sábado, 3 de fevereiro de 2018

O pecado contra o Espírito Santo

                   A nossa próxima consideração liga, definitivamente, a crença na terceira pessoa da Trindade à mornidão laodicense. O objetivo deste capítulo é demonstrar que recalcitrar neste erro teológico não tem nada de inocente e poderá significar a remoção do remanescente cristão do grupo de transladação que abraçará Jesus no Seu retorno, pois não haverá desculpa para os que preferem continuar no erro, quando a verdade está disponível.
                   Salvo exceções, deveremos passar vivos diante do tribunal de Deus, no qual toda a verdade será levada em consideração. Certamente estaremos incorrendo em um grave pecado contra o Espírito de verdade, caso estivermos transferindo os últimos recursos do céu, a serem dispensados em grande medida para desenvolver o caráter cristão, para uma entidade que em realidade não existe e que foi criada pelos homens sob a inspiração de Satanás que, desde o outro lado do tempo postula, em vão, assumir a forma de um Deus, ao lado do Pai e do Filho.
                    Examinemos, pois, a circunstância na qual Jesus tratou esta questão específica do pecado contra o Espírito Santo, lendo, inicialmente, Mateus 12: 31:
               “Por isso, vos declaro: todo o pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada”.
                    Há, portanto, a possibilidade de se blasfemar contra o Espírito Santo; esse já é um ponto extremamente importante a ser considerado. O segundo ponto, e o que mais impressiona, é o fato deste pecado não ter perdão. Esta é, portanto, uma séria ameaça sobre a qual não podemos ter dúvidas. E, para isso, precisamos examinar o contexto deste verso com as vistas bem abertas e vigorosa atenção para verificar o que levou Jesus a proferir tais palavras e o que significa, realmente, esta blasfêmia específica na qual não podemos incorrer.
                  As palavras: por isso, negritadas no verso 31 ligam a blasfêmia contra o Espírito Santo a uma resposta que Jesus deu aos fariseus, nos versos 27 e 28: 
                 “Vocês dizem que Eu expulso demônios porque Belzebu Me dá poder para fazer isso. Mas, se é assim, quem dá aos seguidores de vocês o poder para expulsar demônios? Assim, os seus próprios seguidores provam que vocês estão completamente enganados. Na verdade é pelo poder de Deus que Eu expulso demônios, e isso prova que o reino de Deus já chegou até vocês”. NTLH.                
                      O pecado específico, portanto, que Jesus está tratando com rigor não é aquele para o qual não pedimos perdão, nem mesmo é a resistência ao Espírito de Deus, como imaginávamos, mas sim atribuir a obra do Espírito Santo a uma terceira entidade fora do Pai e do Filho, como os fariseus estavam fazendo, literalmente, conforme o enunciado do verso 24, quando diziam:
                       “Este não expele os demônios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demônios”.
                       Foi por agirem desta maneira que os fariseus estavam, segundo Jesus, blasfemando contra o Espírito Santo. Eles estavam, na verdade, rejeitando a obra da graça divina que fluía por meio de Jesus.
                        Quando nós atribuímos o mesmo dom de Deus, o qual foi programado para a nossa regeneração, a uma entidade criada artificialmente, independente do Pai e do Filho, assumimos um comportamento análogo, contra o Espírito Santo e ficamos, segundo a Palavra de Jesus, sem o dispositivo estabelecido pelo céu para convencer-nos do pecado e levar-nos ao arrependimento verdadeiro, porque Deus não compartilha com uma blasfêmia desta natureza, conforme verificamos em Isaías 42: 8: 
                     “Eu sou o Eterno, este é o Meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, aos ídolos”.
                      Se bem que ninguém seja condenado sem que haja recebido a devida iluminação, as consequências práticas de tais distorções com relação ao Espírito Santo, são sobejamente observadas na Igreja de Laodiceia. Continuar resistindo à essas informações, no tempo do juízo dos vivos, levará à cauterização da consciência e à irrevogável rejeição da graça divina, e ao aprofundamento na mornidão que já vem nos caracterizando, conforme a linguagem do Apocalipse 3: 16. Isso não significa que Deus não quer nos perdoar e sim que, resistindo à verdade sobre o Seu Santo Espírito ficamos, inconscientemente, aquém do desejo real de salvar-nos, exatamente da forma como foi profetizado em I Tim 4: 1-2, a qual fazemos questão de repetir, na linguagem de hoje:
                        “O Espírito de Deus diz claramente que, nos últimos tempos, alguns abandonarão a fé. Eles darão atenção a espíritos enganadores e a ensinamentos que vêm de demônios. Esses ensinamentos são espalhados por pessoas hipócritas e mentirosas, pessoas cuja consciência está morta como se tivesse sido queimada com ferro em brasa”. NTLH.
                   Cremos que a queda de Laodiceia ainda não chegou ao fundo do poço porque não estamos sendo tratados como hipócritas e sim como ignorantes, a este respeito. Mas, precisamos ter muito cuidado porque o pior cego é aquele que não quer ver!
                    Para comprovar que a suposta terceira pessoa da Trindade está vinculada a Satanás, como vimos na historinha dos fariseus, basta verificar o significado bíblico da palavra blasfêmia, como encontramos em Marcos 2: 7:
                  “Porque fala Ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um que é Deus?”
                    Aqui, também, essa palavra está relacionada com alguém que, não sendo Deus, tem a pretensão de perdoar pecados. 
                    Cristo não estava blasfemando porque, sendo um com o Pai, conforme João 17: 21, no Seu corpo habitava a plenitude da Divindade. Mas no caso do perdão de pecados obtido por meio de um sacramento humano, como se  imagina acontecer na cerimônia da comunhão, é, do ponto de vista bíblico, uma blasfêmia muito semelhante à dos fariseus, porque, neste caso, os homens estão buscando, em vão, transferir essa obra de Deus para uma entidade fora do Pai e do Filho. 
                    Olhe só o risco que corremos em compactuar com tais blasfêmias!
                    Em João 10: 33 a palavra blasfêmia é, ainda, atribuída a uma criatura que se considera um Deus:
                    “Responderam-lhe os judeus: não é por obra boa que te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia, pois, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo”.
                    A palavra blasfêmia, aqui aplicada inadequadamente a Cristo, pode ser aplicada corretamente a tudo que busque ocupar o lugar de Jesus, quer seja por meio de sacramentos humanos, quer seja pela manipulação da terceira pessoa da Trindade, porque estamos chamando o Espírito Santo de Deus, sem que o seja,.
                     Blasfemando destas maneiras estaremos, certamente, apostatando da fé verdadeira, independentemente de negarmos isso e, mesmo, de sermos um pregador da Palavra de Deus.          
                      Finalmente em Mateus 12: 32 Jesus conclui seu pensamento, dizendo:
                       “Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir”.
                        Falar contra Cristo por não discernir-Lhe o caráter divino poderia receber perdão pois mediante o Espírito Santo a pessoa é levada a ver seu erro e arrepender-se. Seja qual for o pecado, se a pessoa crer e abandonar o erro, sua culpa será lavada no sangue de Jesus.
                       Mas atribuir a obra do Espírito Santo a Satanás separa o pecador da fonte da bênção, uma vez que é pelo Seu Espírito que Deus opera no coração. Assim aconteceu com aqueles guias judeus. Estavam convencidos de que Cristo era assistido por um poder divino mas, a fim de resistir à verdade, atribuíram a obra do Espírito Santo à Satanás. Renderam-se ao Maligno, e daí para frente foram regidos por seu poder.
                      Urge, portanto, relembrar o legítimo papel do Espírito Santo, no tempo da Igreja Primitiva, quando o mesmo ainda não tinha nenhum vínculo com a suposta terceira pessoa da Trindade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário