs, e os adivinhos veem mentiras, contam sonhos enganadores e oferecem consolações vazias. Por isso, anda o povo como ovelhas, aflito, porque ‘não há pastor’. Contra os pastores se acendeu a Minha ira, e castigarei os bodes guias; mas o Senhor dos Exércitos tomará ao Seu cuidado o rebanho, a casa de Judá, e fará desta o Seu cavalo de glória na batalha”.
O texto é claro em revelar uma mudança na estratégia divina, devido ao fracasso dos pastores em conduzir as ovelhas e registra o momento exato em que Deus busca preparar Judá para realizar Sua última e significativa missão.
Antes, porém, de ser usada como um povo santo ao serviço do Senhor, a casa de Judá deverá passar pelo processo de purificação espiritual anunciado na dramática experiência do segundo selo, quando será desembainhada uma grande espada e “muitos sucumbirão”, conforme o registro de Daniel 11: 41.
E assim como o primeiro selo deu início ao juízo dos mortos, ao tempo em que Laodiceia passou a pregar o Evangelho eterno ao nível das nações, visando prepará-las para o juízo geral dos vivos a ser iniciado no terceiro selo, a abertura do segundo selo será providencial para tocar as trombetas do Apocalipse em Sião, visando despertar as virgens de Laodiceia, que dormem espiritualmente, no Ocidente, com relação à iminência do julgamento divino dos vivos, visto no final do capítulo anterior.
Este será, portanto, um tempo prévio à grande colheita das nações, caracterizado como a colheita das primícias para o celeiro de Deus, situadas sobre o monte de Sião, em Israel.
Estes primeiros frutos, quantificados em Apocalipse 7, serão identificados e selados após uma série de terríveis combates que ainda ocorrerão na Terra Santa, e que, por fim, induzirão à soltura dos ventos para a batalha física do Armagedom.
Antes, porém, de serem selados, os escapados das primeiras guerras continuarão seu intenso processo de purificação, conforme registrado em Zacarias 13: 8-9:
“Em toda a terra (de Israel), diz o Senhor, dois terços dela serão eliminados e perecerão (nas primeiras guerras, ainda futuras, de Israel contra os seus vizinhos islâmicos pela posse do Novo Estado Palestino, já votado pela ONU); mas a terceira parte restará nela. Farei passar a terceira parte pelo fogo, e a purificarei como se purifica a prata, e a provarei como se prova o ouro", quando Israel, vitorioso, mas praticamente sem exército, terá ainda que enfrentar duzentos milhões de combatentes, na guerra física do Armagedom, referida em Apocalipse 9: 13-16:
 “O sexto anjo tocou a sua trombeta e ouvi uma voz que vinha dos quatro chifres do altar de ouro que está diante de Deus, dizendo ao sexto anjo, que tinha a trombeta: Solte os quatro anjos que estão amarrados junto ao grande rio Eufrates! E eles foram soltos. Esses quatro anjos, que estavam preparados para aquela hora, dia, mês e ano, foram soltos para matar um terço da humanidade; e o número dos cavaleiros era de duzentos milhões! Eu ouvi o número”.
Neste confronto mortal, detalhado em Ezequiel 38 e 39, o Senhor dos Exércitos pelejará por Seus escolhidos, como fazia antigamente, trazendo o maior extermínio de todos os tempos, culminando na morte de um terço dos homens, como registrado na sexta trombeta.
Será então que, sob fortes pressões de seus insuperáveis inimigos “ela invocará o Meu nome, e Eu a ouvirei; direi: é Meu povo, e ela dirá: O Senhor é meu Deus”. Parênteses meus.
Este será, portanto, o processo de provação e purificação final dos 144.000 e de suas respectivas famílias que, contados dentre os sobreviventes de Israel, serão considerados como as primícias dos salvos, e que passarão a ser defendidos diretamente por Deus.
Esta experiência, porém, se concretizará apenas no coração daqueles que, diante do confronto inevitável com os exércitos de Gogue, se arrependerem de todos os seus pecados e aceitarem a Cristo como seu Grande Comandante.
Será, pois, neste contexto da mais mortífera de todas as batalhas que teremos a consagração dos primeiros frutos ao Senhor dos Exércitos, cuja realidade foi prefigurada pela oferta movida, tipificada em Levítico 23: 10-11:
“Quando entrares na terra, que vos dou, e segardes a sua messe, então trareis um molho das primícias da vossa messe ao sacerdote; este moverá o molho perante o Senhor, para que sejais aceitos”.
O festival das primícias era típico da ressurreição, “por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda”, conforme I Coríntios 15: 23.
Ora, os 144.000 de Israel, no papel das primícias da grande colheita das nações (Apocalipse 14: 4), alude aos judeus, que serão tratados como ressurretos da morte espiritual (Ezequiel 37: 12-14) e colocados no seu engaste histórico ainda futuro, realçado magistralmente pelo profeta Joel, nos seguintes termos:
“Ainda assim, agora mesmo, diz o Senhor: Convertei-vos a Mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto (preparo para a ressurreição espiritual, conforme apresentada em Ezequiel 36: 25-28). Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal. Quem sabe não se voltará, e se arrependerá, e deixará após Si uma bênção, uma oferta de manjares e libação para o Senhor, vosso Deus? Tocai a trombeta em Sião... Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o pórtico e o altar, e orem: Poupa o Teu povo, ó Senhor, e não entregues a Tua herança ao opróbrio, para que as nações façam escárnio dele. Por que hão de dizer entre os povos: Onde está o seu Deus? Então, o Senhor Se mostrou zeloso da Sua terra, compadeceu-Se do Seu povo e, respondendo, Lhe disse: Eis que vos envio o cereal e o vinho, e o óleo, e deles sereis fartos (referência a grande colheita final das nações, dedicada à glória de Israel), e vos não entregarei mais ao opróbrio entre as nações. Mas o exército que vem do Norte (Gogue e Magogue, citado em Ezequiel 38 e 39), Eu o removerei para longe de vós” - Joel 2: 12-20. Parênteses meus. 
Os tremendos efeitos psicológicos promovidos pela abertura extraordinária deste selo, os quais se propagarão online entre as nações, serão como a voz do Senhor reverberando de Sião para sacudir as igrejas cristãs do tempo do cavalo preto, cuja terrível missão será a de separar o trigo do joio, na Igreja de Laodiceia.
O remanescente fiel, situado predominantemente no âmbito das igrejas evangélicas em geral, ao compreenderem a gravidade dos tempos proféticos, arriscarão tudo e a própria vida para pregar a mensagem do terceiro anjo de Apocalipse 14. Por seu turno o joio, na sua mornidão crônica, se alinhará, discretamente, com a besta e o falso profeta, visando não incorrer em sérios prejuízos.
            Enquanto que os primeiros, constituídos pelo somatório dos verdadeiros crentes em Jesus, farão parte da Igreja Triunfante, sendo fortalecidos pela chuva serôdia, os demais permanecerão mornos, dando origem à igreja do cavalo amarelo que, vomitada, conduzirá os seus seguidores para a morte súbita.
Enquanto os justos serão renovados, completamente, pelo Espírito Santo de Jesus que os levará à mudança de ideias e teorias errôneas bem como de hábitos e práticas até então em desacordo com as Escrituras, as virgens loucas, ainda cegas, continuarão no torpor da indiferença, como se nada estivesse acontecendo.
A Igreja Triunfante será também chamada dos Mártires porque muitos de seus membros terão de ser como os grãos de trigo que se desfazem na terra para reproduzir a cento por um, na difícil tarefa de salvar os justos em potencial que ainda se encontram na confusão de Babilônia.
Este último apelo para reforma e despertamento era tipificado justamente pela festa das trombetas, em Israel, que anunciava a purificação do Santuário terrestre, associada à eliminação dos impenitentes, conforme Levítico 23: 28-29:
“Nesse mesmo dia, nenhuma obra fareis, porque é o Dia da Expiação, para fazer expiação por vós perante o Senhor, vosso Deus. Porque toda alma que, nesse dia, se não afligir será eliminada do Seu povo”.  
Seguindo o cumprimento maravilhoso destes símbolos, o selamento das primícias terá seu tempo de ocorrência no curto período em que as trombetas da guerra do Armagedom, citadas no Apocalipse de 8 a 11, tocarão. A última trombeta, destaca-se das demais por se relacionar com o advento do Salvador, conforme foi considerado em I Tessalonicenses 4: 16, no âmbito do julgamento individual.
As primícias serão seladas antecipadamente, com base na aceitação do Novo Testamento e na mudança de conceitos a respeito do Messias. Este será seu ponto de prova, quando, então, passarão a revelar uma fé igual a dEle.
De igual maneira, as igrejas cristãs precisarão experimentar uma mudança de conceitos a respeito dos mandamentos de Deus, obedecendo-os sem distorções, à semelhança de como estará sendo observado em Israel: um só Deus verdadeiro e um só Mediador. Este será o ponto de prova para o restante da humanidade.
E assim será concluída a pregação do evangelho em todo o mundo, preparando-o para a colheita final.

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