domingo, 4 de fevereiro de 2018

O Senhor de Nabucodonosor

O capítulo 4 do livro de Daniel encerra a participação do rei Nabucodonosor, quando este, provavelmente, já se encontrava no final do seu longo reinado de 43 anos e Daniel contava já com cerca de 60 anos.
Este capítulo expõe o último esforço divino para alcançar o coração do monarca, por meio de uma dramática experiência, revelando, assim, Sua forma incessante de renovar oportunidades em benefício de nossa salvação, independente de credos ou de posição social.
Não obstante as primeiras tentativas para converter o rei pagão ter alcançado um grande impacto no seu coração, o pecado, insidioso, continuou lutando pela supremacia na mente do imperador. Esta circunstância suscitou a compaixão da onipotência para que a Sua misericórdia atuasse mais uma vez.
Esta última experiência ocorrida com Nabucodonosor demonstra o eterno zelo do Senhor Jeová para cumprir seus desígnios sobre a Terra. Este governante pagão foi elevado ao poder gentio para ser um servo de Deus, como atestam as palavras de Jeremias 27: 6:
“Agora, eu entregarei todas estas terras ao poder de Nabucodonosor, rei de Babilônia, Meu servo; e também Lhe dei os animais do campo para que o sirvam”.
Este desígnio divino finalmente foi alcançado como revelam as palavras de Nabucodonosor, ditadas por ele mesmo, em Daniel 4: 1-3:
“O rei Nabucodonosor a todos os povos, nações e homens de todas as línguas, que habitam em toda a Terra: Paz vos seja multiplicada! Pareceu-me bem fazer conhecidos os sinais e maravilhas que Deus, o Altíssimo, tem feito para comigo. Quão grandes são os Seus sinais, e quão poderosas, as Suas maravilhas! O Seu reino é reino sempiterno, e o Seu domínio, de geração em geração” - Daniel 4: 1-3.
Com esta extraordinária declaração Nabucodonosor começou sua narrativa ao profeta Daniel, desejando a todos a paz por ele gozada em desfrutar das bênçãos do Altíssimo. Ele fez questão de registrar pessoalmente sua experiência, da forma como segue:
“Eu, Nabucodonosor, estava tranquilo em minha casa e feliz no meu palácio. Tive um sonho, que me espantou; e, quando estava no meu leito, os pensamentos e as visões da minha cabeça me turbaram. Por isso, expedi um decreto, pelo qual fossem introduzidos na minha presença todos os sábios da Babilônia, para que me fizessem saber a interpretação do sonho. Então, entraram os magos, os encantadores, os caldeus e os feiticeiros, e lhes contei o sonho; mas não me fizeram saber a sua interpretação”. Daniel 4: 7. 
         Este segundo sonho do rei, não foi esquecido, como o primeiro. Mas, apesar de contá-lo aos sábios, eles não tiveram a coragem para inventar uma interpretação. Foi então que Daniel mais uma vez teve que entrar em cena:
“Por fim, se me apresentou Daniel, cujo nome é Beltessazar, segundo o nome do meu Deus, e no qual há o espírito dos deuses santos; e eu lhe contei o sonho, dizendo: Beltessazar, chefe dos magos, eu sei que há em ti o espírito dos deuses santos, e nenhum mistério te é difícil; eis as visões do sonho que eu tive; dize-me a sua interpretação” -  Daniel 4: 8-9.
Com esta introdução, Nabucodonosor começou a falar do seu sonho, certamente ansioso pelo seu significado:
“Eram assim as visões da minha cabeça quando eu estava no meu leito: eu estava olhando e vi uma árvore no meio da Terra, cuja altura era grande; crescia a árvore e se tornava forte, de maneira que a sua altura chegava até ao céu; e era vista até aos confins da Terra. A sua folhagem era formosa, e o seu fruto, abundante, e havia nela sustento para todos; debaixo dela os animais do campo achavam sombra, e as aves do céu faziam morada nos seus ramos, e todos os seres viventes se mantinham dela. No meu sonho, quando eu estava no meu leito, vi um vigilante, um santo, que descia do céu, clamando fortemente e dizendo: Derribai a árvore, cortai-lhe os ramos. Mas a cepa, com as raízes, deixai na terra, atadas com cadeias de ferro e de bronze, na erva do campo. Seja ele molhado do orvalho do céu, e a sua porção seja, com os animais, a erva da terra. Mude-se lhe o coração, para que não seja mais coração de homem, e lhe seja dado coração de animal; e passe sobre ele sete tempos. Esta sentença é por decreto dos vigilantes, e esta ordem, por mandado dos santos; a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens; e o dá a quem quer e até ao mais humilde dos homens constitui sobre eles. Isto vi eu, rei Nabucodonosor, em sonhos. Tu, pois, ó Beltessazar, dize a interpretação, porquanto todos os sábios do meu reino não me puderam fazer saber a interpretação, mas tu podes; pois há em ti o espírito dos deuses santos”. Daniel 4: 10-18.
O termo vigilante, neste contexto, refere-se a alguém portador das credenciais do céu, cujas decisões são inapeláveis. Em Jó 1: 6 temos uma reunião destes santos com o seu Criador. A cepa amarrada com cadeias representa o cuidado para que a mesma fosse preservada, sem se afastar do seu lugar designado.
O termo sete tempos significa sete anos, conforme nos revela a seguinte passagem, também do profeta Daniel:
“Porque o rei do Norte tornará, e porá em campo multidão maior do que a primeira, e ao cabo de tempos, isto é, de anos, virá à pressa com grande exército e abundantes provisões” - Daniel 11: 13.
O rei, olhando para Daniel que parecia petrificado diante deste sonho, segue sua narrativa, comentando a situação do profeta:
Então, Daniel, cujo nome era Beltessazar, esteve atônito por algum tempo, e os seus pensamentos o turbaram. Então, lhe falou o rei e disse: Beltessazar, não te perturbe o sonho, nem a sua interpretação. Respondeu Beltessazar e disse: Senhor meu, o sonho seja contra os que te têm ódio, e a sua interpretação, para os teus inimigos”. Daniel 4: 19.
E, a partir do verso 20, Daniel apresenta a temível interpretação do sonho, ao rei:
“A árvore que viste, que cresceu e se tornou forte, cuja altura chegou até o céu, e que foi vista por toda a Terra, cuja folhagem era formosa, e o seu fruto, abundante, e em que para todos havia sustento, debaixo da qual os animais do campo achavam sombra, e em cujos ramos as aves do céu faziam morada, és tu, ó rei, que cresceste e vieste a ser forte; a tua grandeza cresceu e chega até ao céu, e o teu domínio, até à extremidade da Terra. Quanto ao que viu o rei, um vigilante, um santo, que descia do céu e que dizia: cortai a árvore e destruí-a, mas a cepa com as raízes deixai na terra, atada com cadeias de ferro e de bronze; na erva do campo; seja ele molhado do orvalho do céu, e a sua porção seja com os animais do campo, até que passem sobre ele sete tempos, esta é a interpretação, ó rei, e este é o decreto do Altíssimo, que virá contra o rei, meu senhor; serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo, e dar-te-ão a comer ervas como aos bois, e serás molhado do orvalho do céu; e passar-se-ão sete tempos por cima de ti, até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer. Quanto ao que foi dito, que se deixasse a cepa da árvore com as suas raízes, o teu reino tornará a ser teu, depois que tiveres conhecido que o céu domina. Portanto, ó rei, aceita o meu conselho e põe termo, pela justiça, em teus pecados e em tuas iniquidades, usando de misericórdia para com os pobres; e talvez se prolongue a sua tranquilidade”. Daniel 4: 20-28.
Daniel, ao falar da possível reabilitação do rei, certamente tinha em mente as palavras de Jeremias 18: 7-10, que dizem:
“No momento em que Eu falar acerca de uma nação ou de um reino para o arrancar, derribar e destruir, se tal nação se converter da maldade contra a qual Eu falei, também Eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe. E, no momento em que Eu falar acerca de uma nação ou de um reino, para o edificar e plantar, se ele fizer o que é mal perante Mim e não der ouvidos à Minha voz, então, Me arrependerei do bem que houvera dito lhe faria”.
Deus, em sua generosa longanimidade deu um ano para o monarca refletir, sem que o mesmo aproveitasse a oportunidade concedida. Este foi o testemunho do rei, ditado, certamente, depois de sua reabilitação:
“Todas estas coisas sobrevieram ao rei Nabucodonosor. Ao cabo de doze meses, passeando sobre o palácio real da cidade de Babilônia, falou o rei e disse: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder, e para a glória da minha majestade”? Daniel 4: 29-30.  
Ele testemunhou aqui a sua insensatez de esquecer a prevenção contida no seu segundo sonho. Deus que lhe dera tudo e, após estas arrogantes palavras, começou a sua humilhação, passando, imediatamente, da nobreza para a miséria:
“Falava ainda o rei quando desceu uma voz do céu: A ti se diz, ó rei Nabucodonosor: Já passou de ti o reino. Serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo; e far-te-ão comer erva como os bois e passar-se-ão sete tempos por sobre de ti, até que aprendas que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer. No mesmo instante, se cumpriu a palavra sobre Nabucodonosor; e foi expulso de entre os homens e passou a comer erva com os bois, o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que lhe cresceram os cabelos como as penas da águia, e as suas unhas, como as das aves”. Daniel 4: 31-33.

Assim foi o rei acometido por grave enfermidade mental, por um período de sete anos, acontecendo, no entanto, algo incomum naquele tempo: o resgate do seu governo, como ele mesmo descreve, a seguir:
“Mas ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. Todos os moradores da Terra são por Ele reputados em nada; e, segundo a Sua vontade, Ele opera com o exército do céu e os moradores da Terra; não há quem Lhe possa deter a mão, nem Lhe dizer: Que fazes? Tão logo me tornou a vir o entendimento, também, para a dignidade do meu reino, tornou a vir-me a minha majestade e o meu resplendor; buscaram-me os meus conselheiros e os meus grandes; fui restabelecido no meu reino, e a mim se me ajuntou extraordinária grandeza. Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalço e glorifico o Rei do céu, porque todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos, justos, e pode humilhar aos que andam na soberba”. Daniel 4: 34-37.
Ao levantar os olhos para o céu, em busca de socorro, o rei deu oportunidade para que o Espírito divino interagisse com o seu espírito naquele breve instante de lucidez que devolveu-lhe o entendimento. Este é um tipo de milagre que se repete na conversão de cada pecador que se arrepende. Que o nosso caso não precise passar por tamanha adversidade ou que a nossa oportunidade não passe para sempre!
O mais surpreendente, entretanto, foi o governante mundial ter recuperado o seu reinado após sete anos de demência.
Por estas, que foram as suas últimas palavras nas Escrituras, concluímos que, como indivíduo, Nabucodonosor teve um final feliz. O seu exemplo, no entanto, não foi seguido pelos seus sucessores que, inauguraram uma época de decadência, traição e morte, levando o grande império mundial à ruína, conforme a profecia.


Em função de sua degradação final, Babilônia passou a ser um símbolo da derrocada final deste mundo e Belsazar, o seu último monarca, um tipo do derradeiro executivo mundial, o qual exercerá suas funções como rei da Babilônia espiritual dos últimos dias, e receberá a mesma sentença do juiz de toda a terra. 

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