domingo, 4 de fevereiro de 2018

O Senhor, Juiz de Babilônia

 Nos próximos dois capítulos do livro de Daniel veremos como foi descartada a Babilônia histórica do cenário mundial, deixando importantes lições para nós que vivemos nos últimos dias da Babilônia espiritual.
No capítulo 5 de seu livro, Daniel ignorou dois monarcas sem importância que reinaram por seis anos em Babilônia: Evil Merodaque, filho de Nabucodonosor, citado em Jeremias 52: 31 e o seu cunhado, que o assassinou para roubar-lhe o trono. Este, também foi assassinado, bem como seu filho ainda menor, quatro anos depois. Neste capítulo o profeta destaca a queda de Babilônia e o julgamento de Belsazar, representante de seu pai, Nabonido, que foi o terceiro e último imperador na sucessão de Nabucodonosor. Belsazar reinou 11 anos na parte final dos 17 anos de reinado do seu pai, quando ficou responsável pelo reino, na cidade de Babilônia.
Sendo julgado em vida e condenado, Belsazar passou a se constituir numa advertência para todos aqueles que ainda passarão vivos pelo tribunal de Deus e, principalmente para àquele que o representa na atualidade. Ele foi executado por orgulho, irreverência e idolatria, na mesma noite em que se deu a transmissão do domínio mundial para as mãos dos medos e persas. Este é o enredo do qual trataremos a seguir.
“O rei Belsazar deu um grande banquete a mil dos seus grandes, e bebeu vinho na presença dos mil. Enquanto Belsazar bebia e apreciava o vinho, mandou trazer os utensílios de ouro e de prata, que Nabucodonosor, seu pai, tirara do templo que estava em Jerusalém, para que neles bebessem o rei, e os seus grandes, as suas mulheres e concubinas. Então trouxeram os utensílios de ouro, que foram tirados do templo da casa de Deus, que estava em Jerusalém, e beberam neles o rei, os seus grandes, as suas mulheres e concubinas. Beberam o vinho, e deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra”. Daniel 5: 1- 4.
A palavra pai neste texto indica a relação de Belsazar com Nabucodonosor, seu provável avô. Esta relação não é muito clara nas Escrituras mas, segundo as inscrições cuneiformes indicam, Nabonido, pai biológico de Belsazar, teria sido levado para Babilônia, ainda criança, quando sua mãe, uma sacerdotisa do templo da lua de Haran foi levada como prisioneira especial para o harém de Nabucodonosor. Isto teria acontecido após a tomada de Haran pelos babilônios, em 610 a. C. Nabonido, portanto, cresceu no palácio do rei e que, segundo Heródoto, se tornou o seu representante diplomático. Provavelmente tenha se casado com Nitocris, a quem Heródoto descreve como uma mulher sábia e provável filha de Nabucodonosor com uma princesa egípcia. O fato mais importante que Daniel procura destacar neste grau de parentesco, é o de que Belsazar, sendo da linhagem do grande rei, conhecia o resultado da experiência dele quando desafiou a Deus, trazendo os utensílios sagrados do templo de Israel para a sua festa pagã.
Além de não valorizar as diversas experiências que seu avô teve de passar até reconhecer, definitivamente, que o Deus do céu é quem governa todas as coisas, o último imperador babilônico ignorou, também, o exército dos medos e persas que cercavam a cidade para conquistá-la. Belsazar, certamente, acreditava que as muralhas de Babilônia fossem inexpugnáveis e que seus inimigos não poderiam fazer nada contra os habitantes da mesma. Por outro lado, ele tinha muita comida armazenada e o rio Eufrates que, passando pelo meio da cidade, representava uma boa garantia de suprimentos. Porém, quando Belsazar pensava que tudo estava sob controle apareceram uns dedos escrevendo na parede quatro palavras desconhecidas, trazendo-lhe terríveis presságios, justamente quando louvavam os seus deuses falsos, de acordo com Daniel 5: 5-17:
“No mesmo instante, apareceram uns dedos de mão de homem e escreviam, defronte do candeeiro, na caiadura da parede do palácio real; e o rei via os dedos que estavam escrevendo. Então se mudou o semblante do rei, e os seus pensamentos o turbaram; as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos batiam um no outro. O rei ordenou, em voz alta, que se introduzissem os encantadores, os caldeus e os feiticeiros; falou o rei e disse aos sábios da Babilônia: qualquer que ler esta escritura e me declarar a sua interpretação será vestido de púrpura, trará uma cadeia de ouro ao pescoço e será o terceiro no meu reino. Então, entraram todos os sábios do rei; mas não puderam ler a escritura, nem fazer saber ao rei a sua interpretação. Com isto, se perturbou muito o rei Belsazar, e mudou se lhe o semblante; e os seus grandes estavam sobressaltados. A rainha mãe, por causa do que havia acontecido ao rei e aos seus grandes, entrou na casa do banquete e disse: Ó rei, vive eternamente! Não se turbem os teus pensamentos, nem se mude o teu semblante. Há no teu reino um homem que tem o espírito dos deuses santos; nos dias de teu pai, se achou nele luz, e inteligência, e sabedoria como a sabedoria dos deuses; teu pai, o rei Nabucodonosor, sim, teu pai, ó rei, o constituiu chefe dos magos, dos encantadores, dos caldeus e dos feiticeiros, porquanto espírito excelente, conhecimento e inteligência, interpretação de sonhos, declaração de enigmas e solução de casos difíceis se acharam neste Daniel, a quem o rei pusera o nome de Beltessazar; chame-se, pois, a Daniel, e ele dará a interpretação. Então Daniel foi introduzido à presença do rei. Falou o rei e disse a Daniel: És tu aquele Daniel, dos cativos de Judá, que o rei, meu pai, trouxe de Judá? Tenho ouvido dizer a teu respeito que o espírito dos deuses está em ti, e que em ti se acham luz, inteligência e excelente sabedoria. Acabam de ser introduzidos à minha presença os sábios e os encantadores, para lerem esta escritura, e me fazer saber a sua interpretação; mas não puderam dar a interpretação destas palavras. Eu, porém, tenho ouvido dizer de ti que podes dar a interpretação e solucionar casos difíceis; agora, se puderes ler esta escritura e saber-me fazer a sua interpretação, serás vestido de púrpura, terás cadeia de ouro ao pescoço e serás o terceiro no meu reino. Então, respondeu Daniel e disse na presença do rei: os teus presentes fiquem contigo, e dá os teus prêmios a outrem; todavia, lerei ao rei a escritura e lhe farei saber a interpretação”.
E Daniel, na continuação, passa a tratar do julgamento de Belsazar, trazendo-lhe inicialmente à memória, a experiência de seu avô:
“Ó rei! Deus, o Altíssimo, deu a Nabucodonosor, teu pai, o reino e grandeza, glória e majestade. Por causa da grandeza que Lhe deu, povos, nações e homens de todas as línguas tremiam e temiam diante dele; matava a quem queria e a quem queria deixava com vida; a quem queria exaltava e a quem queria abatia. Quando, porém, o seu coração se elevou, e seu espírito se tornou soberbo e arrogante, foi derribado do seu trono real, e passou dele a sua glória. Foi expulso dentre os filhos dos homens, o seu coração foi feito semelhante ao dos animais, e a sua morada foi com os jumentos monteses; deram-lhe a comer erva como aos bois, e do orvalho do céu foi molhado o seu corpo, até que conheceu que Deus, o Altíssimo, tem domínio sobre o reino dos homens, e quem quer constitui sobre ele. Tu, Belsazar, que és seu filho, não humilhaste o teu coração, ainda que sabias tudo isto. E te levantaste contra o Senhor do céu, pois foram trazidos os utensílios da casa dele perante ti, e tu, e os teus grandes, e as tuas mulheres e as tuas concubinas bebestes vinho neles; além disto, destes louvores aos deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra que não veem, não ouvem, nem sabem; mas a Deus, em cuja mão está a tua vida e todos os teus caminhos, a Ele não glorificaste”. Daniel 5: 18-23.
Após ter sido lembrado de assuntos tão familiares que, se reconhecidos, poderiam tê-lo salvo, o rei, ainda surpreso com a aparição do vigilante não convidado que assistia à sua profana festa, procurou concentrar-se, agora, para entender a interpretação do profeta.
A Babilônia espiritual da atualidade também se embriaga, mas com o vinho de falsas doutrinas, como se ninguém estivesse observando. Porém, como aconteceu com Belsazar, tarde demais se conscientizará das advertências que lhes são feitas em Apocalipse 14: necessidade de glorificar a Deus na hora do Seu juízo, prevenindo contra a sua queda iminente e contra as terríveis consequências de seus atos. Esquece que o resultado de seu juízo também será surpreendente e inapelável por não dar atenção à grande voz do primeiro anjo, que voa pelo meio do céu, dizendo:
“Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora de seu juízo e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar e as fontes das águas”. Apocalipse 14: 7.
Belsazar não temeu a Deus e a Ele não glorificou, conforme referido no final do verso 23, não sendo, por isso, um exemplo a ser seguido. Em vez disso, demonstrou indiferença às vasilhas sagradas que hoje são representadas pelos vasos escolhidos para honra de Deus, conforme referidos por Paulo em 2 Tim 2: 21:
“Assim, pois, se alguém se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra”.
      O abuso, ainda futuro, destas vasilhas sagradas é referido em Apocalipse 17: 5-6:

“Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: Babilônia, a grande, a mãe das meretrizes e das abominações da Terra. Então, vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus; e, quando a vi, admirei-me com grande espanto”. 
Finalmente, o profeta começou a tratar da procedência e da interpretação daquela misteriosa escritura iluminada pelo lampião de parede, traduzindo a condenação do rei e de seus convivas:
“Então da parte dEle foi enviada aquela mão que traçou esta escritura. Esta, pois, é a escritura que se traçou: MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM. Daniel 5: 24-25.
Quanto à interpretação da palavra MENE, a qual, pela sua importância, mereceu a ênfase da repetição, foi a seguinte:
“Contou Deus o teu reino e deu cabo dele”; Daniel 5: 26.
Este episódio se repetirá com a Babilônia espiritual, pois o seu veredicto já foi antecipado pelo segundo anjo de Apocalipse 14: 8:
“Caiu, caiu a grande Babilônia que tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição”.
O vinho aqui referido é um símbolo de suas falsas doutrinas, que o mundo bebe sem verificar a origem. Aqui no Apocalipse, também, a importância deste fato mereceu a ênfase da repetição, só que agora com maior rigor, conforme é citado em Apocalipse 18: 1-3:
“Depois destas coisas (contexto do julgamento da grande Babilônia, em Apocalipse 17), vi descer do céu outro anjo, que tinha grande autoridade, e a Terra se iluminou com a sua glória. Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo o gênero de ave imunda e detestável, pois todas as nações têm bebido do vinho do furor de sua prostituição. Com ela se prostituíram os reis da Terra. Também os mercadores da Terra se enriqueceram à custa de sua luxúria”.  Parêntese meu.
A terceira palavra escrita na parede, TEQUEL, segundo a interpretação de Daniel significa:
“Pesado foste na balança e achado em falta”.
Este veredito contra Belsazar será o mesmo do rei da Babilônia atual. Cuidemos para que, no julgamento dos vivos, quando os nossos pensamentos forem pesados na balança do Senhor, não sejamos reprovados e venhamos a ter a mesma sorte.
A última palavra da escritura foi: PERES (singular de PARSIM), cujo significado é: “Dividido foi o teu reino e dado aos medos e aos persas”.
Na versão apocalíptica, esta advertência corresponde à mensagem do terceiro anjo, direcionada a todos os seguidores da Babilônia espiritual de nossos dias:
“... Se alguém adora a besta e sua imagem... também este beberá do vinho da cólera de Deus...” - Apocalipse 14: 9-11.
Assim como a queda da antiga Babilônia se deveu a uma estratégica derivação do rio Eufrates, para permitir a entrada dos medos e dos persas na cidade, pelo leito seco do rio, a queda da Babilônia mística de nosso tempo se dará da mesma forma, pelo secagem das ‘águas’ do rio Eufrates espiritual, conforme a revelação de Apocalipse 16: 12 e 19:

“Derramou o sexto anjo a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas secaram, para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do sol... E a grande cidade se dividiu em três partes, e caíram as cidades das nações. E lembrou-se Deus da grande Babilônia para dar-lhe o cálice do vinho do furor de Sua ira”.     

 Finalmente, o capítulo de Daniel 5 termina glorificando o profeta porque ele também é um símbolo da glorificação dos justos dos últimos dias, pelo Senhor, Justiça nossa.

“Então, mandou Belsazar que vestissem Daniel de púrpura, e lhe pusessem cadeia de ouro no pescoço, e proclamassem que passaria a ser o terceiro no governo do seu reino. Naquela mesma noite, foi morto Belsazar, rei dos caldeus. Dario, o medo, com cerca de sessenta e dois anos, se apoderou do reino”. 

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