segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Uma simulação do juízo


Vamos supor a estória de um casal hipotético, que habita em um bairro nobre da cidade, com as suas duas filhas adolescentes.

Nos dias de culto, os quatro tomam um bonito carro importado e dirigemse para a Igreja remanescente daquele bairro. Nela, aquela família é bem conhecida e estimada. A mãe e as duas filhas foram recentemente batizadas. Só o pai que, apesar de ser um moço muito elogiado por todos e até citado como exemplo pelo pastor, não havia ainda se decidido pelo batismo. Mas, apesar de não ser batizado, frequentava sempre os cultos e, às vezes, era encontrado envolvido com as lides da igreja. Dava o dízimo, fazia trabalho missionário e, de vez em quando, participava das discussões espirituais.

Era uma bela criatura, porém não se decidia pelo batismo.

Mas, por que será que ele não se batizava? Será que ele bebia, fumava ou usava drogas? Nem pensar! Era atlético, muito simpático e gozava de excelente saúde.

Contudo, apesar dos apelos, ele não se batizava. Postergava sempre a sua decisão, dizendo simplesmente que havia tempo.
Um dia por semana, à tarde, ele apanhava seu bonito carro esporte e ia sozinho, entregar folhetos do outro lado da cidade. Ali, após o trabalho missionário, ao pôr do sol, encontrava-se, clandestinamente, com uma jovem mulher.
Lembremo-nos de que este não é um caso verdadeiro. Somente estamos nos servindo dele para fazer uma simulação do juízo de Deus.
Após seu encontro, no início da noite, voltava para casa, seguindo o curso normal de sua vida. Ninguém sabia de nada. Mas, por causa deste ilegítimo compromisso, ele adiava, indefinidamente, a hora de seu batismo. Sabia que precisava mudar, tinha mesmo urgência para fazê-lo, contudo, ia contemporizando com a sua acariciada transgressão.
Vamos imaginar que certo dia, voltando do trabalho e já bem próximo de casa, tenha ocorrido um trágico acidente envolvendo o carro dirigido pelo jovem de nossa estória. Suponhamos que ele colida com um taxi que cruza o seu caminho em alta velocidade.
Imaginemos também que o jovem, atingido na cabeça, tenha falecido a caminho do hospital, o que ninguém queria acreditar, apesar destas coisas acontecerem a cada instante.
Todos ficaram atônitos, mas a ‘verdade’ era uma só: o jovem em consideração estava morto!
E agora, será que ele poderia se corrigir? Vejamos o que diz Eclesiastes 9: 5 e 10:
“Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque sua memória jaz no esquecimento... Tudo o que te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obras, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma”.
Não devemos deixar nossas correções para depois porque o depois pode ser tarde demais! Será que o caso de nosso jovem estaria encerrado? Não! Definitivamente! Vejamos o que diz o livro de hebreus 9: 27:
“E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo”.
O juízo vem após a morte (exceto o caso da última geração) porque este é o momento certo, quando já não mais ocorrem conversões espirituais. Devemos observar que o texto também elimina a possibilidade de reencarnações sucessivas, afirmando que se morre uma só vez.
Em 2 Coríntios 5: 10, o apóstolo Paulo complementa:
“Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou mal que tiver feito por meio do corpo”.
Mas, como o nosso jovem compareceria neste tribunal, se ele já estava morto e sepultado?
O relato de Daniel 7: 9-10, conjugado com Apocalipse 20: 12, nos informa que os mortos são julgados, não de corpo presente, mas pelas anotações que se encontram registradas em seus livros, armazenados no Santuário celestial, conforme examinamos inicialmente.
Quantos livros? São muitos. Vamos mencionar apenas quatro:
O livro da vida, no qual todos os nomes dos que professam fé em Jesus
Cristo estão inscritos, como já vimos. Lemos de sua existência em Apocalipse 3: 5:
“O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do livro da vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de Meu Pai e diante de Seus anjos”.
Devemos orar para que Deus não risque o nosso nome de lá, pois esta possibilidade existe, conforme já visto em Êxodo 32: 33.
Outro livro que encontramos na Bíblia fazendo parte do juízo de Deus é o memorial, a respeito do qual nos fala Malaquias 3: 16-17:  
“Então, os que temiam ao Senhor falavam uns aos outros; o Senhor atentava e ouvia; havia um memorial escrito diante dele para os que temem ao Senhor e para os que se lembram do Seu nome. Eles serão para Mim particular tesouro, naquele dia que preparei, diz o Senhor dos Exércitos; poupá-los-ei como um homem poupa seu filho que o serve”.
Neemias fez menção a este livro quando disse:
“Deus meu, lembra-Te de mim; e não apagues as beneficências que eu fiz à casa de meu Deus”. Neemias 13: 14.
Estejamos certos de que neste memorial todas as nossas boas ações, incluindo até mesmo palavras de simpatia e tentações resistidas estarão claramente registradas.
Outros livros citados são os de registro dos pecados - Estes livros, citados no plural, contém o histórico minucioso de cada pecado não confessado e não abandonado. Trata-se de um verdadeiro contas-correntes do pecado, onde se acha registrada cada transgressão, no momento exato de sua ocorrência, seguida de todos os seus desdobramentos em pecados menores, cada um deles devidamente historiados.
Salomão faz alusão tanto ao Memorial como aos livros dos pecados em um só verso, dizendo:
“Deus há de trazer a juízo toda obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom quer seja mau.” Eclesiastes 12: 14.
Em Mateus 12: 36 Jesus nos lembra da minúcia deste julgamento, dizendo que: “De toda a palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do juízo”.
Mas, se nos arrependermos, confessarmos e nos convertermos, no dia do nosso juízo, nossos pecados serão apagados e jogados nas profundezas do mar. Caso contrário, os nossos pecados permanecerão nos livros do Céu, para um juízo posterior, durante o milênio, quando será estabelecida a sentença final contra os perdidos.
Para o caso destes, suas boas obras serão apagadas do memorial de Deus, seus nomes serão riscados do livro da vida e colocados, definitivamente, no livro da segunda morte, a eterna.
Pela profecia de Daniel 8: 14 nos apercebemos de que este julgamento está em curso desde 1844, quando começou pelos mortos, devendo passar, ainda no futuro próximo, ao caso dos vivos. Dependendo de qual livro estaremos colocados, participaremos da primeira ou da segunda ressurreição, citadas em João 5: 28-29:
“Não vos maravilheis disto, porque vem à hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão; os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo”.


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