domingo, 4 de fevereiro de 2018

Os serviços no átrio

Quanto aos serviços realizados no átrio, entrando-se pela sua ampla porta via-se logo o altar de sacrifícios, o símbolo profético da cruz que foi erguida no Calvário.
Sobre este altar que ficava situado na entrada do átrio eram sacrificados animais, dentre os quais os cordeiros machos, eram os mais comuns.
Em Êxodo 27: 1-2 temos as suas dimensões, os materiais e outros detalhes:
            “Farás também o altar de madeira de acácia: de cinco côvados será o seu comprimento, e de cinco a largura, será quadrado o altar, e de três côvados a altura. Dos quatro cantos, farás levantar-se quatro chifres, os quais formarão uma só peça com o altar; e o cobrirás de bronze”.
            Esse altar era o primeiro móvel que aparecia à vista, sendo, absolutamente, impossível de se lhe ignorar. Não se podia passar ao seu lado sem vê-lo. Outro aspecto que salientava a sua importância eram as suas dimensões: 2,5m x 2,5m x 1,5m, as quais excediam, de maneira notória, as dos outros objetos sagrados. Tudo isso era da vontade de Deus, para nos fazer sentir o lugar e as dimensões que a cruz de Cristo deve ter em nossos corações e em nossas mentes.
Quando lemos na Palavra de Deus sobre a cruz, vemos que ela assume um lugar especial, e que sua importância é continuamente confirmada e sublinhada, conforme I Coríntios 2: 2:
            Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.
            Em Apocalipse 5: 6, o apóstolo João vê no céu um cordeiro como imolado e, no verso treze, eleva-se um louvor universal à Sua honra:
“Então, ouvi que toda a criatura que há no céu e sobre a Terra e sobre o mar, e tudo o que neles há estava dizendo: Àquele que está assentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos”.
Outro detalhe importante do altar de holocausto era o fato dele ser usado continuamente. Isto significa que o Senhor Jesus não está mais na cruz, mas continua Sua obra. Em todos os momentos, do dia e da noite, Ele se acha disponível para receber a alma arrependida. Atualmente Ele acumula a função de sacerdote intercessor com a de juiz dos mortos e, muito em breve, também julgará os vivos.
Os judeus, no exílio, oravam na hora do sacrifício da manhã e da tarde, com os seus rostos voltados para Jerusalém. Esse hábito representa para nós os cultos matutinos e vespertinos, que fazemos em casa. Se não tivermos oportunidade de reunirmos a família em um desses momentos, deveríamos, ao menos, fazer uma oração, a exemplo do profeta Daniel.
Os chifres que foram colocados no altar de holocaustos são símbolos da força que emana da cruz porque ela quebra os corações mais endurecidos, triunfando sobre Satanás. Os chifres eram dirigidos aos quatro pontos cardeais. A força de Cristo alcança até as extremidades da Terra! Lembremos, também, que se Deus estabeleceu este altar, Ele não estava interessado em nenhum outro. Todo o sacrifício oferecido em outro lugar não poderia ser aceito. Dinheiro, méritos e boas obras são altares que Deus não reconhece. A salvação é, unicamente, por meio de Jesus Cristo. Que nossos olhares se fixem na cruz, somente! Não tenhamos dúvida disso! É o que Paulo advoga em Atos 4: 12:
“E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”.
Quanto aos materiais, o móvel devia ser feito de madeira de acácia, revestida de bronze. A acácia era uma grande árvore, com fortes e numerosos ramos, que apresentava importantes propriedades. Sua madeira era ao mesmo tempo muito leve e muita dura. E, ainda, podia ficar muito tempo exposta à umidade ou, mesmo dentro d’água, sem apodrecer. Era resistente à umidade.
            Compreendemos facilmente porque razão Deus a designou, não somente para a construção do altar de holocaustos, como, também, para tudo o que, dentro do tabernáculo, necessitasse de madeira. Ela reunia todas as condições desejáveis: sua leveza tornava o transporte menos penoso, enquanto que a sua dureza a impedia de quebrar no curso de um de seus deslocamentos. Enfim, as chuvas ocasionais e os estacionamentos, em lugares úmidos, não a faziam apodrecer. Ela era capaz, mais do que qualquer outra, de resistir a todas as influências externas.
            Assim, a escolha de Deus se explica, corretamente, do ponto de vista prático. Mas, certamente, Deus via, ainda, mais além. Era necessária uma madeira que pudesse simbolizar, perfeitamente, a humanidade de Jesus. Aqui, ainda, a acácia respondia a esse objetivo de forma surpreendente! Ela era leve, isto é, pesava muito pouco. Jesus não veio para pesar sobre os homens, como um jugo insuportável, pelo contrário, Ele diz:
            “Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, porque Sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve”. Mateus 11: 29-30
            Ela era também dura. O Senhor Jesus resistiu a todos os assaltos do diabo, sem envergar-se nenhuma vez. Em nenhum instante Ele fraquejou. Ele nunca se apiedou de Si mesmo. Ele suportou, no Getsêmani, todo o peso do julgamento de Deus.
            Na cruz todos nós fomos julgados e condenados, mas Jesus morreu em nosso lugar.
Não degradável – Ele viveu no meio do mundo, mas o mundo jamais pôde Lhe penetrar. Nenhuma influência corruptora logrou achar acesso em Seu coração e em Seus pensamentos. Sua santidade permaneceu intacta!
            Assim a acácia não era somente própria para a construção do tabernáculo; era, também, aquela que melhor representava, simbolicamente, a humanidade de Jesus. Ao lado da acácia, o altar de holocausto continha o bronze. Esse metal é sempre tomado na Bíblia, como símbolo da justiça divina.  Ora, em Mateus 3: 15, por ocasião de Seu batismo Jesus respondeu a João Batista:
            “... deixa por enquanto, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o admitiu”.
            E onde Jesus satisfez toda a justiça de Deus? Sobre o altar de holocausto, configurado pelo bronze, que o envolvia. As palavras de João 19: 30 são ricas de sentido: “Está consumado!” Elas significavam, em primeiro lugar, que a justiça divina acabara de receber uma plena satisfação. Ele morria: o santo, o justo, pelo pecador! Essa morte desarmava a justiça divina, e o reino da graça podia então começar.
            Estava, assim, aberta a porta para o lugar Santo do santuário celestial.
            Um pouco mais ao fundo havia uma bacia cheia d’água. Em Êxodo 38: 8 lemos sobre a sua breve descrição:
“Fez também a bacia de bronze com seu suporte de bronze, dos espelhos das mulheres que se reuniam para ministrar à porta da tenda da congregação”.
Vemos que a bacia era envolvida por um suporte de bronze polido, que funcionava como espelho, para que o sacerdote pudesse enxergar, e constatar sua limpeza, antes de entrar no Santuário. O bronze, como vimos, é um símbolo da justiça de Deus! Quanto à água, esta representa um símbolo da vida. Quando a vida espiritual é gerada no coração, a água passa a ser um vívido símbolo do Espírito Santo, gerado em nós, como se observa em João 7: 38-39:
“Quem crer em Mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isso Ele disse com respeito ao Espírito que havia de receber os que nEle cressem; pois, o Espírito, até esse momento, não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado”.
O texto nos ensina que o dom do Espírito Santo seria outorgado somente aos que cressem em Jesus, justamente para dar objetividade a Sua obra redentora, o que estava condicionado ao Seu recebimento na glória do Pai. As palavras de Jesus indicam que o processo em andamento no coração de seus discípulos deveria ter continuidade sob a Sua responsabilidade, mas respaldado por criaturas do alto que seriam comissionadas para virem e darem continuidade e desenvolvimento em Sua missão.
Assim, nós podemos ver na pia, uma imagem do ministério que o Espírito de Jesus deveria realizar no coração já purificado pelo Seu sangue! Da mesma forma que o sacerdote, ao se aproximar da pia, podia ver a sua imagem refletida na água e lavar-se para remover toda impureza, a obra do Espírito Santo é a de nos revelar tudo que ainda deve desaparecer de nossos corações e de nossos pensamentos!
Em Efésios 4: 17-24, o apóstolo Paulo nos apresenta o objetivo a alcançar por meio de uma verdadeira santificação:
“Isso, portanto, digo, e no Senhor testifico, que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade de seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem pela dureza de seus corações, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez cometerem toda a sorte de impureza. Mas, não foi assim que aprendestes a Cristo, se é que de fato O tendes ouvido, e nEle fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus, no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade”.
Os sacerdotes não se contentavam em ver as suas impurezas, mas se lavavam, se purificavam com a ajuda da água. Isso quer dizer que o Espírito da verdade deve nos iluminar por meio da Bíblia e esclarecer os nossos pensamentos, nos ajudando a arrancar o que não está direito nem puro, nos fazendo avançar no caminho da santificação, da forma como diz Paulo em Efésios 5: 18-21:
“Não se embriaguem com vinho, porque perderão o controle. Em vez disso, continuem sendo cheios do Espírito - cantem salmos, hinos e canções espirituais uns para os outros; cantem ao Senhor e Lhe façam música no coração; Deem sempre graças a Deus, o Pai, por todas as coisas em nome de nosso Senhor Jesus, o Messias. Submetam-se uns aos outros no temor do Messias”.
Se encher do Espírito é viver na atmosfera da graça, tão real como o ar que nos circunda. Sempre que nos encontramos aos pés da cruz, estamos respirando esta atmosfera vivificante capaz de nos sensibilizar para desenvolver o caráter daquele que nos redimiu.
A razão da escolha do bronze para a confecção da pia é evidente. Faz-se necessário ligar estritamente a ideia do julgamento e da justiça efetuada na cruz, àquela do ministério do Espírito de Cristo agindo em nosso coração. Se alguém recusa deixar-se instruir pelo Espírito Santo e se, após ter sido esclarecido, não quiser obedecer, cairá, inevitavelmente, sob um julgamento próprio. A passagem de Hebreus 10: 26-27 é muito objetiva:
“Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifícios pelos pecados; pelo contrário, certa expectativa horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários”.
Se esvaziarmos a pia, não restará mais do que o bronze, que é a justiça. Se alguém, após ter sido purificado pelo sangue de Jesus, recusar deixar que o Espírito de Cristo exerça, em si, Sua obra de santificação, dia virá em que, não havendo arrependimento, esse alguém cairá sob o juízo de Deus, apesar de ter conhecido Sua graça.
Não temos as dimensões da pia, talvez para compreender melhor a natureza da obra do Espírito Santo, que é sem medida e disseminada por bilhões de anjos que atuam nas mentes humanas.
O fato da pia estar localizada no átrio, não longe do altar de holocaustos, nos ensina que, na vida do cristão, aqui na Terra, dois poderes de Cristo estão em obra: O Seu Sangue e o Seu Espírito. Não podemos separá-los!
Se pelo batismo eu experimento o perdão de meus pecados, foi pelo sangue vertido no calvário, a fim de marchar em novidade de vida, sob a inspiração do Seu Espírito! Não podemos negligenciar a necessidade de apresentar o fruto do Espírito. Na vida do cristão, a água do Seu batismo, o Seu sangue e o Espírito da verdade devem permanecer estritamente ligados, conforme I João 5:6:
“Este é aquele que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo; não somente com água, mas com a água e com o sangue. E o Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade”.
Já falamos que o átrio representa a parte do plano da salvação que Jesus executou na Terra. O santuário celestial, que aparece no Apocalipse não tem átrio porque essa parte concernente ao sacrifício da cruz e a obra do Espírito Santo já tinha sido cumpridos na Terra quando da conclusão do livro do Apocalipse. Em Apocalipse 22: 1-3, com referência à eternidade futura, o apóstolo João considera dois tronos:
“Então me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua praça, de uma a outra margem do rio, está a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a cura dos povos. Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os Seus servos o servirão, contemplarão a Sua face, e nas suas frontes estará o nome dEle”.

            Vimos que o bronze do altar de sacrifícios e o da pia representava a justiça de Jesus, realizada por nós, na cruz. A água, na pia, representava a obra do Espírito Santo, também desenvolvida na Terra, principalmente por meio da Igreja cristã, da qual a tenda da congregação passou a representar o símbolo, como veremos no próximo capítulo.

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