sábado, 3 de fevereiro de 2018

O processo de transmissão da verdade divina

                    Precisamos, finalmente, entender melhor a maneira pela qual a verdade divina passa da mente de um Deus santo para à de Seu povo, em processo de santificação. Só assim poderemos nos apropriar, com segurança, tanto do Seu perdão como do Seu poder vivificante para viver, em realidade, uma vida transformada. Esta transformação do caráter é necessária porque, apesar de sentirmos que Deus nos ampara, protege e insiste conosco para que confiemos nEle, não temos conseguido descansar completamente no Senhor. Esse parece ser o nosso maior problema!
                     Temos a consciência do conflito cósmico - Apocalipse 12: 7-9, que acabou levando a humanidade à condição de escrava do pecado e sem as condições necessárias para lutar sozinha contra o mal.
                     Estamos, também, conscientes que foi o amor de Deus por Suas criaturas que O levou ao ponto de permitir que o Seu único Filho fosse crucificado, visando restaurar a nossa natureza divina, com base na força deste amor eterno que nos redimiu. Também providenciou um exército inumerável de criaturas celestes como reforço imprescindível para nos livrar das garras do mal. E, mesmo que essa forma sobrenatural de apoio não tenha uma explicação científica, não chega a ser misteriosa ou inacessível à razão, porque acreditamos na Sua Palavra, escrita pelos profetas.
                   Só não entendemos como a ingratidão levou pessoas mal iluminadas da Igreja de Laodiceia a adotar um mofado plano medieval de justificação própria que só serve para  mantê-la morna e desqualificada por renunciar à verdade presente que poderia libertar os filhos de Deus.  
                      O fato é que adentramos o século XXI do Cristianismo com a vontade de compreender o processo de nossa redenção para não continuar errando a rota que nos leva de volta para a eternidade. Percebemos, no entanto que o canal da graça divina, adulterado no passado precisa ser desobstruído por meio da conversão dos líderes principais que atuam na igreja. Estes agentes, porém, continuam desprezando o dom do Espírito Santo, dizendo: 'Somos ricos, estamos bem de vida e temos tudo o que precisamos’. Mas não sabem que são miseráveis, infelizes, pobres, nus e cegos” – Apocalipse 3: 17 NTLH.
                       Sinceramente, está difícil de enxergar a melhor opção para nos livrar das pressões deste mundo caído e concretizar o sucesso tão desejado! Seria um arrependimento corporativo? Um arrependimento individual?
                     A primeira epístola de Paulo aos Coríntios começa o capítulo 2 tratando destas questões, nos seguintes termos:
                    “Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” - I Coríntios 2: 1-2.
                      Paulo conseguiu tomar esta decisão fundamental de se desligar do mundo, não querendo saber de mais nada a não ser Cristo crucificado. Deixou para trás corporações, família, amigos, trabalho e demais compromissos para viver pela fé. Diante de sua admirável coragem e determinação nos perguntamos como seguir-lhe o exemplo? O que nos falta para tal? 
                    Tudo indica que necessitamos passar por uma Reforma, ou seja, por uma reorganização, mudança de ideias e teorias, hábitos e práticas, que somente poderá ocorrer sob o ministério do Espírito Santo, porque são atos contrários ao que já foi estabelecido. Esta Reforma, no entanto, é o único caminho para obtermos o Reavivamento da fé, ou seja, o ressurgimento da mornidão espiritual. 
                 A nossa fé não pode ser embasada na sabedoria humana e sim no poder de Deus, como narra o apóstolo:                     
                     “... A minha palavra e minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de DeusI Coríntios 2: 4-5.
                 O seu argumento parece indicar que o segredo de nossa vitória é não mais nos apoiarmos na sabedoria deste mundo, que penetrou na Igreja, dominando-a, para nos apoiar apenas no poder de Deus. Paulo mesmo demonstrava isso, ligado diretamente com o Espírito Santo, porque este era o poder procedente de Jeová para que a sua fé fosse estabelecida. E esta ligação com o Espírito Santo continua sendo a única estratégia divina para definir e manter a verdade em nosso coração.
                  A seguir ele acrescentou uma terceira consideração: testemunhar em benefício apenas daqueles que se interessam pela sabedoria do plano, sendo aptos para entendê-la, conforme I Coríntios 2: 6-7:
                “Entretanto, é uma sabedoria da qual falamos aos que são suficientemente maduros para ela, sabedoria que não é deste mundo, nem dos líderes deste mundo, que desaparecerão; nós pregamos a sabedoria de Deus, misteriosa e oculta, que Deus, desde a eternidade, destinou para a nossa glória...”.
                    Precisamos de maturidade para entender a nulidade deste mundo que em breve desaparecerá, mesmo nos sentindo verdes diante da imensa sabedoria divina que pré anuncia o nosso resgate. 
                     O plano divino deixou de ser misterioso com respeito a breve volta de Jesus. Não podemos mais seguir o exemplo dos líderes deste mundo, cuja sabedoria já não serve para nada.
 Fazemos questão de enterrar a cabeça na areia, como o avestruz, para não ver a morte eterna chegar. Lembramos até a condição de Paulo, quando disse aos romanos:
                    “Quem me livrará deste corpo que me leva para a morte?” - Romanos 7: 24 – NTLH.
                     Ele certamente compreendia a seriedade da vida espiritual, bem retratada por White em seu livro Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 53, in Lições da Escola Sabatina, Adultos/Aluno – I Tri. 2017, p. 51:
                      “Uma simples falha de caráter, um único desejo pecaminoso acariciado, neutralizará fatalmente todo o poder do evangelho”.
                   
                      Colocado este marco referencial que certamente trará uma sacudidura ao povo de Deus, o apóstolo insiste, a seguir, no verdadeiro processo de transmissão da verdade divina, por meio do Espírito Santo, porque este é o único meio para a resolução de nossos interesses espirituais.
                      As alterações infiltradas na Palavra, no entanto, tem tornado difícil para muitos, desmistificar a verdade a tal ponto que alguém chegou a dizer: "coisa difícil é cristianizar os cristãos de hoje". Isso porque foram dotados de uma dose mínima de espiritualidade que vem minimizando o desejo de vivera plenitude da fé. Vamos nos concentrar nas palavras de Paulo para entender como ele alcançou este objetivo:
                    “Mas foi a nós que Deus, por meio do Espírito, revelou o Seu segredo. O Espírito Santo examina tudo, até mesmo os planos mais profundos e escondidos de Deus..Não foi o espírito deste mundo que nós recebemos, mas o Espírito mandado por Deus, para que possamos entender tudo o que Deus nos tem dado. Portanto, quando falamos, nós usamos palavras ensinadas pelo Espírito de Deus e não palavras ensinadas pela sabedoria humana. Assim explicamos as verdades espirituais aos que são espirituais. Mas quem não tem o Espírito de Deus não pode receber os dons que vêm do Espírito e, de fato, nem mesmo pode entendê-los. Essas verdades são loucura para essa pessoa porque o sentido delas só pode ser entendido de modo espiritual. A pessoa que tem o Espírito Santo pode julgar o valor de todas as coisas, porém ela mesma não pode ser julgada por ninguém. Como dizem as Escrituras Sagradas: ‘Quem pode conhecer a mente do Senhor? Quem é capaz de Lhe dar conselhos?’ Mas nós pensamos como Cristo pensa”.  I Coríntios 2: 10-16. NTLH.                   
                      Podemos observar nesse texto a função chave do Espírito Santo que Deus usou para alcançar o apóstolo, contudo ainda não estamos contando com a plenitude deste dom, não porque o mesmo tenha sido bloqueado no passado pelas intervenções humanas da Era Medieval, mas porque aceitamos uma blasfêmia contra Deus como sendo uma ‘evolução do Cristianismo’. Por causa desta heresia que nos foi ensinada, carregamos o estigma da mornidão, devido à dificuldade para receber a graça e o poder que vem do Espírito, porque os mesmos só fluem de modo eficiente por meio de um canal que ainda permanece parcialmente bloqueado, uma vez que ainda estamos vivendo sob o rito romano paganizado.
                       As palavras negritadas no final do texto bíblico no início desta página são muito importantes porque percebemos que Paulo avançou muito neste processo de pensar como Cristo pensa porque teve aquela visão no caminho de Damasco! E nós, o que temos a fim de entendermos melhor o amor de Deus, para facilitar a nossa decisão de viver pela fé naquele que se entregou por nós? Talvez essa pesquisa possa nos ajudar a lutar pela dose mínima e indispensável do Espírito Santo, para fazermos como os discípulos fizeram antes do Pentecoste: unirmo-nos num só propósito, numa só alma, para recebermos a última chuva do Espírito Santo, a chuva serôdia, em grande medida.
                No estágio em que nos encontramos, ainda nos falta achar o caminho para nos apropriar da excelência do amor fraternal, indicado e enaltecido no Salmo 133, a seguir:
                       “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes. É como o orvalho de Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali, ordena o Senhor a sua bênção e a vida para sempre”. 
                        Como constatamos que o Espírito Santo foi derramado sobre os crentes da Igreja Primitiva, podemos considerar a pertinência do óleo derramado na cabeça de Arão, ser um símbolo  do Espírito Santo que Jesus deseja derramar sobre a cabeça do crente sincero da Igreja Remanescente. E que o orvalho produzido no monte Hermom, que desce sobre os montes de Sião, também sejam um símbolo do Santo Espírito sobre a Igreja Triunfante e sobre os pequenos grupos de oração, cujos membros estarão unidos pela nova luz e pela mesma esperança porque ali, certamente, o Senhor vai ordenar a Sua bênção e a vida para sempre.
                    Se não passarmos por esta experiência, mais tranquila, parece que nos restará, somente, esperar pelo tempo de angústia como nunca houve para sermos purificados da forma como se purifica o ouro, porque é certo que Deus não desistirá de nós! Mas será preciso sofrer tanto para alcançar a salvação se esta é de graça? Se a mesma esteja, possivelmente, apenas na dependência de uma mudança de conceitos sobre a teoria da terceira pessoa da trindade, e do batismo em nome de Jesus?               
                     Isto posto, precisamos, finalmente, prestar muita atenção às palavras do apóstolo Paulo em romanos 8: 26-27, para melhor compreendê-las. Pensando nesta dificuldade, lembramos das palavras de uma escritora cristã mundialmente reconhecida:
                    “Há nas Escrituras coisas difíceis de entender e que segundo diz Pedro, os indoutos e inconstantes torcem para a sua própria perdição. Não podemos explicar nesta vida o sentido de toda a passagem das Escrituras; não há, porém, pontos vitais de verdade prática, que fiquem envoltos em mistério. Ao chegar na providência de Deus, o tempo de o mundo ser provado quanto a verdade para aquele tempo, mentes serão despertadas pelo Seu Espírito para pesquisarem as Escrituras, mesmo com jejum e oração, até que se descubra elo após elo, e estes sejam ligados em perfeita cadeia. Todo o fato que tem que ver de perto com a salvação de almas, será tornado tão claro, que ninguém precisa errar, ou andar em trevas”. EW, TS-I, p. 286.           
Isto posto, precisamos, finalmente, prestar muita atenção às palavras do apóstolo Paulo em romanos 8: 26-27, para melhor compreendê-las.
                   
             “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos o que nos convém pedir em nossas orações, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira com gemidos muito profundos para serem exprimidos por palavras. “E” aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos”.
             Podemos notar, numa visão de conjunto deste trecho, a presença de um trio, unido em um só propósito. O Espírito de Jesus é o único elemento citado no verso 26. A conjunção coordenativa aditiva ‘E’, marcada no texto, liga o verso 26 ao 27, visando adicionar ao Espírito de Jesus duas pessoas celestes que se encontram no verso 27: aquele que sonda os corações, segundo a vontade de Deus e o próprio Deus. Portanto, além do Espírito de Jesus que é um com Deus, o Pai, é acrescentado aquele que sonda os nossos corações e que intercede pelos santos.
          E como é que este que sonda o coração, também conhece a mente do Espírito, isto é, os pensamentos de Deus para transmitir aos santos? - Porque Deus transmite Sua vontade diretamente para os seus ministros celestiais. Estes ministros são quem “intercede pelos santos segundo a vontade de Deus”, a fim de comunicar essa vontade aos crentes em Jesus. Assim os ministros celestiais, totalmente imbuídos do Espírito de verdade, seguem para abençoar, individualmente, aqueles que suspiram como nós suspiramos, pela salvação que há em Cristo Jesus.
                   E quem são estes enviados que vão representando Aquele que os envia? quem são estes poderosos ministros celestiais que levam as credenciais e a autoridade de Deus? Quem é esse terceiro elemento da tríade celestial? Ora, esse ministro já foi caracterizado como sendo os anjos, conforme Hebreus 1: 14, NTLH:
                  “Então, o que são os anjos? Todos eles são espíritos que servem a Deus, os quais Ele envia para ajudar os que vão receber a salvação”.
                   Em “O Desejado de Todas as Nações”, p. 101 White cita as seguintes palavras de Jesus a Natanael:
                     “Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” – João 1: 51.
                     E, após citá-las, ela acrescenta: 
                    “Com isso, Cristo, virtualmente diz: nas margens do Jordão, os céus se abriram, e o Espírito desceu como pomba sobre Mim. Aquela cena não era senão um testemunho de que Eu sou o Filho de Deus. Se crerdes em Mim como tal, vossa fé será vivificada. Vereis que os céus se acham abertos, e nunca se hão de fechar. Eu os abri a vós. Os anjos de Deus estão subindo, levando as orações dos necessitados e aflitos ao Pai em cima, e descendo, trazendo bênçãos e esperança, ânimo, auxílio e vida aos filhos dos homens”.
                    Neste texto ela foi categórica com relação a quem leva nossas orações ao Pai,  confirmando que são estas criaturas, cheias do Espírito Santo, que intercedem por nós com gemidos inexprimíveis.    
                       Como vemos, este texto de Romanos 8: 26-27 apenas explica o fato de que quando ficamos sobrecarregados de preocupações, com grandes dificuldades para expor nossos anseios em oração, os anjos, revestidos pelo Espírito Santo de Deus, buscam descobrir nossas verdadeiras razões, visando interceder por nós da forma mais adequada possível junto ao Pai. Como são apenas criaturas espirituais, credenciadas para atuar neste processo, esforçam-se sobremaneira para cumprir os elevados desígnios de Jeová. Eles sabem da grave responsabilidade que lhes pesa sobre os ombros para auxiliar devidamente a Cristo, nesta conexão com o Pai, em benefício daqueles por quem o Messias deu a Sua vida. Não podemos imaginar uma terceira pessoa, igual a Deus, se esforçando tanto para realizar a mesma tarefa.
                    No momento em que os anjos levam os nossos anseios a Deus, o fazem com tamanha dedicação que não pode ser expressa por meio de palavras humanas. Estes ministros, em unidade perfeita com o Espírito Santo de Jesus, procuram agir sem desvios com relação aos pensamentos de Deus Pai e interceder pelos santos de acordo com a vontade expressa de Jesus. Este quadro parece complexo mas é simples de entender. Basta examinarmos a experiência do apóstolo Paulo, registrada em Gálatas 2: 20:
                   “Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”.     
                    Quando Paulo disse que Cristo vivia nele, estava se referindo ao Cristo espiritual, ou seja, ao Espírito ou ao caráter de Cristo que nele estava, desde que fora credenciado como embaixador do céu.
                      Este ministério é explicado como segue:
                  “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio” – diz Paulo em II Coríntios 5: 20.
                    À semelhança do apóstolo, e ainda com maior propriedade, o anjo pode dizer: não mais eu vivo mas o Espírito Santo de Cristo vive em mim, sendo como se Deus exortasse por meu intermédio. É lícito raciocinarmos com relação ao ministro celestial de acordo com a experiência do apóstolo de Cristo.
                     E, como os anjos, o apóstolo e os discípulos, nós também podemos ser transformados em templos vivos para receber e intermediar a verdade presente entre Deus e os seres humanos, na atualidade. O segredo para esta mudança é o temperamento enérgico em assumir a atitude necessária para que o coração mude no sentido de ser purificado para este papel. Para tanto, a nossa própria vontade deve se submeter à vontade de Deus.                  
                    A partir deste entendimento podemos compreender melhor a ação dos anjos maus sobre aqueles que introduziram algumas modificações nos textos originais da Bíblia, que confundem certos princípios fundamentais. Ela se deu da mesma forma, porém, com propósito inverso, adequando a mensagem bíblica às doutrinas paganizadas, induzindo, fortuitamente, multidões ao pecado que não tem perdão, pelo simples fato de que Deus atua com base em seus princípios originais e não com base nos princípios adulterados.
                  Estabelecendo um conceito humano para a tríade divina, diríamos que se trata de um cheiro de vida para a vida, fluindo por meio de três dignitários celestes para a mente daqueles que hão de herdar a salvação.

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