INTRODUÇÃO
“De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus, e guarda os Seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” - Eclesiastes 12: 13-14.
O nosso problema está com as obras más, porque nada ficará encoberto. Ninguém ficará fora do juízo “porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” - 2 Coríntios 5: 10. Isto deve merecer toda a nossa atenção porque estamos chegando ao final do caminho, impressionados com o alinhamento dos fatos proféticos e com a escassez do tempo que nos resta. Não podemos permitir que as distrações da vida nos impeçam de ver esta realidade com clareza.
“Daquele dia e hora ninguém sabe – continuaram a ser repetidas pelos audaciosos escarnecedores e mesmo pelos professos ministros de Cristo”. CS, p. 371. A renovação do concerto de Deus com Israel também tem se constituído em outro tabu intransponível, cegando a liderança e aos seus seguidores por extensão. Esta cultura porém, deve ser moldada pela Bíblia porque ela não é um princípio estabelecido por Deus. Mesmo que nossas conclusões sejam inesperadas, importa que estejam comprometidas com o Assim Diz o Senhor, porque:
“Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” - Amós 3: 7.
Devemos buscar a Palavra de Deus como a tesouros escondidos pois "Se o nosso evangelho está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto" - 2 Coríntios 4: 3.
CAPÍTULO 1 - A IMPLANTAÇÃO DO TRIBUNAL
“Continuei olhando até que foram postos uns tronos e o Ancião de Dias se assentou... milhares de milhares O serviam e miríades de miríades estavam diante dele; assentou-se o tribunal, e se abriram os livros” - Daniel 7: 9-10.
Em Apocalipse 20: 12 João dá continuidade a essa visão de Daniel:
“... Então, se abriram os livros. Ainda outro livro, o livro da vida foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros” – Apocalipse 20: 12.
João ainda especifica os participantes desta suprema corte de justiça, conforme Apocalipse 5: 11:
“Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes, (querubins, segundo Ezequiel 10: 15) e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares”.
João acrescenta outros detalhes:
“Imediatamente, eu me achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado, e esse que se acha assentado é semelhante, no aspecto, a pedra de jaspe e de sardônio, e, ao redor do trono, há um arco-íris semelhante, no aspecto, a esmeralda” – Apocalipse 4: 2-3.
João percebe ainda que eram quatro os querubins ativos no tribunal (Apocalipse 4: 6), e, destaca a figura de vinte e quatro anciãos que se achavam sentados nos tronos menores – Apocalipse 4: 3-4. Estes anciãos certamente foram conduzidos da Terra à imensa sala do Santíssimo para testemunhar quanto à lisura da justiça ali praticada.
João vê, na sua primeira visão, Jesus no lugar santo, entre os candeeiros; Daniel registra o deslocamento do nosso Advogado para o fórum celestial, a fim de julgar a humanidade:
“Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho de Homem, e dirigiu-Se ao Ancião de Dias, e O fizeram chegar até Ele” - Daniel 7: 13.
O apóstolo amado, no interior do santíssimo, testifica: “Então vi na mão direita daquele que está assentado no trono um rolo escrito por dentro, e por fora, selado com sete selos” - Apocalipse 5: 1.
"Mas enquanto Jesus estava a caminho do Santíssimo, João via tudo preparado, mas não o magistrado credenciado para definir os salvos para a eternidade. Por isso lemos em Apocalipse 5: 4 que o profeta “chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem mesmo de olhar para ele”.
Foi então que o profeta do Apocalipse foi consolado por um dos anciãos que estava próximo e, apontando para a entrada, disse-lhe:
“Não chore. Veja: o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu para abrir o rolo e os sete selos” - Apocalipse 5: 5.
Quando, pois, o profeta reconheceu Aquele que acabava de chegar e viu o livro da vida, definido em Apocalipse 20: 12, passando para as Suas mãos para dar continuidade à impressionante sessão, sua esperança renasceu e passou a narrar o momento em que o Messias, chamado de Cordeiro de Deus em Apocalipse 5: 6, foi recepcionado no Santíssimo, conforme Apocalipse 5: 7-10:
“Veio, pois, e tomou o livro da mão direita daquele que estava sentado no trono; e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos, e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o Teu sangue compraste para Deus os que procedem de cada tribo, língua, povo e nação e para nosso Deus os constituíste reino e sacerdote e reinarão sobre a Terra”.
Temos aqui dois fatos importantes: um concernente ao juízo individual dos que apresentam suas orações a Deus, e outro, referente aos sete selos que são abertos no capítulo 6. O conteúdo dos selos já foi verificado. A seguir examinaremos o julgamento dos mortos inscritos no livro da vida do Cordeiro.
CAPÍTULO 2 - Uma ilustração do juízo individual
Comecemos examinando a passagem de Números 32: 23:
“Porém, se não fizerdes assim, eis que pecastes contra o Senhor; e sabei que o vosso pecado vos há de achar”.
Essa sentença, dita por Moisés a alguns de seus líderes antes da travessia do rio Jordão, tem muito a ver com o que se passa hoje no céu, onde as pessoas se reencontram, de fato, com os seus pecados.
Para entender melhor a nossa condição vamos considerar um fato que aconteceu na América, alguns anos atrás, quando um repórter saiu de casa para fazer uma reportagem em uma cidade vizinha e, logo nos primeiros quarteirões, atendeu a um pedido de carona. Parou seu carro de bom grado para que o estranho entrasse. O curioso é que aquele cidadão entrou sem dizer uma só palavra. Aquele jornalista, acostumado com todo o tipo de pessoas, procurou quebrar o gelo, começando uma conversa com ele.
Falou de política, de religião e até de futebol, mas o homem permaneceu quieto, sem nada responder. Seria surdo-mudo este homem, pensou o jornalista? A verdade é que a situação começou a ficar tensa e se agravou ainda mais quando o ‘carona’ sacou de uma faquinha afiada e pontuda.
Logo a seguir, sacou, também, de dentro da camisa, de uma varinha, começando a golpeá-la com a faca.
O sujeito parecia hábil no manejo da faquinha e, logo, tinha nas mãos uma vara artisticamente trabalhada.
Fez, então, menção para descer e o jornalista rapidamente parou o carro, dando oportunidade para o estranho evadir-se, o que ele fez sem sequer agradecer.
Aliviado, o jornalista foi fazer sua reportagem e, dias mais tarde, quando voltava pelo mesmo caminho, viu um aglomerado de pessoas e, como bom jornalista, procurou saber do que se tratava.
Deparou-se, então, com um grupo horrorizado, que se encontrava diante do casal da mercearia, recentemente assaltado e morto a punhaladas. Ninguém sabia nada sobre o agressor. A única pista que encontraram, entre os mortos, foi uma varinha talhada à mão, que nada significava para eles.
Quando o jornalista reconheceu aquela varinha teve um calafrio, pois lembrou-se do sujeito que a talhou na sua frente. Procurou a polícia, contou o que sabia e logo encontraram o suposto criminoso. Instaurou-se o tribunal, onde aquele homem começou a defender-se com calma e dissimulação, negando, com segurança as acusações.
O juiz, os jurados e, mesmo o promotor público, pareciam estar inclinados a acreditar na inocência do réu quando pela sala do júri entrou o jornalista, trazendo a varinha oculta em sua mão. Foi parar na frente do seu ‘carona’ e colocou a varinha diante dos seus olhos. Aquele homem, que estava tão seguro, mudou de cor, começou a suar e a tremer e, naquele momento, todos perceberam que ele era o assassino. Aquele homem, naquele momento, encontrou-se com o seu pecado, nos lembrando da sentença de Números 32: 23:
“Porém, se não fizerdes assim, eis que pecastes contra o Senhor e sabei que o vosso pecado vos há de achar”.
Por mais que sabiamente consigamos encobrir os nossos pecados, mais cedo ou mais tarde eles aparecerão, se não nesta vida, quando passarmos pelo tribunal do céu.
A passagem registrada no Salmo 44: 21 é muito importante para nos lembrar desta nossa solene condição:
“Porventura, não o teria atinado Deus, Ele que conhece os segredos dos corações”?
O juízo de Deus é algo extremamente real e decisivo para o futuro de nossas almas e será muito semelhante ao que aconteceu naquele tribunal americano. Apesar de não pensarmos muito nele, é um ponto central no processo de nossa redenção ou perdição eterna. Será como nos lembra Paulo em Romanos 2: 16:
“... no dia em que Deus, por meio de Jesus Cristo, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho”.
CAPÍTULO 3 - O TRIBUNAL DIVINO EM OPERAÇÃO
Vamos, agora, pelos olhos da fé, adentrar à sala deste tribunal em funcionamento para termos uma ideia dos fatos que ali se passam, desde que o primeiro homem nele compareceu, o qual, com certeza foi Abel, o primeiro morto.
Em Gênesis 4: 4 lemos a seu respeito:
“Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta”.
Jesus certamente estava ali para interceder por ele e, com certeza o nome de Abel foi confirmado no livro da vida, e seus pecados foram apagados dos outros livros.
Seguindo a leitura em Gênesis 4: 5, temos:
“Ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou o Senhor”.
A Bíblia relata também a triste história de Caim, o assassino de Abel! Certamente, no tribunal de Deus, tudo devia estar contra ele, ninguém se manifestando para defendê-lo. Seu nome com certeza foi o primeiro a ser apagado do livro da vida e escrito no livro da morte.
Fica para a nós o importante apelo que encontramos em Gênesis 4: 7:
“Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta, o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”.
Desta forma, mas com muitas minúcias, vem se processando este fantástico tribunal nas cortes celestiais.
Para fixar melhor este importante tema na memória, vamos criar uma história de um casal hipotético, que habita em um bairro nobre da cidade, com duas filhas adolescentes.
Vamos imaginar que aos sábados, os quatro tomam seu bonito carro importado e dirigem-se para a Igreja remanescente daquele bairro. Nela, aquela família é bem conhecida e estimada. A mãe e as duas filhas foram recentemente batizadas. Só o pai que, apesar de ser um moço muito elogiado por todos e até citado como exemplo pelo pastor, não havia ainda se decidido pelo batismo. Mas, apesar de não ser batizado, frequentava sempre os cultos e, às vezes, era encontrado envolvido com as lides da igreja. Dava o dízimo, fazia trabalho missionário e, de vez em quando, participava das discussões espirituais. Era uma bela criatura, porém não se decidia pelo batismo.
Mas, por que será que ele não se batizava? Será que ele bebia, fumava, usava drogas? Nem pensar! Era atlético, muito simpático e gozava de excelente saúde. Contudo, apesar dos apelos, ele não se batizava. Sempre deixava a sua decisão para depois, dizendo simplesmente que havia tempo.
Aos sábados à tarde, ele apanhava seu bonito carro esporte e ia sozinho, entregar folhetos do outro lado da cidade. Lá, após o trabalho missionário, ao pôr do sol, encontrava-se, clandestinamente, com uma jovem mulher. Lembremo-nos de que este não é um caso verdadeiro. Somente estamos nos servindo dele para fazer uma simulação do juízo de Deus.
Após seu encontro, no início da noite, voltava para casa, seguindo o curso normal de sua vida. Ninguém sabia de nada. Mas, por causa deste ilegítimo compromisso, ele adia, indefinidamente, a hora de seu batismo. Sabia que precisava mudar, tinha mesmo urgência para fazê-lo, contudo, ia contemporizando com a sua acariciada transgressão.
Vamos imaginar que certo dia, voltando do trabalho ele sofra um trágico acidente. Suponhamos que o seu carro colida violentamente com um táxi que cruza o seu caminho em alta velocidade. Imaginemos também que o jovem, atingido na cabeça, tenha falecido a caminho do hospital, o que ninguém queria acreditar, apesar destas coisas acontecerem a cada instante. Todos ficaram atônitos, mas a ‘verdade’ era uma só: o nosso jovem em consideração estava morto!
E agora, será que ele poderia se corrigir? Vejamos o que diz Eclesiastes 9: 5 e 10:
“Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque sua memória jaz no esquecimento... Tudo o que te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obras, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma”.
Não devemos deixar nossas correções para depois porque o depois pode ser tarde demais! Será que o caso de nosso jovem estaria encerrado? Não! Definitivamente! Vejamos o que diz o livro de hebreus 9: 27:
“E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo”.
O juízo vem após a morte porque este é o momento certo, quando já não mais ocorrem conversões espirituais. Deve-se excetuar dessa regra apenas uma parte da nossa geração, que deverá ser julgada viva e muito em breve.
Observemos, também que o texto elimina a possibilidade de reencarnações sucessivas, afirmando que se morre uma só vez. Mas, como o nosso jovem compareceria neste tribunal, se ele já estava morto e sepultado? O relato de Daniel 7: 9-10, conjugado com Apocalipse 20: 12, nos informa que os mortos são julgados, não de corpo presente, mas pelas anotações que se encontram registradas em seus livros, armazenados no Santuário celestial, conforme examinamos inicialmente.
Quantos livros? São muitos. Vamos mencionar apenas quatro: O livro da vida, no qual todos os nomes dos que professam fé em Jesus Cristo estão inscritos. Lemos de sua existência em Apocalipse 3: 5:
“O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do livro da vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de Meu Pai e diante de Seus anjos”.
Devemos orar para que Deus não risque o nosso nome de lá, pois esta possibilidade existe, conforme Êxodo 32: 33:
“Então, disse o Senhor a Moisés: Riscarei do Meu livro todo aquele que pecar contra Mim”.
Outro livro que encontramos na Bíblia fazendo parte do juízo de Deus é o Memorial, a respeito do qual fala Malaquias 3: 16-17: “Então, os que temiam ao Senhor falavam uns aos outros; o Senhor atentava e ouvia; havia um memorial escrito diante dele para os que temem ao Senhor e para os que se lembram do Seu nome. Eles serão para Mim particular tesouro, naquele dia que preparei, diz o Senhor dos Exércitos; poupá-los-ei como um homem poupa seu filho que o serve”.
Neemias fez menção a este livro quando disse:
“Deus meu, lembra-Te de mim; e não apagues as beneficências que eu fiz à casa de meu Deus”. Neemias 13: 14.
Estejamos certos de que neste memorial todas as nossas boas ações, incluindo até mesmo palavras de simpatia e tentações resistidas estarão claramente registradas.
Outros livros citados são os de registro dos pecados - Estes livros, citados no plural, contém o histórico minucioso de cada pecado não confessado e não abandonado. Trata-se de um verdadeiro contas-correntes do pecado, onde se acha registrada cada transgressão, no momento exato de sua ocorrência, seguida de todos os seus desdobramentos, cada pecado devidamente detalhado.
Salomão faz alusão tanto ao Memorial como aos livros dos pecados em um só verso, dizendo:
“Deus há de trazer a juízo toda obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom quer seja mau.” Eclesiastes 12: 14.
Em Mateus 12: 36 Jesus fala da minúcia deste julgamento, dizendo que:
“De toda a palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do juízo”.
Somente quando nos arrependemos, confessamos e nos convertemos é que no dia do nosso juízo, nossos pecados serão apagados e jogados nas profundezas do mar. Caso contrário, os nossos pecados permanecerão nos livros do Céu, para um juízo posterior, durante o milênio, quando será estabelecida a sentença final.
Para os ímpios, portanto, suas boas obras serão apagadas do memorial de Deus, seus nomes serão riscados do livro da vida e colocados, definitivamente, no livro da segunda morte, a eterna. Pela profecia de Daniel 8: 14 nos apercebemos de que este julgamento está em curso desde 1844, quando começou pelos mortos, devendo passar, em breve, ao caso dos vivos. Dependendo de qual livro estaremos colocados, participaremos da primeira ou da segunda ressurreição, citadas em João 5: 28-29:
“Não vos maravilheis disto, porque vem à hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão; os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo”.
Vimos que o primeiro a passar por este tribunal foi Abel. Imaginemos, agora, que em certo momento compareça, pelos livros, o nosso jovem que morreu no acidente. O Senhor Deus, o Pai, não julga, mas preside todo o julgamento. Verifica o Memorial daquele jovem e percebe que ele conhecia toda a verdade, participava dos cultos de adoração, dava os dízimos, fazia trabalho missionário, mas, apesar de ser um jovem promissor, o seu caso estava muito embaraçado, porque no contas-correntes, além de outros pecados menores, constava o seu romance ilegal.
Deus, então, perguntou ao Senhor Jesus Cristo porque não havia se apresentado para defendê-lo? E, também, porque a situação daquele jovem ficou assim tão complicada?
Jesus diz: Eu morri por ele e mostra as Suas mãos marcadas pelos cravos. Além disso, diz: providenciei para que ele recebesse as impressões do Meu Espírito a fim de motivá-lo, sensibilizando-o com relação à justiça provida na cruz para a solução do seu pecado e, também a respeito deste tribunal. Ele, porém, adiou sua reforma alegando, simplesmente, que havia tempo para o arrependimento. Que mais eu poderia fazer?
O Pai, então, pergunta aos anjos que o assistiram ao longo de toda a sua vida, anotando cada particularidade: Porque o jovem não se arrependeu? Os anjos certamente responderam que fizeram todo o possível, chegando a interagir com o seu pastor, com os anciãos da igreja, com a esposa e até mesmo com os amigos no sentido de convencê-lo a mudar de vida para se batizar. Quando ele andava sozinho, muitas vezes insistimos com ele para que se convertesse, mas ele não chegou a tomar a decisão. Que mais poderíamos ter feito?
O Senhor Deus, com pesar, manda apagar o nome daquele jovem do livro da vida e escrevê-lo no livro da morte eterna e, também retirar as suas boas obras do Memorial.
Apesar de conhecer toda a verdade e de cruzar muitas e muitas vezes os átrios da igreja, aquele jovem estava perdido para sempre!
“Porém, se não fizerdes assim, eis que pecastes contra o Senhor; e sabei que o vosso pecado vos há de achar.”
“Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta, o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”.
Estaria encerrada aqui, a nossa história? De forma alguma! A esposa do jovem continuou frequentando a igreja e manteve-se fiel até à morte.
Depois de muitos anos ela morre na doce expectativa de encontrar-se com o seu amado, na manhã gloriosa da ressurreição.
Ela é sepultada ao lado do esposo e, também passa pelo tribunal de Deus. Seu nome é confirmado no livro da vida e seus pecados são apagados dos livros dos pecados.
E, naquele cemitério permanecem as duas silenciosas tumbas, uma ao lado da outra. Suas filhas continuaram firmes na igreja, como verdadeiros baluartes da causa de Deus, até a manhã da ressurreição. Foram julgadas no juízo dos vivos e aprovadas. Diz-nos o apóstolo Paulo em I Tessalonicenses 4: 13-16:
“Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança. Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim, também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem. Ora, ainda vos declaramos, por palavras do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro”.
Assim, no glorioso dia da ressurreição, entre relâmpagos e clarinadas; entre trovões e terremotos, ao som da sétima trombeta, uma daquelas sepulturas vai se abrir.
Neste dia, aguardado por todos os séculos, aquela mãe piedosa sairá gloriosamente transformada e revestida da imortalidade. Ela verá Jesus nos ares com milhões de anjos que se movimentam em todas as direções e logo verá as suas duas filhas, agora transformadas, conforme lemos em I Coríntios 15: 50-55:
“Isto afirmo, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, em um abrir e fechar d’olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E quando este corpo corruptível se revestir da incorruptibilidade e o que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão”?
As três se abraçam e se confraternizam gloriosamente numa alegria indescritível. Lembrar-se-ão, todavia, de seu esposo e pai. Estavam certas de encontrá-lo, porém verão a sua sepultura fechada. Percebem, então, que ele não foi aprovado no tribunal que investigou a sua vida e que por certo Jesus irá explicar-lhes todos os detalhes durante o julgamento no milênio.
O que se passará com elas neste momento? Não o sabemos, mas uma coisa é certa: se houver uma nuvem de tristeza, essa será, com certeza, grandemente compensada pela esfuziante felicidade daquele encontro triunfal com Jesus.
O fato é que elas seguirão para as cortes celestiais, na companhia dos remidos de todos os tempos, com os anjos, com Deus, o Pai, e com Jesus Cristo. Agora elas começarão a entender, em sua plenitude, o que disse o apóstolo Paulo:
“... Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que O amam” - I Coríntios 2: 9.
Estaria encerrada aqui a nossa história? Ainda não! Elas participarão da Ceia do Cordeiro e do juízo dos perdidos, no céu. Compreenderão porque o seu amado esposo e pai foi reprovado no juízo investigativo, e participarão do estabelecimento de sua justa sentença.
Mil anos após, retornarão à Terra renovada, dentro da Nova Jerusalém, com Deus e com Cristo, conforme lemos em Apocalipse 21: 1-3:
“Vi novo céu e nova Terra, pois o primeiro céu e a primeira Terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então vi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles”.
Ao baixar a cidade ocorrerá o que encontramos em Apocalipse 20: 5-7:
“Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com Ele os mil anos. Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto de sua prisão”.
A soltura circunstancial de Satanás, nesta ocasião, após o milênio, será provida pela segunda ressurreição, a dos perdidos, antes de serem destruídos. Continuemos imaginando nossa história; provavelmente entre trovões, relâmpagos e terremotos, o nosso jovem, aturdido, acordará.
Ele conhecia este assunto muito bem. Acreditava na sonhada ressurreição dos mortos. Olhará para o alto e, contudo, não verá Jesus nos ares, como aprendera em Mateus 24: 30-31, que diz:
“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da Terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória. E Ele enviará os Seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os Seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus”.
O jovem olha para o lado e verá a sepultura de sua esposa que fora aberta há muitíssimos anos. Verá rostos desfigurados pelo pecado, por todos os lados e dar-se-á conta tratar-se da segunda ressurreição e se abaterá profundamente. Que não seja essa a nossa sorte! Reconhecerá amargamente o seu erro e ver-se-á inexoravelmente perdido, não por falta de misericórdia, mas por causa da sua própria escolha e negligência!
Ele então verá uma grande movimentação de pessoas e um impressionante personagem convidando-o para participar do assalto à nova Jerusalém, pois que, de Satanás está escrito:
“E sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da Terra, Gogue e Magogue (inclusão de todos os maus recém-ressuscitados), a fim de reuni-los para a peleja. O número desses é como a areia do mar. Marcharam então pela superfície da Terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo dos céus e os consumiu” - Apocalipse 20: 8-9. Parêntese acrescentado.
Este não deixará de ser um momento cruciante para as suas filhas e para a sua esposa, que poderão deixar cair lágrimas sentidas naquele momento. Nesta definitiva despedida, no entanto, Deus estará com elas “e lhes enxugará dos olhos toda a lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” - Apocalipse 21: 4.
Ufa! Felizmente estamos aqui e ainda podemos corrigir os nossos erros para participarmos, jubilosos, da extrema glorificação a Deus que encontramos em Judas 24 e 25:
“Ora, Àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da Sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém”.
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