sábado, 3 de fevereiro de 2018

Conclusões Sobre "A Verdade Presente Para o Tempo do Fim - 6"

1. Há muitos, hoje em dia, que ignoram a forma como o Espírito Santo age em nosso coração; Apesar de ter sido camuflada, não há verdade mais claramente ensinada na Palavra de Deus.
2. Jesus Cristo, o Messias, depois de participar da criação do homem, redimiu a raça caída e, quando ascendeu da Terra para efetuar a mediação junto ao Pai Todo-Poderoso, prometeu enviar um poder convertedor, iluminador e santificador aos que nEle haviam crido e a todos aqueles que viessem a crer, visando assegurar o sucesso de Seu plano redentor.
3. A nossa pesquisa não deixou dúvidas ao confirmar que este dom maravilhoso é o Espírito Santo, extremamente necessário para levar o crente ao arrependimento, para estimulá-lo no desenvolvimento de um caráter semelhante ao de Jesus, e para facilitar a expansão missionária da Igreja cristã até ao final dos tempos; A pesquisa também revelou que este dom deveria ser administrado pelos anjos, os quais foram credenciados especialmente para esta missão.
            4. A hipótese formulada a respeito da inexistência da terceira pessoa da Trindade foi confirmada. Para justificá-la foi introduzido um importante desvio nas Escrituras, com base em práticas culturais politeístas que visavam desviar os justos de sua fé original em um só Deus verdadeiro e em um só Mediador, Cristo Jesus.
            5. Verificou-se que os desvios eclesiásticos detectados ocorreram no período da Igreja de Pérgamo (313-538 d.C.), em consonância com a profecia citada em Apocalipse 2: 12-17. Como Satanás não logrou êxito em destruir as igrejas de Éfeso e de Esmirna, pela perseguição e martírio, resolveu colocar o seu trono dentro do Cristianismo a fim de implodi-lo. Foi a partir de então que a Igreja Católica passou a nivelar-se com o profeta Balaão porque este foi um profeta mercenário que negociava com as coisas de Deus. A Igreja Romana adotou também a doutrina dos nicolaítas que, segundo notas de rodapé da Bíblia na NTLH, p. 1544, Ed. 2005, sobre Apocalipse 2: 6  tratava-se de "um grupo de pessoas que, provavelmente, se dedicava à idolatria e à imoralidade”
6. As alterações foram introduzidas, inicialmente, na liturgia da Igreja Romana, situada no coração do paganismo.  Segundo o papa Bento XVI o dogma da Trindade foi elaborado para dar sustentação à prática do batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, que já vinha sendo praticado nesta igreja; e, sob a influência dos imperadores da época, a falsa doutrina acabou se consolidando, totalmente independente da Igreja de Jerusalém.
 7. Esta falsa evolução do Cristianismo foi desenvolvida no âmbito da Igreja Romana à revelia da Igreja Primitiva e ganhou maior expressão no segundo Concílio Ecumênico, ocorrido na cidade de Niceia, em 325 a. D. Apesar do tema da trindade divina ser discutido por séculos, foi praticamente definido no primeiro concílio de Constantinopla, no ano 381, sem nenhuma justificativa convincente.
             8. Apesar do dogma trinitário ser defendido nas versões de João Ferreira de Almeida e correlatas, será muito difícil enganar os justos que, por certo, poderão facilmente eliminar o implante indesejável. Nosso resultado tem por objetivo esclarecer os estudiosos superficiais a fim de que recebam o refrigério da presença do Espírito Santo, conforme Joel 2: 28-29 e Zacarias 10: 1.
9. Como estas modificações teológicas se apartavam do que era praticado pela Igreja do primeiro século, fundada sobre a base de Jesus e dos Seus apóstolos, a igreja dominante apressou-se em alterar o conteúdo bíblico a fim de dar sustentabilidade às novidades. A partir de então uma série de retoques sutis foram incluídos em várias partes das Escrituras, para substabelecer as mudanças praticadas. A mudança mais ousada e, também mais fácil de ser detectada foi a inclusão da fórmula batismal romana no versículo de Mateus 28: 19, contrariando frontalmente a recomendação explícita dos apóstolos sobre o batismo em nome de Jesus.  
             10. A inclusão de um versículo no capítulo cinco da primeira carta de São João (I João 5:7) foi outra tentativa para fortalecer a falsa teoria da Trindade divina. Em algumas versões este verso aparece entre colchetes, para justificar o acréscimo; em outras não aparece os colchetes para não despertar o leitor, creio eu. Apesar deste versículo ter sido retirado em várias versões modernas da Bíblia, pela absoluta falta de coerência e sustentabilidade, é ainda muito citado para justificar a criação artificial da terceira pessoa da Trindade, causando tristeza ao crente mais esclarecido.
 11. Outra modificação feita pelos copistas da Bíblia, que a maioria das igrejas cristãs da atualidade ignoram diz respeito à substituição da palavra comunicação (citada nos manuscritos de II Coríntios 13: 13, e utilizada em versões bíblicas publicadas em Genebra e na Inglaterra, totalmente coerente com o restante da Bíblia), pela palavra comunhão que, segundo o dicionário da LP Silveira Bueno significa o sacramento da eucaristia, o qual assegura que Cristo se encontra literalmente no pão e no vinho por meio dos quais a alma do cristão receberia a purificação dos seus pecados. Foi por meio desta manobra teológica que a obra de perdoar pecados passou de Jesus Cristo para o clero romano.
           12. Impressiona o fato destas injustificadas interferências inseridas pela Igreja Romana, totalmente alheias ao que era praticado pela Igreja Primitiva, serem adotadas pela grande maioria das igrejas cristãs como sendo uma simples evolução histórica do Cristianismo. Os líderes fazem questão de ignorar que, agindo desta maneira, estão adotando uma conduta semelhante à dos fariseus que, ao atribuírem a obra do Messias a outro poder, fora da Divindade, cometiam uma blasfêmia imperdoável.
             13. A correção destas mudanças desautorizadas que ocorreram no passado constitui um grande desafio para o mundo cristão da atualidade porque, segundo a Palavra de Deus, elas induzem à prática de doutrinas que segundo Paulo são ofensivas ao Criador, por levarem os crentes à transgressão do primeiro mandamento da Lei de Deus. Estavam corretíssimos os pioneiros da IASD quando rejeitaram a doutrina cristã histórica da Trindade conforme podemos verificar no texto abaixo:
                   “Eles nem sempre, porém, aceitaram a doutrina cristã histórica da Trindade. Nas primeiras décadas eles a rejeitaram como antibíblica, católico-romana, contrária à razão, a qual impunha uma cristologia de dupla natureza que parecia negar a expiação divina” - Tratado de Teologia, CPB 2011, página 223, item G. (Vide anexo)
 .          14. Esta deve ser também a posição de todo cristão autêntico da atualidade porque este dogma foi estabelecido apenas para resolver problemas logísticos da igreja predominante e acabou neutralizando, em grande medida, o dom celestial do Espírito Santo. Além de desviar muitos da fé verdadeira, esta teoria apresenta ainda um grande potencial para enganar e privar cristãos sinceros de receber a promessa da última chuva do Espírito Santo, indispensável ao preparo dos herdeiros da vida eterna.
             15. Para a reconexão com o poder original que foi atribuído aos crentes da Igreja Primitiva, os seus remanescentes daquela Igreja deverão voltar às crenças daquele tempo, quando não havia obstrução do canal da graça divina, pois esta alteração foi praticamente oficializada no terceiro século da Era Cristã ao criar-se a doutrina da Santíssima Trindade.
              16. Embora a maioria dos cristãos modernos não relacione a sua cegueira com a falta do colírio do Espírito Santo, este é o testemunho de Cristo para a Igreja de Laodiceia. As consequências negativas desta condição da última igreja cristã são plenamente evidentes em todas as suas fileiras, merecendo a terrível reprimenda de estar despida diante de Deus.
              17. Com base neste testemunho das Escrituras podemos concluir com segurança que a fraqueza espiritual de Laodiceia procede realmente da ausência do poder do Espírito Santo devido a sua crença na Trindade e adoção do batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
                18. Recomendamos, neste sentido, a experiência dos efésios, relativa a fórmula batismal porque eles, como nós, não conheciam o verdadeiro batismo cristão (Atos 18: 25 e 19: 2-6) e, por isso, apresentavam fraquezas espirituais semelhantes às nossas, das quais foram reabilitados após o batismo em nome de Jesus.             
                19. Reiteramos a necessidade de uma Reforma que, segundo EW no livro SC, p. 42, significa “reorganização, mudança de ideias e teorias, hábitos e práticas”. Segundo essa autora, na mesma página lemos: “Tem que ocorrer um reavivamento e reforma, sob o ministério do Espírito” e, para tanto, o canal da graça deve ser desobstruído para que deixemos de fazer as próprias vontades e, finalmente alcancemos o reavivamento espiritual que necessitamos para a transladação.
               20. Recomendamos que os chamados, eleitos e fieis (Apocalipse 17: 14) se levantem sob essa nova luz, que na realidade é a verdadeira luz antiga, para que possam orar com sucesso pela chuva serôdia que lhes reabilitarão para os embates finais.
              21. Finalmente, deixamos com os irmãos na fé, as palavras do apóstolo Paulo, citadas em I Coríntios 1: 4-9:
           “Sempre agradeço a meu Deus por vocês, por causa do amor e da bondade divinos dados a vocês por meio do Messias Yeshua, pelos quais vocês foram enriquecidos por Ele de muitas formas, particularmente no poder da Palavra e na profundidade do conhecimento. De fato o testemunho acerca do Messias tornou-se firmemente estabelecido em vocês, para que não lhes falte nenhum dom especial enquanto esperam ardentemente pela revelação de Nosso Senhor Jesus, o Messias. Ele os capacitará a se manterem firmes até o fim, de modo que vocês serão irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus, o Messias. Deus é fidedigno: foi Ele que os chamou à comunhão com Seu Filho, Yeshua, o Messias, nosso Senhor”. NT Judaico.

     Anexo – O que diz White sobre a Trindade
                 Antes de tratar de algumas citações de White, que julgamos esclarecedoras do tema estudado, vamos considerar a evolução do pensamento da IASD, com base no seu Tratado de Teologia, CPB 2011, páginas 223, item G, conforme extrato, a seguir:
                 
                 Para abandonar radicalmente este enunciado precisamos reconhecer que foi preciso estabelecer-se um giro de 180º no pensamento dos pioneiros, dentre os quais se destaca Ellen White. 
O que foi chamado de evolução do Cristianismo pela Igreja atual foi na verdade uma completa negação da obra dos pioneiros. 
                  Agora, quanto a questão do envolvimento posterior da profetisa do advento com a doutrina trinitariana, a sua posição aparece claramente em um texto de sua autoria. Vejamos a íntegra da tradução do que ela escreveu e publicou em 1905:                 
                 “As verdades que foram comprovadas pela manifesta obra de Deus devem permanecer firmes. Que ninguém presuma mover um pino ou uma pedra de fundação da estrutura. Aqueles que tentam minar os pilares de nossa fé estão entre aqueles de quem a Bíblia diz que ‘nos últimos tempos alguns se apostataram da fé, dando ouvidos a espíritos sedutores e doutrinas de demônios’.” Carta 87, 1905, pp.2,3 (A Elder e Sra. SN Haskell, 25 de fevereiro de 1905). Manuscript releases, Vol. 1, p. 55, 24/05/1905.                                   
                    Estaria, ela, ainda em 1905, prevenindo-nos contra o surgimento deste terrível mal em relação a sua obra e na defesa dos pioneiros?                   
                   Ora, se até aquela época a teoria da Trindade não fôra estabelecida em sua Igreja, e nem foi adotada até o momento de sua morte, em 1915, certamente deveria permanecer válida a carta nº 87 supra referida. Com certeza White não deixou nem vestígios para a mudança ocorrida em 1931, uma vez que os autores desta nova doutrina adventista, contestada pelos pioneiros, tiveram que buscar elementos para a mudança, somente dezesseis anos depois de sua morte, fora de seus escritos, como podemos depreender do seguinte texto: 


                                

 Tratado de Teologia, CPB 2011, página 224, item G.


                  Acreditamos que as ponderações de Norman Young deveriam ser reexaminadas à luz do Assim Diz o Senhor e também testadas pelo Espírito de Profecia, visto que, em nossa opinião, não há harmonia entre as suas declarações, a Bíblia e o Espírito de Profecia. A questão, por exemplo, da encarnação de Jesus ser considerada como uma simples habitação do Verbo na carne pecadora com objetivo de viver como Verbo divino uma vida humana perfeita, não está de acordo com a palavra de Deus que, em João 1: 14 diz:
                 “O Verbo Se fez carne e habitou entre nós”, isto é, tornou-se um ser humano como nós, com uma natureza divina igual a nossa. Jesus não apenas mostrou-se em carne ou apareceu como carne. A intenção do apóstolo João ao referir-se ao Verbo que se fez carne foi revelar que Jesus se tornou não somente um corpo físico, mas a uma pessoa humana completa. Vejamos a posição de White, contestando a opinião de Waggoner, no mesmo Tratado de Teologia, p. 226:
                   Jesus “Foi Deus enquanto esteve na Terra, mas Se despiu da forma divina e, em seu lugar, tomou a forma e a figura de um homem. Andou na Terra como homem... Era Deus, mas por um tempo renunciou às glórias da forma (ou natureza) divina”. Grifos e parêntese do autor.
                    White continua:
                 “Foi a natureza humana do Filho de Maria transformada na natureza divina do Filho de Deus? Não; as duas naturezas foram misteriosamente misturadas em uma única pessoa: o Homem Cristo Jesus. Ele exibia uma perfeita humanidade combinada com a divindade; [...] preservando cada uma sua natureza distinta”. Grifos do autor.
                   Apesar de Cristo ter as duas naturezas como nós a temos, é como se tivesse uma só, mista, idêntica a nossa. A divindade e a humanidade juntas constituem uma única pessoa.
                    A tese da cristologia dual foi elaborada apenas para separar o Cristo homem do Cristo Deus. No Tratado de Teologia Adventista encontramos um pensamento de Schleiermacher, teólogo alemão que exerceu desde a Reforma, a maior influência na  cristologia atual, o qual foi registrado na página 218:
                    “Schleiermacher rejeitou como inadequada a doutrina das duas naturezas, cuja intenção única, segundo ele, era expressar a verdade de que Deus estava em Cristo. Embora semelhante a nós em natureza, Jesus se diferenciaria por possuir uma consciência divina tão absoluta e inquebrantável a ponto de constituir a ‘genuína existência de Deus nele’”.  
                   Assim, podemos entender porque esta concepção trinitariana não evoluiu o suficiente para se tornar em uma doutrina fundamental adventista durante a vida de White e de Waggoner, um contemporâneo seu que abandonou a Igreja treze anos antes de sua morte. Apesar dos escritos de Waggoner, em 1888, sobre a justificação pela fé, terem sido endossados pela senhora White, quinze anos mais tarde ele passou a ser severamente repreendido pela profetisa, que chegou a lhe escrever uma carta, dizendo:

Texto de Enoch de Oliveira - A mão de Deus ao Leme, CPB, p. 198.            
                   Cremos, pois, honestamente, que não podemos creditar como inspirada esta mudança à favor da Trindade e que, todas as indicações a este respeito, presentes atualmente nos textos de White, não deveriam ser aceitas como verdadeiras antes de um esmerado estudo comparativo com os demais textos da autora, visando depurá-los de possíveis acréscimos, com base na mesma metodologia de não poder haver contradições na obra inspirada por Deus. 
                 Vejamos, apenas como exemplo, o que constatamos, de forma grosseira, no livro Evangelismo.
                  Em primeiro lugar, ao lermos uma compilação, devemos ter em mente que os títulos e subtítulos doe livros compilados foram supridos pelos compiladores ou revisores. E no caso do livro Evangelismo, o uso da palavra Trindade nos títulos, subtítulos e mesmo nos textos citados nas páginas 613-617 tendem a ser favoráveis à doutrina da Trindade, uma vez que esta palavra não existe na Bíblia e nem nos escritos de White.
                     Por outro lado, se a doutrina da ‘Trindade divina’ fosse realmente defendida por White e devesse constar no livro Evangelismo, deveria ter sido incluída na oitava seção deste livro, nas páginas 217-278 pois que é nesta sessão que foram tratadas as “Verdades Características” da Igreja.
                    No entanto ela foi colocada ao final do livro, na décima oitava seção que trata de “Como Lidar com a Falsa Ciência, e com os Falsos Cultos, Ismos e Sociedades Secretas” que, a partir da página 589, salienta os riscos destes perigos para a Igreja. E porque esta doutrina foi colocada aqui e não na oitava seção concernentes às verdades características? Seria pela necessidade de lograr apoio do Espírito de Profecia para dar sustentação à teoria da Trindade? Seria essa mesma razão que levaram os compiladores/revisores/copistas a inserirem o subtítulo “Explicações Falsas a Respeito da Trindade Divina” (p. 613), na décima oitava seção? É preciso perceber, no entanto, que, o espírito desta seção é tratar da falsa ciência, falso culto, outros ismos e sociedades secretas e, como tal não haveria razão para considerar a Trindade divina como uma doutrina verdadeira, nesta seção.
                   Quanto ao suprimento do subtítulo Os eternos dignitários da Trindade, citado na página 616, este também é muito tendencioso porque o texto de White, ali apresentado, fala dos eternos dignitários celestes: Pai, Filho e Espírito Santo. Se a palavra dignitário significa aquele que possui cargo elevado ou possui alta graduação honorífica, não está correto incluir a palavra Trindade, que por definição significa três pessoas divinas. O compilador por certo confundiu tríade, referida pela profetisa, com Trindade, ignorando que um anjo não é Deus, mas pode ser considerado como um dignitário celeste, exatamente como examinamos anteriormente. O anjo é um com o Espírito Santo, uma vez que foi credenciado para ser o Seu administrador junto à humanidade.
              Na forma tendenciosa como é apresentado na Bíblia, mascarada pelos copistas, o Espírito Santo até parece indicar ser uma pessoa mas não o é, porque uma pessoa tem nome e o Espírito não tem. É bem verdade que no lato senso, o espírito poderia até ser considerado como uma pessoa porque na sua ausência a pessoa deixaria de existir. A presença do espírito é a garantia de vida para a alma vivente mas não é uma pessoa porque esta tem corpo e o espírito (pneuma, no grego) não o tem. O espírito é essencialmente impessoal e, tanto no caso humano como no divino, é inseparável do corpo. 
                Acreditamos, pessoalmente, que se a teoria da Trindade fosse da vontade de Deus, certamente teria sido definida nos tempos de White, mesmo porque ela escreveu, após a virada do século XIX, dois anos após a carta que escreveu a Waggoner, que não se deveria acrescentar nem um alfinete naquilo que Deus havia já estabelecido.
                 Vamos, agora, apresentar alguns dos argumentos de White relacionados com o tema em consideração, nas citações abaixo, e que, por certo, não poderão ser contraditados em outros textos da consagrada autora:
                   No livro História da Redenção, à página 51, após escrever 50 páginas a respeito da vida sem pecado no céu e na Terra sem mencionar o Espírito Santo, e mesmo depois de apresentar o conflito no céu e sua transferência para a Terra, ela diz, textualmente:
                   “Depois de sua transgressão Deus se comunicaria com o homem mediante Cristo e os anjos”.
                   Esta citação está de pleno acordo com Apocalipse 1: 1 e Hebreus 1: 7 e 14. Como ela não citou o Espírito Santo fica subentendido ser Este o objeto da comunicação e não o Agente transmissor, isto é, ser o poder de Jesus a ser comunicado e fixado na mente humana através do ministério dos anjos, confirmando o papel dos anjos conforme referido no primeiro capítulo da carta aos Hebreus. Isto porque os anjos são instrumentalidades criadas por Deus para ajudar a imprimir o caráter de Cristo nos Seus seguidores.
                     Em ‘O desejado de Todas as Nações’, p. 785, lemos sobre a elevada missão das criaturas celestiais em conduzir o Espírito Santo ou a santa vontade do Criador até nós:
                   “Todos os seres criados vivem pela vontade e poder de Deus, são subordinados recipientes da vida de Deus”. 
                   Vale, portanto, dizer que os anjos são recipientes do Espírito Santo, da vida de Deus, ou seja, da essência, do caráter ou da vontade de Deus. Todas essas nuances estão inclusas na definição acima. Os anjos foram comissionados para implantar a vontade salvadora de Deus dentro do coração humano.
                    White, em evidente harmonia com as passagens de Hebreus 1: 14 e 1: 7, que tratam os anjos como ministros, acrescenta em seu livro Serviço Cristão, p. 42:
                   “Tem que ocorrer um reavivamento e reforma, sob o ministério do Espírito Santo”.
                  A lógica deixa claro que, para ela, o ministério do Espírito Santo é o mesmo ministério dos anjos, pois que ela sempre se manteve alinhada com as Escrituras nas quais, em João 14: 26, Cristo disse:
                  “O Espírito Santo, a quem o Pai enviará em Meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”.
                  Ora, esta é a função específica dos anjos, os quais seriam enviados exatamente para esta missão. A promessa deste dom, feita na última palestra de Jesus aos Seus discípulos, garantia-lhes que receberiam um poder divino que os levariam a lembrar das palavras que estavam ouvindo e que os levariam a uma mudança de ideias, teorias e conceitos destorcidos, no sentido de promover a vivificação da fé e o ressurgimento da morte espiritual predominante nos últimos dias. 
                    Acreditamos que a falta de consideração por esta realidade explique pelo menos em parte porque não estamos alcançando o sucesso desejado em relação à alta norma de vida cristã, conforme nossa hipótese, a princípio. Ao considerarmos o Espírito Santo como uma terceira pessoa da Trindade, deslocamos Cristo, que é o primeiro e o último, para a segunda pessoa da Trindade, transgredimos o primeiro mandamento que ordena não termos outros deuses diante de Deus. Se recalcitrarmos neste erro, correremos o risco de cauterizarmos a consciência, dando sentido às palavras de Jesus sobre o pecado que não tem perdão.
                      Ainda no livro História da Redenção, à página 44, referindo-se aos anjos, White acrescenta:
                     “Jesus também lhes disse que teriam uma parte a desempenhar - estar com Ele, e O fortalecer em várias ocasiões... seriam testemunhas de Sua humilhação e grandes sofrimentos... mas que não poderiam interferir para impedir qualquer coisa que vissem. E que desempenhariam uma parte na Sua ressurreição”.
                    Na página 45, ela continua: “Mas foi aos anjos designada a obra de subirem e descerem com bálsamo fortalecedor, trazido da glória, a fim de mitigar ao Filho do homem os Seus sofrimentos e ministrar-Lhe. Seria também sua obra proteger e guardar os súditos da graça, contra os anjos maus e as trevas que constantemente Satanás arremessa em redor deles”.
                   Em Patriarca e Profetas, p. 16, falando de Satanás, White diz:
                   “Disputar a supremacia do Filho de Deus, desafiando assim a sabedoria e amor do Criador, tornara-se o propósito desse príncipe dos anjos. Para tal objetivo estava ele a ponto de aplicar as energias daquela mente superior, que, abaixo da de Cristo, era a primeira dentre os exércitos de Deus”.
                    Esta passagem confirma a inexistência de uma terceira pessoa na Divindade celeste, uma vez que Satanás postulava esta posição, sem alcançá-la. Parece evidente que em seu exílio ele procure manter sua pretensão.
                    Em Patriarcas e Profetas, p. 15, White reitera que Satanás era realmente o terceiro em poder no céu:
                  “Houve um ser que perverteu a liberdade que Deus concedera a suas criaturas. O pecado originou-se com aquele que, abaixo de Cristo, fora o mais honrado por Deus, e o mais elevado em poder e glória entre os habitantes do céu”.   
                   O que Satanás não conseguiu no céu buscou alcançar na Terra, passando-se pelo terceiro membro da ‘Trindade’, camuflado no ‘Deus’ Espírito Santo. Certamente foi neste sentido que os pioneiros de Laodiceia afirmaram que esta falsa teoria parecia negar a expiação divina.
                Quanto à opinião de White sobre o papel do Espírito Santo, ela deixou bem claro que o Senhor não lhe revelou este ‘mistério’. E se não revelou é porque não se trata de um mistério pois pode ser esclarecido tanto pelo simples exame dos originais da Bíblia que ainda existem, como por meio do estudo de diferentes traduções, da forma como estamos fazendo, comparando passagens correlatas sem necessitar de uma revelação especial.
                   Em seu livro Atos dos Apóstolos, p. 51, ela registra de forma categórica:
                   “A natureza do Espírito Santo é um mistério. Os homens não a podem explicar, porque o Senhor não no-la revelou”.
                   Se White não teve acesso à essência do Espírito Santo, a partir da inspiração é porque este é um desafio reservado para os interessados da última geração, sendo, por isso, temerário assumir-se uma posição definitiva sobre esta questão, a partir de seus conteúdos.                           
                    Assim percebemos que, apesar de White não ter recebido nenhuma revelação objetiva sobre a natureza do Espírito Santo, conforme seu depoimento, o que ela escreveu está em harmonia com a Bíblia.
                   Para confirmar a opinião de White a respeito do Espírito Santo de Deus ser um poder do alto que nos é trazido por meio dos anjos, lemos em O Desejado de Todas as Nações, Sétima edição, 1965, p. 101, o seguinte:
                   “Os anjos de Deus estão sempre indo do céu à Terra e da Terra ao céu. Os milagres de Cristo pelos aflitos e sofredores, foram operados pelo poder de Deus através do ministério dos anjos. E é por meio de Cristo, pelo ministério de seus mensageiros celestiais, que toda a bênção nos advém de Deus”.
                   Este texto é conclusivo a respeito da opinião da autora sobre a proporção extraordinária do ministério dos anjos e está em perfeita harmonia com a tradução correta de Atos 1: 8 que afirma ser O espírito Santo o poder de Deus que nos conforta e que, segundo as conclusões de White, nos consola por meio do ministério dos anjos.
                    Em “O Desejado de Todas as Nações”, p. 101 White cita as seguintes palavras de Jesus a Natanael:
                     “Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” – João 1: 51.
                     E, após citá-las, ela acrescenta: 
                    “Com isso, Cristo, virtualmente diz: nas margens do Jordão, os céus se abriram, e o Espírito desceu como pomba sobre Mim. Aquela cena não era senão um testemunho de que Eu sou o Filho de Deus. Se crerdes em Mim como tal, vossa fé será vivificada. Vereis que os céus se acham abertos, e nunca se hão de fechar. Eu os abri a vós. Os anjos de Deus estão subindo, levando as orações dos necessitados e aflitos ao Pai em cima, e descendo, trazendo bênçãos e esperança, ânimo, auxílio e vida aos filhos dos homens”.
                    Neste texto ela explica que a unção do Espírito após o batismo de Jesus tinha um único propósito: revelar ser Ele o Filho de Deus. Relacionar aquela cena com uma terceira pessoa da Divindade vai, portanto, além das afirmações do texto sagrado. 
                      Com efeito, White, em O Desejado de Todas as Nações, p. 77 diz: “E logo que saiu da água Jesus viu os céus abertos, e o Espírito, que como pomba descia sobre Ele”.  
                      Vemos, assim, que tanto a Bíblia como o Espírito de Profecia consideram os anjos em paralelo com o Espírito Santo, como se fosse um mesmo poder em operação. Na verdade nós sabemos que os anjos são apenas os administradores do poder de Deus em nosso benefício.
                     Finalmente, na página 99 do mesmo livro, lemos ainda:  
                    “Como Natanael, necessitamos estudar por nós mesmos a Palavra de Deus, e orar pela iluminação do Espírito Santo. Aquele que viu Natanael debaixo da figueira ver-nos-á no lugar secreto da oração. Anjos do mundo da luz acham-se ao pé daqueles que, em humildade, buscam a guia divina”.
                           Em Caminho a Cristo, p. 68, White amplia nossa compreensão sobre a natureza do Espírito Santo, com as seguintes palavras:
                         “No dom incomparável do Seu Filho, Deus envolveu o mundo todo numa atmosfera de graça, tão real como o ar que circula ao redor do globo. Todos os que escolherem respirar essa atmosfera vivificante hão de viver e crescer até a estatura completa de homens e mulheres em Cristo Jesus”.                         

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