domingo, 4 de fevereiro de 2018

O santuário terrestre

 O tabernáculo hebreu é o único santuário que nos foi dado como referência e suas instruções são úteis até mesmo para reformar nossos hábitos de saúde, visando desfrutar de mais íntima comunhão com Deus e de mais perfeita obediência aos Seus mandamentos. 
Nosso problema tem sido o de fazermos vistas grossas para as repreensões da Palavra de Deus e não aceitarmos as advertências que nos são feitas. Mas Jesus é longânimo e nos aceita como justos, enquanto aguarda pelo desenvolvimento completo de nosso caráter.
Satanás é muito hábil em retirar-nos a convicção proveniente da Palavra de Deus, colocando dúvidas onde há certeza. E como não se executa imediatamente a punição contra a má obra, estamos quase sempre dispostos a praticar o mal, principalmente porque Deus não se opõe de imediato, à nossa incredulidade. Em vez disso, Ele apresenta as provas da verdade em face das quais devemos fazer a nossa decisão, e pelas quais seremos julgados.
Precisamos reconhecer que não temos dado o devido apreço às questões eternas, preferindo os visíveis ganhos de curto prazo. Não nos esforçamos para alcançar o tesouro da glória imortal da mesma forma com que nos empenhamos para alcançarmos as coisas perecíveis.
 E prosseguindo assim vamos ignorando a nossa verdadeira condição, enquanto que a Testemunha Fiel e Verdadeira nos interpela, dizendo: não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.  Apocalipse 3: 17.
Em face desta admoestação, relacionada com a eternidade, e que vem de quem não pode errar, deveríamos nos voltar para a origem das crenças cristãs, as quais provém do santuário edificado por Moisés, a quem foi encaminhada a seguinte orientação divina:
                “E Me farão um santuário, para que Eu possa habitar no meio deles. Segundo a tudo que Eu te mostrar para modelo do tabernáculo, e para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis”. Êxodo 25: 8-9.
O fato dos móveis construídos por Moisés se assemelharem ao que João viu no Apocalipse, é significativo. Devemos tomar em conta que tudo que existia no santuário levítico existe, também, no celestial, e servirá de prova contra os incrédulos, no último dia deste mundo.
Quanta a hipótese do paralelismo das crenças cristãs com as judaicas, a mesma é confirmada pelas palavras do apóstolo Paulo que, ao redigir uma carta para os judeus cristãos espalhados por todo o Império Romano, deu seu testemunho a respeito da clara relação que ele via entre o Judaísmo e o Cristianismo, com base naquele antigo modelo:
Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal Sumo Sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como Ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu não o homem. Pois todo sumo sacerdote é constituído para oferecer assim dons como sacrifícios; por isso era necessário que também Esse Sumo Sacerdote tivesse o que oferecer. Ora, se Ele estivesse na Terra, nem mesmo sacerdote seria, visto existirem aqueles que oferecem os dons segundo a lei, os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes, assim como foi Moisés divinamente instruído, quando estava para construir o tabernáculo; pois diz Ele: Vê que faças todas as coisas de acordo com o modelo que te foi mostrado no monte” - Hebreus 8: 1-5.
Este bandeirante do Evangelho, evidentemente reconhecia que a Igreja Cristã não consistia numa alternativa ao Judaísmo, mas, nele fora enxertada para, sem perda de essência, dar continuidade ao mesmo processo, numa fase tanto mais concreta quanto mais transcendental. 
E, desta forma, ele nos estimula a concentrar nossa atenção naqueles registros sagrados, destinados a nos transportar para as cortes celestiais aonde o nosso futuro eterno ainda será decidido, em realidade. Lembremo-nos, apenas, que foi com base neste tema, julgado essencial pelo apóstolo Paulo, que começou o julgamento dos mortos e da última Igreja Cristã, em 1844.
O nosso objetivo é tão somente esclarecer o porquê de algumas igrejas remanescentes estarem se incluindo, inadvertidamente, na grande Babilônia de Apocalipse 17, a qual ruma para a destruição e, desta forma, auxiliar o crente fiel a tomar uma decisão adequada, ao nível individual.
 Estamos convictos de que assim como aquelas instruções práticas do santuário hebreu foram oportunas para orientar Israel, no passado, nos ajudarão a separar a verdade bíblica sobre o juízo de Deus das tradições humanas que lhe foram agregadas ao longo do tempo.
Sob este enfoque, neste documento, devemos considerar o acampamento das doze tribos de Israel como uma representação de todos os pecadores que um dia entraram para o serviço de Deus; As atividades realizadas no átrio ou pátio do tabernáculo serão consideradas como a obra de Cristo na Terra, ou seja, sua morte na cruz, incluindo o envio do Seu Espírito, como um reforço missionário para os seus discípulos, distribuindo, por meio deles, os preciosos dons necessários para a salvação da humanidade.
Avançando para o interior, os serviços que eram processados na tenda da congregação ainda estão cheios de significados para nós, pois apontam para uma realidade celestial presente e que também aponta para o nosso futuro.
Quanto à atualidade deste encaminhamento, nos baseamos na premissa de que ‘Deus não muda e nele não há sombra de variação’ - Tiago 1: 17.
Vamos apresentar agora uma visão de conjunto do santuário terrestre, o qual ficava no centro do acampamento israelita. Por fora do tabernáculo ficavam três tribos de cada lado. À entrada do pátio, que ficava no lado oriental, o primeiro móvel que se via era o altar de holocaustos. Um pouco mais ao fundo havia uma bacia cheia d’água envolvida por um suporte que tinha um espelho para que o sacerdote pudesse se enxergar e constatar sua limpeza, antes de entrar no santuário propriamente dito.
A Figura 1 mostra o tabernáculo aos pés do monte Sinai e foi incluída para facilitar a compreensão deste cenário.





Fig. 1: O Santuário hebreu, no deserto

Tudo neste santuário foi construído para conduzir os pensamentos para a obra redentora de Jesus Cristo. Podemos estar certos de que aqui encontraremos todos os fundamentos do Cristianismo. Até os detalhes que foram recomendados para a confecção das cortinas que limitavam o espaço sagrado, contêm informações básicas sobre o plano da redenção humana.
Por isso, antes de entrarmos no átrio e na tenda, propriamente dita, na parte do Santíssimo, em particular, que será o foco de nosso interesse, consideraremos, rapidamente, a mensagem que nos é transmitida pelas cortinas que cercavam o átrio.  Elas, também, têm muito a nos dizer.
      As cortinas que cercavam o pátio
Basta nos determos na beleza das particularidades das cortinas que cercavam o átrio do santuário hebreu para nos conscientizar da essencialidade de sua mensagem tanto para a Igreja Primitiva, como, também, para a Igreja de Laodiceia.
Numa leitura ligeira, muitas vezes, deixamos de discernir o significado mais profundo dos símbolos que se encontravam nos detalhes das cortinas. O linho branco, os pilares de bronze e as vergas e ganchos de prata estão cheios de significados cristãos. E, por meio destes símbolos encontramos revelações que são necessárias a uma melhor compreensão do plano de Deus para a nossa redenção.
                                          A cor branca das cortinas
            Todas as minúcias, bem como o relacionamento entre elas, revelam caracteres importantes sobre Jesus, o Intercessor e avalizado Juiz da corte suprema. O branco das cortinas, por exemplo, simboliza a santidade dAquele que julga e que, amoravelmente, aconselha o justo de Laodiceia, dizendo:
“Compres de Mim roupa branca, para que você fique vestido e não tenha de se envergonhar de sua nudez” - Apocalipse 3: 18.
As vestes aqui recomendadas pelo nosso Mestre são as mesmas usadas por Adão, antes do pecado. Com estas palavras Jesus está dizendo que assim como Ele nos representou no calvário, devemos representá-lo em nossa vida diária, assumindo um caráter igual ao Seu, o segundo Adão. Este é um ponto relevante que vem sendo destorcido pelos sábios de Babilônia.
A justiça de Jesus não teria sentido sem a nossa santificação; daí as Suas palavras de I Pedro 1: 16:
            “Sede santos porque Eu sou santo”.
Não há palavras ociosas nas Escrituras sagradas. Elas estão intimamente relacionadas, mesmo que proferidas em tempos muito diferentes. Não podemos nos iludir com os doutores das igrejas que, muitas vezes estão querendo abafar as próprias consciências.
Se bem que Deus considera Seu povo responsável na proporção em que a luz da verdade lhes é trazida à compreensão, Ele não perdoa ninguém cujo arrependimento não produza humildade e obediência aos Seus mandamentos.
O fato das cortinas brancas se apoiarem nos pilares de bronze, indica que a santidade de Jesus necessitava unir-se com a Sua justiça a fim de sustentar o plano de nossa redenção. Por este motivo o bronze, na Bíblia, é sempre tomado como um símbolo da justiça de Deus. Em outras palavras, antes de Jesus ser justo por nós, Ele precisava ser santo. Isto porque se Ele não fosse santo, Sua morte na cruz pagaria apenas o preço dos Seus próprios pecados, uma vez que o evangelho especifica que “o salário do pecado é a morte” - Romanos 6: 23.
Não pecando, todavia, Ele foi crucificado em nosso lugar, para nos outorgar o dom da vida eterna o qual apenas a Ele, sem pecado, pertencia. Uma vez justificados cabe-nos desenvolver o dom da santificação, comprando, por assim dizer, os Seus vestidos brancos, isto é, seguir Seu exemplo por meio do Seu Espírito Santo.
Em outras palavras, se não estivermos carregando a nossa própria cruz, no caminho da santificação, significa que ainda não fomos sequer justificados. O sangue de Jesus apagará os nossos pecados passados e os que inadvertidamente cometermos, sempre que os confessarmos e pedirmos perdão. Ele dará ainda o poder para vencer nossas fraquezas, naqueles pontos, conforme I João 1: 9:
“Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”.
Jesus é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e ainda nos purifica a alma de toda tendência para o pecado, nos colocando nas condições de Adão antes da queda. Mas somente nEle poderemos vencer, permitindo, humildemente, que ele realize em nós tanto o querer como o realizar.
Ao profeta Isaías a santidade de Deus foi destacada por meio de uma visão que ele teve no início do seu ministério:
            “No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o Templo. Serafins estavam por cima dele, cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a Terra está cheia da Sua glória”. Isaías 6: 1-3.
            Enquanto que o verso um nos apresenta a visão de Deus no Seu santuário, o qual serviu de referência para Moisés, o verso dois fala de serafins, que representam uma categoria superior de anjos dotados de seis asas, atuando junto ao seu Criador com o rosto e os pés cobertos em sinal de profunda reverência. O verso três nos dá a razão de tamanha reverência: a santidade de Deus.
            Um Deus santo significa um Ser moralmente perfeito, dotado de uma santidade absoluta. O soberano do Universo, em virtude de Sua perfeição, do Seu poder e glória é, acima de tudo, santo. Ele não somente é santo como deseja compartilhar Sua santidade conosco, a fim de nos habilitar para habitar com Ele na eternidade. Qualquer resquício de pecado bloqueará nossa comunhão eterna com Deus, conforme Isaías 59: 2:
“Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados encobrem o Seu rosto de vós, para que não vos ouça”.
 Assim, antes de vencermos no tribunal do céu, precisaremos fazer parte da glória de Deus que ainda encherá a Terra, antes da Segunda Vinda de Jesus.
Aceitar Cristo como Salvador pessoal e segui-Lo com abnegação – eis o segredo da santificação. Este é um imperativo divino! Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça! Ele precisa comunicar-nos a Sua santidade, mesmo que de forma paulatina, até que sejamos varões perfeitos em Cristo Jesus, o nosso Redentor; até que a santidade seja, também para nós, a nossa glória. Para a glorificação faz-se necessário que sejamos um com Ele assim como Ele é um com o Pai. E o segredo da perfeição, em Cristo, é a prática contínua das suas virtudes bem como a rejeição continuada dos truques do dragão vermelho que age por meio dos sábios de Babilônia.
Precisamos reconhecer que mesmo não nos destacando pela santidade natural, somos justificados pela nossa resoluta espontaneidade para confiar em Deus, ainda que isso, muitas vezes, venha redundando em fracasso. O imperativo, contudo, permanece: trocar nossas vestes sujas pelas vestes imaculadas que Jesus nos oferece, isto é, trocar o nosso caráter poluído pelo dEle, imaculado, para que o nosso nome seja confirmado no livro da vida dos remidos, em nossa passagem pelo tribunal de Deus.
No plano coletivo, apesar de nascidos pecadores fomos destinados a constituir uma nação santa e justa, pois Jesus, “pelo Seu sangue, nos libertou de nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o Seu Deus e Pai”. Apocalipse 1: 5-6.
O maligno, por meio da teoria da evolução, tenta rebaixar a criatura humana, mas o preço pago pela nossa redenção deve nos dar uma elevada compreensão do que podemos nos tornar por meio de Cristo.
Ainda há tempo tanto para Laodiceia como para o Israel literal de se arrependerem e mudarem os seus destinos. Infelizmente parece que o orgulho impedirá as lideranças de ambos reconhecerem seus erros e de salvarem uma multidão de pessoas, da mesma forma como aconteceu no passado.
Tudo indica que se dará a repetição da História, conforme Eclesiastes 1: 9 e 3: 15, voltando a acontecer o drama de Judá em sua antiga confrontação com Babilônia: dezenove anos após o primeiro cerco não foram suficientes para quebrar o orgulho de sua liderança. Jerusalém não precisava ter sido destruída, tampouco o templo do Senhor. Milhares de vidas teriam sido poupadas se tão somente ouvissem a clara palavra de Deus que lhes fora transmitida por meio do profeta Jeremias.
Mas, independentemente dos truques do dragão, os objetivos de Deus ainda serão alcançados. Um reino de sacerdotes ainda se levantará tanto em Israel como nas igrejas militantes entre as nações. No âmbito das igrejas, os justos não estarão, necessariamente sob o mesmo teto, nem mesmo sob a mesma denominação. Tampouco constituirão uma nova igreja, mas, assim mesmo constituirão um reino de sacerdotes, ainda que sem um território definido. Muitos perderão a vida no calor da batalha contra a besta, o dragão e o falso profeta, mas isso não será o mais importante porque logo ressuscitarão para o reino de Deus.  
O significado original da palavra santo não indica uma pessoa que não peca, mas que se determine a viver sem pecado. Aplica-se a um seguidor do Senhor Jesus, nascido de novo pelo batismo e reintegrado à família de Deus. Suas características são exaltadas nas primeiras palavras dos Salmos:
“Bem aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes o seu prazer está na Lei do Senhor, e, na Sua Lei, medita de dia e de noite.” Salmo 1: 1-2.
Mesmo que a santidade absoluta de Deus, ilustrada pelas cortinas brancas do Santuário terrestre, resultasse em uma relativa separação entre Ele e os Seus ‘filhos pecadores’, o processo de purificação não deveria ser interrompido. Vejamos este detalhe da separação dos pecadores, começando por Êxodo 27: 9:
“Farás também o átrio do Tabernáculo; ao lado meridional (que dá para o sul), o átrio terá cortinas de linho fino retorcido”. Parêntese acrescentado.
Essas cortinas, que contornavam todo o ambiente sagrado, separavam Deus de Seus adoradores. Quando perto delas, não se podia, sequer, enxergar o tabernáculo, uma vez que elas tinham aproximadamente dois metros e meio de altura, conforme Êxodo 27: 18:
“O átrio terá cem côvados de comprido, e cinquenta de largo por toda a banda, e cinco de alto. As suas cortinas serão de linho fino retorcido e as suas bases de bronze”.
Foi Isaías 59: 2 quem acrescentou que os nossos pecados são a causa desta separação que, no entanto, não é desejável e deve ser removida, conforme lemos em Êxodo 29: 42-43:
“Este será o holocausto contínuo por vossas gerações, à porta da congregação, perante o Senhor, onde vos encontrarei, para falar com vocês, ali. Ali virei aos filhos de Israel para que, por Minha glória, sejam santificados”.
Essas circunstâncias não mudaram. O sacrifício contínuo ou diário apontava para a constância de nosso fiel Mediador. Veremos nos detalhes da porta, mais adiante, como Jesus abriu-nos um vivo caminho para a glória do Santíssimo. O sacrifício de Jesus na cruz, efetuado uma vez por todas, é válido para sempre, mas precisa ser aplicado a cada indivíduo mediante a Sua intercessão no céu. Somente sob o sangue de Jesus os cristãos estarão seguros, porque esta foi a providência necessária, tomada em favor de todos os pecadores arrependidos, tanto da antiga como da nova aliança.
Assim, o tabernáculo terrestre, símbolo do santuário celestial, não era apenas um lugar santo como também de santificação para os filhos de Israel, o que é válido também para a Igreja de Laodiceia, em seu conjunto. Todo o lugar em que Deus habita torna-se santo, inclusive o coração humano. Se assumirmos que somos pecadores e orarmos pedindo perdão, abandonando nossos pecados, Deus nos aceita como justos, pelos méritos de Jesus; Mas é preciso que estejamos num processo decidido de reforma, para que o Espírito de Jesus esteja em nós, assim como nós estejamos nEle, para obtermos a vitória em nossa reforma e reavivamento espiritual.
Este elo conciliatório da santidade de Deus, absoluta, com a nossa, relativa, somente é possível mediante a longanimidade de nosso Pai celestial, conforme nos é revelada em Isaías 30: 18:
“Por isso o Senhor espera, para ter misericórdia de vós, e se detém para se compadecer de vós, porque o Senhor é Deus de justiça, bem-aventurados os que nEle esperam”. 
           Nunca devemos nos comparar com um segundo tipo de pecador, que não se arrepende do mal e que vive na expectativa de lucrar novamente com o mesmo pecado. Este é um pecador inveterado que se alegra com a injustiça. Não é dele que estamos falando, se bem que o mesmo não esteja fora do alcance da misericórdia divina.           
Para entendermos o significado final do linho fino das cortinas, precisamos ler Apocalipse 19: 8:
            “Pois lhes foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos”.
            Sendo a nossa justiça considerada como trapos imundos, conforme Isaías 64: 6, Jesus Cristo, a testemunha fiel e verdadeira nos recomenda ‘comprarmos’ dEle as vestiduras brancas para nos vestirmos, conforme vimos em Apocalipse 3: 18.
            E o resultado desta oferta celestial de poder e graça transformará o nosso caráter em outro, semelhante ao de Jesus, sendo este caráter transformado que será avaliado no tribunal de Deus. Quando este processo, que nos abre as portas para a eternidade, for devidamente valorizado, será motivo da mais santa alegria, como encontramos em Isaías 61: 10:
            “Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegra no meu Deus; porque Me cobriu de vestes de salvação, e Me envolveu com o manto de justiça”.
            Dessa forma os vestidos de linho, simbolizando também os nossos atos de justiça, representam nossa santidade perante Deus da mesma maneira que a cor branca do linho das cortinas representava, primariamente, a santidade de Jesus Cristo que em nós foi recebida por meio da fé. Devemos sempre lembrar que a fé sem as obras correspondentes é morta porque o perdão nunca facultará o pecado, que é a transgressão da Lei e a causa de nossa condenação.
O bronze polido
Necessitamos destacar, ainda, o relacionamento das cortinas com as colunas de bronze, que representavam um símbolo da justiça de Cristo por nós. Para isso precisamos comprovar que o bronze, na Bíblia, é um símbolo constante da justiça divina.
Vamos, pois, ler alguns versículos, começando com Gênesis 3: 15:
            “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu Descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu Lhe ferirás o calcanhar”.
Neste verso, Jesus, o Descendente da mulher, usa, figurativamente, o pé para esmagar a cabeça da serpente, obra essa de justiça, efetuada na cruz, por nós. Não é sem sentido que em Apocalipse 1: 15 os pés de Jesus glorificado sejam referidos como semelhantes ao bronze polido, como segue:
“Os pés, semelhante ao bronze polido, como que refinado numa fornalha...”.
Veremos na parte correspondente ao átrio que o altar de holocausto, símbolo profético da cruz, também era revestido de bronze.
A serpente de bronze levantada no deserto como um símbolo de Jesus, tem também o mesmo significado:
            “Fez Moisés uma serpente de bronze, e a pôs sobre uma haste; sendo alguém mordido por alguma serpente, se olhava para a de bronze, sarava”. Números 21: 9.
A aplicação aqui é a de que sendo mordidos pela serpente do pecado, olhando para Jesus somos curados. Isto acontecerá sempre que sentirmos vergonha e tristeza pelo mau ato praticado. Jesus só foi comparado com a serpente porque se fez pecado por nós.
Sendo que fomos picados pela serpente do mal, nossa única segurança para vencer no tribunal é olhar continuamente para Jesus, no alto do calvário, e seguir o Seu exemplo, como nos recomenda Paulo:  
         “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo o peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que nos estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus”. Hebreus 12: 1-2.
Se colocarmos a nossa salvação dentro dessa perspectiva responsável, num clima de profundo espírito de reverência, como convém à criatura diante do seu Criador, Jesus certamente intercederá por nós, como diz Isaías 66: 2b:
“... o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da Minha Palavra” - Isaías 66: 2b.
Perdoado o homem estará salvo, mas deve continuar separado, santificando o corpo, a alma e o espírito até a conclusão desta obra, quando o homem será santo, o que incluirá a prática de todas as obrigações dadas aos cristãos.
“Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial, considerai atentamente o apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão, Jesus” - Hebreus 3: 1.
 O Universo não caído aguarda por isso e não somente ele “mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção de nosso corpo” - Romanos 8: 23.
Examinando as cortinas do átrio, não podemos deixar de perceber um terceiro ponto de reflexão que não pode deixar de ser considerado: o dos ganchos e vergas de prata.
2.1.3 - A prata das cortinas
O glorioso resgate da humanidade, sequestrada pelo mal, por meio da santidade e pelo sangue do Cordeiro de Deus só poderia ser viabilizado mediante a misericórdia divina, a qual foi ilustrada por meio de um imperceptível detalhe: a prata que permitia a ligação das cortinas de linho, com os pilares de bronze. Isso significa que a justiça e a santidade de Jesus se conectam em nosso benefício, por meio da misericórdia, sendo impossível separá-las, sem derrubar o plano da redenção. Vejamos mais este detalhe a partir de Êxodo 27: 10:
            “Também as suas vinte bases serão de bronze; os ganchos das colunas e as suas vergas serão de prata”.
A prata, nas Escrituras, foi designada como um símbolo da nossa expiação, como podemos verificar em Êxodo 30: 15:
O rico não dará mais de meio siclo de prata, nem o pobre menos, quando derem a oferta ao Senhor, para fazerdes expiação pelas vossas almas”.
Esta conexão da justiça com a santidade, por meio da misericórdia, para a viabilização do plano da redenção, exige, também, a participação humana. Se não usarmos de misericórdia, também não receberemos misericórdia, pois é perdoando que somos perdoados e é morrendo que se vive para a vida eterna.
Os santos precisarão comprovar, no juízo, diante de milhões de testemunhas, a sua dignidade. A base no tribunal é a Lei do amor, que envolve princípios que devem ser aferidos. Se bem que todos os seres humanos foram destinados para salvação é somente o justo que aceitar a graça oferecida e viver pela fé, que será salvo.
Este é o grande mistério da redenção humana, para o qual devemos atentar. Se abrirmos as cortinas do céu, veremos que no Santíssimo se processa, atualmente, mediante registros fielmente coletados pelos anjos, um criterioso julgamento para verificar quem dentre os homens vive em conformidade com a sua profissão de fé. Cumpre assentar aqui que Deus considera seu povo responsável na proporção em que a luz da verdade lhe é trazida à compreensão.
            Entre a justiça praticada no calvário e a santidade do Cordeiro de Deus, encontra-se a compaixão divina, simbolizada pelas vergas e ganchos de prata. Seu amor revelado na cruz desarma as barreiras que foram levantadas pelos nossos pecados, dando início ao reino da graça, da misericórdia. O Senhor passa a habitar em nosso coração purificando-o cada vez mais, de acordo com o nosso envolvimento cada vez maior com os dons espirituais, obtendo uma vida de alegria no Espírito e na atmosfera do céu.
            Em Êxodo 30: 11-16, meio siclo de prata correspondente a onze gramas, avaliada em torno de um dólar, é a unidade básica de oferta ao Senhor para fazer expiação pelas almas:
            “Tomarás o dinheiro das expiações dos filhos de Israel e o darás ao serviço da tenda da congregação; e será para memória dos filhos de Israel diante do Senhor, para fazerdes expiação pelas vossas almas”. Êxodo 30: 16.
Foi, pois, com esta prata que foram construídos os ganchos das cortinas e os ganchos e as vergas das colunas de bronze. É claro que a prata não resgata ninguém, de fato, sendo apenas um símbolo da redenção que existe no amor de Jesus. Somente nos é creditada a Sua oferta quando resolvemos viver de acordo com os Seus mandamentos. Ora, os Seus mandamentos não são penosos.
A porta do tabernáculo
Finalmente, à entrada do átrio encontrava-se uma porta que também tem muito a nos dizer. Quando a justiça e a santidade divinas expulsaram Adão do paraíso, Deus os revestiu de peles de animais. Em Gênesis 3: 15 temos que da linhagem da mulher, viria à redenção, a única porta de esperança para a humanidade retornar às glórias do paraíso perdido:
“Jesus, pois, lhes afirmou de novo: Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas... Se alguém entrar por Mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem” João 10: 7 e 9.  
Enquanto o pecado de Adão fechou a porta do paraíso, segundo nos é relatado em Gên. 3: 24:
 “E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden, e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida”.
            A misericórdia divina abriu-a por meio da graça, o que aceitamos pela fé. Tendo em vista esta definição da porta, podemos apreciar melhor o significado de seus detalhes, conforme encontramos em Êxodo 27: 16:
“À porta do átrio haverá um reposteiro de vinte côvados, de estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino retorcido”.  
Essa largura de quase dez metros é expressiva, indicando que o acesso a Deus é franqueado a todos, independentemente de raças, línguas ou religiões. Nós não temos em Cristo, uma salvação restrita, reservada apenas para alguns. É como disse o apóstolo Paulo:
 “Bendito o Deus e pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda a sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais, em Cristo, assim como nos escolheu, nEle, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele; e em amor nos predestinou para Ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de Sua vontade”. Efésios 1: 3-5
Havendo graça para todos, só seremos reprovados no tribunal de Deus pela rejeição da mesma, de acordo com a nossa conduta. Se a santidade e a justiça de Deus, ilustradas pelas cortinas do átrio, erguem-se como uma barreira no plano de nossa redenção, a porta do átrio, alinhada com as demais portas do Santuário, sem ferrolhos nem trancas, constituem o caminho da graça que harmoniza os atributos do caráter divino com o nosso. 
Quanto às cores do reposteiro bem como das demais cortinas de entrada no santuário, o linho fala, como já vimos, da pureza e da santidade de Jesus Cristo, homem, enquanto que o estofo azul refere-se à sua origem e natureza divinas. A púrpura, muito usada pelos reis da antiguidade, revela Jesus Cristo como o Rei dos reis e o Senhor dos senhores e o carmesim, obviamente, se refere ao sangue remidor do Cordeiro de Deus!
Situada no lado oriental, essa porta ficava do mesmo lado daquela que fora fechada no Éden, conforme êxodo 27: 13-15:
“A largura do átrio do lado oriental para o levante será de cinquenta côvados. As cortinas para um lado da entrada serão de quinze côvados; as suas colunas serão três e as suas bases três. Para o outro lado da entrada haverá cortinas de quinze côvados; as suas colunas serão três, e as suas bases três”.
Muito importante este detalhe! Entrava-se no Santuário pelo oriente – lado do nascimento do sol. Isso também é significativo, pois, quando Deus, por um milagre do Seu poder, implantou no ventre de Maria, incompreensivelmente, o embrião de Cristo Jesus, Ele encarnou (João 1: 14), entrando no átrio (que representava a obra de Cristo na Terra) pelo mesmo lado. Podemos verificar este ponto em Lucas 1: 78-79:
“Graças à entranhável (no ventre de Maria) misericórdia de nosso Deus, pelo qual nos visitará o sol nascente (oriental) das alturas, para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos pés pelos caminhos da paz”. Parênteses acrescentados.
E quando Cristo vier pela segunda vez, também o fará pelo mesmo lado, como nos confirma João, em Apocalipse 16: 12:

“Derramou o sexto anjo a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas secaram para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do sol”.   

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