Muitos cegos de Laodiceia o são porque não
querem ver. Imaginam ser impossível haver distorções na Bíblia pois que, se
assim fosse, estariam sem rumo certo para a sua progressão na fé. Este é um dos
preconceitos que precisam ser abandonados e, para desmistificá-lo, vamos iniciar o nosso questionamento sobre a suposta terceira pessoa da Divindade,
examinando outra importante passagem, também direcionada, especificamente, para
a nossa igreja:
“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão
da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela
hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria
consciência...” I Timóteo 4: 1-2.
Essa passagem nos previne
contra espíritos enganadores e ensinos de demônios que teriam atuado no
passado, mas que ainda detém poder para desviar da fé os que buscam a salvação nestes últimos tempos. Entendemos que estes enganos foram inspirados por
demônios que atuaram sobre mentes de pessoas hipócritas, mentirosas e de
consciência cauterizada, mas que ainda tem seus representantes no tempo
presente, exercendo forte influência para desviar os justos do bom caminho.
Resta-nos apenas compreender como isso aconteceu e como poderia estar
acontecendo, na atualidade?
Relembrando os antigos
tempos, percebemos a maneira como Satanás tentou destruir o Cristianismo pela
dura perseguição e martírio dos seus seguidores, nos dois primeiros séculos da
Era Cristã. Não conseguindo, porém, seus objetivos com relação às igrejas de
Éfeso e de Esmirna, tentou implodi-lo, colocando o seu trono dentro da
comunidade cristã, conforme os registros da profecia referentes ao período da Igreja
de Pérgamo, citados a seguir:
“Conheço
o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás... tens aí os que
sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a armar ciladas diante
dos filhos de Israel....também tu tens os que da mesma forma sustentam a
doutrina dos nicolaítas” - Apocalipse 2: 13-15.
Foi justamente no
período desta igreja, de 313 a 538 a. D. que começaram a entrar na Igreja
Cristã muitas heresias que nada tinham em comum com os ensinamentos da Igreja
Primitiva. O trono de Satanás, situado dentro dela, era como um cavalo de
Tróia, que continha no seu interior a doutrina de Balaão, um profeta
mercenário, ansioso para fazer negócio com o seu dom e, também, a doutrina dos
nicolaítas, os quais pregavam que a fé em Cristo liberava os crentes da
obediência ao mandamento que proíbe o adultério e, em certo sentido,
desobrigava da proibição de praticar a idolatria.
Ora, não é difícil
fazer a relação do espírito mundano de Balaão, em sua aliança com os pagãos
moabitas, contra os filhos de Israel – Números 25, bem como dos seguidores de
Nicolau, os quais Jesus condenava, conforme Apocalipse 2: 6, com o dos falsos
mestres que surgiram no período da Igreja de Pérgamo, dentro da qual Satanás
estabeleceu seu trono.
Mas, diante das revelações
do apóstolo Paulo, específicas para o nosso tempo, percebemos que o mesmo
mundanismo continua na igreja onde se repete a infidelidade que gera a
inimizade com Deus – Tiago 4: 4.
Tudo indica que aqueles
anjos maus que armaram ciladas para os cristãos de Pérgamo, levando prelados
corruptos a mexer nas Escrituras, estão hoje agindo em nossas mentes para
que mantenhamos aquelas mentiras como verdade. Assim como o Espírito Santo age em
nossas vidas, essencialmente por meio da inspirada Palavra de Deus, o espírito
mundano opera, com base nas distorções da verdade, contando com a cooperação
dos cristãos nominais, os quais não vão à fundo em seus exames das Escrituras.
Em face dessa óbvia
conclusão, portanto, não seria utópico relacionar a grave crise de Laodiceia
com a infidelidade decorrente de interpretações tendenciosas que foram
introduzidas na Bíblia por sugestão maligna, realizadas por meio de pessoas com
intensões secretas e sem o comprometimento com a verdade, visando defender os
seus próprios interesses, exatamente como reza a profecia citada em I Timóteo
4: 1-2. Essas mesmas doutrinas falsas estão hoje sendo defendidas, e com zelo
cada vez maior, pelos modernos seguidores da doutrina de Balaão e de Nicolau,
que amam acreditar na mentira e promover a inimizade com Deus.
Quanto aos textos originais
da Bíblia, sabemos que todos foram inspirados, conforme II Timóteo 3: 16:
“Toda Escritura é inspirada
por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a
educação na justiça...”.
A inspiração significa que
Deus influenciou os profetas para que não houvesse desvios na comunicação de
Sua mensagem, assegurando, dessa forma a unidade absoluta de Sua Palavra.
Mas, afinal, o que sabemos
das traduções e das cópias? Quanto a estas, temos uma séria advertência em II
Pedro 1: 20-21, na NTLH:
“Acima de tudo, porém, lembrem
disto: ninguém pode explicar, por si mesmo, uma profecia das Escrituras
Sagradas. Pois nenhuma mensagem profética veio da vontade humana, mas as
pessoas eram guiadas pelo Espírito Santo quando anunciavam a mensagem que vinha
de Deus”.
Estes versos nos advertem
que, antes de tudo, se tenha cuidado com intérpretes ou copistas que buscam
explicar a Palavra por si mesmos, isto é, sem a devida inspiração, estando,
portanto, inabilitados para discernir a Escritura inspirada, sendo descuidados
com o que elas declaram em Seu conjunto, o que seria inaceitável. Foi a partir
desta admoestação que formulamos a nossa metodologia de análise.
Pensando nesta
possibilidade da má interpretação e na saudável recomendação de se consultar
mais de uma versão da Bíblia para a detecção de possíveis distorções (Mateus 5:
18 diz que nenhum j nem um til deverá ser tirado até que tudo se cumpra), já
nos vieram à mente alguns desvios bem conhecidos, como, por exemplo, a falta da
colocação de uma vírgula no texto de Lucas 23: 43 que, na versão Revista e
Atualizada assim reza:
“Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no
paraíso”.
Esta resposta ao arrependido
ladrão que foi crucificado com Jesus, contraria até mesmo a opinião do próprio
ladrão a qual foi exposta no verso anterior: “Lembra-te de mim quando vieres
no Teu reino”. Negrito acrescentado.
Mas, assim traduzido, sem vírgula, este versículo fere o sentido da versão
original para ajustá-lo à teoria dos mortos justificados irem imediatamente
para o céu, contrariando outras passagens da Bíblia como a recomendação de
Jesus à Maria, feita três dias depois da crucifixão:
“Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para o Meu Pai, mas vai ter com Meus
irmãos, e dize-lhes: Subo para Meu Pai, para Meu Deus e vosso Deus”. João
20: 17.
Podemos observar que o
próprio Jesus, no domingo da ressurreição, ainda não havia subido para o céu,
demonstrando, portanto, uma incompatibilidade com relação à tradução de Lucas
23: 43. Não temos dúvidas que aquele ladrão morreu e foi sepultado. E, como
tal, ele se encontra aguardando a ressurreição dos mortos, para o cumprimento
da promessa de Jesus. Por meio de estudos comparativos foi possível detectar o
engano que, felizmente começa a ser compreendido.
A teoria dos bons irem
imediatamente para o céu, conforme a crença do padre tradutor, não se harmoniza
com a situação dos mortos declarada em outras passagens como em Eclesiastes 9:
5 e na segunda parte do verso 10, que dizem:
“Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa
nenhuma, nem tão pouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no
esquecimento... porque no além para onde tu vais, não há obra, nem projetos,
nem conhecimento, nem sabedoria alguma”.
Assim, para alcançar
coerência com as demais porções da Bíblia a passagem questionada de Lucas 23
precisaria receber uma vírgula e ser traduzida para o português na forma como
segue:
“Jesus lhe respondeu: Em verdade Te digo hoje, estarás Comigo no
paraíso”.
Como podemos perceber,
a simples omissão de um vírgula, que deveria ser acrescentada ao texto original
para dar o sentido correto e coerente com as demais Escrituras, pode dar
crédito a uma doutrina falsa. Para isso, basta contar com um tradutor não
inspirado, mas que poderá ser flagrado por intermédio de uma metodologia
simples como essa que adotamos.
Outra mudança que foi
introduzida mais recentemente nas Escrituras e que vem negando o fato da Igreja
de Laodiceia ser vomitada, se encontra claramente exposta em Apocalipse 3: 16.
Conheci um judicioso irmão que, não acreditando que sua amada igreja pudesse um
dia ser vomitada, confessou-me ter, como presidente da Sociedade Bíblica
Brasileira, influenciado para mudar a expressão “vomitar-te-ei da minha boca”
para “estou a ponto de vomitar-te”. Apesar
deste texto só aparecer na versão Revista e Atualizada e de existir apenas há
poucas décadas, já é defendido como se fosse original, promovendo o preconceito e a apostasia.
A partir destes
antecedentes de manipulação da Palavra de Deus, estamos procurando demonstrar,
pelo menos em parte, a possibilidade da existência de outras alterações, com
base na doutrina de Balaão e dos nicolaítas, que poderiam estar relacionadas
direta ou indiretamente com a terceira pessoa da trindade, visando corromper a
mente de leitores desavisados.
A metodologia seguirá
sendo a mesma: a do descarte de todas as alternativas incompatíveis com a
unicidade da Bíblia, principalmente quando encontrarmos as mesmas passagens
traduzidas por autores diferentes, mantendo, porém a coerência
necessária exigida pela inspiração.
Não podemos, portanto, perder
o foco de que toda a Escritura é divinamente inspirada, devendo, por isso,
apresentar-se como uma cadeia perfeita, prendendo-se elo a elo e explicando-se
mutuamente, sem apresentar contradições. A partir desta premissa básica e do
alerta de II Pedro 1: 21 que nos previne contra traduções não inspiradas e, por
isso, desalinhadas com o restante da Bíblia, que procuraremos esclarecer o
‘mistério’ relacionado com a terceira pessoa da trindade divina.
Como estamos tratando de uma
questão de consciência, cada um deverá revisar com prudência as nossas
considerações para tirar as suas próprias conclusões. O nosso objetivo não é o
de questionar a importância fundamental do Espírito Santo disponibilizado aos
crentes pelo Cordeiro de Deus, nem o de desvendar a Sua natureza mais profunda.
Nos propomos apenas reunir as evidências que comprovem não ser Ele uma terceira
pessoa na Divindade, e sim um dom disponibilizado para a comunidade dos crentes
da Igreja Primitiva e prometido para os da Igreja Remanescente para, a partir
de então, se for o caso, expor algumas das sérias consequências deste desvio
relacionado com a mornidão espiritual da Igreja de Laodiceia.
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