Os
capítulos oito e nove de Daniel apresentam luz adicional sobre os
acontecimentos futuros e se constituem em uma unidade que leva ao início do
juízo referido em Daniel 7: 9-10, prévio e absolutamente necessário à
glorificação final dos filhos do Altíssimo. Isto porque quando Jesus regressar,
já trará consigo a recompensa, conforme vimos em Apocalipse 22: 12.
Em
Daniel 8, na segunda visão do profeta, começamos a analisar uma cronologia
bíblica que leva ao dia exato da instauração deste grande tribunal celeste. Mas
esta análise só pôde ser concluída onze anos mais tarde quando Daniel recebeu a
sua terceira visão, completando a parte que não fora entendida na visão
anterior.
Estas
visões relacionadas com o juízo de Deus serão bem mais detalhadas na Verdade
Presente nº 8.
Para
não perdermos o foco do conjunto e para facilitar o entendimento, vamos dividir
a grande cadeia profética de Daniel 8 em três segmentos. Repassaremos,
rapidamente, a primeira parte da visão, a qual começa com uma disputa entre
dois animais do Santuário, para chegarmos, logo, nas segunda e terceira partes,
as quais são mais importantes para os nossos dias.
10. 1 - A parte
da visão que foi compreendida: a do carneiro e do bode
O
conteúdo desta parte, que se encontra em Daniel 8: 1-9, e mais a sua explicação,
foi bem compreendido pelo profeta e relacionada por ele com a visão do capítulo
7. Vamos ler com atenção estes nove primeiros versículos e, logo em seguida
veremos a sua explicação.
“No ano terceiro do
reinado do rei Belsazar eu, Daniel, tive uma visão depois daquela que eu tivera
a princípio. Quando a visão me veio, parecia estar eu na cidadela de Susã, que
é província de Elão, e vi que estava junto do rio Ulai. Então levantei os
olhos, e vi, e eis que um carneiro estava diante do rio, o qual tinha dois
chifres, e os dois chifres eram altos, mas um mais alto do que o outro; e o
mais alto subiu por último. Vi que o carneiro dava marradas para o ocidente, e
para o norte e para o sul; e nenhum dos animais lhe podia resistir, nem havia
quem pudesse livrar-se do seu poder; ele, porém, fazia segundo a sua vontade, e
assim se engrandecia. Estando eu observando, eis que um bode vinha do ocidente
sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; este bode, tinha um chifre notável
entre os olhos; dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, o qual eu
tinha visto diante do rio; e correu contra ele com todo o seu furioso poder.
Vi-o chegar perto do carneiro e, enfurecido contra ele, o feriu e lhe quebrou
os dois chifres, pois não havia força no carneiro para lhe resistir; mas o bode
o lançou por terra e o pisou aos pés, e não houve quem pudesse livrar o
carneiro do poder dele. O bode se engrandeceu sobremaneira; e na sua força
quebrou-se lhe o grande chifre, e em seu lugar saíram quatro chifres notáveis,
para os quatro ventos do céu. De um deles saiu um chifre pequeno e se tornou
muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa. Daniel
8: 1-9.
O anjo começa a
explicar o significado desta primeira parte, somente a partir do verso vinte,
não deixando dúvidas a respeito do seu significado:
“Aquele carneiro que viste com dois chifres, são os reis
da Média e da Pérsia”.
O
chifre maior, que apareceu por último, no carneiro, representa a Pérsia; o
outro era a Média que no começo do Império Medo-Persa foi dominante. A Pérsia, no
entanto, assumiu finalmente o comando do segundo império mundial, profetizado
por Daniel, e dominou o mundo de 538 a 331 a. C. Na ocasião desta visão, o profeta cita
Belsazar, o último monarca de Babilônia, já no seu terceiro ano de
governo.
As
marradas do carneiro para o ocidente, para o norte e para o sul significavam,
respectivamente, as três grandes conquistas dos medos e persas: a Lídia, o
Egito e, finalmente, a Babilônia, comprovando a interpretação dada às três
costelas na boca do urso de Daniel 7.
No
verso 21 prossegue a interpretação da profecia:
“...
mas o bode peludo é o rei da Grécia; o
chifre entre os olhos é o primeiro rei”.
Este
versículo já passa a apresentar detalhes referentes ao futuro terceiro império
mundial, isto é, à Grécia, conhecida também como a Macedônia. O chifre entre os olhos do bode representa
Alexandre, o Grande, o primeiro rei da Grécia. Ele conquistou a Medo-Pérsia e governou
o mundo de 331 a. C. a 168 a. C. Esta parte da profecia, portanto, começou a
ter o seu cumprimento somente duzentos anos depois de anunciada pelo profeta
Daniel.
E
segue o verso vinte e dois:
“O ter sido quebrado, levantando quatro em lugar dele, significa que
quatro reinos se levantariam deste povo, mas não com força igual à que ele tinha”.
Ao
morrer Alexandre, com trinta e dois anos, no auge de seu reinado, a Grécia acabou
ficando dividida entre os seus quatro generais: Celeuco, que ficou com a Síria;
Ptolomeu, com o Egito; Lisímaco, que reinou na Trácia e na Ásia Menor; e
Cassandro, na Macedônia. Destes quatro, prevaleceram dois: Celeuco e Ptolomeu
que, após várias guerras sucessivas pela hegemonia, acabaram enfraquecidos, cedendo
o espaço para o quarto império mundial, descrito no verso 23:
“Mas, no fim do seu
reinado, quando os prevaricadores acabarem, levantar-se-á um rei de feroz
catadura e entendido de intrigas”.
Apesar de não dizer
quem é esse rei, diz o que ele faz, no verso vinte e quatro:
“Grande
é o seu poder, mas não por sua própria força; causará estupendas destruições,
prosperará e fará o que lhe aprouver; destruirá os poderosos e o povo santo”.
Aqui
temos uma clara alusão a Roma que, aproveitando-se mais da fragilidade
momentânea dos exércitos gregos do que de sua própria força inicial, conquistou
a Grécia ao entrar pela Síria, indo até ao Egito. Anexou, também, a Palestina,
situada geograficamente entre os dois governos dominados. Esta expansão
horizontal foi profetizada em Daniel 8: 9 como segue:
De um deles
(dos quatro ventos, segundo o texto original de Daniel 8: 8, traduzido pela
Bíblia de Jerusalém, bem como pela Nova Versão Internacional para Pequenos
Grupos, e não dos quatro chifres notáveis, traduzidos equivocadamente em Daniel
8: 9) saiu um chifre pequeno e se tornou
muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa.
Este
chifre pequeno, já citado anteriormente em Daniel 7: 8 e 11 representou,
primeiramente, Roma, o quarto império mundial, que destruiu os poderosos da
Grécia e o ‘povo santo’ que vivia na terra gloriosa que é a Terra Santa, hoje
chamada Palestina. Roma imperial, no entanto, foi sucedida por Roma papal, passando,
por assim dizer, o cetro dos césares para o chifre pequeno, pois que Roma
eclesiástica prosseguiu destruindo o povo de Deus durante toda a Idade Média.
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