domingo, 4 de fevereiro de 2018

Os antecedentes do juízo

Deus criou o homem com Sua aparência física e semelhança no caráter - Gênese 1: 26, visando manter viva comunhão com ele. Mas o homem, sem nenhuma tendência para o pecado, e diante de uma prova fácil de ser cumprida, caiu nas tentações do enganador, perdendo a comunhão direta, a semelhança divina e o seu domínio sobre a Terra.
Desde o seu primeiro pecado, o homem precisou ficar separado de Deus, conforme Isaías 59: 2, para não ser fulminado pela santidade divina. Esta foi uma consequência do pecado da qual ninguém escapou: “porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” - Romanos 3: 23.
            Mas o homem não foi abandonado. O seu amoroso Criador logo instituiu um plano de emergência para resgatá-lo, com base na Sua misericórdia e na fé e obediência de Suas rebeldes criaturas. As consequências do pecado, no entanto, tiveram que permanecer em função da escolha voluntária do primeiro casal. E, desde então brotou no coração humano a esperança do retorno ao paraíso perdido, por meio da fé no Messias vindouro, que deveria ser demonstrada por meio de holocaustos, onde cada animal sacrificado suscitava uma reflexão aprofundada sobre os trágicos resultados do pecado, envolvendo a futura morte vicária do Cordeiro de Deus.
            O ritual, a princípio, era feito sobre altares de pedras. Mais tarde, o Senhor ordenou que Moisés construísse um santuário móvel conforme o “modelo que lhe foi mostrado no monte” - Êxodo 25: 40.
            Aquele modelo foi construído como uma réplica, em miniatura, do santuário celestial - Êxodo 25: 8-9, porque por ele, o Senhor desejava revelar aos caídos filhos de Adão, a verdadeira amplitude de Seu plano de redenção, o qual ia além de conscientizá-los das consequências do pecado e das providências divinas que foram tomadas para o retorno da humanidade ao seu estado de pureza original; Era preciso que o homem soubesse que havia uma segunda etapa para o seu resgate, a ser cumprida no céu: um juízo investigando todas as suas ações, quer fossem boas, quer más.
O cerimonial levítico, portanto, destinava-se a esclarecer, com ilustrações diárias, a transferência dos pecados do homem para o Santuário terrestre, por meio do ministério sacerdotal ao longo do ano, em benefício daqueles que aceitavam o perdão, mediante a confissão, arrependimento e abandono do pecado.
Em segundo lugar, aquele ritual devia incluir uma cerimônia anual, em um dia específico e ainda muito mais solene, envolvendo o sumo sacerdote, visando remover do santuário os pecados nele acumulados durante o ano.
Era justamente esta purificação do santuário hebreu, realizada no dia 10 do sétimo mês, no lugar Santíssimo, que foi destinada a ensinar sobre o juízo vindouro a ser processado fora do alcance da visão humana, alertando, inclusive, sobre a erradicação final do pecado, do seu autor e de todos os transgressores da Lei de Deus.
Somente depois de todo este longo processo é que o homem ficaria em condições de retornar ao seu estado de pureza original e aspirar uma pátria superior.
A primeira parte do plano levou quatro mil anos para encontrar-se com a sua realidade histórica, no início da Era Cristã, quando foi descortinada, tanto para a humanidade pecadora como para o expectante Universo não caído, toda a glória da justiça e do amor divinos, segundo registrado em Gálatas 4: 4:
 “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei”, destinado a morrer conforme vinha sendo tipificado pelos cordeiros do holocausto, desde os dias de Adão. João Batista ao ver o Messias pela primeira vez disse, incontestavelmente:
“Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo” - João 1: 29.
            Na rude cruz, erguida no Calvário, todos os seres humanos foram pré-julgados e condenados à morte, mas ali, também, naquele mesmo instante e lugar, Jesus pagava o preço do resgate para a absolvição daqueles que aceitaram, aceitavam e ainda viriam a aceitar a Sua oferta cheia de misericórdia, conforme Romanos 3: 24.
Ele “foi moído por causa de nossas iniquidades”, diz Isaías 53: 5.
Essa parte do processo da redenção desenvolvida na Terra precisou ainda receber o sinergismo do Espírito Santo, um poder fundamental enviado por Jesus para ajudar na reforma e no reavivamento dos que iam sendo redimidos pelo Seu sacrifício na cruz.
Após a Sua ressurreição, cumprida a etapa terrestre, Jesus retornou ao céu onde passou a interceder pelos caídos que se encontravam na busca do perdão e, a partir de 1844, passou, também, a julgá-los, individual e coletivamente, de acordo com o sistema ilustrado pelos trabalhos do sacerdote, durante o ano, e do sumo sacerdote, no final do ciclo cerimonial do Tabernáculo construído por Moisés.
Desta forma, as tarefas realizadas no santuário terrestre não tinham um fim em si mesmo, mas apontavam para o sacrifício da cruz e para a grandiosa obra relacionada por meio do juízo de Deus, em benefício de nossa redenção.
Foi assim que o santuário celeste, o único da nova aliança, passou a se constituir no centro de nossa esperança, porque Jesus vem nele acumulando as funções do sacerdote, do sumo sacerdote e do cordeiro que era sacrificado. Na primeira função, Ele intercede, na segunda, Ele julga e, em ambos os casos, o faz com base no sangue que derramou na cruz.
Lá nas alturas, portanto, passou a centralizar-se a esperança dos discípulos, que também é a nossa, como bem diz o apóstolo Paulo:
“Temos por âncora da alma, segura e firme, e que penetra além do véu, onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado ‘Sumo Sacerdote’ para sempre... Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo Seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido uma eterna redenção”. Hebreus 6: 19-20; 9: 12.
Observamos que, nesta passagem, Jesus entrou no santuário, e não no Santíssimo porque a palavra hagia hagion, que significa Santo dos Santos, só é usada uma única vez nos originais do livro de Hebreus, no capítulo nove, verso três.
Essa obra intercessora de Jesus, no Santuário, entretanto, passou a ser esquecida depois que foi substituída, no período da Idade Média, por um sistema paralelo de interseção, na Terra, baseado em santos, imagens e sacerdotes terrenos. Isto porque o bispo de Roma se presumiu substituto do Filho de Deus, tão logo assumiu o controle da cristandade.
A interseção pelo justo, no entanto, e o julgamento celestial, a partir do primeiro morto, seguiu incólume o seu curso no céu, e continuará até o desfecho da controvérsia entre a justiça e o pecado, quando todos os aprovados receberão o galardão da eternidade e os incrédulos, a morte eterna em seus efeitos, de acordo com as suas obras, como diz Apocalipse 22: 12.
O nosso objetivo será demonstrar a hipótese de que o Santuário mosaico, ainda que relegado às sombras do passado, resguarda, silencioso, todos os fundamentos que foram estabelecidos para servir de base para o julgamento divino e que, pelo estudo do mesmo, podemos resgatar as verdades esquecidas, pondo em relevo o desfecho final da antiga polêmica entre Cristo e Satanás, na qual estamos no centro.
 Informações básicas

O apóstolo João teve o privilégio de ver o compartimento sagrado do Santíssimo, como nos é revelado em Apocalipse 11: 19:

“Abriu-se, então o Santuário de Deus que se acha no céu, e foi vista a arca da aliança no Seu Santuário”.
Daniel 7: 14 apresenta uma visão do deslocamento de Jesus Cristo do lugar Santo para o recinto do julgamento, visando definir os súditos do Seu futuro reino.
Isto aconteceu em 1844, conforme foi apresentado no décimo capítulo da Verdade Presente nº 7, quando o Messias passou a realizar a Sua solene obra de purificação, profetizada em Daniel 8: 14, a qual implicava, segundo a profecia, na eliminação dos pecados registrados nos livros do céu e, também, na restauração das verdades bíblicas que foram deitadas por terra pelos papas medievais, conforme Daniel 8: 12:

“O exército (dos santos) lhe foi entregue (ao papado), com o sacrifício costumado (de Jesus), por causa das transgressões (do papado); e deitou por terra a verdade; e o que fez prosperou”. Parênteses e negritos acrescentados.

Muitas distorções começaram a ser introduzidas na Palavra de Deus a partir do terceiro século da Era Cristã, quando Roma eclesiástica se uniu com a política e passou a massacrar o exército dos santos e adulterar a verdade para defender seus dogmas espirituais.

Prelados inescrupulosos por séculos dominaram completamente este mercado e comandaram inexoravelmente a perseguição dos inocentes que preferiam a morte como hereges a se submeter às crenças do paganismo. Estas perseguições com milhões de vítimas fatais, durante toda a Idade Média, é um fato histórico vergonhoso e incontestável, reconhecido pelo próprio Vaticano.
A Reforma Protestante também verteu muito sangue inocente para ser estabelecida, mas a contra reforma, desenvolvida principalmente pelos jesuítas, logrou reverter, em grande medida, este processo. E hoje, essa ação é ainda intensa, conseguindo trazer de volta muitas das filhas protestantes que haviam se separado, mas que agora seguem o mesmo caminho de apostasia da verdade.
Esta obra dos jesuítas vem sendo facilitada pelas interferências culturais que foram introduzidas nas modernas versões das Escrituras, com base naquelas dos tempos de barbárie, abrindo espaços para muita especulação e dezenas de milhares de denominações cristãs.
Chegou, porém, o tempo de nos posicionar porque “vinda é a hora do Seu juízo” para os vivos, conforme Apocalipse 14: 7 e o tempo não transformou a mentira em verdade e a verdade tampouco precisa ser defendida, bastando apenas o nosso interesse para conhecê-la.
Felizmente o juízo ainda não foi ultimado e temos a oportunidade de nos preparar para viver pela fé, reconsiderando, à medida do necessário, as nossas convicções religiosas no sentido de confirmar a nossa aprovação no tribunal do alto e carimbar o nosso passaporte para a Jerusalém celestial.
A análise da parte final do ritual mosaico, que trata mais especificamente do tribunal de Deus, nos ajudará muito, facilitando o resgate das principais verdades que foram derrubadas, trazendo a luz necessária para aqueles que buscam desvendar os mistérios referentes ao juízo divino e se preparar melhor para o retorno às glórias das nossas condições originais.
Mesmo que as igrejas, em sua maioria se afundem na mornidão, poderemos, individualmente, resgatar as verdades que foram jogadas por terra, nos habilitando a receber a luz procedente da glória de Deus, antes que seja proferida a nossa sentença final e inapelável.
Para isso devemos, pacientemente, repassar estas verdades bíblicas que foram esquecidas, mas que continuam brilhando nas Escrituras do Velho Testamento e, portanto, disponíveis para todo o sincero filho de Deus.

O esforço requerido para a análise do Santuário terrestre será insignificante com relação aos benefícios provenientes do mesmo: fazer uma decisão consciente a respeito do caminho a ser trilhado, na direção da eternidade.

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