Nos próximos dois capítulos do livro de Daniel
veremos como foi descartada a Babilônia histórica do cenário mundial, deixando
importantes lições para nós que vivemos nos últimos dias da Babilônia
espiritual.
No capítulo 5 de seu livro,
Daniel ignorou dois monarcas sem importância que reinaram por seis anos em
Babilônia: Evil Merodaque, filho de Nabucodonosor, citado em Jeremias 52: 31 e
o seu cunhado, que o assassinou para roubar-lhe o trono. Este, também foi
assassinado, bem como seu filho ainda menor, quatro anos depois. Neste capítulo
o profeta destaca a queda de Babilônia e o julgamento de Belsazar,
representante de seu pai, Nabonido, que foi o terceiro e último imperador na
sucessão de Nabucodonosor. Belsazar reinou 11 anos na parte final dos 17 anos de
reinado do seu pai, quando ficou responsável pelo reino, na cidade de
Babilônia.
Sendo julgado em vida e
condenado, Belsazar passou a se constituir numa advertência para todos aqueles
que ainda passarão vivos pelo tribunal de Deus e, principalmente para àquele
que o representa na atualidade. Ele foi executado por orgulho, irreverência e
idolatria, na mesma noite em que se deu a transmissão do domínio mundial para
as mãos dos medos e persas. Este é o enredo do qual trataremos a seguir.
“O rei Belsazar deu um grande banquete a mil dos seus grandes, e bebeu
vinho na presença dos mil. Enquanto Belsazar bebia e apreciava o vinho, mandou
trazer os utensílios de ouro e de prata, que Nabucodonosor, seu pai, tirara do
templo que estava em Jerusalém, para que neles bebessem o rei, e os seus
grandes, as suas mulheres e concubinas. Então trouxeram os utensílios de ouro,
que foram tirados do templo da casa de Deus, que estava em Jerusalém, e beberam
neles o rei, os seus grandes, as suas mulheres e concubinas. Beberam o vinho, e
deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e
de pedra”. Daniel 5: 1- 4.
A palavra pai neste texto indica
a relação de Belsazar com Nabucodonosor, seu provável avô. Esta relação não é
muito clara nas Escrituras mas, segundo as inscrições cuneiformes indicam,
Nabonido, pai biológico de Belsazar, teria sido levado para Babilônia, ainda
criança, quando sua mãe, uma sacerdotisa do templo da lua de Haran foi levada
como prisioneira especial para o harém de Nabucodonosor. Isto teria acontecido
após a tomada de Haran pelos babilônios, em 610 a. C. Nabonido, portanto,
cresceu no palácio do rei e que, segundo Heródoto, se tornou o seu
representante diplomático. Provavelmente tenha se casado com Nitocris, a quem
Heródoto descreve como uma mulher sábia e provável filha de Nabucodonosor com
uma princesa egípcia. O fato mais importante que Daniel procura destacar neste
grau de parentesco, é o de que Belsazar, sendo da linhagem do grande rei,
conhecia o resultado da experiência dele quando desafiou a Deus, trazendo os
utensílios sagrados do templo de Israel para a sua festa pagã.
Além de não valorizar as diversas
experiências que seu avô teve de passar até reconhecer, definitivamente, que o
Deus do céu é quem governa todas as coisas, o último imperador babilônico
ignorou, também, o exército dos medos e persas que cercavam a cidade para
conquistá-la. Belsazar, certamente, acreditava que as muralhas de Babilônia
fossem inexpugnáveis e que seus inimigos não poderiam fazer nada contra os
habitantes da mesma. Por outro lado, ele tinha muita comida armazenada e o rio Eufrates
que, passando pelo meio da cidade, representava uma boa garantia de
suprimentos. Porém, quando Belsazar pensava que tudo estava sob controle
apareceram uns dedos escrevendo na parede quatro palavras desconhecidas,
trazendo-lhe terríveis presságios, justamente quando louvavam os seus deuses
falsos, de acordo com Daniel 5: 5-17:
“No mesmo instante, apareceram uns dedos de mão de homem e escreviam,
defronte do candeeiro, na caiadura da parede do palácio real; e o rei via os
dedos que estavam escrevendo. Então se mudou o semblante do rei, e os seus
pensamentos o turbaram; as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus
joelhos batiam um no outro. O rei ordenou, em voz alta, que se introduzissem os
encantadores, os caldeus e os feiticeiros; falou o rei e disse aos sábios da
Babilônia: qualquer que ler esta escritura e me declarar a sua interpretação
será vestido de púrpura, trará uma cadeia de ouro ao pescoço e será o terceiro
no meu reino. Então, entraram todos os sábios do rei; mas não puderam ler a escritura,
nem fazer saber ao rei a sua interpretação. Com isto, se perturbou muito o rei
Belsazar, e mudou se lhe o semblante; e os seus grandes estavam sobressaltados.
A rainha mãe, por causa do que havia acontecido ao rei e aos seus grandes,
entrou na casa do banquete e disse: Ó rei, vive eternamente! Não se turbem os
teus pensamentos, nem se mude o teu semblante. Há no teu reino um homem que tem
o espírito dos deuses santos; nos dias de teu pai, se achou nele luz, e
inteligência, e sabedoria como a sabedoria dos deuses; teu pai, o rei
Nabucodonosor, sim, teu pai, ó rei, o constituiu chefe dos magos, dos
encantadores, dos caldeus e dos feiticeiros, porquanto espírito excelente,
conhecimento e inteligência, interpretação de sonhos, declaração de enigmas e solução
de casos difíceis se acharam neste Daniel, a quem o rei pusera o nome de
Beltessazar; chame-se, pois, a Daniel, e ele dará a interpretação. Então Daniel
foi introduzido à presença do rei. Falou o rei e disse a Daniel: És tu aquele
Daniel, dos cativos de Judá, que o rei, meu pai, trouxe de Judá? Tenho ouvido
dizer a teu respeito que o espírito dos deuses está em ti, e que em ti se acham
luz, inteligência e excelente sabedoria. Acabam de ser introduzidos à minha
presença os sábios e os encantadores, para lerem esta escritura, e me fazer
saber a sua interpretação; mas não puderam dar a interpretação destas palavras.
Eu, porém, tenho ouvido dizer de ti que podes dar a interpretação e solucionar
casos difíceis; agora, se puderes ler esta escritura e saber-me fazer a sua
interpretação, serás vestido de púrpura, terás cadeia de ouro ao pescoço e
serás o terceiro no meu reino. Então, respondeu Daniel e disse na presença do
rei: os teus presentes fiquem contigo, e dá os teus prêmios a outrem; todavia,
lerei ao rei a escritura e lhe farei saber a interpretação”.
E Daniel, na continuação, passa a
tratar do julgamento de Belsazar, trazendo-lhe inicialmente à memória, a
experiência de seu avô:
“Ó rei! Deus, o Altíssimo, deu a Nabucodonosor, teu pai, o reino e
grandeza, glória e majestade. Por causa da grandeza que Lhe deu, povos, nações
e homens de todas as línguas tremiam e temiam diante dele; matava a quem queria
e a quem queria deixava com vida; a quem queria exaltava e a quem queria
abatia. Quando, porém, o seu coração se elevou, e seu espírito se tornou
soberbo e arrogante, foi derribado do seu trono real, e passou dele a sua
glória. Foi expulso dentre os filhos dos homens, o seu coração foi feito
semelhante ao dos animais, e a sua morada foi com os jumentos monteses;
deram-lhe a comer erva como aos bois, e do orvalho do céu foi molhado o seu
corpo, até que conheceu que Deus, o Altíssimo, tem domínio sobre o reino dos
homens, e quem quer constitui sobre ele. Tu, Belsazar, que és seu filho, não humilhaste
o teu coração, ainda que sabias tudo isto. E te levantaste contra o Senhor do
céu, pois foram trazidos os utensílios da casa dele perante ti, e tu, e os teus
grandes, e as tuas mulheres e as tuas concubinas bebestes vinho neles; além
disto, destes louvores aos deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de
madeira e de pedra que não veem, não ouvem, nem sabem; mas a Deus, em cuja mão
está a tua vida e todos os teus caminhos, a Ele não glorificaste”. Daniel 5:
18-23.
Após ter sido lembrado de assuntos
tão familiares que, se reconhecidos, poderiam tê-lo salvo, o rei, ainda
surpreso com a aparição do vigilante não convidado que assistia à sua profana
festa, procurou concentrar-se, agora, para entender a interpretação do profeta.
A Babilônia espiritual da
atualidade também se embriaga, mas com o vinho de falsas doutrinas, como se
ninguém estivesse observando. Porém, como aconteceu com Belsazar, tarde demais
se conscientizará das advertências que lhes são feitas em Apocalipse 14:
necessidade de glorificar a Deus na hora do Seu juízo, prevenindo contra a sua
queda iminente e contra as terríveis consequências de seus atos. Esquece que o
resultado de seu juízo também será surpreendente e inapelável por não dar
atenção à grande voz do primeiro anjo, que voa pelo meio do céu, dizendo:
“Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora de seu juízo e adorai
aquele que fez o céu, e a terra, e o mar e as fontes das águas”. Apocalipse 14: 7.
Belsazar não temeu a Deus e a Ele
não glorificou, conforme referido no final do verso 23, não sendo, por isso, um
exemplo a ser seguido. Em vez disso, demonstrou indiferença às vasilhas
sagradas que hoje são representadas pelos vasos escolhidos para honra de Deus,
conforme referidos por Paulo em 2 Tim 2: 21:
“Assim, pois, se alguém se purificar destes erros, será utensílio para
honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa
obra”.
O abuso, ainda futuro, destas vasilhas
sagradas é referido em Apocalipse 17: 5-6:
“Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: Babilônia, a
grande, a mãe das meretrizes e das abominações da Terra. Então, vi a mulher
embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus; e,
quando a vi, admirei-me com grande espanto”.
Finalmente, o profeta começou a
tratar da procedência e da interpretação daquela misteriosa escritura iluminada
pelo lampião de parede, traduzindo a condenação do rei e de seus convivas:
“Então da parte dEle foi enviada aquela mão que traçou esta escritura.
Esta, pois, é a escritura que se traçou: MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM. Daniel 5: 24-25.
Quanto à interpretação da palavra
MENE, a qual, pela sua importância, mereceu a ênfase da repetição, foi a
seguinte:
“Contou Deus o teu reino e deu cabo dele”; Daniel 5: 26.
Este episódio se repetirá com a
Babilônia espiritual, pois o seu veredicto já foi antecipado pelo segundo anjo de Apocalipse 14: 8:
“Caiu, caiu a grande Babilônia que tem dado a beber a todas as nações do
vinho da fúria da sua prostituição”.
O vinho aqui referido é um
símbolo de suas falsas doutrinas, que o mundo bebe sem verificar a origem. Aqui
no Apocalipse, também, a importância deste fato mereceu a ênfase da repetição,
só que agora com maior rigor, conforme é citado em Apocalipse 18: 1-3:
“Depois destas coisas (contexto do julgamento da grande Babilônia, em Apocalipse 17), vi descer do céu outro anjo, que tinha
grande autoridade, e a Terra se iluminou com a sua glória. Então, exclamou com
potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de
demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo o
gênero de ave imunda e detestável, pois todas as nações têm bebido do vinho do
furor de sua prostituição. Com ela se prostituíram os reis da Terra. Também os
mercadores da Terra se enriqueceram à custa de sua luxúria”. Parêntese meu.
A terceira palavra escrita na
parede, TEQUEL, segundo a interpretação de Daniel significa:
“Pesado foste na balança e achado em falta”.
Este veredito contra Belsazar
será o mesmo do rei da Babilônia atual. Cuidemos para que, no julgamento dos
vivos, quando os nossos pensamentos forem pesados na balança do Senhor, não
sejamos reprovados e venhamos a ter a mesma sorte.
A última palavra da escritura
foi: PERES (singular de PARSIM), cujo significado é: “Dividido foi o teu reino e dado aos medos e aos persas”.
Na versão apocalíptica, esta
advertência corresponde à mensagem do terceiro anjo, direcionada a todos os
seguidores da Babilônia espiritual de nossos dias:
“... Se alguém adora a besta e sua imagem... também este beberá do vinho da
cólera de Deus...” - Apocalipse 14: 9-11.
Assim como a queda da antiga
Babilônia se deveu a uma estratégica derivação do rio Eufrates, para permitir a
entrada dos medos e dos persas na cidade, pelo leito seco do rio, a queda da
Babilônia mística de nosso tempo se dará da mesma forma, pelo secagem das
‘águas’ do rio Eufrates espiritual, conforme a revelação de Apocalipse 16: 12 e
19:
“Derramou o sexto anjo a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas
secaram, para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do
nascimento do sol... E a grande cidade se dividiu em três partes, e caíram as
cidades das nações. E lembrou-se Deus da grande Babilônia para dar-lhe o cálice
do vinho do furor de Sua ira”.
Finalmente, o capítulo de Daniel 5 termina
glorificando o profeta porque ele também é um símbolo da glorificação dos
justos dos últimos dias, pelo Senhor, Justiça nossa.
“Então, mandou Belsazar que vestissem Daniel de púrpura, e lhe pusessem
cadeia de ouro no pescoço, e proclamassem que passaria a ser o terceiro no
governo do seu reino. Naquela mesma noite, foi morto Belsazar, rei dos caldeus.
Dario, o medo, com cerca de sessenta e dois anos, se apoderou do reino”.
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