domingo, 4 de fevereiro de 2018

O Santuário celestial

Por dentro do santuário havia dois compartimentos. Diferentemente da aparência externa sem atrativos, a interna era gloriosa, conforme podemos verificar na ilustração da Figura 2:
Fig. 2 - A parte interna do Santuário israelita
                                      
Destacamos que, na Figura 2, o piso do santuário refletia o ouro das colunas, das tábuas e dos objetos sagrados, mas, na verdade, era formado pela simples areia do deserto. Os sacerdotes e o sumo sacerdote deveriam ter a impressão de estar com os pés na terra e a cabeça no céu.
Ao sul do primeiro compartimento – chamado Santo, onde Jesus atuou até 1844, encontrava-se um candelabro de sete ramos; ao norte, a mesa com os doze pães da proposição.
Ao centro do lugar Santo ficava o altar de incenso. Tinha chifres nos cantos e um incensário ou turíbulo. O sacerdote queimava o incenso com brasas removidas do altar de holocaustos com as quais misturava ainda o sangue proveniente dos animais sacrificados, e os oferecia sobre o altar de ouro. Esta era a forma de Deus aceitar a interseção do sacerdote pelo justo arrependido.
Podemos perceber que havia uma relação fundamental entre os dois altares que tipificavam tanto a morte de Jesus sobre a cruz, como a Sua intercessão celestial, após a ressurreição, com base no Seu sangue derramado no calvário.
Mais ao interior ficava o Santíssimo. Este era o lugar reservado para a habitação de Deus, o Pai. Nele havia apenas um móvel, conhecido como a Arca do Pacto. De cada lado da arca havia um querubim cobridor. Assim eram chamados porque suas asas se estendiam, tocando-se por sobre a arca, cobrindo, reverentemente, a presença de Deus, quando ali ela se manifestava.
Em cima da arca havia um lugar conhecido como propiciatório; era uma espécie de tampa, folheada a ouro que funcionava como se fosse o trono de Deus, porque ali se manifestava a Sua glória, na forma de uma nuvem, de uma tênue neblina. Dentro da arca foram colocadas as tábuas de pedra contendo os Dez Mandamentos. Isso significava que quando Deus ocupava o Seu lugar sobre o propiciatório, a Sua Lei, que se encontrava dentro da arca, representava o fundamento ou a base do Seu trono, do Seu governo. Este simbolismo indica que Deus, ao julgar o povo de Israel, se assentava sobre a misericórdia e a justiça. Enquanto que a Lei representava o padrão da justiça, o propiciatório, onde o sumo sacerdote aspergia o sangue do bode expiatório para a remissão dos pecados, representava a misericórdia, ou a combinação das duas coisas. 
Dentro da arca do tabernáculo do deserto, havia mais dois objetos: o cajado de Arão, que florescera e um pote contendo o maná que, por quarenta anos, alimentou o povo de Deus, no deserto. Vejamos a descrição do apóstolo Paulo, em Hebreus 9: 4:
“Ao qual (Santíssimo) pertencia um altar de ouro para o incenso e a arca da aliança totalmente coberta de ouro, na qual estava uma urna de ouro contendo o maná, a vara de Arão que floresceu, e as tábuas da aliança” - Parêntese acrescentado.
O cajado florido ilustra o fato de que haverá vida depois da morte, a qual só será possível mediante a intervenção miraculosa de Deus, para recriá-la. Assim nos é revelado por Paulo, em hebreus 9: 27:
E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo”.
Este enunciado não deixa espaço para dúvidas quanto à continuidade do processo da redenção após a morte, nem deixa margem para a teoria de reencarnações sucessivas.
Quanto ao maná, ele nos lembra das provisões de Deus no deserto e da reforma alimentar proveniente da substituição do regime cárneo do Egito, pelo pão que passou a descer do céu.
O fato do altar de incenso pertencer ao Santíssimo está relacionado com a intercessão de Jesus junto ao Pai, pelos vivos, também por ocasião do julgamento dos mortos.
No cerimonial antigo o altar de incenso permanecia no lugar Santo porque a queima diária do incenso era feita pelo sacerdote e este não tinha acesso ao Santo dos Santos. Jesus, na verdade, intercedeu no lugar Santo e agora julga e intercede no Santíssimo, operando, portanto, nos dois compartimentos do santuário celestial. 
Basicamente, esse era o plano interno do santuário. Nele verificamos a presença de apenas dois tronos e três dignitários celestes atuantes na nossa salvação: O Pai, o Filho e os anjos representados sobre o propiciatório e pelos desenhos das cortinas.   
A relação do interior do santuário terrestre com o santuário celestial
O amor faz com que o Altíssimo se revele constantemente a Seus filhos. O sistema de sacrifícios instituído em Israel foi uma destas gloriosas revelações, que tornou possível entendermos melhor o caráter de Deus e a Sua maneira de lidar com o pecado.
Cerca de mil e quinhentos anos após a confecção do santuário terrestre, ao morrer na cruz, o filho de Deus deixou transparecer a terrível malignidade da transgressão da Lei que fora entregue no Sinai.
Mateus 27: 50-51 registra este resultado da transgressão: a morte do Cordeiro e o encerramento do cerimonial que a tipificava:
            “E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito. Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas”.
            Dessa forma um novo e vivo caminho foi aberto pelo sangue de Jesus, de acordo com o convite da graça que encontramos em Hebreus 4: 14 e 16:
            “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”.       
Desta forma entrava em função o santuário da nova aliança. Mas, não obstante as evidências, os judeus continuaram com o sistema de holocaustos até que, no ano 70, o templo de Jerusalém foi completamente destruído. Apesar do altar de sacrifícios, situado no átrio do santuário terrestre ter encerrado a sua missão, o interior da tenda da congregação estava destinada a lançar luz sobre o que aconteceria no céu, após a ressurreição de Jesus, como diz Paulo em Hebreus 8: 1-2:
            “Ora, o essencial das coisas que temos dito, é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor Deus erigiu, não o homem”.
Após Sua apresentação no céu, Jesus passou a realizar, no primeiro compartimento do santuário celestial a obra que era realizada pelo sacerdote no seu ministério diário; passou a interceder pelos pecadores, apresentando diante de Deus, que O acompanhava no Santo lugar, as orações dos crentes arrependidos. Isto fazia com base no precioso sangue de Sua justiça realizada na cruz.
            Ali passou a centralizar-se a esperança dos discípulos, desde que Ele ascendeu aos céus, como vimos em Hebreus 6: 19-20 e 9: 12.
Passaremos, agora a investigar, nas próximas seções, o significado dos símbolos que encontramos no lugar Santo da tenda da congregação e a obra de Cristo no Santíssimo.
                         A obra de Cristo no lugar Santo

Durante dezoito séculos, o ministério de Cristo continuou no primeiro compartimento. O Seu sangue, oferecido em favor dos crentes arrependidos, assegurava-lhes perdão e aceitação perante o Pai; contudo, ainda permaneciam seus pecados nos livros de registro do santuário celestial, até que no juízo fossem eliminados.
Agora vamos concentrar nossa atenção no primeiro compartimento do santuário terrestre, chamado ‘lugar Santo’, destinado a nos familiarizar com a obra já realizada por Jesus pelos pecadores arrependidos, desde a sua ascensão até 1844. Neste período Ele passou a interceder pelos crentes, individualmente, como acontecia no santuário terrestre, ao longo do ano.
            Em Apocalipse 4: 5 o discípulo amado registrou uma visão que ele teve desta parte do templo de Deus, e viu dois de seus móveis sagrados: a mesa e o candelabro, como eles verdadeiramente são:
            Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões, e diante do trono ardem sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus”.
            O trono de Jesus certamente foi prefigurada pela mesa da proposição do santuário hebreu e as sete tochas de fogo eram tipificadas pelo candelabro. Se o Espírito Santo significasse realmente uma terceira pessoa, temos neste verso os elementos fidedignos para defender uma nova teoria, com mais seis representantes na Divindade.
            Felizmente, segundo a profecia, os sete Espíritos de Deus apenas descrevem o candelabro de sete luzes que significam os sete aspectos do caráter de Jesus, como nos é revelado pelo profeta Isaías:
            “Repousará sobre Ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor”. Isaías 11: 2
            Em êxodo 25: 31 e 37, temos a pálida representação deste fantástico candelabro:
            “Farás também um candelabro de ouro puro; de ouro batido se fará esse candelabro; o seu pedestal, a sua haste, os seus cálices, as suas maçanetas e as suas flores formarão com ele uma só peça... Também lhe farás sete lâmpadas, as quais se acenderão para alumiar defronte dele”.
            Este candelabro, situado à esquerda de quem entrava na tenda, representava, portanto, Cristo, a luz do mundo, conforme João 8: 12:
            “De novo lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida”.
            Este candelabro era a única luz do santuário, o qual não possuía janelas. Lembramos, no entanto que, no lugar Santíssimo, a oeste, a Shekinah, que representava a glória divina, iluminava o tabernáculo quando nele se manifestava a presença do Pai.
            As hastes laterais deste candelabro que pesava 25 quilos de ouro maciço bem poderiam representar o povo de Deus unido à haste central, formando com ela uma só peça, como os ramos à videira. Com efeito, no sermão da montanha, Jesus disse aos Seus discípulos:
Vós sois a luz do mundo”. Mateus 5: 24.
            Somos, portanto, chamados para, ligados em Cristo, brilhar nas trevas desse mundo, sob sete aspectos diferentes, da mesma forma como aos judeus foi prometido, conforme profetizado em Isaías 60: 1-3:
            “Levanta-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Senhor nasce sobre ti. Porque eis que as trevas cobrem a Terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti aparece resplendente o Senhor, e a Sua glória se vê sobre ti. As nações se encaminham para a tua luz, e os reis para o resplendor que te nasceu”.
            Ao Norte do santuário, de onde João viu sair vozes, relâmpagos e trovões havia, na sua representação terrestre uma pequena mesa, e esta, com doze pães, conforme Êxodo 25: 23 e 30:
 “Também farás a mesa de madeira de acácia; terá o comprimento de dois côvados (um metro), a largura de um côvado (meio metro), e a altura de um côvado e meio (75 centímetros) ... Porás sobre a mesa os pães da proposição diante de Mim perpetuamente”.
            Esses pães eram também chamados de pães da presença porque ficavam na presença do Senhor. Essa mesa, portanto, representava o trono de Jesus Cristo, que João viu em Apocalipse 4: 5, justamente diante das sete tochas que ali ardiam, pois no santuário terrestre, a mesa da proposição era o único móvel que havia diante do candelabro.
O Salmo 48: 2 confirma esta localização do trono de Jesus, no céu, em paralelo com os aspectos geográficos de Jerusalém, na terra de Israel:
“Seu santo monte, belo e sobranceiro, é a alegria de toda a Terra; o monte de Sião, para os lados no Norte, a cidade do grande Rei”.
Se a mesa representa o trono, o que significam para nós, hoje em dia, as declarações de Jesus em João 6: 33 e 35?
“Porque o pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo. Eu Sou o pão da vida; o que vem a Mim, jamais terá fome; e o que crê em Mim, jamais terá sede”.
Em Êxodo 30: 1, 2, 3, 6 e 7, lemos uma descrição do terceiro objeto do lugar santo: o altar de incenso, com suas dimensões e materiais, entre outros detalhes:
“Farás também um altar para queimares nele o incenso; de madeira de acácia o farás. Terá um côvado de comprimento e um de largura, será quadrado, e dois de alto; os chifres formarão uma só peça com ele. De ouro puro o cobrirás, a parte superior, as paredes ao redor, e os chifres; e lhes farás uma bordadura de ouro ao redor... Porás o altar defronte do véu que está diante da Arca do Testemunho, diante do propiciatório, que está sobre o Testemunho, onde me avistarei contigo. Arão queimará sobre ele o incenso aromático; cada manhã, quando preparar as lâmpadas, o queimará”.
 Essas informações situam o altar de incenso no lugar Santo; Mas ele, de fato, pertencia ao lugar Santíssimo, como veremos no capítulo 6.
Jesus intercedeu pelos Seus filhos no lugar Santo do céu, até 1844, e passou a interceder também no Santíssimo, quando para lá se dirigiu para realizar o juízo investigativo.
O altar de ouro ficava no lugar Santo do tabernáculo terrestre, por questões práticas, pois que o sacerdote precisava queimar o incenso, diariamente, e não tinha acesso ao Santíssimo:
“Ora, depois de tudo isto assim preparado, continuamente entram no primeiro tabernáculo os sacerdotes, para realizar os serviços sagrados; mas no segundo o sumo sacerdote, ele sozinho, uma vez por ano, não sem sangue, que oferece, por si e pelos pecados do povo”. Hebreus 9: 6 e 7
No cerimonial Levítico, do altar de incenso, uma flagrante nuvem com as orações dos santos ascendia diariamente à presença de Deus. Esse incenso representava um símbolo da intercessão de Jesus, junto ao Pai, como vimos. Isso era representado pelo fato de o sacerdote misturar incenso com sangue, no incensário, e oferecê-lo sobre o altar de ouro. O incenso queimava no altar por meio de brasas tiradas do altar de sacrifícios. Essa ligação entre os dois altares é pertinente. A intercessão de Jesus é feita em nome do sangue que Ele derramou na cruz. Deus aceita a intercessão de Jesus, com base no Seu sangue, perdoando o nosso pecado, enquanto prosseguimos em nosso processo de santificação aqui na Terra, conforme a experiência de Isaías 6: 5-7:
“Então disse Isaías: Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos! Então um dos serafins voou para mim trazendo na mão uma brasa viva, que tirou do altar com uma tenaz; com a brasa tocou a minha boca, e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada e perdoado o teu pecado”.
Esse altar, no céu, só podia ser o de incenso. Deus, o Pai, em Sua longanimidade, aceita a intercessão de Jesus quando reconhecemos o nosso erro e lutamos para remover as imperfeições de nosso caráter, como se descreve a seguir:
 “Por isso o Senhor espera, para ter misericórdia de vós, e se detém para se compadecer de vós, porque o Senhor é Deus de justiça, bem aventurado todos os que nele esperam”. Isaías 30: 18
Tudo o que foi visto até aqui deve ser considerado apenas como uma introdução ao tema que vamos abordar a seguir, o qual é totalmente atual e necessário para nós.  

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