sábado, 3 de fevereiro de 2018

Os vieses da Bíblia

                 Muitos cegos de Laodiceia o são porque não querem ver. Imaginam ser impossível haver distorções na Bíblia pois que, se assim fosse, estariam sem rumo certo para a sua progressão na fé. Este é um dos preconceitos que precisam ser abandonados e, para desmistificá-lo, vamos iniciar o nosso questionamento sobre a suposta terceira pessoa da Divindade, examinando outra importante passagem, também direcionada, especificamente, para a nossa igreja:
                        “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência...” I Timóteo 4: 1-2.
                      Essa passagem nos previne contra espíritos enganadores e ensinos de demônios que teriam atuado no passado, mas que ainda detém poder para desviar da fé os que buscam a salvação nestes últimos tempos. Entendemos que estes enganos foram inspirados por demônios que atuaram sobre mentes de pessoas hipócritas, mentirosas e de consciência cauterizada, mas que ainda tem seus representantes no tempo presente, exercendo forte influência para desviar os justos do bom caminho. Resta-nos apenas compreender como isso aconteceu e como poderia estar acontecendo, na atualidade?
                      Relembrando os antigos tempos, percebemos a maneira como Satanás tentou destruir o Cristianismo pela dura perseguição e martírio dos seus seguidores, nos dois primeiros séculos da Era Cristã. Não conseguindo, porém, seus objetivos com relação às igrejas de Éfeso e de Esmirna, tentou implodi-lo, colocando o seu trono dentro da comunidade cristã, conforme os registros da profecia referentes ao período da Igreja de Pérgamo, citados a seguir:
“Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás... tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel....também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas” - Apocalipse 2: 13-15.
Foi justamente no período desta igreja, de 313 a 538 a. D. que começaram a entrar na Igreja Cristã muitas heresias que nada tinham em comum com os ensinamentos da Igreja Primitiva. O trono de Satanás, situado dentro dela, era como um cavalo de Tróia, que continha no seu interior a doutrina de Balaão, um profeta mercenário, ansioso para fazer negócio com o seu dom e, também, a doutrina dos nicolaítas, os quais pregavam que a fé em Cristo liberava os crentes da obediência ao mandamento que proíbe o adultério e, em certo sentido, desobrigava da proibição de praticar a idolatria.
                        Ora, não é difícil fazer a relação do espírito mundano de Balaão, em sua aliança com os pagãos moabitas, contra os filhos de Israel – Números 25, bem como dos seguidores de Nicolau, os quais Jesus condenava, conforme Apocalipse 2: 6, com o dos falsos mestres que surgiram no período da Igreja de Pérgamo, dentro da qual Satanás estabeleceu seu trono.
                        Mas, diante das revelações do apóstolo Paulo, específicas para o nosso tempo, percebemos que o mesmo mundanismo continua na igreja onde se repete a infidelidade que gera a inimizade com Deus – Tiago 4: 4.
                        Tudo indica que aqueles anjos maus que armaram ciladas para os cristãos de Pérgamo, levando prelados corruptos a mexer nas Escrituras, estão hoje agindo em nossas mentes para que mantenhamos aquelas  mentiras como verdade. Assim como o Espírito Santo age em nossas vidas, essencialmente por meio da inspirada Palavra de Deus, o espírito mundano opera, com base nas distorções da verdade, contando com a cooperação dos cristãos nominais, os quais não vão à fundo em seus exames das Escrituras.
                   Em face dessa óbvia conclusão, portanto, não seria utópico relacionar a grave crise de Laodiceia com a infidelidade decorrente de interpretações tendenciosas que foram introduzidas na Bíblia por sugestão maligna, realizadas por meio de pessoas com intensões secretas e sem o comprometimento com a verdade, visando defender os seus próprios interesses, exatamente como reza a profecia citada em I Timóteo 4: 1-2. Essas mesmas doutrinas falsas estão hoje sendo defendidas, e com zelo cada vez maior, pelos modernos seguidores da doutrina de Balaão e de Nicolau, que amam acreditar na mentira e promover a inimizade com Deus. 
                    Quanto aos textos originais da Bíblia, sabemos que todos foram inspirados, conforme II Timóteo 3: 16:
                   “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça...”.
                    A inspiração significa que Deus influenciou os profetas para que não houvesse desvios na comunicação de Sua mensagem, assegurando, dessa forma a unidade absoluta de Sua Palavra.                    
                    Mas, afinal, o que sabemos das traduções e das cópias? Quanto a estas, temos uma séria advertência em II Pedro 1: 20-21, na NTLH:
                    “Acima de tudo, porém, lembrem disto: ninguém pode explicar, por si mesmo, uma profecia das Escrituras Sagradas. Pois nenhuma mensagem profética veio da vontade humana, mas as pessoas eram guiadas pelo Espírito Santo quando anunciavam a mensagem que vinha de Deus”.
                    Estes versos nos advertem que, antes de tudo, se tenha cuidado com intérpretes ou copistas que buscam explicar a Palavra por si mesmos, isto é, sem a devida inspiração, estando, portanto, inabilitados para discernir a Escritura inspirada, sendo descuidados com o que elas declaram em Seu conjunto, o que seria inaceitável. Foi a partir desta admoestação que formulamos a nossa metodologia de análise.
                    Pensando nesta possibilidade da má interpretação e na saudável recomendação de se consultar mais de uma versão da Bíblia para a detecção de possíveis distorções (Mateus 5: 18 diz que nenhum j nem um til deverá ser tirado até que tudo se cumpra), já nos vieram à mente alguns desvios bem conhecidos, como, por exemplo, a falta da colocação de uma vírgula no texto de Lucas 23: 43 que, na versão Revista e Atualizada assim reza:
                      “Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”.
                       Esta resposta ao arrependido ladrão que foi crucificado com Jesus, contraria até mesmo a opinião do próprio ladrão a qual foi exposta no verso anterior: “Lembra-te de mim quando vieres no Teu reino”. Negrito acrescentado. Mas, assim traduzido, sem vírgula, este versículo fere o sentido da versão original para ajustá-lo à teoria dos mortos justificados irem imediatamente para o céu, contrariando outras passagens da Bíblia como a recomendação de Jesus à Maria, feita três dias depois da crucifixão:
                    “Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para o Meu Pai, mas vai ter com Meus irmãos, e dize-lhes: Subo para Meu Pai, para Meu Deus e vosso Deus”. João 20: 17.
                     Podemos observar que o próprio Jesus, no domingo da ressurreição, ainda não havia subido para o céu, demonstrando, portanto, uma incompatibilidade com relação à tradução de Lucas 23: 43. Não temos dúvidas que aquele ladrão morreu e foi sepultado. E, como tal, ele se encontra aguardando a ressurreição dos mortos, para o cumprimento da promessa de Jesus. Por meio de estudos comparativos foi possível detectar o engano que, felizmente começa a ser compreendido.  
                       A teoria dos bons irem imediatamente para o céu, conforme a crença do padre tradutor, não se harmoniza com a situação dos mortos declarada em outras passagens como em Eclesiastes 9: 5 e na segunda parte do verso 10, que dizem:
                      “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tão pouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento... porque no além para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma”.
                        Assim, para alcançar coerência com as demais porções da Bíblia a passagem questionada de Lucas 23 precisaria receber uma vírgula e ser traduzida para o português na forma como segue:
                        “Jesus lhe respondeu: Em verdade Te digo hoje, estarás Comigo no paraíso”.
                        Como podemos perceber, a simples omissão de um vírgula, que deveria ser acrescentada ao texto original para dar o sentido correto e coerente com as demais Escrituras, pode dar crédito a uma doutrina falsa. Para isso, basta contar com um tradutor não inspirado, mas que poderá ser flagrado por intermédio de uma metodologia simples como essa que adotamos.
                   Outra mudança que foi introduzida mais recentemente nas Escrituras e que vem negando o fato da Igreja de Laodiceia ser vomitada, se encontra claramente exposta em Apocalipse 3: 16. Conheci um judicioso irmão que, não acreditando que sua amada igreja pudesse um dia ser vomitada, confessou-me ter, como presidente da Sociedade Bíblica Brasileira, influenciado para mudar a expressão “vomitar-te-ei da minha boca” para “estou a ponto de vomitar-te”. Apesar deste texto só aparecer na versão Revista e Atualizada e de existir apenas há poucas décadas, já é defendido como se fosse original, promovendo o preconceito e a apostasia.                   
                     A partir destes antecedentes de manipulação da Palavra de Deus, estamos procurando demonstrar, pelo menos em parte, a possibilidade da existência de outras alterações, com base na doutrina de Balaão e dos nicolaítas, que poderiam estar relacionadas direta ou indiretamente com a terceira pessoa da trindade, visando corromper a mente de leitores desavisados.
                      A metodologia seguirá sendo a mesma: a do descarte de todas as alternativas incompatíveis com a unicidade da Bíblia, principalmente quando encontrarmos as mesmas passagens traduzidas por autores diferentes, mantendo, porém a coerência necessária exigida pela inspiração.
                  Não podemos, portanto, perder o foco de que toda a Escritura é divinamente inspirada, devendo, por isso, apresentar-se como uma cadeia perfeita, prendendo-se elo a elo e explicando-se mutuamente, sem apresentar contradições. A partir desta premissa básica e do alerta de II Pedro 1: 21 que nos previne contra traduções não inspiradas e, por isso, desalinhadas com o restante da Bíblia, que procuraremos esclarecer o ‘mistério’ relacionado com a terceira pessoa da trindade divina.
                  Como estamos tratando de uma questão de consciência, cada um deverá revisar com prudência as nossas considerações para tirar as suas próprias conclusões. O nosso objetivo não é o de questionar a importância fundamental do Espírito Santo disponibilizado aos crentes pelo Cordeiro de Deus, nem o de desvendar a Sua natureza mais profunda. Nos propomos apenas reunir as evidências que comprovem não ser Ele uma terceira pessoa na Divindade, e sim um dom disponibilizado para a comunidade dos crentes da Igreja Primitiva e prometido para os da Igreja Remanescente para, a partir de então, se for o caso, expor algumas das sérias consequências deste desvio relacionado com a mornidão espiritual da Igreja de Laodiceia.

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