domingo, 4 de fevereiro de 2018

A quarta visão de Daniel

No capítulo dez Daniel faz a introdução para a última cadeia profética, citada nos capítulos onze e doze do seu livro. Esta última visão foi apresentada sem símbolos, ao profeta, dois anos após Ciro ter libertado a primeira turma de judeus para Israel.
                         Naquele momento o profeta atravessava um conflito de outra ordem: o seu povo, já em Jerusalém, encontrava grandes dificuldades para dar continuidade às obras de reconstrução do templo por causa dos samaritanos, indivíduos que resultaram de uma miscigenação de colonos pagãos da Assíria com remanescentes das dez tribos que haviam permanecido em Samaria e na Galileia. Apesar de professarem a fé no verdadeiro Deus eles eram idólatras e, no período da restauração do templo eles vieram a Zorobabel e aos demais líderes, querendo ajudar na reconstrução, conforme lemos em Esdras 4: 1-5. Notemos que neste texto eles são chamados de adversários:
            “Ouvindo os adversários de Judá e Benjamim que os que voltaram do cativeiro edificavam o templo do Senhor, Deus de Israel, chegaram-se a Zorobabel e aos cabeças de famílias e lhes disseram: Deixai-nos edificar convosco, porque, como vós, buscaremos a vosso Deus... Porém Zorobabel, Jesua e os outros cabeças de famílias lhes responderam: Nada tendes conosco na edificação da casa a nosso Deus; nós mesmos, sozinhos, a edificaremos ao Senhor, Deus de Israel, como nos ordenou Ciro, rei da Pérsia. Então, as gentes da terra desanimaram o povo de Judá, inquietando-o no edificar; alugaram contra eles conselheiros para frustrarem o seu plano, todos os dias de Ciro, rei da Pérsia, até ao reinado de Dario, rei da Pérsia”.
            Os samaritanos passaram, portanto, a enviar, continuamente, cartas para Ciro, visando impedir os trabalhos em Jerusalém. Enquanto isso, Satanás tentava, pessoalmente, convencer o monarca. Vendo que Ciro demonstrava tendência para ouvir os adversários, o profeta Daniel começou um longo período de jejum e oração por seu povo, como segue:
            “No terceiro ano de Ciro, rei da Pérsia, foi revelada uma palavra a Daniel, cujo nome é Beltessazar; a palavra era verdadeira e envolvia grande conflito; ele entendeu a palavra e teve a inteligência da visão. Naqueles dias, eu, Daniel, pranteei durante três semanas. Manjar desejável não comi nem carne, nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com óleo algum, até que passaram as três semanas inteiras”. Daniel 10: 1-3
            Foi então que Cristo se revelou a ele por meio de uma extraordinária visão registrada em Daniel 10: 4-6:
            “No dia vinte e quatro do primeiro mês, estando eu à borda do grande rio Tigre, levantei os olhos e olhei, e eis um homem vestido de linho, cujos ombros estavam cingidos de ouro puro de Ufaz; o Seu corpo era como o berilo, o Seu rosto como um relâmpago, os Seus olhos, como tochas de fogo, os Seus braços e os Seus pés brilhavam como bronze polido, e a voz de Suas palavras era como o estrondo de muita gente”.
            Esta experiência lembra muito àquela que João teve no primeiro capítulo do Apocalipse, sendo a reação de Daniel, a seguir, também muito semelhante à do apóstolo João:
            “Só eu, Daniel, tive aquela visão; os homens que estavam comigo nada viram; não obstante, caiu sobre eles grande temor, e fugiram e se esconderam. Fiquei, pois, eu só e contemplei esta grande visão, e não restou força em mim; o meu rosto mudou de cor e se desfigurou, e não retive força alguma. Contudo, ouvi a voz das Suas palavras; e, ouvindo-a, caí sem sentidos, rosto em terra”.
            Ao cair sem sentidos Daniel foi acudido pelo anjo Gabriel, o mesmo que lhe dava explicações nas suas visões anteriores, como veremos.
            Ele lhe tocou e lhe falou sobre o personagem glorioso que acabara de ver e sobre o que eles estavam fazendo, naqueles dias, em resposta ao seu longo período de jejum e oração. Vejamos as palavras de Daniel:
            “Eis que certa mão me tocou, sacudiu-me e me pôs sobre os meus joelhos e as palmas das minhas mãos. Ele me disse: Daniel, homem muito amado, está atento às palavras que te vou dizer; levanta-te sobre os pés, porque eis que te sou enviado. Ao falar ele comigo esta palavra, eu me pus em pé, tremendo. Então, me disse: Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração em compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e, por causa de tuas palavras, é que eu vim. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia”. Daniel 10: 10-13.
            Uma vez revelada as boas novas, indicando que havia sido necessária a presença de Jesus naquela controvérsia com respeito à continuação dos trabalhos no templo de Jerusalém, para evitar que Satanás (“o príncipe do reino da Pérsia”) conseguisse impedi-la, o anjo passou a considerar sobre outro propósito de sua chegada: informar à respeito do que estava reservado para o povo de Daniel nos últimos dias:
            “Agora, vim para fazer-te entender o que há de suceder ao teu povo nos últimos dias; porque a visão se refere a dias ainda distantes”. Daniel 10: 14.
            Ao ouvir sobre este objetivo, o profeta desmaiou porque fez nova confusão, imaginando que a reconstrução do Santuário de Jerusalém ficaria para dias ainda muito distantes. Ele, contudo, foi logo reanimado pelo anjo:
            “Ao falar ele comigo estas palavras, dirigi o olhar para a terra e calei. E eis que uma como semelhança dos filhos dos homens me tocou os lábios; então, passei a falar e disse àquele que estava diante de mim: meu senhor, por causa da visão me sobrevieram dores, e não me ficou força alguma. Como, pois, pode o servo do meu senhor falar com o meu senhor? Porque, quanto a mim, não me resta já força alguma, nem fôlego ficou em mim. Então, me tornou a tocar aquele semelhante a um homem e me fortaleceu; e disse: Não temas, homem muito amado! Paz seja contigo! Sê forte, sê forte. Ao falar ele comigo, fiquei fortalecido e disse: fala, meu senhor, pois me fortaleceste. E ele disse: Sabes porque eu vim a ti? Eu tornarei a pelejar contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia. Mas eu te declararei o que está expresso na Escritura da verdade; e ninguém há que esteja ao meu lado contra aqueles, a não ser Miguel, vosso príncipe”. Daniel 10: 15-21.
         Vemos que, segundo o anjo, Jesus Cristo e Gabriel se ocuparam diretamente desta tarefa especial de contender contra as hostes das trevas que tratavam de impedir a obra de Deus. O império Persa permaneceu enquanto facilitava o andamento das obras, mas precisou, finalmente, ser substituído pelo império grego.
            O anjo começa, então, uma longa história, a partir do primeiro ano de Dario, o medo, que termina se desenvolvendo até a véspera da Segunda Vinda de Jesus. A mesma foi registrada pelo profeta nos dois últimos capítulos de seu livro, restando, atualmente, muito pouco para o seu cumprimento final.
Em Daniel 11:1 Gabriel, montando guarda no império dos medos e persas, anima Dario, o medo:
E eu, no primeiro ano de Dario, o medo, me levantei para fortalecê-lo e animá-lo”.
No segundo verso o mesmo Gabriel faz referência à profecia do capítulo 11, propriamente dita, sobre o que estava por vir: “Agora eu te declararei a verdade...” e começa citando para Daniel quatro reis sucessores de Ciro, o persa:
Eis que ainda três reis se levantarão na Pérsia, e o quarto será cumulado de grandes riquezas mais do que todos; e, tornado forte, por suas riquezas, empregará tudo contra o reino da Grécia”.
Neste ponto, a História é levada até Xerxes, o Assuero do livro de Ester. Depois de Ciro, que reinou de 539 a 530 a. C., a História registra quatro reis até Assuero.
O primeiro foi Cambises, filho de Ciro (530 a. C. a 522 a. C.); o segundo foi o chamado falso Esmerdis, que governou apenas um ano, em 522 a. C.; o terceiro foi Dario Histapes, o Grande, de 522 a. C. a 486 a. C.. Este, a exemplo de Ciro, também fez um decreto liberando os demais judeus para retornarem à Jerusalém.
Nesta ocasião, só não voltou para a sua terra o judeu que não quis. Os que ficaram no exílio sofreram o famoso decreto de morte que é narrado no livro de Ester.
Após a conclusão do templo no sexto ano de Dario Histapes, o que foi registrado em Esdras 6: 15, este monarca montou um grande exército para conquistar os gregos, em 490 a. C., mas foi derrotado inesperadamente na batalha de Maraton.
Após sua morte, ocorrida quatro anos mais tarde, Dario foi substituído por Xerxes que reinou de 486 a. C. a 464 a. C. Xerxes reuniu um extraordinário exército formado por 40 nações para retomar a luta contra a Grécia. Ele, no entanto, é igualmente derrotado pelos gregos, em 479 a. C., na batalha de Platoa. Xerxes é substituído por Artaxerxes em 464, o qual editou o decreto que proclamou a independência de Israel, no sétimo ano de seu reinado, em 457 a. C., dando início à grande cadeira profética de Daniel 8: 14 e 9: 24-27, que se constitui na chave para o entendimento de todas as profecias que nos levam até às vésperas da Segunda Vinda de Jesus. Devemos revisar, rapidamente, a última visão de Daniel para chegarmos ao ponto que nos interessa, a partir do final do capítulo onze.

A Medo-Persa não mais se levantou contra os gregos, vivendo um longo período de paz até 331 a. C. Neste ano, Alexandre, o Grande, rei da Grécia contra atacou, com sucesso, os medos e persas no reinado de Dario III, implantando o terceiro império mundial previsto nas profecias de Daniel, conforme se descreve a seguir.  

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