sábado, 3 de fevereiro de 2018

O consolador

                       Vamos aprofundar um pouco mais nossa pesquisa nesta questão da suposta inexistência da terceira pessoa da Trindade, a partir do Novo Testamento e, para isso, consideraremos a primeira promessa de Jesus sobre o Espírito Santo, feita quando Ele estava indo com Seus discípulos para o Getsêmani. Neste ponto faremos novamente uso da tradução francesa, realizada a partir do texto original   grego, por nos parecer mais fiel ao contexto bíblico em geral. Vamos, pois, ao primeiro texto relacionado com essa promessa de Jesus:


 João 14: 16-17.
Traduzindo temos:                   
                      “E Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; vós o conheceis porque Ele habita convosco e estará em vós”.
                     Inicialmente destacamos o fato de que a palavra consolador, nesta tradução francesa, não foi registrada com letra maiúscula como no caso do Espírito de verdade, demonstrando que, para este tradutor, havia uma grande diferença entre estes dois elementos, não obstante estarem indissociavelmente relacionados, a ponto de se confundir um com o outro.                      
                    Em segundo lugar o Espírito Santo não poderia ser uma terceira pessoa a ser enviada porque já habitava com os discípulos, se identificando insofismavelmente com o próprio Cristo. 
                    Em terceiro lugar está afirmando que Cristo viria, em Sua forma espiritual, para estar neles. Não estamos tratando da Segunda Vinda de Cristo pois diz que Cristo estaria neles.
                    Este fato de Jesus habitar espiritualmente no crente, isto é, se identificar com o Espírito Santo que seria enviado, conforme Sua promessa, é outro aspecto central das doutrinas bíblicas, sendo logo confirmado, literalmente, no versículo seguinte:
                    “Eu não vos deixarei órfãos, voltarei para vocês” - João 14: 18.
                     Não podemos remover estas palavras do seu contexto imediato que vem tratando da promessa do envio do Espírito de verdade, ou seja, da futura presença espiritual de Jesus com os discípulos, após Sua chegado física no céu. E, neste sentido este texto não poderia ser mais claro!
                    O Espírito Santo é chamado de Espírito de verdade porque Sua obra é tanto definir como manter a verdade sobre o plano da salvação. Os discípulos certamente entenderam que o Espírito de Verdade que Jesus se referia estava relacionado com a Sua obra e não com uma terceira pessoa porque era a Sua obra que não era reconhecida pelos romanos e nem pelos fariseus, conforme a passagem de João 14: 16-17, acima referida.
                    Por outro lado, examinando a definição da palavra grega paracleto (a preposição para, significa ‘ao lado de’ e o adjetivo cleto, significa ‘convidado’), vertida para consolador, percebemos que a mesma significa, literalmente, alguém chamado para ficar ao lado e ajudar, tratando-se, portanto, de um subordinado ajudante. A palavra consolador, neste caso, tem um sentido muito limitado enquanto que o Espírito Santo é o agente ativo em diversas atividades divinas para tornar realidade as ações da Divindade na Terra. O Espírito Santo é, realmente como Deus, possuindo toda a sabedoria, poder criativo e outras características essenciais da Divindade, mas não é capaz de agir por si só.
                     Traduzido com letra minúscula por Louis Segond, a palavra consolador, ao contrário de se transformar em um ‘mistério’ relacionado com a trindade divina, entra em harmonia perfeita com o restante das Escrituras e, principalmente com Hebreus 1: 14 que, tratando dos anjos, diz:
                   “Não são todos eles espíritos ao serviço de Deus, enviados para exercer um ministério em favor dos que hão de herdar a salvação”?     
                  Os anjos são, portanto, espíritos (escrito também com letra minúscula) credenciados pelo céu para auxiliar na ação executiva do plano da salvação, enquanto Jesus estivesse fisicamente ausente aqui da Terra. Estes agentes, no entanto, como criaturas limitadas, precisariam ser revestidas com o divino poder, porque é somente o Espírito Santo de Jesus que pode tornar eficaz o que foi realizado na cruz. É por meio do poder espiritual de Deus, e não por alguma propriedade inerente aos anjos, que o coração é purificado. Pois é pelo Espírito que o crente se torna participante da natureza divina.
                 Como sabemos que o reavivamento e a reforma necessários aos que hão de herdar a salvação só podem acontecer sob a ministração do Espírito Santo, concluímos sem dificuldades que os anjos foram credenciados e enviados por Deus para a realização desta missão, de acordo com as determinações expressas em Hebreus 1: 14.
                 Esta atribuição bíblica para os anjos também se ajusta perfeitamente à função do outro consolador e ainda dá uma boa razão para que o tradutor em consideração tenha colocado a palavra grega ‘paracleto’ com minúscula, indicando tratar-se de uma criatura angelical designadas por Deus para administrar ou disponibilizar, criteriosamente, o dom prometido por Jesus aos seus discípulos e para todos aqueles que hão de herdar a salvação, conforme Hebreus 1: 14.
                Em outras palavras, os anjos, incluídos na definição genérica de paracleto, foram credenciados para representar Jesus, sendo incumbidos de deslocar o Seu poder e influência (o Seu Espírito Santo) do céu à Terra, exatamente como foi comentado na Revista Eventos Finais, 10 dias de oração e 10 horas de jejum, CPB, 2017, p. 5, 6:
                “Anjos estavam presentes para gravar as palavras de Cristo na mente e no coração dos discípulos”. 
                 As palavras de Cristo são aquelas que tratam de Sua morte e ressurreição e que foram citadas em Marcos 8: 31-32; 9: 31 e 10: 32-34, as quais  estão em perfeita harmonia também com João 14: 26 que, na mesma versão francesa, dizem:



 João 14: 26
                 
               Traduzindo o texto, temos:                                                                               

               “Mas o consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em Meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”.                 
                   Se compararmos João 14: 26 com Hebreus 1: 14, verificaremos que um texto é quase o eco do outro. Enquanto Hebreus trata dos ministros, João trata do dom ministrado, o que foi bem sintetizado pela senhora White, na passagem registrada na Revista Eventos Finais. 
                   Antes provamos que o Espírito Santo é o Poder de Deus ou o Espírito de Jesus, isto é, Jesus na forma espiritual; agora ficou bem claro que os anjos foram comissionados para comunicá-lo ou gravá-lo na mente e no coração dos cristãos.
                

                    Não seriam estes anjos que foram enviados em nome do Pai para nos lembrar dos ensinamentos de Cristo, os mesmos que aparecem em grande número, no juízo de Deus, conforme o registro de Apocalipse 5: 11?

                   “Vi, e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares”.  
                   Não seriam estes anjos, os que são chamados como testemunhas vivas a deporem no caso de cada crente? Se eles acompanharam a vida daqueles que estão sob o juízo de Deus, não é lógico que agora eles sejam os seus fidedignos depoentes?

                  Finalmente, não é difícil de se perceber que a forma fortuita de escrever a palavra consolador com ‘C’ maiúsculo, na versão do padre João Ferreira de Almeida e correlatas não está de acordo com o texto original, sendo, portanto, uma manobra espúria para confundir o anjo ministrador, que é uma criatura, com o Espírito Santo de Deus, que é divino, fazendo com que as pessoas entendam que as duas palavras significam a mesma coisa. Esta estratégia maligna abre espaço virtual para a ‘misteriosa’ inserção da terceira pessoa da ‘trindade’ no Evangelho, quando Cristo estava apenas apontando para o futuro próximo, ao tempo em que Ele deveria ser representado pelos Seus anjos.
                   Estes anjos certamente se desdobrariam para dar continuidade a obra do seu Criador, na Terra, devido ter chegado o tempo de Jesus voltar para junto do Pai. Toda esta operação angelical foi necessária porque Jesus preferiu manter as características humanas, se despojando, voluntariamente, dos atributos da onipresença. O que passar disso indica apenas uma tendenciosa conjectura de tradutores e/ou de copistas da Bíblia.
                   Ora, se os anjos foram instituídos em Hebreus 1: 14 como ministros do Deus Altíssimo, o que estariam eles ministrando em benefício de nossa salvação, que não fosse o dom especial que foi prometido por Jesus? Não temos razões para duvidar deste processo, uma vez que este dom foi ministrado até mesmo por seres humanos, como no caso de Paulo, quando este ficou cego no caminho de Damasco e recebeu a visita de Ananias que, impondo-lhe as mãos, disse:
                   “Saulo, irmão, o Senhor me enviou, a saber, o próprio Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas, para que recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo”. Atos 9: 17.

                   Percebemos aqui que Ananias foi enviado em uma missão semelhante à dos anjos para comunicar a mesma bênção divina (O Espirito Santo) para Saulo de Tarso, pela simples imposição das suas mãos. Como entenderíamos este versículo no caso de o Espírito Santo ser, realmente, a terceira pessoa da trindade? Um simples mortal administrando uma Divindade?

                   E é justamente desta forma que este dom era repassado pelos anjos e pelos discípulos em dezenas de passagens bíblicas, como veremos à frente.

                   Após ter prometido outro consolador, o paracleto, como Seu auxiliar, Jesus concluiu Seus pensamentos no capítulo de João 14, dizendo que iria para o céu, mas voltaria para estar espiritualmente neles, acrescentando que o Seu Espírito é um com o Espírito Santo do Pai, como segue:

                    “Naquele dia, vós conhecereis que Eu estou em Meu Pai, e vós, em Mim, e Eu em vós - João 14: 20.

                    Notemos que nesta triangulação aparece uma unidade entre as figuras do Pai, do Filho e a dos herdeiros do reino, dando-nos uma percepção bem clara do que acontece com os três dignitários celestes: o Pai, o Filho e os anjos. Não restam dúvidas de que o ‘outro consolador’ só poderia ser um anjo, devido ser submisso à Divindade e enviado com instruções bem definidas da parte do Pai.
                    Notemos que o Pai e o Filho são pessoas divinas diferentes mas o Espírito Santo do Pai é o mesmo do Filho, porque os dois são um e não os três são um como a falsa teoria da trindade divina o evoca. 

                    Fica, assim, comprovada a falta de significado bíblico para a palavra trindade, que não é citada em nenhum versículo da Bíblia, e restabelecida a harmonia bíblica quebrada pela Igreja Católica, porque é a obra de Jesus como nosso advogado junto ao Pai que se desenvolve no céu em benefício dos crentes pecadores para restaurá-los à comunhão com Deus.

                    Quando Jesus habitava aqui na Terra com os discípulos Ele fazia a interseção direta entre nós e o Pai. Quando Ele subiu ao céu, revestido de humanidade, por opção própria, continuou com a sua obra intercessora (I João 2:1), mas para não deixar os discípulos abandonados, prometeu enviar outro consolador. Desta forma fica justificado ter sido agregada a palavra ‘outro’ junto ao consolador (o dom do Espírito Santo), pois que estes foram enviado por meio dos anjos para representar Jesus.

                    No verso 21 do capítulo 14 de João, Jesus confirma que se manifestaria naqueles que guardam os Seus mandamentos. No verso 23 Ele diz que viria na união com o Pai, para fazer morada neles. No verso 26, falando do Espírito do Pai, que seria enviado em Seu nome, Jesus diz que os faria lembrar de todas as Suas palavras. Agora ficou clara, também, a noção de que Deus ‘fala’ conosco por meio de Suas Palavras escritas na Bíblia.

                   E, assim, por extensão, sempre que encontrarmos na Bíblia passagens dizendo que o Espírito Santo perscruta (I Coríntios 2: 10); se entristece (Efésios 4: 30); é tentado e resistido (Atos 5: 9 e 7: 51); é difamado e blasfemado (Mateus 12: 31-32); orienta (Lucas 12: 12); habilita para a proclamação da salvação (Atos 2: 3-4); distribui dons (I Coríntios 12: 11) comissiona (Atos 13: 2, 4; 20: 28); relembra verdades (Marcos 13: 11); convida (Apocalipse 22: 17), tenhamos a certeza de que em todos estes textos Deus, o Pai é o sujeito que pratica a ação, uma vez que o Seu Santo Espírito é tão impessoal quanto o nosso espírito, conforme as palavras de Paulo em I Coríntios 2: 11:

                   “Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito que nele está? Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus”.
.                  Finalmente em João 14: 28, arrematando o capítulo, Jesus conclui:

                   "Ouviste o que Eu vos disse: vou e volto para junto de vós”.
                   Em seguida Jesus convidou os Seus discípulos para continuarem a jornada para o Jardim do Getsêmani e, em João 15: 4-5, ao passarem por uma videira, Jesus fez ali uma aplicação do que estava falando, no sentido de evitar qualquer dúvida:

                   "Permanecei em Mim, e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode produzir fruto de si mesmo se não permanecer na videira; assim nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em Mim. Eu sou o tronco, vós os ramos. Aquele que permanece em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer”.

                    O fato de Jesus permanecer em nós, por meio de Seu Espírito, está em função de nós permanecermos nEle; portanto, não podemos considerar a existência de uma terceira pessoa divina em operação em Seu lugar, sem correr o risco de estarmos nos desligando dEle. Estes versos são muito significativos para comprovar a nossa hipótese a respeito da mornidão de Laodiceia, porque ela vem praticando o desvio teológico que acabamos de mencionar.

                    Depois de ilustrar a continuidade de Seu Espírito com os discípulos, por meio da parábola da videira, Jesus, no verso 26, volta a relacionar o paracleto com o Espírito de verdade, dizendo:              

    João 15: 26
                      
                     Traduzindo o texto, temos:
                    “Quando vier o consolador, que Eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito de verdade, que vem do Pai, Ele dará testemunho de Mim; e vós também dareis testemunho, porque vós estais Comigo desde o começo”.
                    Ora, os discípulos que já estavam com Cristo, continuariam com Ele por meio de Seu Espírito. 
                    Este texto ainda nivela o anjo, o mensageiro comunicador de poder espiritual, com a criatura humana, os discípulos, no que concerne à função de comunicar o Espírito de verdade. Neste caso, o testemunho dos anjos (“espíritos ao serviço de Deus, enviados para exercer um ministério em favor daqueles que devem herdar a salvação” – Hebreus 1: 14), se assemelha ao ministério dos próprios discípulos, para os quais Jesus estava ministrando desde o princípio e que deveriam também testemunhar dEle. Fica, portanto, demonstrado de forma simples o processo da comunicação do Espírito Santo aos anjos e, também o porquê do Espírito Santo somente ser enviado depois: porque Jesus, o nosso grande Consolador,’ ainda estava pessoalmente com eles, não fazendo o menor sentido a vinda do outro consolador, para substituí-Lo. E, também, porque Jesus não havia ainda sido glorificado. 

                   Em João 16: 7, seguindo na trilha da tradução francesa para dar sequência a essas importantes revelações, Jesus acrescenta:

   João 16: 7
                  


                   Vejamos a tradução:
                   “Mas Eu vos digo a verdade: convém-vos que Eu vá, porque, se Eu não for, o consolador não virá para vós outros; mas, se Eu for, Eu vo-lo enviarei”.
                   Se o Espírito Santo fosse uma terceira pessoa da Divindade não precisaria esperar pelo retorno de Jesus, em função de sua própria onipresença, nem receber de Cristo as ordens expressas para vir. 
                   Em João 16: 13-14 lemos:
                   Quando vier, porém, o Espírito de verdade, Ele vos guiará a toda a verdade; porque Ele não falará por si mesmo, mas Ele dirá tudo que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele Me glorificará, porque há de receber do que é Meu, e vo-lo há de anunciar”.

                   Esta declaração é difícil de conciliar com a terceira pessoa da Trindade porque o consolador não fala por si mesmo e sim do que tiver ouvido; Mas é fácil de ser relacionada com o fiel ministro celestial designado para essa missão. 

                   De onde, pois, surgiu tal confusão a respeito da Trindade? Vejamos a resposta na próxima sessão. 




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