domingo, 4 de fevereiro de 2018

A parte da visão de Daniel 8 que não foi explicada

    De acordo com as palavras do anjo Gabriel, a segunda parte da profecia de Daniel 8 deveria se projetar para os últimos dias:
“Entende filho do homem, pois esta visão se refere ao tempo do fim”. Daniel 8: 17.
Sendo assim ela é, pois, de nosso particular interesse. Daniel, no entanto, deprimiu-se quando o anjo deu ênfase ao tempo do cumprimento profético, conforme lemos em Daniel 8: 18-19:
“Falava ele comigo quando caí sem sentido, rosto em terra; ele, porém, me tocou e me pôs em pé no lugar onde eu me achava; e disse: Eis que te farei saber o há de acontecer no último tempo da ira; porque esta visão se refere ao tempo determinado do fim”.
O profeta passou mal porque confundiu a explicação desta parte da profecia com a purificação do Santuário assolado por Nabucodonosor, imaginando que o mesmo somente seria purificado no último tempo.
Vamos, pois, a Daniel 8: 10-11 onde começa a descrição desta segunda parte da profecia, para entendermos melhor a reação do profeta. Ela inicia tratando do chifre pequeno, já na sua fase eclesiástica, e informa que ele...
“Cresceu até atingir o exército dos céus; e alguns do exército e das estrelas lançou por terra e os pisou. Sim, engrandeceu-se até ao Príncipe do exército; dele tirou o sacrifício costumado e o lugar do Seu Santuário foi deitado abaixo”.
Para entender melhor estes dois versos, precisamos rever alguns conceitos:
O primeiro deles é o de que o Príncipe dos exércitos, neste texto, é o Filho de Deus porque em Josué 5: 14 Ele aparece recebendo adoração:
“Respondeu ele: Não; sou Príncipe do exército do Senhor e acabo de chegar. Então, Josué se prostrou com o rosto em terra, e o adorou, e disse-Lhe: Que diz meu Senhor ao Seu servo?”
Em segundo lugar, o exército dos céus refere-se aos santos do Altíssimo, conforme a explicação de Daniel 8: 24, já citada. Vejamos, só para confirmar, o enunciado de Daniel 12: 3:
“Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e eternamente”.
Finalmente, o sacrifício costumado ou contínuo consistia na oferta de dois cordeiros que o sacerdote sacrificava no pátio do Santuário de Israel, um pela manhã e outro à tarde, em favor dos judeus que não podiam chegar ao templo. Como este ritual visava à remissão dos pecados dos adoradores ausentes, ele representava um tipo do futuro ministério sacerdotal de Cristo no céu, quando Este intercede continuamente por nós, conforme Hebreus 7: 25:
“Por isso, também pode salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”.
Apesar da palavra sacrifício ter sido acrescentada pelos copistas, não alterou a realidade do texto que, de fato, está fazendo alusão a uma substituição arbitrária da intercessão contínua desenvolvida por Jesus Cristo, no céu, por outro sistema, de natureza pagã, realizado por meio de simples mortais, no confessionário, pretendendo interceder e perdoar pecados, o que é feito, também, por meio de santos e de imagens, que o bispo romano estabeleceu na Terra.
O texto de Daniel 8: 25 atribui outras características ao chifre pequeno, como segue:
“Por sua astúcia nos seus empreendimentos fará prosperar o engano, no seu coração se engrandecerá, e destruirá a muitos que vivem despreocupadamente; levantar-se-á contra o Príncipe dos príncipes, mas será quebrado sem esforço de mãos humanas”.
Esta astuciosa manobra religiosa, em oposição às Escrituras, mostra os ataques do chifre pequeno aos filhos de Deus que viviam despreocupadamente, matando mais de cinquenta milhões deles durante os seus 1260 anos de supremacia.
Após estes esclarecimentos, sigamos com a profecia, em Daniel 8: 12:
 “O exército lhe foi entregue, com o sacrifício costumado (ritual hebreu que apontava para a futura intercessão de Jesus); e deitou por terra a verdade (incluindo a mudança nos Dez Mandamentos); e o que fez prosperou”. Parênteses acrescentados.
Mas, por seu atrevimento, o chifre pequeno não ficará impune. No tempo certo, será quebrado sem esforço de mãos humanas, porque só Deus poderá trazer esse poder eclesiástico corrupto a um fim definitivo.
            Diante desta escalada do chifre pequeno, surge a grande pergunta de Daniel 8: 13:
“Depois ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: Até quando durará a visão do costumado sacrifício, e da transgressão assoladora, visão na qual era entregue o Santuário e o exército, a fim de serem pisados”?
Em outras palavras, até quando prevalecerão estas transgressões do papado, que estariam massacrando os santos, deitando por terra a verdade e usurpando o papel de Jesus como ministro do Santuário celestial? A resposta vem no verso quatorze:
 “Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o Santuário será purificado”.
Este é o ponto culminante tanto desta profecia, como de todo o livro de Daniel e, quiçá, de toda a Bíblia, porque nos conduz diretamente à sala do tribunal divino, onde todos nós um dia compareceremos como réus.
O profeta Daniel, com razão, deve ter pensado, inicialmente, no juízo de Deus que se processava uma vez por ano em Israel, consistindo na remoção dos pecados que eram transferidos para o Santuário terrestre durante o ano. E, como na época desta visão, ele continuava sem compreender a relação que a mesma poderia ter com os setenta anos de cativeiro predito por Jeremias, acabou desmaiando e, por isso, o restante de sua explicação teve de ser adiada para a visão do capítulo nove, ocorrida onze anos mais tarde.
Contudo, o verso vinte e seis, que provê a explicação para o conteúdo do verso quatorze, revela, novamente, que esta profecia não poderia se referir à purificação do Santuário terrestre, profanado há pouco tempo por Nabucodonosor, uma vez que “a visão da tarde e da manhã, que foi dita, é verdadeira; tu, porém, preserva a visão, porque se refere a dias ainda mui distantes”.
Confundido em seus pensamentos, no verso 27 o profeta conclui o capítulo oito, dizendo:
 “Eu, Daniel enfraqueci, e estive enfermo alguns dias; então me levantei e tratei dos negócios do rei. Espantava-me com a visão, e não havia quem a entendesse”.
Como a parte da visão relacionada com o carneiro e com o bode foi perfeitamente detalhada, a parte nebulosa faz referência apenas às duas mil e trezentas tardes e manhãs, isto é, aos dois mil e trezentos dias, conforme a linguagem de Gênesis 1: 5:
“Chamou Deus à luz Dia, e às trevas, Noite. Houve tarde e manhã, o primeiro dia”.
Considerando que esta profecia se refere a dias ainda mui distantes (repetido por três vezes), estes dois mil e trezentos dias não poderiam ser literais e sim proféticos, porque em linguagem profética cada dia representa um ano, conforme a chave de interpretação abaixo, provida pelo profeta Ezequiel:
“Quarenta dias te dei, cada dia por um ano” ... - Ezequiel 4: 7.
Apesar de tudo, alguns intérpretes das Escrituras defendem a literalidade das duas mil e trezentas tardes e manhãs e as aplicam ao período em que Antíoco Epifânio, um descendente de Celeuco, da Síria, dominou a Palestina quando, na tentativa de helenizar os judeus, ofereceu um porco em holocausto, no templo de Jerusalém, obrigando os judeus a fazer o mesmo.
Esta aplicação sugerida pelo tradutor em Daniel 8: 9 é incorreta porque no livro apócrifo de I Macabeus, 1: 54-59 e 4: 52-54 é dito que Antíoco interrompeu os serviços do templo durante três anos e dez dias (do 15º dia do mês de Chislev do ano 168 até o 25º do mês de Chislev do ano 165). Este período foi, portanto de 1090 dias literais. Mesmo considerando-se fortuitamente cada tarde e manhã como sendo apenas meio dia de vinte e quatro horas e dividindo assim as 2300 tardes e manhãs por dois, obtemos 1150 dias literais e não os 1090 dias da opressão de Antíoco sobre os judeus. Este raciocínio não se ajusta, portanto, ao tempo especificado em Daniel 8: 14. E isto sem contar que o enunciado da profecia se reporta por três vezes ao tempo determinado do fim, isto é, ao nosso tempo.
A confusão de muitos evangélicos, envolvendo Antíoco, foi estabelecida porque o livro apócrifo de I Macabeus 1: 54 fez-se uma aplicação indevida à frase ‘sacrilégio desolador’, de Daniel 9: 27, àquilo que Antíoco Epifânio fez em relação ao templo judaico no AT.
Este erro dos apócrifos, infelizmente, tem desencaminhado o entendimento de muitos católicos e evangélicos sinceros.
Outro detalhe interessante é o de que o próprio Senhor Jesus, referindo-se a essa mesma expressão: o abominável da desolação, em Mateus 24: 15 fez referência a um evento futuro de seu tempo, o que está de acordo com o enunciado de Daniel, que se reporta claramente ao tempo do fim.
“Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda)”.
 Vamos agora passar para a parte da profecia de Daniel 8 que não foi compreendida por Daniel

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