O Espírito Santo é caracterizado na Bíblia como um dom que, segundo o
dicionário da língua portuguesa, de Silveira Bueno, significa simplesmente um “donativo, uma dádiva ou dote natural”.
No caso do Espírito Santo, essa dádiva esteve sempre associada a um poder fornecido pelo céu para
realizar milagres. Este dom foi outorgado de forma mais abundante após a ressurreição de
Cristo, para favorecer aqueles que O aceitavam como seu Salvador pessoal, se
manifestando, pois, sempre após o ato da conversão de cada pecador. É como explica João 7: 38-39, a respeito da seguinte afirmação de Jesus:
“Quem
crer em Mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.
Isso Ele disse com respeito ao Espírito que havia de receber os que nEle
cressem; pois, o Espírito, até esse momento, não fora dado, porque Jesus não
havia sido ainda glorificado” - João 7: 38-39.
Esta doação, que ainda dependia do sucesso da missão de Jesus, destinava-se a auxiliar as pessoas
a abrirem os olhos da fé para as questões espirituais, para ver coisas do mundo
espiritual que antes não viam e fazer outras que antes não faziam, passando
alegremente a abandonar os seus pecados e a dar seu testemunho. Essa
experiência particular era tão marcante que era tida como loucura pelos que
desfrutavam apenas do espírito mundano e permaneciam nas trevas espirituais.
Assim, nesta sessão nos cumpre considerar sobre o dom do Espírito Santo, revendo as passagens
da Bíblia no tempo em que Deus agraciava a Igreja Primitiva com o Mesmo, sem que houvesse
nenhum mistério pendente sobre Ele. Será muito fácil de compreender que o
Espírito Santo sempre foi considerado como uma dádiva recebida miraculosamente
da parte de Deus para ampliar o entendimento espiritual e favorecer a pregação
daquilo que Jesus havia realizado na cruz.
O apóstolo Pedro quando foi
interpelado pelos irmãos que estavam na Judeia, sobre o seu relacionamento com
os gentios, e criticado por haver ceado com eles, passou a explicar-lhes a
razão do acontecido. Após longa introdução, no capítulo 11 do livro de Atos, ele
incluiu o fato inesperado de os gentios terem também recebido o batismo do
Espírito Santo. Vejamos as suas palavras registradas em Atos 11: 15-18:
“Mal comecei a falar, quando o
Espírito Santo caiu sobre eles, como sobre nós no princípio! E me lembrei do
que o Senhor disse: João imergia as pessoas em água, mas vocês serão imersos no Espírito Santo. Portanto, se Deus lhes deu o mesmo dom que a nós quando depositamos nossa confiança no Senhor Jesus, o Messias, quem
era eu para me opor ao caminho de Deus? Ouvindo essas coisas, eles pararam de
objetar e começaram a louvar a Deus, dizendo: Isto significa que Deus também concedeu que os gentios voltem dos pecados para Deus e tenham
vida”.
Esta
passagem deixa claro que a compreensão de Pedro e dos demais apóstolos sobre o
batismo do Espírito Santo ou melhor dizendo, no Espírito Santo, resultava de
uma cerimônia de consagração semelhante àquela que aconteceu no Pentecostes e
que se manifestou, também, nos crentes gentios. A experiência testemunhada por
Pedro consistiu apenas na imersão dos gentios em uma atmosfera poderosa de
graça, gerada apenas pela compreensão espiritual desenvolvida a partir do arrependimento
para a vida.
A respeito desta ocasião em
referência, diz a Escritura:
“E os fiéis que eram da
circuncisão, que vieram com Pedro, admiraram-se, porque sobre os gentios foi
derramado o dom do Espírito Santo; pois os ouviam falando em línguas e
engrandecendo a Deus”. Atos 10: 45-46.
Percebemos que o donativo,
nestes versos, se restringiu ao fato pontual daqueles crentes fieis serem
dotados de um poder sobrenatural ‘derramado’ especificamente sobre eles,
visando a difusão de sua experiência. Como consequência, eles simplesmente
passaram a engrandecer a Deus, falando em outras línguas. É muito difícil
conceber a versão da terceira pessoa da Trindade sendo derramada sobre alguém.
E o verso 47 diz, textualmente,
que os gentios “assim como nós, receberam
o Espírito Santo”, demonstrando a surpresa de Pedro porque eles não eram
circuncidados e nem mesmo batizados ainda; apenas criam no Senhor.
As Escrituras nos ensinam
que este poderoso dom é ministrado pelos anjos que, deste ponto de vista,
passaram a ser os “ministros” de Deus
aqui na Terra, conforme Hebreus 1: 14:
“Então, o que são os anjos? Todos eles são espíritos que servem a Deus,
os quais Ele envia para ajudar os que vão receber a salvação”.
Os anjos, portanto,
transmitem o Espírito Santo aos seres humanos de forma semelhante ao ministério
dos pastores, e de outros líderes da Igreja, promovendo o sincero
arrependimento dos crentes, uma vez que eles foram enviados para servir apenas
aos que hão de herdar a salvação. Eles foram credenciados pela Providência para
cooperar e complementar a obra de conversão promovida pelos ministros do
evangelho.
Assim, este poder
espiritual procedente de Deus e por meio de Jesus Cristo, chegava às pessoas em
fase de conversão por meio de consagrados mensageiros que se identificavam a
tal ponto com a mensagem que conduziam, que podiam com ela ser confundidos.
Funcionando como templos móveis do Espírito Santo, eles apenas O deslocavam do
céu à Terra, tornando-O absolutamente real ao nível das pessoas crentes em
Jesus.
Hebreus 1: 7 diz,
textualmente, que Deus “faz de seus anjos
ventos... e labaredas de fogo”.
Ora, esta definição que
encontramos no livro de Hebreus deixa claro que foram os anjos que se
manifestaram no dia do Pentecostes em atenção às últimas palavras de Jesus,
pois suas características se harmonizam não só com as atribuições do Espírito
Santo como também com as formas como Ele se manifestou, conforme o relato de
Lucas, em Atos 2: 2-4:
“De repente, veio do céu um
som, como de vento impetuoso, e encheu toda a casa onde eles estavam
assentados. E apareceram distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e
pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e
passaram a falar em outras línguas”.
Segundo as imagens de Ezequiel 1: 13-14 e
10: 15 e 20 foram querubins que se manifestaram em forma de tochas, se
dividindo como se fossem línguas de fogo, pousando uma sobre cada um deles,
transmitindo-lhes o poder de Deus de forma até então desconhecida. Vejamos a
confirmação deste discernimento a partir do testemunho sobre os anjos, dado
pelo profeta Ezequiel:
“O aspecto dos seres
viventes era como carvão em brasa, à semelhança de tochas; o fogo corria
resplendente por entre os seres, e deles saíam relâmpagos; os seres viventes ziguezagueavam
à semelhança de relâmpagos...”; “São estes os seres viventes que vi debaixo do
Deus de Israel, junto ao rio Quebar, e fiquei sabendo que eram querubins”.
É possível até, que neste
dia especial do Pentecostes tenham sido encaminhados anjos de uma categoria
superior, como ministros do Altíssimo, para transmitir aos discípulos a
plenitude do Espírito, de acordo com o número de línguas de fogo que apareceram.
O fato é que foi-lhes, então, comunicado o poder para falar em outras línguas,
o poder para curar e até mesmo o poder para ressuscitar mortos.
Mas, para não dar a
impressão de que estamos forçando a interpretação a respeito deste dom
extraordinário vamos respaldar nossas considerações em outras passagens e
contextos correlatos para comprovarmos, sem deixar dúvidas, que o Espírito
Santo sempre foi considerado como um Poder derivado de Deus Pai, a serviço do
Filho.
E, mais, se os discípulos O
entendessem como a terceira pessoa divina, o que nunca aconteceu, certamente
teriam sido contestados veementemente pelos membros do Sinédrio. Se os judeus
crucificaram Jesus porque Ele disse ser o Filho de Deus, aceitariam,
passivamente, a hipótese de o Espírito Santo ser uma pessoa divina,
independente do Pai? De forma nenhuma!
O que se discutia, na realidade,
era sobre o Messias que foi morto pelos judeus, que ressuscitou, sendo, agora,
a Sua obra difundida pelos Seus discípulos. E, neste particular entrava o
Espírito Santo de Deus como um recurso adicional provido pelo céu a fim de capacitá-los
a cumprir sua missão, e nada mais do que isto.
Em Atos 8: 20 o mágico
Simão quando viu que o dom Espírito Santo ou seja o poder de Deus era dado por meio da imposição das mãos de Pedro e de João, quis até comprá-Lo ao que Pedro lhe respondeu:
“Pereça sua prata, e você com ela, por pensar que pode comprar o dom gratuito de Deus”.
Parece
óbvio que o mágico não estava pensando em comprar o poder celestial e não comprar uma divindade, a pessoa do Espírito Santo, o que, também, nem de
longe, passou pela cabeça de Pedro.
Em Atos 9: 22, voltando
ao contexto de Ananias, na versão extraída diretamente do original grego,
lemos:
“Todavia, Paulo se enchia
cada vez mais de poder e criou um
alvoroço entre os judeus que moravam em Damasco, com suas provas de que Jesus é
o Messias”.
Não estamos tratando aqui
de poder físico; o fortalecimento comentado neste verso diz respeito ao poder para
provar que Jesus era o Messias. O Espírito Santo de Deus, atuando na vida do
apóstolo temporão, crescia aos poucos, na medida em que ele se regozijava em
sua pregação de Jesus.
Vejamos o que Pedro diz em
Atos 10: 38:
“Como Deus ungiu a Jesus de
Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda a parte, fazendo
o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele”.
O Messias “ficou cheio do Espírito Santo”, diz a
expressão de Lucas 4: 1, valendo dizer que depois de Seu batismo, Ele ficou
cheio de poder, por meio do qual curava a todos os oprimidos pelo diabo.
Vamos relembrar a
experiência de Jesus, em Lucas 3: 21-22:
“Estando Ele a orar, o céu se abriu, e o Espírito Santo desceu sobre
Ele em forma corpórea como pomba”.
Não é difícil desmistificar
a dúvida que ronda esta passagem. Basta comparar o que aconteceu no Rio Jordão
com as palavras de Jesus ditas a Natanael, dois dias depois de Seu batismo; Após revelar-lhe detalhes ocultos em relação a pessoa de Natanael, Jesus acrescentou ao futuro discípulo:
“Em verdade, em verdade vos
digo que vereis o céu aberto e os anjos
de Deus subindo e descendo sobre
o Filho do Homem” - João 1: 51
Esta frase de Jesus a
Natanael transmitia, claramente, o que aconteceria no futuro próximo. Em
primeiro lugar Ele coloca os anjos como ministradores do poder de Deus
e, em segundo lugar, que isto seria visto por eles, a cada milagre que
ocorreria durante o ministério do Filho de Deus. O mesmo passou a acontecer com os primeiros
discípulos ao receberem o Espírito Santo e deverá se repetir com os últimos, durante a operação do alto
clamor, ao passarmos pela mesma experiência: anjos invisíveis virão do céu para
ajudar-nos quando buscarmos, humildemente, a graça e força divinas.
Nada havia, portanto, naquela cena do batismo de Jesus
além da comprovação de que Jesus era o Messias esperado, o Filho de Deus.
Quanto ao formato de pomba,
essa é outra característica dos anjos, pois que os mesmos têm já se
materializados em diversas formas, como de pessoas, de estrelas, de carruagens,
de animais e até mesmo de aves, sempre com o objetivo de transmitir ou de
executar a vontade de Deus para com os homens, como foi o caso de Jesus ao
receber o dom do Espírito Santo, através de um anjo materializado em uma pomba.
No caso da transformação em animais, vejamos o exemplo clássico da passagem
citada em II Reis 2: 11, quando o profeta Elias foi levado para o céu:
“Indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de
fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho”.
Essa experiência evoca a
presença dos mesmos anjos da visão de Ezequiel. Em Apocalipse 4: 7 o quarto querubim se apresentou na forma de uma águia voando.

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