sábado, 3 de fevereiro de 2018

As relações do Espírito Santo com a Igreja

                  A Igreja é a casa de Deus na Terra onde se reúne a família dos santos. Não foi o poder humano que a estabeleceu e nem pode destruí-la, como diz a Escritura:
                  “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos (Novo Testamento) e profetas (Antigo Testamento), sendo Ele mesmo, Cristo Jesus, a Pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito” – Efésios 2: 20-22.  
                  A respeito desta habitação espiritual no crente, disse uma escritora americana, famosa por sua inspiração:
                  “Cristo deu Seu Espírito como um poder divino para vencer todas as tendências hereditárias e cultivadas para o mal, e para gravar seu próprio caráter em Sua Igreja. Mediante um agente tão invisível como o vento, está Cristo continuamente operando no coração”. White, RH, 19/11/1908.
                  Foi Deus mesmo que concedeu dons aos seus servos, para que cada um pudesse vencer todas as tendências para o mal e, de acordo com o seu dom particular, contribuíssem para a direção da Igreja, observando, sempre, os Seus mandamentos; Não devemos, contudo, nos vangloriar com as bênçãos alcançadas e com os dons espirituais que possuímos. Isto não prova nada porque não estamos livres de negar a nossa fé. Somente por meio de uma autoanálise profunda é que seremos levados a uma transformação que renuncie a nossa vida atual para que, somente então, recebamos o novo coração. Para que haja a mudança interior, nós temos que deixar de fazer as próprias vontades, para que Deus opere em nós. Quando estivermos conscientes da necessidade de mudança, o Espírito Santo atua para mudar o comportamento que é desagradável a Deus.
                  Com base neste contexto, o processo de santificação da igreja deve se renovar, na pessoa de seus líderes, por intermédio de uma longa caminhada com os anjos ministradores, devendo passar por uma série de períodos evolutivos, até alcançar o objetivo final que é a perfeição de seus seguidores, em Cristo Jesus. A dotação do Espírito Santo é fundamental neste processo porque talento e experiência não tornarão os homens condutos de luz, a menos que se humilhem sob a poderosa mão de Deus, quando então serão exaltados pelo Senhor.
                   De EW, temos em TS II, p. 313/314:
                   “Quando o povo de Deus está à vontade, satisfeito com a luz que já possui, podemos estar certos de que Ele os não favorecerá. É Sua vontade que eles marchem sempre avante, recebendo a avultada e sempre crescente luz que para eles brilha. A atitude atual da igreja não agrada a Deus. Tem-se introduzido uma confiança em si mesmos que os tem levado a não sentir nenhuma necessidade de mais verdade e maior luz. Vivemos numa época em que Satanás opera à direita e à esquerda, em nossa frente e por trás de nós; e todavia, como um povo, estamos dormindo. Deus deseja que se faça ouvir uma voz despertando Seu povo para a ação”.                
              Em Filipenses 2: 12 -13 Paulo salienta a necessária constância do poder regenerador divino na Igreja, para que Jesus, na Sua forma espiritual, possa tornar efetiva a nossa esperança de salvação:
                     “Assim, meus amados, como sempre obedecestes, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor, não somente como em minha presença, mas muito mais ainda agora que eu estou ausente; porque é Deus quem produz em vós o querer e o efetuar segundo a Sua boa vontade”.
         Assim, sob o amparo de líderes consagrados, o sustentáculo da casa de Deus, e de anjos ministradores do Espírito Santo – Hebreus 1: 14, a igreja deve manter o fogo do Espírito, na batalha contra o mal, porque a sua vitória está garantida. Nem mesmo “as portas do inferno prevalecerão contra ela” – Mateus 16: 18.  
           Mas, para alcançar e manter a interação constante com o divino, a Igreja precisa passar por um preparo para ser realmente uma casa de oração, assim como acontecia com o tabernáculo israelita que só depois de lavado e ungido com óleo, recebia a manifestação da glória de Deus.
            E também da mesma forma que a tenda da congregação precisava ser ungida para habitação de Deus, o ser humano precisa passar pelo novo nascimento, para que Deus possa habitar em seu coração, como podemos verificar em 2 Coríntios 6: 14 a 7: 1:
             “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como Ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo. Por isso retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e Eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso. Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza tanto da carne como do Espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus”.
              Paulo, em Efésios 5: 18 b-20 revela, de maneira simples, como devemos nos articular com o dom celestial:
                        “Enchei-vos do Espírito, entretendo-vos com salmos, com hinos e cânticos espirituais, cantando e celebrando de todo o coração os louvores do Senhor; dando continuamente graças por tudo a Deus o Pai, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus”.
                        É, portanto, na comunidade de crentes que a influência do Espírito se amplia e proporciona um ambiente favorável ao crescimento da fé, que vem do ouvir a Palavra de Deus, com base na graça obtida na cruz. O coração, cheio de alegria e de gratidão, passa a revelar a cooperação com os anjos, os quais também se alegram por enriquecer espiritualmente os crentes. Esta atmosfera celestial deve ser tão real a ponto de ser percebida por aqueles que se encontram no recinto sagrado, e prazerosa para que sejamos vivificados, renovados para desfrutarmos de um viver saudável e crescente até que alcancemos a estatura completa de homens e mulheres em Cristo Jesus.
                         Agora, se o Espírito Santo é o poder concedido pelo alto, para nos afastar das coisas terrenas e eliminar nossas inclinações para o pecado, é coerente imaginar que o maligno envide as suas mais enganadoras energias para minimizar a influência celestial no coração do ser humano. E foi isso que ele fez, levando pessoas não consagradas alterarem, indevidamente, a Palavra de Deus, visando conciliá-la com seus ritos paganizados que começaram a ser desenvolvidos no âmbito da Igreja Romana.
                      Isto foi realizado também porque o núcleo sacerdotal percebeu na manipulação do dom celestial, distribuído independente da estrutura eclesial, uma maneira de reforçar a sua autoridade, fortalecendo a relação da fé no Espírito com a fé na Igreja. E a teoria da Trindade foi a via percorrida para fazer a conexão da história da salvação com as ações do clero romano. O Espírito Santo passou a ser considerado como a terceira pessoa da Trindade, passando a exigir a criação de sacramentos e alterações nas Escrituras.
                    Estes desvios foram considerados como uma evolução do Cristianismo histórico, quando, na verdade induziram à transgressão do primeiro mandamento da lei de Deus e transformaram a fé real em presunção. Para a fé romana paganizada, tais efeitos foram amortecidos pela hipocrisia mas, a sua absorção pelas igrejas em geral, vem motivando nossa aparente apatia com relação à vida eterna.
                   Devido a adoção desta prática pagã perdemos nosso desejo pela santidade, a nossa fome e a sede pela justiça, esquecendo-nos dos ideais da Reforma Protestante e do Reavivamento espiritual.
                       Em face dos recursos que nos foram disponibilizados pelos céus, encontramos uma boa razão para a mornidão laodicense na transgressão do primeiro mandamento, quando foi introduzida na cerimônia eclesiástica o rito do batismo em nome da Trindade. Satanás ocupou o lugar do Espírito Santo, na falsa teoria da Trindade e assim ele conseguiu obstruir o único canal pelo qual a graça de Deus nos poderia alcançar. Acreditamos que foi por esta porta que a mornidão entrou na Igreja de Laodiceia e, somente o retorno às condições da Igreja Primitiva será capaz de mudar o nosso estado coletivo de morbidez espiritual.
                           Não será, certamente, o rito em si que promoverá a Reforma tão necessária, mas a mudança de atitude em benefício de uma profissão de fé autêntica. Infelizmente, ao que indica a profecia, a Igreja Militante não discernirá o poder do Espírito Santo que ainda iluminará a Terra com a glória de Deus. Em sua cegueira se empenhará em resistir-lhe, visto que o Senhor não age de acordo com seus conceitos e expectativas. Porque, dizem eles, não conheceríamos o Espírito de Deus, se temos estado na obra há tantos anos? Assim, pelo alcance da profecia, não deverão atender às advertências de Deus, dizendo, simplesmente: “estou rico e abastado e não preciso de coisa nenhuma” – Ap. 3: 17.
                            Em face, portanto, desta possível resistência corporativa, restar-nos-á, apenas a possibilidade de ouvirmos, individualmente, as recomendações da Testemunha fiel e verdadeira à Igreja de Laodiceia para viver uma vida transformada no âmbito da Igreja Triunfante (invisível, mas poderosa), porque a Igreja Militante só existe, em realidade, pela ação do sangue de Cristo e pelo Espírito Santo nos corações. Onde essas ações não são exercidas é inócuo falar de igreja que em tal caso não passará de um edifício qualquer. Deus pode vir habitar em nossa igreja e em nosso coração, mas jamais antes que os mesmos, naturalmente maus, tenham sido purificados pelo sangue de Cristo e regenerados pelo Espírito Santo.

                    Resta-nos saber até que ponto podemos manter comunhão com outros cristãos que não têm a mesma compreensão que nós da Palavra de Deus, uma vez que esta comunhão com a Divindade é a base da comunhão com os demais crentes?

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