sábado, 3 de fevereiro de 2018

O batismo cristão

                       Dentro deste contexto, e contrariamente ao que foi futuramente praticado em Roma, o apóstolo Pedro estabeleceu a forma evangélica de batismo, conforme a encontramos em Atos 2: 38:
                   “Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para a remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo”. Atos 2: 38.
                   Este passo bíblico salienta o fato de que assim como o arrependimento devia preceder o batismo em nome de Jesus, o recebimento do colírio do Espírito Santo o sucederia para definir e manter a verdade no coração. Se a pessoa recebia o dom do Espírito Santo no ato do batismo, parece sem sentido batizar em Seu nome.
                     Esta posição do apóstolo, logo após a Comissão Evangélica é uma prova incontestável da veracidade da declaração de Bento XVI de que a segunda parte do verso de Mateus 28: 19 é estranho à Bíblia e ao contexto da Grande Comissão, não passando, realmente, de uma alteração feita por Roma, pois se Mateus 28: 19 estivesse correto, o apóstolo Pedro jamais orientaria da forma como fez em Atos 10: 48, quando deu ordens expressas sobre como todos os gentios deviam ser batizados. Vamos às suas palavras:
                   “E ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo”.
                   Em Atos 19: 5, depois do primeiro Concílio cristão em Jerusalém, no qual todas as questões polêmicas do Cristianismo foram discutidas e esclarecidas, Paulo, uma das maiores autoridades do evangelho, quando estava em Éfeso, seguiu regiamente a orientação de Pedro, batizando da mesma forma:
                   “Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus”.
                    O que mais chama a atenção nesta ocasião é que aquelas doze pessoas tiveram que ser rebatizadas, em nome de Cristo, após o que, “impondo-lhe Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam” – Atos 19: 6.                 
                    Fica claro que a experiência do recebimento do Espírito Santo foi indexado ao batismo em nome de Jesus, tendo resultado da simples imposição das mãos do apóstolo Paulo e quando passou a representar um poder sobrenatural. Se Ele é um dom recebido por ocasião e em consequência do batismo, não faz nenhum sentido incluí-lo na fórmula batismal. Se não pode haver contradição na Bíblia, uma das maneiras de realizar o batismo está errada. Porque optar pela duvidosa?
                                            
                    Quanto ao sentido das palavras de Ratzinger de que foi somente após a adoção do dogma da ‘trindade’, discutido no primeiro concílio ecumênico de Nicéia, que reuniu católicos do mundo inteiro, em 325 d.C., e assumido no concílio de Constantinopla, em 381, que a segunda parte do texto de Mateus 28: 19 foi introduzido na Bíblia, não resta nenhuma dúvida.
                     “O batismo da Trindade e texto de Mateus 28: 19, portanto, não se originou da igreja original, que começou em Jerusalém por volta do ano 33. Era um pouco como a evidência demonstra, uma invenção posterior do catolicismo romano completamente inventada. Muito poucos sabem sobre estes fatos históricos”. (Introdução ao Cristianismo por Joseph Ratzinger), p. 82/83 - Edição de 1968.
                  A generalização do fato no Ocidente, deu-se por conta de boatos informando que aquele tipo de batismo remontava ao tempo dos apóstolos e, também, devido à grande influência da Igreja Romana. Infelizmente esse desvio vem prevalecendo até hoje, fazendo com que a fé dos cristãos continue merecidamente arrefecida, conforme revelam as notícias em todos os canais de comunicação. Nós acreditamos que estas considerações já sejam suficientes para confirmar nossa hipótese da inexistência da trindade, citada na introdução do livro. Mas, isso não é tudo. O mais importante ainda está para ser discutido.
                  Aqueles que têm dificuldade para aceitar a confirmação de nossa hipótese e fizerem questão de continuar reconhecendo o Espírito Santo como uma terceira pessoa divina, agindo ativamente no processo de nossa salvação, não deveriam esquecer da citação de Atos 4: 11-12 que diz:
                       “Este Jesus é pedra rejeitada por vós os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”.     
                        Será que adotando um ídolo, na forma da terceira pessoa da trindade, não estaríamos assumindo o papel dos construtores, mesmo que o Espírito Santo nem mesmo nome tenha? Precisamos refletir mais sobre o texto de Hebreus 1: 14 o qual aponta o anjo como único mensageiro credenciado pelo céu para fazer a ligação de Deus com os homens, como é demonstrado, de forma insofismável, na introdução do livro do Apocalipse:
                      “Revelação de Jesus Cristo, que Deus Lhe deu para mostrar aos Seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que Ele, enviando por intermédio do Seu anjo, notificou ao Seu servo João”. Apocalipse 1: 1.
                      Quando, pois, após a Sua ressurreição, Jesus falou pela última vez aos apóstolos, reprisando a Grande Comissão, reiterou, desta feita, a promessa do Espírito Santo, definindo-O em Atos 1: 8 como um poder, conforme já vimos na contestação de Scofield que acabou valorizando o tradutor francês que traduziu este verso da forma correta, como um poder. As anotações de Scofield são muito graves porque denunciam, abertamente, na Bíblia que leva o seu nome, este inacreditável erro de tradução. Isto é imperdoável porque se essa tradução não tivesse sido adulterada não restariam dúvidas a respeito deste Dom comunicado pelos anjos a partir do momento da nossa conversão. Atos 1: 8 é categórico na indicação de que o Espírito é um poder comunicado pelos anjos, após a pessoa crer em Jesus, tendo como objetivo específico levá-la ao arrependimento e ao desenvolvimento de um caráter à semelhança do de Cristo.
                  Não se trata, portanto, de algo que esteja sendo concedido de forma independente ‘pelo’ Espírito Santo, como sugere a versão de João Ferreira de Almeida, nascido em Torre de Tavares, Portugal, em 1628. A sua tradução tende, gramaticalmente, a induzir o pensamento do leitor para algo originado diretamente do Espírito Santo, como se Esse fosse uma outra fonte geradora de poder. Segundo White, inspirada autora americana, o Espírito Santo além de ser o poder de Deus, é, também, Sua graça, conforme encontramos no livro Meditações Matinais, 2017, p. 78:
                  “Força e graça foram dadas por meio de Cristo para serem levadas por anjos ministradores a todo aquele que crê”.
                   Se os anjos são espíritos ministradores credenciados pelo Altíssimo para auxiliar aqueles que hão de herdar a salvação, torna-se evidente que, para essa reconhecida autora, a força e graça que eles estavam levando era o Espírito de Deus. Precisamos, apenas, demonstrar, pela Bíblia, a forma adulterada que nos transmitiram a respeito de como recebemos esse poder e essa graça de Deus.  

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