domingo, 4 de fevereiro de 2018

As visões que levam ao juízo de Deus

Os capítulos oito e nove de Daniel apresentam luz adicional sobre os acontecimentos futuros e se constituem em uma unidade que leva ao início do juízo referido em Daniel 7: 9-10, prévio e absolutamente necessário à glorificação final dos filhos do Altíssimo. Isto porque quando Jesus regressar, já trará consigo a recompensa, conforme vimos em Apocalipse 22: 12.
Em Daniel 8, na segunda visão do profeta, começamos a analisar uma cronologia bíblica que leva ao dia exato da instauração deste grande tribunal celeste. Mas esta análise só pôde ser concluída onze anos mais tarde quando Daniel recebeu a sua terceira visão, completando a parte que não fora entendida na visão anterior.
Estas visões relacionadas com o juízo de Deus serão bem mais detalhadas na Verdade Presente nº 8.  
Para não perdermos o foco do conjunto e para facilitar o entendimento, vamos dividir a grande cadeia profética de Daniel 8 em três segmentos. Repassaremos, rapidamente, a primeira parte da visão, a qual começa com uma disputa entre dois animais do Santuário, para chegarmos, logo, nas segunda e terceira partes, as quais são mais importantes para os nossos dias.
10. 1 - A parte da visão que foi compreendida: a do carneiro e do bode
O conteúdo desta parte, que se encontra em Daniel 8: 1-9, e mais a sua explicação, foi bem compreendido pelo profeta e relacionada por ele com a visão do capítulo 7. Vamos ler com atenção estes nove primeiros versículos e, logo em seguida veremos a sua explicação.
“No ano terceiro do reinado do rei Belsazar eu, Daniel, tive uma visão depois daquela que eu tivera a princípio. Quando a visão me veio, parecia estar eu na cidadela de Susã, que é província de Elão, e vi que estava junto do rio Ulai. Então levantei os olhos, e vi, e eis que um carneiro estava diante do rio, o qual tinha dois chifres, e os dois chifres eram altos, mas um mais alto do que o outro; e o mais alto subiu por último. Vi que o carneiro dava marradas para o ocidente, e para o norte e para o sul; e nenhum dos animais lhe podia resistir, nem havia quem pudesse livrar-se do seu poder; ele, porém, fazia segundo a sua vontade, e assim se engrandecia. Estando eu observando, eis que um bode vinha do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; este bode, tinha um chifre notável entre os olhos; dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, o qual eu tinha visto diante do rio; e correu contra ele com todo o seu furioso poder. Vi-o chegar perto do carneiro e, enfurecido contra ele, o feriu e lhe quebrou os dois chifres, pois não havia força no carneiro para lhe resistir; mas o bode o lançou por terra e o pisou aos pés, e não houve quem pudesse livrar o carneiro do poder dele. O bode se engrandeceu sobremaneira; e na sua força quebrou-se lhe o grande chifre, e em seu lugar saíram quatro chifres notáveis, para os quatro ventos do céu. De um deles saiu um chifre pequeno e se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa. Daniel 8: 1-9.
             O anjo começa a explicar o significado desta primeira parte, somente a partir do verso vinte, não deixando dúvidas a respeito do seu significado:
            “Aquele carneiro que viste com dois chifres, são os reis da Média e da Pérsia”.
O chifre maior, que apareceu por último, no carneiro, representa a Pérsia; o outro era a Média que no começo do Império Medo-Persa foi dominante. A Pérsia, no entanto, assumiu finalmente o comando do segundo império mundial, profetizado por Daniel, e dominou o mundo de 538 a 331 a. C. Na ocasião desta visão, o profeta cita Belsazar, o último monarca de Babilônia, já no seu terceiro ano de governo.
As marradas do carneiro para o ocidente, para o norte e para o sul significavam, respectivamente, as três grandes conquistas dos medos e persas: a Lídia, o Egito e, finalmente, a Babilônia, comprovando a interpretação dada às três costelas na boca do urso de Daniel 7.
No verso 21 prossegue a interpretação da profecia:
“... mas o bode peludo é o rei da Grécia; o chifre entre os olhos é o primeiro rei”.
Este versículo já passa a apresentar detalhes referentes ao futuro terceiro império mundial, isto é, à Grécia, conhecida também como a Macedônia.  O chifre entre os olhos do bode representa Alexandre, o Grande, o primeiro rei da Grécia. Ele conquistou a Medo-Pérsia e governou o mundo de 331 a. C. a 168 a. C. Esta parte da profecia, portanto, começou a ter o seu cumprimento somente duzentos anos depois de anunciada pelo profeta Daniel.
E segue o verso vinte e dois:
                “O ter sido quebrado, levantando quatro em lugar dele, significa que quatro reinos se levantariam deste povo, mas não com força igual à que ele tinha”.
Ao morrer Alexandre, com trinta e dois anos, no auge de seu reinado, a Grécia acabou ficando dividida entre os seus quatro generais: Celeuco, que ficou com a Síria; Ptolomeu, com o Egito; Lisímaco, que reinou na Trácia e na Ásia Menor; e Cassandro, na Macedônia. Destes quatro, prevaleceram dois: Celeuco e Ptolomeu que, após várias guerras sucessivas pela hegemonia, acabaram enfraquecidos, cedendo o espaço para o quarto império mundial, descrito no verso 23:
“Mas, no fim do seu reinado, quando os prevaricadores acabarem, levantar-se-á um rei de feroz catadura e entendido de intrigas”.
 Apesar de não dizer quem é esse rei, diz o que ele faz, no verso vinte e quatro:
            “Grande é o seu poder, mas não por sua própria força; causará estupendas destruições, prosperará e fará o que lhe aprouver; destruirá os poderosos e o povo santo”.
Aqui temos uma clara alusão a Roma que, aproveitando-se mais da fragilidade momentânea dos exércitos gregos do que de sua própria força inicial, conquistou a Grécia ao entrar pela Síria, indo até ao Egito. Anexou, também, a Palestina, situada geograficamente entre os dois governos dominados. Esta expansão horizontal foi profetizada em Daniel 8: 9 como segue:
De um deles (dos quatro ventos, segundo o texto original de Daniel 8: 8, traduzido pela Bíblia de Jerusalém, bem como pela Nova Versão Internacional para Pequenos Grupos, e não dos quatro chifres notáveis, traduzidos equivocadamente em Daniel 8: 9) saiu um chifre pequeno e se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa.

Este chifre pequeno, já citado anteriormente em Daniel 7: 8 e 11 representou, primeiramente, Roma, o quarto império mundial, que destruiu os poderosos da Grécia e o ‘povo santo’ que vivia na terra gloriosa que é a Terra Santa, hoje chamada Palestina. Roma imperial, no entanto, foi sucedida por Roma papal, passando, por assim dizer, o cetro dos césares para o chifre pequeno, pois que Roma eclesiástica prosseguiu destruindo o povo de Deus durante toda a Idade Média.

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