Outro ponto muito
importante a ressaltar é que o termo grego, traduzido por comunhão (koinonia)
em II Coríntios 13: 13 significa, também, comunicação, associação,
relacionamento íntimo e participação, pois esta palavra era tradicionalmente
usada para tratar de uma reunião de herdeiros em torno de um interesse comum,
como no caso de uma herança. Em nosso caso, a herança em pauta seria a vida
eterna em Cristo Jesus, reunindo os herdeiros em comunhão.
Na tradução de Genebra, por Louis
Segond, diretamente dos textos originais gregos, foi usada a palavra
comunicação:
O texto é claro:
“Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus, e a comunicação do
Espírito Santo, sejam com todos vós! Amém!”.
A palavra comunicação,
presente na tradução francesa, está bem mais ajustada à verdadeira natureza do
Espírito Santo: um dom celestial que deve ser comunicado ao crente, por meio
dos anjos e mesmo de homens. Segundo White, “a
justiça pela qual somos santificados é
comunicada; isto é, ela é posta a operar em nossa vida pelo Espírito
Santo”. EGW, RH, 4/6/1895 in Revelações do Apocalipse, p.56.
Já a tradução do padre
João, por seu turno, preferiu optar pela palavra comunhão, como segue:
“A graça do Senhor Jesus Cristo,
e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito
Santo sejam com todos vós”.
Traduzido desta forma, o texto se tornou
incompatível gramaticalmente porque, se a ideia do Espírito Santo ser realmente
uma terceira pessoa divina, como ficou subentendido nesta tradução, a contração
da preposição de com o artigo o (do)
deveria ser também substituída pela preposição com, uma vez que a palavra comunhão envolveria pelo menos duas
pessoas, o que comprova que a tradução do texto na versão Revista e Atualizada,
não está correta.
A questão é sutil e não
seria tão grave se não percebêssemos nesta tradução, gramaticalmente equivocada, a intenção de relacionar o dom gratuito de Deus com o dogma da
‘Trindade’.
A opção pela palavra
comunhão foi feita, portanto, no interesse de servir à igreja católica que logo passou
a defender que a comunhão significava um sacramento de origem celestial, no qual o
corpo e o sangue de Cristo são realmente reproduzidos por meio do pão e do
vinho, os quais, administrados pela instituição, atribui o perdão que leva à
purificação da alma.
Este sacramento, no
entanto, foi apenas derivado da palavra koinonia, com o intuito de reproduzir,
no momento da comunhão, a mesma influência que o dom do Espírito Santo exerce
no coração humano, visando levar o crente ao arrependimento e auxiliá-lo na
transformação do caráter.
Fica, assim, mais uma
vez evidenciado que muitas das modernas traduções da Bíblia seguem baseadas em
cópias tendenciosas, que levaram esta falsa teoria em consideração.
Salta aos olhos a percepção de que esta criação de um deus ‘real’ por meio de
um sacramento religioso como se fosse ‘arbitrado pelo céu’ foi forjado para valorizar o Credo
romano, a sua cerimônia batismal e a da comunhão em torno do ‘corpo’ de Cristo.
E, para ‘sacramentar’ o desvio, tiveram que
mudar o texto de Mateus 28: 19 que acabou servindo de ‘prova’ para o ‘mistério’
da ‘santíssima trindade’. Parece que a ordem foi a seguinte: batismo em nome do
Pai, do Filho e do Espírito Santo, o estabelecimento do Credo, a instituição da
terceira pessoa da Divindade por meio do sacramento da comunhão e, finalmente,
a mudança do texto de Mateus 28: 19.
Só que esta sucessão de
providências serviu apenas para reforçar a autoridade da Igreja medieval que,
desta forma, passou a defender, inutilmente, a ideia de que detinha o poder
para perdoar pecados.
Tem razão Ratzinger, quando, em seu livro: Introdução ao Cristianismo,
8ª edição, 2015, p. 25, afirma que todas essas mudanças só serviram para
despojar os fiéis da fé verdadeira, conduzindo-os à crise espiritual de nosso tempo.
Vejamos a ilustração que ele utilizou:
Joãozinho
feliz, como achasse por demais pesada
e incômoda a barra de ouro que ganhara, trocou-a primeiro por uma cavalo,
depois trocou o cavalo por uma vaca, a vaca por um ganso e o ganso por uma
pedra de amolar, e mesmo esta ele acabou lançando na água, pois não se dava
tento do prejuízo, pelo contrário: achava que tinha ganho, finalmente, o dom
precioso da liberdade completa. A história deixa por conta da fantasia do
leitor imaginar o tempo que João deve ter levado para curar-se de sua turbação
e como deve ter sido sinistro o momento em que despertou de sua suposta
libertação. Mas, diante do cristão preocupado de hoje, levantam-se não raras
vezes questões como estas: nos últimos anos, a nossa teologia não enveredou
muitas vezes por um caminho semelhante? Não reduziu ela aos poucos, com a sua
interpretação, as exigências da fé que eram vistas como demasiadamente pesadas,
preocupada apenas em não perder o essencial, mas avançando sempre até um ponto
que lhe permitisse ousar em breve o passo seguinte?”
Tanto a ilustração como as considerações do
papa fazem sentido porque quando os planos de Deus são postos de lado e são
adotadas medidas humanas em seu lugar, a invenção do homem frequentemente anula
a execução dos planos de Deus.
Dentre outros textos que foram sutilmente infiltrados nas Escrituras para dar crédito à teoria da Trindade, salientamos o de I João 5:
7-8 que, apesar de extremamente duvidoso, é também muito citado para comprovar
a veracidade sobre a terceira pessoa da Trindade. Nele há um detalhe que
muitos ignoram: Nenhuma parte deste capítulo trata da Trindade e o texto que
nele a ela se refere foi simplesmente introduzido pelos copistas.
Este acréscimo, às vezes, vem colocado entre
colchetes, o que pouco ajuda sem uma explicação de rodapé. Outras versões
sequer colocam o colchete, escondendo ainda mais a adulteração realizada.
Felizmente algumas versões modernas, para se manter fieis ao texto original suprimiram o que foi inserido pelos copistas, devido à sua grosseira tendenciosidade.
Vamos a mais esta controvertida passagem, na
Tradução Revista e Atualizada de João Ferreira de Almeida:
"Pois
há três que dão testemunho [no céu: o Pai, a
Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam
na Terra]: o Espírito, a água e o sangue,
e os três são unânimes num só propósito".
Na Bíblia de Scofield, com referências em
rodapé, encontramos a seguinte nota:
I João 5: 7
" Em o Novo
Testamento Judaico, da Editora Vida, traduzido do original para o inglês por
David Stern, este colchete e seu conteúdo foram simplesmente ignorados. O mesmo
acontece com a NTLH, da SBB, Edição 2005, que assim expressa, na íntegra, estes
dois versículos:
"Há
três testemunhas: o Espírito, a água e o sangue; e estes três estão de pleno
acordo" - I João 5: 7-8.
O versículo 8 certamente teve de ser acrescentado
por conta do arranjo feito. A versão Nova Tradução na Linguagem de Hoje ainda acrescenta
uma explicação complementar no rodapé:
"A
água do seu batismo - João 1: 31-34; o sangue da sua morte - João 19: 34-35. O
próprio Espírito Santo é testemunha - João 15: 26; 16: 13-15. O Espírito é a
verdade - Ver I João 4: 6, b".
Esta observação é quase uma repetição do verso
seis deste mesmo capítulo, que diz:
"Jesus
Cristo é Aquele que veio com a água do Seu batismo e com o sangue da Sua morte.
Ele veio com a água e com o sangue e não somente com a água. E o próprio
Espírito Santo é testemunha de que isso é verdade porque o Espírito é a
verdade".
Onde, aqui, encontramos oportunidade para
reforçar a doutrina da Trindade?
Finalmente, o versículo nove, dando sequência
aos versos sete e oito, confirma o objetivo do texto:
"Nós
aceitamos o testemunho dos seres humanos, mas o testemunho de Deus tem mais
valor. E este é o testemunho que Deus deu a
respeito do Seu Filho".
Não há como se imaginar a necessidade de um
esclarecimento em relação à Trindade neste capítulo e neste contexto de I João
5: 6-12, em particular, que trata, exclusivamente, do Filho de Deus. Qual,
pois, a razão da inserção referida? Felizmente este tendencioso acréscimo vem sendo removido nas edições mais modernas que foram citadas. O mesmo
acontece também com a Nova Versão Internacional - Bíblia de Estudo para
Pequenos Grupos, Editora Palavra, 1ª Edição, agosto de 2011. Isto para falar
apenas das Bíblias que, casualmente temos em mãos.
As
questões que permanecem para o estudante atento é: com que intuito colocaram
este colchete? E o mais grave ainda: Porque as igrejas usam porções bíblicas
tão duvidosas para substabelecer doutrinas adulteradas para os seus seguidores?
Porque não repensar humildemente essa questão da Trindade e do batismo? Não é isso
que Deus está propondo, carinhosamente, mas com o devido rigor, no final de I
João 5?
"Meus
filhinhos, cuidado com os falsos deuses"!
NTLH.
Até parece que o profeta de Deus foi dotado de uma certa premunição para nos prevenir de inserções futuras que viriam a ocorrer no texto deste capítulo.
Até parece que o profeta de Deus foi dotado de uma certa premunição para nos prevenir de inserções futuras que viriam a ocorrer no texto deste capítulo.
De acordo com a
presente discussão, depois de tantos vestígios de falsificação, cremos que está
ficando cada vez mais difícil rejeitar a hipótese formulada: a necessidade da negação da Trindade para aumentar a espiritualidade da Igreja. É como diz White: devemos fazer a Reforma, definida por ela como mudança de teorias para alcançar o Reavivamento espiritual, isto é, nascer de novo.
A menos que façamos questão de continuar bloqueando, perigosamente, a influência do único agente regenerador que nos foi disponibilizado, como veremos a seguir.
A menos que façamos questão de continuar bloqueando, perigosamente, a influência do único agente regenerador que nos foi disponibilizado, como veremos a seguir.
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